Críticas

Gremlins (1984)

Um dos principais representantes do estilo, com sustos e bons efeitos, sem dispensar a aventura e o humor.

Gremlins (1984)

Gremlins
Original:Gremlins
Ano:1984•País:EUA
Direção:Joe Dante
Roteiro:Chris Columbus
Produção:Steven Spielberg
Elenco:Zach Galligan, Phoebe Cates, Hoyt Axton e Corey Feldman

Em busca de um presente de Natal único para o seu filho, Rand Peltzer – um inventor cujas criações quase nunca saem como o esperado – vai até uma pequena loja em Chinatown. Entre móveis estranhos, bichos empalhados e antiguidades, Rand descobre um pequeno e misterioso animal, um Mogwai. O dono da loja, um velho chinês, argumenta que para criá-lo é exigida muita responsabilidade e que o bichinho não estaria à venda por qualquer valor que fosse. Contudo, seu neto acaba oferecendo o animalzinho por duzentos dólares, dizendo que o avô não sabe o que diz e que eles estão precisando muito do dinheiro. Mas alerta Rand sobre três regras simples que devem ser seguidas à risca:

1 – Não deixar que o animal se molhe;
2 – Mantê-lo afastado da luz;
3 – E não importa o quanto ele chore, o quanto ele suplique, NUNCA LHE DÊ COMIDA DEPOIS DA MEIA NOITE!

Billy, o filho, fica deslumbrado com o animal, que ele batiza de Gizmo. Porém, como responsabilidade não é o forte da família Peltzer, não demora muito para as regras sejam quebradas; e em pouco tempo a cidade onde moram, a pequena Kingston Falls, acaba infestada por pequenas e devastadoras criaturinhas chamadas Gremlins.

Estas criaturas fofinhas e peludas, sensíveis à luz, que molhadas se multiplicam e que alimentadas após a meia noite se transformam em seres endiabrados que não poupam ninguém – nem cachorros, velhinhas paralíticas ou mesmo crianças – foram inspiradas numa lenda americana: um gremlin seria um ser pequeno, muito feio e muito mau. No imaginário popular, cada casa possui o seu gremlin, e o cargo seria hereditário, passando de gremlin pai para gremlin filho. São estes bichinhos que fazem as coisas desaparecerem, derrubam o “pão” com a parte da manteiga para baixo, fazem a gente errar o prego e acertar o dedo com o martelo. Diz ainda a lenda, que eram criaturas boas, que ajudavam os humanos a inventar coisas. Entretanto os bichinhos passaram a ter inveja da fama dos humanos, que levavam todo o crédito pelas invenções. A partir daí eles se tornaram realmente maus. Existe até um nome para um gremlin fêmea: fifinella. Acredite quem quiser nesta história… mas é fato que o personagem teria sido usado pela primeira vez em 1943, por um piloto da força aérea americana chamado Roald Dahl. Ele teria escrito um livro infantil a pedido da Disney para divulgar um longa-metragem que nunca chegou a ser finalizado.

Gremlins (1984)

Cinco décadas após, em 1984, Gremlins chega aos cinemas pelas mãos de um grupo talentoso de cineastas. Steven Spielberg assumiria a produção – para você que está torcendo o nariz, Spielberg já era respeitado, tanto como produtor, (Poltergeist – O Fenômeno, 1982) ou como diretor (Tubarão, 1975, E.T. – O Extraterrestre, 1982 e Contatos Imediatos do Terceiro Grau, 1977) – enquanto a direção ficava a cargo de seu amigo Joe Dante, que já tinha em seu currículo pelo menos dois filmes do gênero fantástico, Piranha (1978) e Grito de Horror (1981); o roteiro era de autoria Chris Columbus, que escreveria no ano seguinte Os Gonnies (1985) e O Enigma da Pirâmide (1985), além de dirigir num futuro próximo blockbusters infantis como Esqueceram de Mim (1990) e os primeiros filmes da série Harry Potter. Gremlins ainda possuía trilha sonora de Jerry Goldsmith, compositor de clássicos como Alien – O Oitavo Passageiro (1979) e A Profecia (1976). Felizmente, graças a esta notável e inspirada equipe, Gremlins se tornou uma das produções que mais marcou os divertidos anos 80.

