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George A. Romero, aquele que expulsou os mortos do Inferno!

Se fossemos capazes de resumir em uma única palavra o que George Romero representa para o gênero terror, ela seria nada menos do que Mestre!

George Romero

“Meus filmes sobre zumbis foram tão longe que eu fui capaz de refletir os climas socio-políticos de décadas diferentes. Eu tenho um conceito de que eles têm uma pequena parte de uma crônica, um diário cinemático do que está acontecendo”.

Se fossemos capazes de resumir em uma única palavra o que George A. Romero representa para o gênero terror, ela seria nada menos do que Mestre. Considerado como o pai dos filmes modernos sobre zumbis, Romero sempre foi respeitado, homenageado e referenciado neste sub-gênero que ajudou a promover com excelência. Sua figura simpática, acessível e por vezes tímida na vida pessoal se transforma em um homem com o pulso firme de uma pessoa que sabe o que quer, quando está dirigindo uma produção e tornando-a mais um sucesso.

George Andrew Romero nasceu no dia 4 de fevereiro de 1940, na cidade de Nova York, Estados Unidos. Com descendência cubana,  entrou na renomada universidade Carnegie-Mellon em Pittsburgh no estado da Pennsylvania. Depois de graduado, Romero passou a dirigir pequenos curtas e comerciais.

Ele e alguns amigos formaram a produtora Image Ten Productions no final dos anos 60. Fizeram uma espécie de “vaquinha” levantando cerca de 10 mil dólares para cada um e produzir o que se tornaria um dos filmes de terror mais celebrados de todos os tempos: A Noite dos Mortos-Vivos (1968).

Filmado em preto e branco com um orçamento de um pouco mais de 100 mil dólares, a visão de Romero, combinada com um roteiro sólido de autoria própria com auxílio do co-fundador da Image, John A. Russo, trouxe para a produtora um excelente retorno financeiro, alçando status de cult. A importância da produção foi tamanha que em 1999 o filme foi indicado para entrar no registro nacional de filmes do congresso dos Estados Unidos.

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Antes de retornar aos mortos-vivos os próximos filmes de Romero foram menos aclamados e consequentemente menos vistos, mas não menos curiosos. Nesta fase estão filmes como Estranhas Mutações (1973) e Martin (1977). Apesar de não obterem o sucesso atingido com A Noite…, estes filmes têm sua assinatura nas críticas e comentários sociais, normalmente relacionados com o terror. Como a maioria de seus filmes, eles foram rodados na cidade favorita de Romero (Pittsburgh, Pennsylvania) ou arredores.

Até que em 1978, Romero retorna ao gênero dos zumbis com o filme que conseguiu superar o resultado obtido anteriormente com A Noite dos Mortos-Vivos. Despertar dos Mortos foi produzido sem o envolvimento da Image Ten, até então detentora da franquia, pois devido a um erro da produtora na hora de registrar A Noite… acabou transformando-o em um filme de domínio público. Como resultado Romero e os investidores originais não receberiam nenhum dinheiro sobre os lançamentos em vídeo.

Flimando em um shopping na Pennsylvania durante a madrugada, Romero conta à história de quatro pessoas que escapam de uma série de ataques de zumbis e se trancam dentro de um lugar em que pensam que é um paraiso até que se tornam vitimas de si mesmos, da cobiça e de uma gang de motoqueiros.

Filmado com um orçamento de apenas 500 mil dólares (dizem que a cifra de 1,5 milhões divulgada foi apenas uma jogada de marketing para ajudar os produtores nas negociações com os distribuidores), o filme arrecadou mais de 40 milhões no mundo inteiro e foi nomeado como um dos filmes mais “cults” de todos os tempos pela revista Entertainment Weekly no ano de 2003. O filme também marcou o início de uma amizade e parceria duradoura entre Romero e o brilhante artista em maquiagem e efeitos Tom Savini.

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Despertar dos Mortos abriu as portas para Romero trabalhar com maiores orçamentos e elencos mais estrelados. O primeiro filme desta fase foi Cavaleiros de Aço (1981), onde trabalhou com o ator Ed Harris e em seguida Creepshow (1982), que marcou a primeira, mas não a última, adaptação de um trabalho do escritor Stephen King. Creepshow fez sucesso suficiente para que fosse habilitada uma continuação em 1987 também roteirizada por Romero.

A carreira de Romero deu uma declinada com o encerramento da então trilogia dos mortos com o filme Dia dos Mortos (1985). Sem o mesmo brilhantismo de seus dois filmes anteriores sobre zumbis, a produção derrapou na mão dos críticos que o consideraram bem “nhé“, não tendo o sucesso esperado na bilheteria e fazendo com que Romero voltasse ao assunto quase 20 anos depois.

Na sequência Romero dirige Comando Assassino (1988), sobre um homem tetraplégico e um macaco treinado que vira aos poucos seu instrumento de vingança. Ganhou prêmios em alguns festivais, mas não foi muito celebrado pelo público médio. Depois reparte uma adaptação de um conto de Edgar Allan Poe no filme Dois Olhos Satânicos (1990) com o diretor Dario Argento e em seguida mais uma adaptação de Stephen King com o interessante e subestimado A Metade Negra de 1993.

Sem obter o mesmo reconhecimento em termos de bilheteria dos seus filmes de zumbis, Romero só voltaria à cadeira de diretor após um hiato de sete anos com o filme A Máscara do Terror, sobre um homem cuja face se torna gradualmente uma máscara branca, que também não foi bem e entrou no hiato novamente, desta vez por mais cinco anos.

