Críticas

2012 (2009)

A visão de Emmerich para o fim do mundo em 2012 é tão “blockbusteriana” e simplista que não dá para avaliar positivamente!

2012 (2009)

A Melhor Destruição da Terra que o Dinheiro pode Comprar

2012
Original:2012
Ano:2009•País:EUA
Direção:Roland Emmerich
Roteiro:Harald Kloser, Roland Emmerich
Produção:Harald Kloser, Larry J. Franco, Roland Emmerich
Elenco:Alexandre Haussmann, Amanda Peet, Beatrice Rosen, Chiwetel Ejiofor, Danny Glover, Johann Urb, John Billingsley, John Cusack, Liam James, Morgan Lily, Oliver Platt, Philippe Haussmann, Thandie Newton, Thomas McCarthy, Woody Harrelson, Zlatko Buric

O diretor Roland Emmerich tenta fazer um filme de ficção científica com destruição da Terra (ou pelo menos de uma parte americana dela) já faz um bom tempo. Em três oportunidades teve sua chance (Independence Day de 1996, Godzilla de 1998 e O Dia Depois de Amanhã de 2004) e em algumas delas quase conseguiu. Todavia o alemão sofre da síndrome de Michael Bay: tenta justificar seus orçamentos gigantescos com um espetáculo de efeitos especiais que normalmente só servem de embalagem chamativa para um filme rançoso e simplista que fatalmente acabará esquecido no meio de tantos outros.

Invariavelmente o mais hipado de todos eles até o momento, o aguardado 2012, continua a infeliz tradição e não passa de um espetáculo de fogos: bonito, deslumbrante, mas de emoções fugazes e sem conteúdo, facilmente esquecível… E quem é que nunca viu uma queima de fogos antes?

Não que estivesse criando expectativas, porém pensar que Emmerich e seu parceiro Harald Kloser pegaram 260 milhões de dólares (isso mesmo, quase meio bilhão de reais!) para entregar um roteiro tão patético que quando Steven Spielberg filmou praticamente a mesma história em A Guerra dos Mundos (de quatro anos antes) já era clichê, o remake de O Dia em que a Terra Parou e Presságio beberam da mesma fonte recentemente e, pasmem, até Emmerich filmou um roteiro igual (e melhor) em O Dia Depois de Amanhã, cacilda! 2012 lançado mundialmente dia 13 de novembro de 2009 é, portanto, um remake de todo filme de destruição dos últimos 20 anos já feito, só que mais bonito e com computadores melhores para fazer os efeitos especiais.

Por enquanto chega de reclamações, justificarei-as abaixo oportunamente. Primeiro ao roteiro: o filme começa nos dias atuais e há uma grande explosão na superfície do Sol e vemos o geologista estadunidense Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor) sendo chamado às pressas para a Índia encontrar seu amigo cientista que descobriu que a temperatura do interior do planeta está subindo rapidamente. Retornando imediatamente para os Estados Unidos, ele se reporta ao chefe do departamento do governo Carl Anheuser (Oliver Platt) para contar as más notícias. O senso de urgência é grande e os dois passam a notícia ao presidente dos Estados Unidos Thomas Wilson (Danny Glover de Jogos Mortais).

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O apocalipse se avizinha e no ano seguinte a cúpula do G8 é avisada, iniciando secretamente um processo de evacuação de proporções magnânimas. Porém os cálculos de Helmsley se mostram errados, a humanidade sucumbirá bem mais cedo do que se imaginava e desta forma o projeto ficará comprometido. Finalmente em 2012 os “sinais” começam a aparecer, rachaduras se abrem no solo por toda a Califórnia, maias aderem a um suicídio em massa devido as suas previsões de que o mundo se acabará em 21 de dezembro de 2012 – pelo menos segundo o filme, já que essa história de os maias preverem que o mundo termina nesta data é pura enrolação.

É neste quadro pré-caótico que conhecemos nosso protagonista, Jackson Curtis (John Cusack, que fez melhor em 1408), um escritor fracassado que trabalha como chofer de limusine, e tenta reconquistar o amor dos filhos Noah (Liam James) e Lily (Morgan Lily) após seu divórcio com Kate Curtis (Amanda Peet).

Kate vive agora com um novo namorado, o cirurgião plástico Gordon (Thomas McCarthy), e naquela manhã Jackson está partindo com os filhos para um acampamento no parque nacional de Yellostone. O que eles não sabem é que lá está uma base de pesquisa do governo para monitorar as alterações na temperatura da Terra, e invadindo o cercado constatam que um lago que lá havia simplesmente se evaporou. Isto só constata o que todos nós já sabemos, o fim está perto.

