Críticas

O Assassino em Mim (2010)

A trajetória de um assassino ocasional, violento e frio, escondido sob a face de um xerife!

O Assassino em Mim (2010)

Chamem o ladrão, o Xerife vem vindo!

O Assassino em Mim
Original:The Killer Inside Me
Ano:2010•País:EUA, Suécia, Canadá, UK
Direção:Michael Winterbottom
Roteiro:John Curran, Jim Thompson
Produção:Andrew Eaton, Chris Hanley, Bradford L. Schlei
Elenco:Casey Affleck, Kate Hudson, Jessica Alba, Ned Beatty, Elias Koteas, Tom Bower, Simon Baker, Bill Pullman, Brent Briscoe, Matthew Maher, Liam Aiken, Jay R. Ferguson

Patrick Bateman e Earl Brooks devem estar orgulhosos do novo membro da galeria dos assassinos ocasionais modernos, Lou Ford. Os personagens de Psicopata Americano e Instinto Secreto foram eficientes na arte de eliminar seus problemas e esconder suas tendências maléficas através de identidades comuns. Já o vilão de O Assassino em Mim seguiu a mesma linha, alternando atos violentos, enquanto executa ações normais como o xerife de uma cidade pequena do Texas.

Nada é mais assustador do que saber que você está na fila do banco, na sala de aula ou num restaurante, próximo a uma pessoa que esquarteja suas vítimas sem o menor remorso. Aquela pessoa tranquila e educada, com mãos frias e olhar arregalado pode ser o vizinho perfeito como Ed Gein era, e ainda assim manter o esqueleto da mãe em casa, e organizar seus móveis com pedaços de ossos humanos. No filme de Michael Winterbottom (O Preço da Coragem), Lou Ford assusta por ser uma versão consciente do Maniac Cop, vivendo como a Lei numa cidade onde o crime está em extinção, agindo sem deixar transparecer um nervosismo sequer, como se estivesse sempre com o controle da situação.

Baseado num romance de Jim Thompson, escrito em 1952, com roteiro de John Curran (Homens em Fúria), O Assassino em Mim traz Casey Affleck no papel do Xerife Lou Ford, um homem simples, que comanda tranquilamente uma pacata cidade do oeste de um Texas da década de 50, enquanto mantém adormecido um demônio gerado num passado perturbador, explicado em pequenas doses. O despertar de seu lado negro acontece quando seu chefe pede que ele execute um serviço simples: expulsar do local a belíssima prostituta Joyce Lakeland (Jessica Alba), que anda mexendo com os ideais do filho do empresário Chester Conway (Ned Beatty, de Às Margens de um Crime), alguém que pode ter relação com a morte do irmão de Lou há alguns anos – graças a ingerência do sinistro Joe Rothman.

O que parecia um trabalho fácil ocasiona uma guinada na vida de Lou, quando ele começa a se envolver com a garota, mesmo tendo um compromisso informal com Amy Stanton (Kate Hudson, que está diferente com seus cabelos negros). A prostituta desperta o lado violento do rapaz no tempo em que passam juntos, culminando com o ato cruel do xerife quando resolve pôr um fim na relação e ao mesmo tempo atingir seu inimigo Chester. Apenas usando os punhos – não havia extintor por perto -, Lou espanca Joyce lentamente, ao passo que observa a incompreensão da vítima, com seu rosto se inchando e deformando aos poucos. É impossível não se impressionar com a cena, extremamente tensa e incômoda, que transmite a dor e a ingenuidade da garota de maneira idênticas. Durante a exibição do ato, no Festival de Berlim, muitos expectadores deixaram as salas de cinema, enquanto outros vaiaram toda a sequência.

Foi só o soco inicial de Lou! Para conseguir o álibi e assassino perfeitos, o xerife criaria um encontro entre a prostituta e o amante, Elmer Conway (Jay R. Ferguson, de Falsas Intenções) para finalizar seu plano e, ao mesmo tempo, dar um fim em mais um problema. No entanto, os atos do xerife geram a desconfiança local e também envolvem testemunhas e possíveis falhas que obrigam o rapaz a continuar apagando as evidências.

Mantendo uma linguagem de filme noir, com a narração do próprio personagem, O Assassino em Mim não deve ser confundido com um slasher ou mais uma produção do gênero, pois sua narrativa trabalha mais com o conflito dos envolvidos do que no sangue em profusão. O espectador não verá Lou com um machado ou serrando suas vítimas, mas se sentirá incomodado com a tranquilidade do psicopata na organização de seus atos, e um entendimento – não compaixão – de seu modus operandi relacionado aos traumas de infância. Assim como ficará impressionado quando a personagem de Kate Hudson começar a urinar de medo…

O Assassino em Mim (2010) (2)

Outra característica que pesa a favor da produção é o elenco, que ainda conta com nomes como Simon Baker (Terra dos Mortos), Tom Bower (Viagem Maldita) e Bill Pullman (O Grito). Todos atuando como se estivessem participando de mais um possível concorrente ao Oscar, mesmo sabendo que o filme não segue os moldes da opinião dos membros da Academia. O irmão mais novo de Ben Affleck, Casey Affleck, também está ótimo com seu sotaque do interior e sua frieza constante; assim como a gostosa Jessica Alba, que está….gostosa, e a excelente Kate Hudson.

O Assassino em Mim merecia uma atenção especial por parte do público, ao invés de ficar mofando nas prateleiras das lojas. É sempre gratificante acompanhar um filme do estilo levado a sério, com adultos, sem piadinhas inoportunas ou repetições de fórmulas desgastadas. Conhecer a trajetória de Lou Ford pode servir de alerta para as pessoas entenderem que os assassinos não precisam ser feios ou deformados e podem estar mais próximos do que elas imaginam. Talvez até estejam lendo esta crítica…

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2 Comentários

  1. vanessa vasconcelos

    é bem perturbador esse filme,Casey Affleck está perfeito no papel.

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