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Mas um pouco antes, em 1998, Romero foi contratado pela produtora de games Capcom para rodar um comercial de 30 segundos para promover o popular game Resident Evil 2, acontece que o comercial foi divulgado nas semanas que seguiram do lançamento jogo e se tornou muito popular no Japão, fato este que fez com que a Capcom formalizasse um convite para que Romero dirigisse a versão cinematográfica do game. Como bem sabemos Romero recusou, em suas palavras: “Não quero fazer mais um filme de zumbis e não quero fazer um filme baseado em alguma coisa que não é minha…“. Entretanto um pouco depois o diretor reconsiderou e chegou a escrever um roteiro, embora tenha recebido vários elogios, foi descartado para dar lugar ao tratamento de Paul W. S. Anderson.

Romero demonstrou admiração pelo diretor Zack Snyder após os bons resultados do remake de Despertar dos Mortos, lançado no Brasil como Madrugada dos Mortos (2004), fato este que contribuiu para o retorno do diretor em transformar a trilogia em quadrilogia, não antes de se aventurar no mundo dos quadrinhos ao escrever uma minissérie pela DC Comics em 6 partes chamada “Toe Tags Featuring George Romero” (com arte de Tommy Castillo e Rodney Ramos).

Em 2005 finalmente sai Terra dos Mortos, com criticas positivas e bom retorno financeiro, fazendo o cineasta se empolgar para trazer mais mortos à vida. Assim nasceu Diário dos Mortos (2007), mesmo com o cineasta tendo sido hospitalizado na época devido a um colapso que preocupou os fãs. Temendo que não tenha tempo para trazer mais zumbis, Romero ignorou as críticas negativas ao último trabalho e deu fim a franquia com o fraquíssimo A Ilha dos Mortos (2009), com doses convencionais que traíram todo o universo que ele concebeu.

Atualmente o cineasta não tem mais se envolvido com a direção, mas com roteiros e produções. É um dos responsáveis pelo roteiro da sátira Another Night of the Living Dead (2011), ao lado de John A. Russo e Alan Smithee, com este último assumindo a direção. As críticas são completamente desfavoráveis em relação ao produto final. Depois o cineasta se envolveria na produção das antologias Deadtime Stories (2009) e Deadtime Stories 2 (2011), culminando no documentário Into the Dark: Exploring the Horror Film, atualmente em pós-produção, com o relato de grandes nomes do gênero como Dario Argento, Clive Barker, Doug Bradley, Tobe Hooper, Joe Dante e os novatos Tom Six, Adam Green e muitos outros.

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Se Romero trará os mortos mais uma vez à vida no futuro, ainda não se sabe. A verdade é que o cineasta já se tornou um imortal no gênero, sendo lembrado eternamente como o responsável pelo melhor trato dado aos que estão tendo uma segunda chance de caminhar sobre a terra.

CURIOSIDADES:

George Romero é casado com a atriz Christine Forrest, que conheceu nos sets de Season of the Witch e que quase sempre faz ponta nos seus filmes;

– Foi candidato para dirigir uma versão cinematográfica do livro “A Dança da Morte” de Stephen King, adaptado por Rospo Pallenberg, mas o filme nunca se materializou. Ao invés disto foi adaptada pelo próprio King em uma minissérie de TV;

– Também foi contatado para dirigir Cemitério Maldito, mas desistiu devido a diversos atrasos, passou o bastão para o amigo Tom Savini, que também caiu fora até que finalmente Mary Lambert ficou com o trabalho;

– Começou a fazer filmes quando ainda tinha 14 anos em uma câmera de 8mm;

– Romero colaborou com a empresa de games Hip Interactive na produção de um jogo chamado City of the Dead, mas o jogo foi cancelado devido a problemas financeiros da empresa;

– Segundo George Romero seus 10 filmes favoritos são: Irmãos Karamazov (1958), Casablanca (1942), Dr. Fantástico (1964), Matar Ou Morrer (1952), As Minas do Rei Salomão (1950), Intriga Internacional (1959), Depois Do Vendaval (1952), Repulsa Ao Sexo (1965), A Marca Da Maldade (1958) e Os Contos de Hoffman (1951), muito embora afirme que foi este último que o fez ter vontade de fazer filmes;

FILMOGRAFIA:

2009: A Ilha dos Mortos (Survival of the Dead)
2007: Diário dos Mortos (Diary of the Dead)
2005: Terra dos mortos (Land of the dead)
2000: A Máscara Do Terror (Bruiser)
1993: A Metade Negra (Dark half, The)
1990: Dois olhos satânicos (Due occhi diabolici)
1988: Comando assassino (Monkey shines)
1985: O Dia dos Mortos (Day of the dead)
1982: Creepshow – Show de horrores (Creepshow)
1981: Cavaleiros de aço (Knightriders)
1978: Despertar dos mortos (Dawn of the dead)
1977: Martin (Martin)
1974: O.J. Simpson: Juice on the loose (TV)
1973: Exército de Extermínio (The Crazies)
1972: Season of the Witch / Hungry wives
1971: There’s always vanilla
1968: A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the living dead)

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5 Comentários

  1. Paloma

    Adorei a matéria! Sou muito fã do Mestre Romero

  2. Paloma

    Mestre

  3. É inventor dos três melhores filmes de zumbis de todos os tempos. O subgênero não seria o mesmo sem Romero.

  4. O que esse cara representa para o horror e pra nós , não tem preço !

  5. vanessa vasconcelos

    marcou demais esse homem, adoro ele,pena ele não gostar de the walking dead,mas beleza,até dá pra entender os motivos 😉

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