E os méritos do filme são muitos, entre eles a concepção das criaturas, a maquiagem e os efeitos especiais. Num tempo em que os computadores estavam ainda engatinhando e não tínhamos os famigerados e odiados CGIs, os Mogwais e os Gremlins eram, ora bonecos mecânicos, ora marionetes ou fantoches. Em alguns momentos foram usados ainda os saudosos efeitos em stop-motion. E por favor, não blasfemem adjetivos pejorativos como tosco ou trash; parte do sucesso de Gremlins foi exatamente devido aos admiráveis efeitos especiais coordenados pela Industrial Light & Magic – empresa fundada por George Lucas em 1975. O americano Chris Walas (maquiador e técnico em efeitos especiais, responsável pelos efeitos ganhadores do Oscar de 1986 de A Mosca) é o responsável pelo “visual” adorável dos monstrinhos.

Curiosamente, o cenário, a pequena cidade Kingston Falls, foi inspirada na cidade Bedford Falls de A Felicidade Não se Compra (1946), de Frank Capra. Porém a ingenuidade dos personagens de Capra é subvertida em bizarras figuras como neuróticos de guerra, yuppies, velhas gananciosas, órfãs traumatizadas e miseráveis prestes a perder em suas casas. É interessante também que apesar de ser por muitos conhecido como uma produção infantil, Gremlins é repleto de piadas mais adultas e de um humor mais do que negro. Pra se ter uma ideia, em determinado momento, a personagem Alex explica para o namorado Billy por que odeia tanto o Natal: seu pai teria desaparecido numa noite natalina, quando ela tinha apenas 9 anos de idade. A polícia o procurou durante vários dias sem sucesso, até que em determinada ocasião sua mãe notou que algo estava errado ao acender a lareira. E não é que o pai estava lá, morto, entalado na chaminé e vestido de papai-noel!

Apesar da produção modesta (custou aproximadamente US$ 11 milhões) e do elenco pouco conhecido – Billy é vivido por Zach Galligan, de Waxwork (1988), enquanto o pai é interpretado pelo já falecido Hoyt Axton (Sepultado Vivo, 1990 ); o mais famoso é mesmo Corey Feldman, de Conta Comigo (1986) e Garotos Perdidos (1987), embora ele faça apenas uma pequena ponta – o longa arrecadou mais de US$ 150 milhões, viabilizando uma sequência que seria rodada em 1990, chamada no Brasil de Gremlins 2: A Nova Geração. Por aqui apenas o primeiro filme foi lançado em DVD e Blu Ray; já o segundo apenas o VHS em sebos especializados.

Outra diversão a parte em Gremlins é identificar as dezenas as citações e homenagens a outras produções do gênero, como ao clássico Invasores de Corpos (1956), de Don Siegel, que Gizmo assiste na TV; ou a quando todos os gremlins se reúnem no cinema da cidade para assistirem Branca de Neve e os Sete Anões (embora este não seja nem terror, nem ficção). Ainda neste mesmo cinema, vemos nos letreiros o anuncio de filmes que estavam sendo exibidos, A Boys Life e Watch the Skies, títulos “provisórios” utilizados por Spielberg durante a produção de E.T. – O Extraterrestre e Contatos Imediatos do Terceiro Grau, respectivamente. Ainda durante os créditos iniciais, vemos um outdoor de um programa de rádio chamado “Rockn’ Ricky Rialto”, a fonte e as cores utilizadas são idênticas as de Os Caçadores da Arca Perdida. Na sequência final, dentro da loja de departamentos, Stripe (o líder dos gremlins “maus”) se esconde entre os bichos de pelúcia, entre eles um boneco do filme E.T.. Já durante a feira de invenções, podemos notar um robô idêntico ao da série Perdidos no Espaço. E não se contentando com tantas citações, a maioria aos seus próprios filmes, Spielberg faz uma pequena ponta, como o homem na cadeira de rodas elétrica. O músico Jerry Goldsmith também aparece rapidamente como o senhor na cabine telefônica que encara a câmera.

Enfim, podemos afirmar, sem qualquer tipo de dúvida, que Gremlins é um dos principais representantes do estilo que predominou na maioria dos filmes de terror da década de 80, que além dos sustos e dos bons efeitos, não dispensavam a aventura e o humor. Em poucas palavras: imperdível, divertido, cativante e principalmente, inesquecível.

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1 Comentário

  1. vanessa vasconcelos

    assustadoramente fofo.

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