Críticas

Armadilha (2012)

A trama não se sustenta, a empatia não se estabelece e qualquer fã de horror se sentirá entediado ao assisti-lo!

Armadilha (2012)

Clichê – O Filme!

Armadilha
Original:ATM
Ano:2012•País:EUA, Canadá
Direção:David Brooks
Roteiro:Chris Sparling
Produção:Paul Brooks, Peter Safran
Elenco:Brian Geraghty, Alice Eve, Josh Peck, Mike O'Brian, Robert Huculak, Ernesto Griffith, Bryan Clark, Aaron Hughes, Will Woytowich

Na vida cotidiana, especialmente nos grandes centros urbanos, sempre há motivo para se ter medo. Você pode estar num estacionamento deserto, pode estar em uma cabine telefônica, ou ao atender um celular com uma voz desconhecida. Nossa paranoia diária sempre tem potencial para nos gerar alguma reação irracional em situações comuns.

Evidentemente que filmes já foram feitos explorando este tema e muitos ainda haverão de existir. Um dos mais recentes diz respeito ao medo de usar um caixa eletrônico em um lugar vazio e ser roubado, o que em si já é assustador, porém se torna ainda mais quando o bandido em questão é um psicopata interessado somente em causar medo.

Armadilha tenta retratar esta situação e, apesar de ser uma pequena produção, tem seu pedigree: é roteirizado por Chris Sparling, o mesmo do excelente thriller Enterrado Vivo. Mas, apesar disso, não só falha na execução como também torna-se tão fora da realidade que o público só fica esperando a próxima burrada do elenco principal na tela.

Armadilha (2012) (2)

Não é preciso desfiar muito a história para se constatar o que estou dizendo: é fim de ano e nosso herói David (Brian Geraghty, de Quando um Estranho Chama), termina seu expediente no escritório. É noite da festinha de Natal entre os colegas de trabalho, mas ele não quer ir, pois tem um compromisso importante…sofrer em auto-piedade na escuridão de casa… Porém é encorajado a ficar pelo amigão inconveniente Corey (Josh Peck da sitcom Drake & Josh), pois além da bebida, é o último dia de trabalho da gatinha Emily (Alice Eve, Homens de Preto 3) e talvez seja sua única oportunidade de dar em cima dela.

A festa está um porre a bem da verdade… Um monte de machos em volta de uma mesinha bebendo uísque vestidos de ternos enquanto Emily fica sozinha num cantinho… Todavia David toma coragem e vai falar com ela… Um monte de desculpa esfarrapada e silêncio constrangedor depois, a moça toma a atitude mais sensata do filme todo, vai embora da maldita festa.

David se oferece para dar carona e, claro, rola um clima após o convite para um almoço. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas Corey aparece para segurar vela e pegar carona também. É culpa de Corey que David não vai transar hoje; é culpa dele também que eles terão que parar numa pizzaria (pois ele está com fome); é culpa dele que vão precisar parar num caixa eletrônico à 1 da manhã no meio do nada pra tirar dinheiro e pagar a pizza… E justamente neste caixa, uma cabine como uma ilha isolada cercada por um estacionamento vazio enorme, está aguardando um criminoso meticuloso que não pretende deixá-los comer aquela pizza.

É ridículo pensar que você, num frio cortante, vai parar o carro uns 200 metros do caixa, mas acontece… E quando os três entram, este alguém aparece ameaçadoramente do lado de fora e através de suas ações mais eles acreditam na violência que esta entidade é capaz. Lá fora ele tem toda o tempo e ferramentas de que precisa, lá dentro eles não têm nenhum recurso e podem morrer de frio se não agirem logo.

Armadilha (2012) (1)

Antes que você consiga dizer estereótipo nossos personagens são estes mesmos: um loser que precisará se tornar o salvador de todos, a mocinha indefesa que vai ficando sexualmente atraída pela transformação de trouxa para machão do herói e o amigo bêbado, inicialmente o alívio cômico, que se torna um babaca que mais atrapalha do que ajuda e que com o tempo irrita tanto que torcemos para morrer rápido. Na verdade o criminoso não faz muita coisa além de observar… E nem precisaria muito mais que isto, com este set up eles morreriam de inanição de qualquer forma.

Nunca fica claro os objetivos do antagonista e isto, talvez, é o único ponto positivo da produção. A única coisa é que, seja lá qual seu objetivo, ele é meticuloso e preparado para isto. Explorar a burrice humana talvez seja a hipótese mais provável, já que a tormenta se desenrola exatamente como imaginamos que seria: o trio nos concede uma série absurda de decisões óbvias e perde chances de fugir… Inclusive o jogo de matemática: são 3 contra 1! E na maioria do filme ele não está nem perto da porta, run Forest, run!!

O diretor estreante David Brooks usa alguns artifícios já utilizados em Enterrado Vivo para retratar de formas diferentes o confinamento dos protagonistas e gera algumas boas cenas porém não forma muita correspondência com o público, derruba a construção do suspense e peca na violência comedida. Parte é culpa da falta de ousadia do roteiro e, principalmente, pela falta do que mostrar mesmo… De qualquer forma, sem elementos básicos de um bom filme de horror, por mais que o diretor estivesse inspirado, o dano está feito: ao optar por não responder as situações mais evidentes a trama não se sustenta, a empatia não se estabelece e qualquer fã de horror se sentirá entediado ao assistir. Faça diferente dos protagonistas e corra como se não houvesse amanhã desta produção!

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3 Comentários

  1. Jim

    Um ótimo remédio contra a insônia.

  2. eraldo.a

    Você esqueceu de mencionar que o psicopata tenta afogar (isto mesmo, afogar) o trio dentro do caixa eletrônico.

  3. vanessa vasconcelos

    muito fraco e previsível.

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