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Exclusivo: Boca do Inferno entrevista Fede Alvarez, diretor de Um Homem nas Trevas

Confira o que o diretor falou sobre sua mais nova produção, seus próximos projetos no cinema e sua visão do mundo audiovisual

O diretor elogiou o trabalho de Stephen Lang, contou sobre como foi trabalhar com o som no filme e que podemos ter Jane Levy em futuros projetos!

O diretor elogiou o trabalho de Stephen Lang, contou sobre como foi trabalhar com o som no filme e que podemos ter Jane Levy em futuros projetos!

Com a colaboração de Silvana Perez

Fede Alvarez tem 38 anos e é natural do Uruguai. Sua primeira produção foi o curta Los Pocillos, mas o projeto que o impulsionou para Hollywood foi seu quarto curta, Ataque de Pánico, que conta a história de robôs gigantes invadindo a capital Montevidéu e destruindo tudo que aparece pela frente. O curta foi realizado com um orçamento baixíssimo, mas a qualidade dos efeitos visuais não deixou a desejar, colocando o diretor nas vistas dos grandes produtores.

Depois disso, Alvarez foi chamado para dirigir seu primeiro longa, e esse seria apenas o remake de A Morte do Demônio, lançado em 2013. Em 2014 Fede dirigiu um episódio da série de TV Um Drink no Inferno e agora em 2016 teve seu segundo longa lançado, O Homem nas Trevas.

Confira a entrevista exclusiva que o Boca do Inferno fez com o diretor e conheça mais sobre as produções de Alvarez, seus próximos planos e também sua visão e influências do mundo cinematográfico!

O que o público pode esperar de O Homem nas Trevas?

Se você gosta de histórias clássicas de suspense você definitivamente vai ser fisgado, no começo te prenderemos na cadeira e depois não te deixaremos ir embora até o último segundo. Isso é o que nós tentamos fazer.

Como você teve a ideia para fazer esse filme? Já que você também escreveu o roteiro.

Bem, nós queríamos fazer uma história com muito suspense que envolvesse personagens que fossem assaltantes, mostrando o que eles fazem o porquê deles roubarem e também como eles entram nas casas das pessoas. Nós queríamos mostrar essa realidade e eu queria apresentá-los de uma forma humana, introduzindo-os como pessoas reais, mas nós temos que colocar um antagonista, alguém que está em uma das casas invadidas. Então eles enfrentarão esse grande oponente, que pensa igual a eles, que também está em um lugar escuro. Então, com todas essas ideias, nós construímos o filme.

Como foi construir o personagem de Stephen Lang?

Normalmente nada dessas coisas são fáceis, bons filmes são difíceis de fazer, e representar a vida é complicado, mas Stephen Lang é um ótimo ator e assim que ele entrou no set ele já era o personagem. Ele foi perfeito, exatamente o que nós colocamos no roteiro, então poderia ter sido muito mais difícil… Mas claro, a parte complicada era responsabilidade dele, conseguir vender a cegueira, mostrar como uma coisa natural, então eu devo dar os créditos para ele por ter feito um trabalho tão bom.

Vocês não consideraram colocar uma pessoa realmente cega para interpretar o papel?

Não, nós nem pensamos nisso porque não conhecíamos nenhum ator cego que estaria no mesmo nível de Stephen Lang, e o principal para mim é dar uma boa história para o público, então se você o vê como cego isso é o necessário. Filmes são faz de conta, não é uma casa real, não são assaltantes de verdade, tudo se trata de vender uma ideia para o público e fazê-los ver aquilo como real, uma pessoa cega poderia ter uma ótima história para contar, mas acho que não seria algo muito inteligente a ser feito e também seria muito complexo, além de ser muito mais difícil achar um ator tão bom.

O Homem nas Trevas (2016) OPCAO1

O som é um elemento muito importante em O Homem nas Trevas, como ele foi trabalhado?

