O Arcebispo Vampirologista Giuseppe Davanzati (1665-1755)

Davanzati

A busca por conhecimento de vampiros é uma prática bastante antiga e muitos vampirologistas existiram no decorrer dos tempos. Um dos mais famosos vampirologistas foi o arcebispo Giuseppe Davanzati, figura de destaque da Igreja Católica entre os séculos XVII e XVIII.

Nascido em 29 de agosto de 1665, em Bari, na Itália, ele frequentou, inicialmente, o Colégio Jesuíta de Bari, mas, aos 15 anos, ingressou na Universidade de Nápoles. Três anos depois seu pais faleceram e ele, então, ingressou a Universidade de Bologna já determinado a ser padre. Nas duas universidades, Davanzati destacou-se como excelente aluno em ciências e matemática. Terminado o curso, iniciou um período de viagens, tendo Paris como base. Não temos a data exata de sua ordenação como padre pelo bispo de Salermo, mas após a virada do século o papa Clemente XI o chamou de volta à Itália para que ele se tornasse tesoureiro do Santuário de São Nicolau, em Bari. Alguns anos mais tarde ele recebeu uma missão bem mais complicada: representar o papa em Viena perante o reinado do imperador Carlos VI. Seu sucesso como representante papal foi recompensado: Davanzati foi premiado com a promoção ao episcopado, como arcebispo de Trani, cidade localizada ao norte de Bari, servindo com distinção até 1745, quando o Papa Benedito XIV o nomeou como patriarca de Alexandria.

Seus anos como arcebispo (primeira metade do século XVIII) coincidiram com uma inusitada ascensão do tema do vampirismo na Europa. Apesar disso, Davanzati apenas tomou conhecimento do assunto em 1738, quando foi convocado para participar das discussões iniciadas a pedido do Cardeal Schtrattembach, bispo de Olmütz, Alemanha, que desejava a opinião da Igreja sobre o tema, pois o cardeal recebia relatórios oficiais sobre um “surto” de vampirismo em várias partes da Alemanha, iniciado em 1720, e na Sérvia, em 1731. Davanzati, então, estudou por anos estes relatórios e outros textos sobre o tema, publicando sua obra Dissertazione Sopra I Vampiri, em 1744.

Davanzati (2)

Na obra, Davanzati concluiu que os relatos sobre vampiros não passavam de fantasias humanas, embora provavelmente de origem diabólica. O argumento básico de Davanzati era que o vampirismo apenas aparecia para analfabetos e camponeses das classes mais baixas, ou seja, o mito era acreditado apenas por pessoas mais facilmente impressionáveis e com nível cultural pequeno. Seu trabalho foi reimpresso em 1789 e suas opiniões foram aceitas pela maioria das pessoas que estavam no poder.

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A contestação de suas ideias ocorreu com o tratado erudito de seu colega francês, Dom Augustim Calmet, publicado dois anos após o lançamento da obra de Davanzati. Calvet não concordava com as duras conclusões do arcebispo. Calvet valorizou a presença do folclore regional na interpretação e aceitação dos vampiros pelas pessoas das classes sociais mais pobres. Também deixou o final de sua obra em aberto, pois pareceu acreditar na existência do vampirismo ao afirmar que “parece impossível não apoiar a crença que prevalece nesses países de que essas aparições na realidade provêm do túmulo e que são capazes de produzir os terríveis efeitos tão difundidos e atribuídos a eles.” A diferença entre ambos era bem mais política do que filosófica: Davanzati representava a elite intelectual européia que não aceitava a cultura dos menos privilegiados, enquanto que Calvet considerava esta cultura, mesmo que com críticas.

Davanzati morreu em 16 de fevereiro de 1755.

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Orivaldo Leme Biagi

Orivaldo Leme Biagi

É mestre e doutor em História pela UNICAMP e pós-doutor em Relações Públicas pela USP. Atualmente é professor e Coordenador do curso de Direito da FAAT.

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