O Pacto (2002)

O Pacto (2002)
Qual a sua conexão com você?
O Pacto
Original:Jisatsu sâkuru / Suicide Club
Ano:2002•País:Japão
Direção:Shion Sono
Roteiro:Shion Sono
Produção:Seiya Kawamata, Junichi Tanaka, Toshiie Tomida, Seiji Yoshida
Elenco:Ryo Ishibashi, Masatoshi Nagase, Mai Hosho, Tamao Satô, Takashi Nomura, Rolly, Joshua, Masato Tsujioka

Nota do Autor: Esta crítica contém alguns spoilers! Se você ainda não assistiu ao filme, não leia, pois existem algumas peculiaridades que funcionam melhor quando se assiste pela primeira vez.

Imagine um dia, você voltando do trabalho, esperando o metrô, então, 54 estudantes se juntam na plataforma e saltam sobre a linha cometendo um suicídio coletivo, sendo atropeladas pelo trem! Assustador, não? Esse é o início de um dos filmes mais enigmáticos da década passada. Dirigido por Shion Sono (Cold Fish), esta perturbadora história é um retrato da sociedade japonesa em relação a um tema muito sério: o suicídio entre jovens no país. Todos já sabemos que o Japão é o país com a maior taxa de suicídios no mundo, principalmente entre os adolescentes – é um assunto que já foi retratado em vários outros filmes nipônicos, mas nunca como tema principal como em Suicide Club (ridiculamente traduzido como O Pacto no Brasil).

O Pacto (2002) (2)

O suicídio coletivo no metrô dá início a uma investigação policial – seria um crime ou uma fatalidade? A situação fica mais complicada quando a polícia encontra bolsas com uma “corrente” de pedaços de peles tatuadas, que, obviamente, são dos jovens envolvidos. Descobrem também um estranho site que é automaticamente atualizado após os suicídios. A polícia tenta encobrir o caso, que toma proporções assustadoras fazendo o suicídio virar moda. O detetive Kuroda (Ryo Ishibashi, de Audition) fica ainda mais perdido nas investigações, quando recebe uma ligação de uma criança anunciando mais suicídios.

O assunto é tratado com total descaso entre os jovens. Vemos isso na cena em que estudantes estão conversando sobre o ocorrido: “Escutei que havia muita graxa e o trem não pode freiar, escorregou em graxa humana, hahahahahha…”, “Vamos todos nos suicidarmos…; podemos conseguir 100 pessoas”. Há quem ache esse tipo de tragédia engraçada, há quem tenta obter fama com isso! São várias as críticas ao comportamento das pessoas e da mídia frente a este assunto, que não é tratado com a devida atenção.

As cenas mais perturbadoras do filme não são as com alto teor de gore, e sim, as de diálogos entre as crianças e o detetive Kuroda. Nada como crianças para questionar nossa conexão com o mundo! Sinceramente, é de arrepiar. Esse diálogo acontece também com a jovem Mitsuko. Atordoada pelo suicídio do namorado, ela segue tentando entender o que está acontecendo, e acaba descobrindo, através de mensagens subliminares, a causa dos suicídios.

Na primeira vez em que vi o filme, não havia prestado atenção nas letras da banda pop Dessart (as músicas da banda estão presentes em quase toda a projeção): “O mundo é um grande quebra cabeças. Em algum lugar há uma peça pra você, encontre uma coincidência que permaneça para sempre”. Este trecho é citado inclusive pelo líder da banda de rock, que tenta se promover com os fatos. Dentre vários outros, há também este trecho: “juntos podemos brilhar nas trevas! Assustador? É verdade, mas seremos felizes também. Agora se você quer realmente me dizer adeus e me deixar triste e vazia…” – não sei se estou meio bitolado por ver o filme várias vezes, mas esses trechos são perturbadores pois já sabemos o poder que a mídia tem de influenciar as pessoas, mas bandas seriam realmente capazes de induzir pessoas ao suicídio?

Lembro-me da primeira vez que vi esse filme! Foi em um festival de cinema independente, há uns 10 anos, mas sempre faço uma revisão, e, a cada revisão, uma nova percepção sobre o assunto. Mas por que crianças? Resta a nós refletirmos sobre a pergunta: “Se você está conectado com o mundo, então para que viver?

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Ivo Costa

Ivo Costa

Estudante de Cinema, fez parte do Juri Popular do Cinefantasy em 2011. Além de crítico do Boca do Inferno, atua como diretor e roteirista de curtas-metragens.

4 comentários em “O Pacto (2002)

  • 28/09/2017 em 21:31
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    Assisti o filme recentemente para a gravação de um cast, não o conhecia e o peguei aleatoriamente, o filme me impactou não pelas cenas em si, pois já vi coisas piores, mas pela mensagens em cada parte da história. realmente visualmente falando o filme peca, o roteiro deixa a desejar, contudo a obra não é para qualquer um, é filme que busca por meio da fantasia contar uma fabula moderna em que a moral da história não é revelada logo de cara, você tem que entender muito além de sua cultura, tem que entender o outro, e outro nem sempre é como imaginamos. Parabéns pela resenha.

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    • 30/04/2014 em 06:27
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      Esse filme é daqueles que começa e você fala “meu deus vai ser do caralho” e nos 20 minutos finais quem quer se matar é você por não acreditar em tamanha merda que o roteirista fez. Fujam desse filme se não quiserem se irritar, o final é ruim demais.

      Resposta

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