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Babás do Inferno: Para Elisa e Procura-se Babá

Conheça duas babás que tiveram uma passagem rápida pelo Inferno numa noite que jamais irão se esquecer: Ana e Angie!

Babás

Nem sempre é necessário ter experiência. Basta muita boa vontade e paciência, tempo disponível para se dedicar à função e, principalmente, gostar de crianças. Não há exatamente um salário, apenas uns trocados pela horas trabalhadas, além da possibilidade de aproveitar o que tem na geladeira. Talvez por esses requisitos simples, esta seja a primeira profissão de muitas jovens, muitas delas menores de idade. O problema, a princípio, é o objeto do emprego: os pequenos. Com temperamento difícil, sem a menor disposição para dormir cedo, são eles que trazem os calos do exercício, as dores do dia seguinte. São, provavelmente, representantes do que poderia ser definido como Inferno!

Desde a famosa Lenda Urbana da babá que recebe telefonemas ameaçadores ou da estátua do palhaço, o horror sempre encontrou nessa profissão uma possibilidade de causar arrepios. Quem não se lembra dos terrores experimentados pela senhorita Giddens, na interpretação fenomenal de Deborah Kerr, ao cuidar dos órfãos Flora e Miles no clássico Os Inocentes (The Innocents, 1961)? De lá para cá, muitas garotas sofreram bastante no contato com psicopatas e assombrações diversas, inspirando pesadelos e afastando curiosas ou aquelas que possivelmente imaginariam esse emprego como fácil e ideal. É provável que elas considerariam o trabalho de Greta Evans, de Boneco do Mal, o mais tranquilo de todos, tendo a obrigação de apenas cuidar de um boneco aparentemente imóvel, sem expressão. Aproveitando a estreia do filme de William Brent Bell nos cinemas, vamos conhecer hoje outras duas babás que tiveram uma passagem rápida pelo Inferno numa noite que jamais irão se esquecer: Ana e Angie.

Para Elisa (2012)

Para Elisa
Original:Para Elisa
Ano:2012•País:Espanha
Direção:Juanra Fernández
Roteiro:Juanra Fernández
Produção:Alex Carbonell, Alícia Lacarcel Comas
Elenco:Ana Turpin, Ona Casamiquela, Luisa Gavasa, Jesús Caba, Sheila Ponce, Javier Pereira, Enrique Villén, Pep Anton Muñoz

Prestes a se formar na faculdade, Ana (Ona Casamiquela) já sonha com a viagem de formatura para Madeira, em Portugal. Contudo, não poderá contar com o apoio dos pais, nem do namorado, o traficante Alex (Jesús Caba), cujo relacionamento anda conturbado devido a umas bolas foras do rapaz. É ele quem sugere a busca por um emprego como babá, a partir de um anúncio que não pede experiência anterior. Ana vai ao local do emprego, mesmo com a tentativa de um mendigo de impedir sua entrada no prédio, e se apresenta para a estranha Diamantina (Luisa Gavasa), que já demonstra uma certa instabilidade emocional logo na entrevista. Ela basicamente precisará cuidar de uma jovem tímida, que adora bonecas e não tem muito o costume de sair de casa. A sensação de que algo não está certo já surge na apresentação da “menina“: Elisa (Ana Turpin) é uma mulher adulta com roupas de criança.

Antes que possa se afastar do local, Ana já foi drogada e perde a consciência. Ao acordar, está amarrada a uma cadeira de balanço, vestida como uma boneca. Agora, sem conseguir falar por conta da droga que afetou suas cordas vocais, ela é o brinquedo da louca Elisa, com o intermédio da ainda mais insana mãe. Sair de lá será bastante complicado, e precisará de esforço e capacidade de suportar a dor e o medicamento que a deixou sonolenta.

Para Elisa (2012) (1)

Com direção e roteiro de Juanra Fernández, Para Elisa é um horror espanhol claustrofóbico que quase nos convence de que é um bom filme. Aliás, chega perto disso, mas esbarra em algumas soluções bobas do enredo e uso ingênuo de alguns clichês básicos. Para exemplificar o primeiro problema, o namorado traficante vai a uma delegacia em busca de ajuda policial. O único policial a serviço – por conta dos recursos reduzidos – diz a velha fala de ter que aguardar 48 horas para uma busca oficial e que a amiga pode ter fugido ou aprontado alguma. O rapaz, então, a partir de uma vaga memória do local onde a garota pode ter ido, sai em busca da namorada. Ao se aproximar da região, ele se esbarra na rua com o mesmo mendigo do começo, que, em sua insanidade, apenas diz: “Eu tentei avisar. Falei que ela não devia entrar.” Alex ouve isso e já conclui, mesmo sem a certeza do endereço, que ele poderia saber onde Ana está.

