Críticas

A Casa Silenciosa (2011)

Irá agradar os fãs do original, permitindo até mesmo uma discussão sobre as qualidades que tornam uma produção melhor do que a outra!

Olsen faz a diferença em remake!

Olsen faz a diferença em remake!

A Casa Silenciosa
Original:Silent House
Ano:2011•País:EUA, França
Direção:Chris Kentis, Laura Lau
Roteiro:Gustavo Hernández, Laura Lau
Produção:Laura Lau, Agnès Mentre
Elenco:Elizabeth Olsen, Adam Trese, Eric Sheffer Stevens, Julia Taylor Ross, Adam Barnett, Haley Murphy

Não demorou muito para que o terror uruguaio A Casa, de Gustavo Hernández e Gustavo Rojo, tivesse sua versão americana. Assim uma produção que originalmente custou $6000 dólares e contava com um elenco desconhecido, numa trama criativa e ousada, logo se transformaria num projeto maior com a atriz em ascensão Elizabeth Olsen – irmã mais nova das irmãs Olsen (Ashley Olsen e Mary-Kate Olsen) – no papel principal para contar basicamente a mesma coisa. Iniciando as filmagens ainda em 2010, a direção rapidamente foi entregue nas mãos de Chris Kentis e Laura Lau, responsáveis por Mar Aberto, aquela famigerada película realizada num ambiente único com dois mergulhadores isolados numa região infestada de tubarões.

Ainda que o enredo se construa numa localização tétrica, com árvores mortas como testemunha, o charme do filme uruguaio, e que serviu de inspiração para a idealização do remake, é o fato dele ter sido supostamente rodado numa tomada única, sem cortes, com uma câmera fotográfica como recurso. Ao invés de usarem essa ideia para produzir um outro longa de terror, algo que poderia soar como o pontapé inicial de um estilo, os produtores norte-americanos optaram por comprar os direitos da refilmagem para trabalhar com a mesma história, com poucas alterações no argumento original.

Ambos os filmes são baseados num fato supostamente real ocorrido em 1944 numa casa de campo, onde duas pessoas foram encontradas mutiladas, sem suas línguas, tendo somente fotos para informar o que teria acontecido. Embora as informações a respeito não tragam detalhes da veracidade dos acontecimentos, a lenda urbana se estabeleceu e gerou diversas explicações para o episódio trágico, incluindo os dois longas produzidos.

Sarah (Elizabeth Olsen) está na casa de campo de sua família com seu pai John (Adam Trese) e seu tio Peter (Eric Sheffer Stevens) com a intenção de restaurá-la para finalmente vendê-la. Diferente do filme uruguaio, a casa aqui é maior, mais iluminada e está em condições melhores até mesmo para morar, apesar dos vidros terem sido quebrados por crianças locais e as janelas estarem cobertas. No longa original, seu aspecto lembra uma cabana isolada, um ambiente sinistro, acabado, que contribui bastante para o clima de horror que se pretende apresentar.

A Casa Silenciosa (2011)

Caminhando com uma iluminação a gás, a noite vai se aproximando, e com ela um leve arrepio consome a garota até que um ruído estranho é ouvido no andar de cima. Sarah pede para seu pai verificar, ele sobe as velhas escadas, mas não retorna, restando apenas o som de algo arrastando-o pela casa. Algo ou alguém parece estar acompanhando os passos da jovem, obrigando-a compreender o mistério que envolve o local antes que o pior aconteça.

Apesar da trama diferenciada e da surpresa na sequência final, ambos os filmes não agradaram ao público em geral. Muitos alegaram que a ideia até era interessante, mas a resolução aparentemente enganosa não trouxe a reação esperada. Outro fator negativo seria a lentidão dos eventos, filmados em plano sequência, deixando a tensão para os quinze minutos finais, num ritmo que não acompanha a época atual. Por outro lado, os detratores concordam que as atuações das protagonistas, principalmente de Elizabeth Olsen, foram bastante convincentes pela carga dramática que o papel exige.

O remake tenta criar um final mais intenso, incluindo até uma nova personagem, e uma possível reviravolta, alterações que não tornam o longa melhor do que sua versão original. Até mesmo porque o público não precisaria julgar certas atitudes ou torcer a favor ou contra, bastava apenas se deparar (e, quem sabe, se chocar) com a revelação final. Aliás, uma conclusão já vista em outras produções antes, mas que ainda surpreende quando a atmosfera contribui para a sua apresentação.

A Casa Silenciosa (2011) (3)

Se na versão uruguaia, o cineasta usava o escuro para esconder os cortes de câmera, Chris Kentis e Laura Lau inteligentemente utilizam os momentos em que ela estaciona em determinados móveis, nos segundos em que nenhum personagem é flagrado em cena. A técnica até que funciona e poderia ser explorada mais no subgênero, desde que não haja o exagero que consome os found footage e mocumentários.

A Casa Silenciosa irá agradar os fãs do original, permitindo até mesmo uma discussão sobre as qualidades que tornam uma produção melhor do que a outra. Já àqueles que não foram cativados pela brincadeira, é preferível que mantenham distância para evitar uma nova decepção. Particularmente, achei ambos os resultados satisfatórios e dignos de uma conferida.

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2 Comentários

  1. Bruno Costa

    Assisti esse filme quando em cartaz, mas não sabia ser remake. O filme é interessante por se distanciar o suficiente dos meros sustos e suspenses que os filmes do gênero normalmente causam.

  2. vanessa vasconcelos

    prefiro esse do que o original.

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