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Detido pelos militares, pai e filhos são conduzidos ao acampamento onde conhecem Helmsley, que reconhece o autor e foi um dos únicos que leu o livro de Jackson, e em seguida voltam para a parte “pública” do parque onde são abordados por Charlie Frost (Woody Harrelson, mais bem aproveitado em Zumbilândia), um velho maluco que acredita em teorias e espalha suas notícias conspiratórias pelas ondas do rádio.

Charlie quer saber o que os militares disseram a Jackson. Sem dar muita bola Jackson dispensa o homem, mas ainda naquela noite, quando ouve uma transmissão de Charlie, Jackson liga os pontos e, somado com eventos ainda maiores na Califórnia, se convence de que a Terra irá para o beleléu em questão de dias. Os eventos catastróficos tomam proporções bíblicas com um terremoto que arrasa o estado onde moram e cabe a Jackson defender sua família do fim dos tempos. Então ele, os filhos e a ex-mulher e seu namorado tentam correr contra o tempo e as adversidades para encontrar o local onde o governo está preparando as naves de fuga. E tome correria, explosões e situações impossíveis…

2012, como já disse, é uma experiência visual única e só (por isso da cotação). Como os maias “previram” o fim do mundo em 2012, eu adivinhei com antecipação (e consequentemente você também irá) cada reviravolta, nuance e “sacada” do roteiro: a filha do presidente é negra e o geologista também? É obvio que eles vão se entrosar amorosamente. A capela cistina está ruindo? É claro que vai haver uma rachadura exatamente entre Deus e o homem na pintura de Michelangelo. O fim da picada para mim foram as cenas de fuga de aeroportos. Nem uma, nem duas, mas em TRÊS oportunidades os protagonistas precisam fugir rapidinho em uma avião em baixa velocidade enquanto a terra esfacela sob seus pés e a solução é sempre a mesma, sôfrego e repetitivo de dar dó.

Quero dizer, a visão de Emmerich para o fim do mundo em 2012 é tão “blockbusteriana” e simplista que não dá para avaliar positivamente usando um mínimo de senso crítico: enquanto 6 bilhões de pessoas morrem das maneiras mais horríveis durante a fúria da mãe Terra, os protagonistas aproveitam os entremeses para fazer piadinhas de uma frase só! Até para acompanhar o drama de um cachorrinho de madame que está para morrer no cataclisma Roland perde tempo (e são duas horas e meia de filme), mas não encaixa os dramas humanos. A proporção da tragédia é feita somente pela destruição de seus monumentos ao redor do globo – incluindo as ruínas do Cristo Redentor no Rio de Janeiro – e assim não se encontra profundidade naquilo que se está vendo e com este objetivo os efeitos especiais são usados quase masturbatoriamente.

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Ainda que tudo o que devesse ser esperado não passasse disso, a própria campanha de marketing nos fez imaginar o contrário; se bem que inserir um pouco menos de situações comuns não seria pedir demais. De forma que neste roteiro raso como um pires, os personagens não tem espaço para se desenvolver sem clichês e consequentemente o elenco não tem espaço para brilhar, exceção feita a Woody Harrelson, que está em uma excelente fase e transpira talento em cada uma das suas falas. Afora o Fx, Harrelson é o motivo pelo qual assistir a 2012 é mais do que ver a destruição do mundo pelas lentes da produtora Asylum.

Não há muito mais o que falar por aqui sem encher linguiça. Para aproveitar o filme e sair satisfeito do cinema é preciso deixar o cérebro no sofá de casa e tentar encarar como um Transformers mais pretensioso: tente ignorar o roteiro ruim, tente ignorar as piadinhas no meio de situações cataclísmicas, tente não enumerar os defeitos e duas horas de clichês e a inacurácia histórica e focalizar somente em 30 minutos da magnífica destruição da Terra e assim, talvez vocês se divirtam. Porém um alerta, entretenimento por entretenimento, se for para ver mais do mesmo prefiram assistir novamente a O Dia Depois de Amanhã, pelo menos tem alguma mensagem escondida lá, eu sei que tem…

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados. Contato: [email protected]

4 Comentários

  1. Juninho

    Um filme puramente comercial

  2. Esse foi um dos piores filmes de destruição da terra que já vi. Sem mais.

  3. vanessa vasconcelos

    eu gostei desse filme,mas concordo com essa crítica mesmo assim.

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