Durante o filme tem alguém tentando escapar de uma casa que o dono é cego, e que está te procurando, então você tem que ser muito silencioso. Há vários momentos de silêncio, o que nos dá bastante espaço para brincar com efeitos sonoros e com a música, que basicamente se mesclam no filme, é difícil saber o que é o que. Roque Baños, é o compositor desse projeto e nós trabalhamos juntos em A Morte do Demônio e estamos trabalhando juntos de novo agora em O Homem nas Trevas, e ele é um gênio. Ele teve a ideia de fazer a música não só com instrumentos normais, mas sim construir novos instrumentos com utensílios que nós encontramos dentro de casa, como canos velhos e pedaços de madeira. 90% da trilha sonora são sons feitos com esses instrumentos, criados basicamente a partir de lixo; então realmente parece que a música faz parte da casa e é quase hipnótico, te arrasta para dentro do filme.

Quais foram suas principais influências para fazer O Homem nas Trevas?

Várias coisas, é muito difícil saber às vezes porque cada vez que você faz um filme você escreve a história que você quer contar e não fica pensando em uma história em particular, se você ficar pensando em uma história ou filme específico o seu projeto vai se tornar uma cópia. A verdade é que não tem outro filme que seja igual a esse, essa é uma história que nunca foi contada antes. Eu acho que O Homem nas Trevas é um filme similar a Um Clarão nas Trevas e As Criaturas Atrás das Paredes. Até hoje eu não vi As Criaturas Atrás das Paredes e Um Clarão nas Trevas eu fui assistir depois que tinha terminado o roteiro, porque a minha mãe disse que existia um filme que ela adorava assistir quando era mais nova e que era bem parecido com o que eu estava fazendo, mas eu não posso chamá-los de influências. Eu acho que as minhas influências são mais os filmes clássicos do Hitchcock, onde os personagens são sempre maus. Se você pensar em Pacto Sinistro ou Psicose ninguém era um herói, eles são todos anti-heróis que fazem coisas ruins. Eu acho que isso cria histórias incríveis porque todos os personagens são misteriosos e você não sabe quem vai ganhar, quem vai sobreviver, o que normalmente deixa a história intrigante. Então eu diria que os filmes do Hitchcock são minhas maiores inspirações.

Você já fez A Morte do Demônio e agora está fazendo O Homem nas Trevas. O que o atraiu para o gênero horror?

Acho que eu só adoro as emoções que ele evoca. Eu adoro ver o medo nos rostos do público. Eu adoro ver adultos com medo do que eles estão vendo na tela e cobrindo os rostos como se algo ruim fosse acontecer com eles, quando, obviamente, nada de ruim vai acontecer com eles. Estes filmes te levam para um estado bem primitivo e te conectam com algo quase infantil e é ótimo ver isso, é uma emoção muito poderosa. Poder transmitir isso para o público, poder dar vida a isso, eu sei como as emoções são muito fortes, é disso que se trata o cinema. Você sabe, as pessoas vão para o cinema para sentirem emoções fortes. É por isso que assistir a um filme pequeno, como esse, custa dez dólares, e assistir a um filme da Marvel também custa dez dólares. Você paga pelas emoções. Isso que é legal no cinema, é sobre as emoções que você sente, e as pessoas pagam por isso, é por isso que eu quero garantir que isso seja cumprido quando as pessoas vão assistir a um dos meus filmes, quero garantir que elas sintam algo forte e que eles não fiquem indiferentes ao filme.

Você pretende fazer outros tipos de filme, como ação ou aventura?

Eu tenho interesse, só depende da história. Eu não penso em termos de gênero, mas sim em termos de história. Se acontecer da história ser assustadora, o filme será assustador, mas realmente depende do que a história é. Eu me apaixono por histórias o tempo todo, e quando encontro uma… Bem, não o tempo todo, eu gostaria que fosse mais frequente, mas, quando acontece, eu sei qual será meu próximo filme, mas isso leva tempo. Meus diretores favoritos fazem filmes a cada cinco anos (risos). Muita gente me diz, “você devia fazer um filme a cada dois anos”, pois eu sou um diretor jovem, mas eu prefiro esperar e dar bons filmes às pessoas do que fazer vários muito rápido e eles serem ruins, eu não aceitaria isso.