Quanto aos clichês, há vários momentos em que a vilã está desacordada, permitindo uma fuga da casa, desde que a menina termine o serviço. Ora, você está num cativeiro, precisando buscar ajuda e consegue acertar a cabeça da pessoa que te prendeu ali. Por que, diabos, não bate mais e evita que a pessoa possa voltar a persegui-la? É um erro bastante comum no gênero e que é uma constante que sempre incomoda e impede uma avaliação melhor. Para Elisa também disperdiça momentos mais violentos, como as marteladas na perna ao estilo Louca Obsessão (Misery, 1990), que resultam em pequenas feridas roxas ou o desmembramento e eliminação de duas outras personagens, algo que a Espanha outrora já demonstrara mais ousadia.

Para Elisa (2012) (2)

Não é um filme ruim. Curto e rápido, poderia até perturbar o espectador se soubessem aproveitar melhor a condição da sequestrada e ampliar sua angústia em mais torturas psicológicas. Uma solução fácil seria a apresentação de outras babás, vítimas da família, servindo como bonecas imóveis; ou até mesmo explorar os vizinhos, com aquela outra Ana de um apartamento próximo e que parece ter uma boa história para contar.

Procura-se Babá (Babysitter Wanted, 2008)

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Procura-se Babá
Original:Babysitter Wanted
Ano:2008•País:EUA
Direção:Jonas Barnes, Michael Manasseri
Roteiro:Jonas Barnes
Produção:Kimberley Kates, Michael Manasseri
Elenco:Tina Houtz, Sarah Thompson, Nana Visitor, Jillian Schmitz, Matt Dallas, Linda Neal, Monty Bane, Douglas Rowe, Bruce Thomas, Kristen Dalton

A religiosa Angie Albright (Sarah Thompson) teve que abandonar a mãe, em sua pequena cidade, para estudar História da Arte numa boa universidade. Tímida e desajeitada, ela é obrigada a dividir o dormitório com uma drogada e promíscua, e ainda vê a necessidade de buscar um emprego temporário para, quem sabe, comprar uma cama. Ela logo faz amizade com o jovem Rick (Matt Dallas), e vai ao local do emprego, numa fazenda isolada, já notando a presença de um estranho, sempre a observando de longe. A morada rural pertence aos simpáticos Jim Stanton (Bruce Thomas) e sua esposa Violet (Kristen Dalton), que possuem o pequeno cowboy de poucas palavras Sam (Kai Caster).

Angie é contratada para cuidar do menino em um sábado, numa noite que parece tranquila e serena. Contudo, o estranho que a seguia por todos os lugares, com enormes cicatrizes no rosto, está prestes a invadir o local, obrigando-a a ações desesperadas se quiser evitar uma tragédia. Ela, inclusive, havia alertado a polícia, com destaque para Dinneli (Bill Moseley), quanto às ameaças recebidas, tendo a atenção necessária para uma visita noturna.

Procura-se Babá (2008) (1)

Tudo poderia apontar o longa, dirigido por Jonas Barnes e Michael Manasseri, para mais uma versão de Mensageiro da Morte (When a Stranger Calls, 1979), que rendeu o remake Quando um Estranho Chama (2006), mas o enredo vai além. Apesar das tentativas de surpreender o espectador, fica claro quem ocupa realmente o papel de bandido pelas inúmeras pistas deixadas. Desde um estranho altar como a vontade louca do pequeno de comer, qualquer um vai logo perceber que a fazenda esconde algo maligno. E é exatamente nesse manjado plot twist que o longa se beneficia, com momentos de tensão e suspense, com algumas boas doses de violência, aproveitando a fase torture porn do gênero.

Com boas atuações, com exceção do garoto, é a beleza angelical de Sarah Thompson que faz a diferença. Ela realmente convence como uma pacata e religiosa jovem, transformando-se, aos poucos, em uma vingadora violenta no último ato. Toda a sua fé é colocada à prova, quando ela percebe que o Mal realmente existe e está naquele local de trabalho, em uma ótima metáfora sobre as dificuldades em ter que cuidar de pequenos diabinhos.

Procura-se Babá (2008) (2)

Ainda tinha chances de ganhar mais pontos se fosse ainda mais além, com uma perspectiva apocalíptica, não centrando apenas no ambiente único. Mas, vale a ousadia pela perseguição final e o final que inspira uma continuação e até o início de uma série de TV.

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1 Comentário

  1. Daniel Tibéri

    É uma Pena em procura-se Baba de 2008, todo o filme foi legal só o final quando sabemos quem é o Assassino, deixou a desejar.

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