Nós podemos esperar por mais um filme com a Jane Levy no futuro?

Eu acho que sim, vai depender da história e de termos uma personagem que combine com ela. Claro, ela é uma atriz muito talentosa e muito boa no que faz, ela sempre entrega ótimas performances e é isso que eles querem, então… Vai depender da história, mas pode acontecer.

Você já trabalhou com curtas, filmes para o cinema e séries de TV. Há muita diferença entre estes projetos? Qual é o seu preferido?

É bem diferente. A TV é muito rápida, você faz muita coisa em muito pouco tempo, mas é bom esticar os músculos, se acostumar a gravar rápido, propor ideias muito rápido, é isso o que costuma ser empolgante na TV. Mas, ao mesmo tempo, é empolgante demais, rápido demais e louco demais, e é difícil criar coisas boas, aquelas que você pode criar em um filme. Então, por enquanto, eu sou um fã dos filmes e veremos se eu farei TV em algum momento. Na verdade, eu estou pensando em fazer algumas coisas, mas, para episódios, como foi o caso [de Um Drink no Inferno], foi mais porque eu sou fã de Robert Rodriguez e sou um grande fã do filme original, então eu queria ser parte daquilo. Mas eu acho que agora estou mais interessado em criar meus próprios shows – nós estamos trabalhando nisso e criando algumas coisas e eu espero que vocês tenham mais notícias sobre isso em breve. Em se tratando de TV, se você tem as ideias certas, é sempre ótimo. Nos dias de hoje você tem cinco anos para criar e você consegue fazer muitas coisas que são difíceis de fazer em filmes. Eu acho que é uma boa época para a televisão, há muitas coisas criativas, as pessoas estão se arriscando, então é um formato interessante, com certeza.

O que você pode falar sobre a continuação de A Morte do Demônio ou o live action de Dante’s Inferno?

Dante’s Inferno é algo em que nós estamos trabalhando há algum tempo e estamos procurando um jeito de fazê-lo sem que ele custe 200 milhões de dólares, porque estes números são muito arriscados para algo que não é uma grande franquia ou um nome que todo mundo conhece. A maior parte das pessoas leu alguma coisa sabe o que é o Inferno de Dante, mas para o público mundial e o público mais jovem pode não ser um grande título. Para mim, é, mas você precisa convencer o estúdio de que vale a pena gastar todo esse dinheiro. Vamos ver. Vou ver se consigo tempo para fazê-lo.

Gostou da entrevista? Qual pergunta você acha que ficou faltando? Comente e dê sua opinião!

O Homem nas Trevas (2016) OPCAO2

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4 Comentários

  1. Suicide is Sexy

    Citação interessante com “From Dusk Till Dawn”… E, talvez não seja realmente de todo mal, apesar de eu não conservar expectativa de nenhuma espécie, espero estar correto.

  2. Roberto Alves

    Bacana a entrevista e o ponto de vista de Fede Alvarez. Porém é estranho ele não ter mencionado o filme Intruders (2015), a possível fonte de inspiração p/ Homem nas trevas. Também é estranho a reporter não ter questionado ele sobre isso já que as histórias são muito parecidas e por sinal Intruders já foi citado aqui no Boca do inferno.

  3. Roberto Alves

    Bacana a entrevista e o ponto de vista de Fede Alvarez. Porém é muito estranho ele não ter mencionado o filme Intruders (2015), a possível inspiração para que ele escrevesse O homem nas trevas. Também é estranho a reporter não ter perguntando a ele sobre isso já que as hitórias são bem parecidas e por sinal Intruders já foi mencionado aqui no Boca do inferno.

  4. Lface

    Entrevista sensacional. Respostas grandes e bem respondidas.

    Parabéns ao site!!!

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