The Haunted House Project (2010)

Fitas coreanas também são encontradas...
Fitas coreanas também são encontradas…
The Haunted House Project
Original:Pyega
Ano:2010•País:Coréia do Sul
Direção:Cheol-ha Lee
Roteiro:Eun-Kyeong Kim
Produção:
Elenco:Tae-Ho Hyun, In-Kul Jun, Hwa-Jung Lee, Kyung-Sun Shin, So-Yul Shin, Yi-Na Yoon

por Tiago Toy

Não sou daqueles que crucificam o uso de uma fórmula que deu certo para criar uma experiência válida. Após o estouro de A Bruxa de Blair e, mais recentemente, Atividade Paranormal, o estilo found footage se tornou um gênero próprio. Temos espíritos/demônios (Atividade Paranormal), monstros gigantes (Cloverfield), e até zumbis (Diário dos Mortos) em primeira pessoa, alguns dos melhores. Infelizmente, há trabalhos que não chegam nem ao nível mais exterior dos que os inspiraram. The Haunted House Project (Coréia, 2010) é um desses.

Já havia ouvido falarem bem dele. O trailer não prometia algo inovador, mas assustador, exatamente o que esperamos quando disponibilizamos 80 e poucos minutos de nossas vidas sentados em frente à TV (no meu caso, o notebook no colo). Sabemos que vai começar com aquela costumeira mensagem de que pessoas morreram em determinado local e as fitas foram encontradas mais tarde. Sabemos também que os sustos demoram a vir. Dificilmente um filme não se apoia nos sustos fáceis para transmitir ao espectador a sensação de medo. A Bruxa de Blair, por exemplo, não possui nada disso. A construção do terror é gradativa, o desenvolvimento dos personagens nos faz importar com eles, e nos assustamos mais com o que não vemos. The Haunted House Project peca em todos esses sentidos.

A história é simples. Há alguns anos circulava o boato de que o presidente de uma fábrica de biscoitos se envolvia com uma funcionária muito bonita, embora não houvesse provas. Um dia, essa funcionária sumiu misteriosamente, e um novo boato dizia que a esposa do presidente a havia assassinado e jogado seu corpo em uma grande poça nos fundos da fábrica. Algum tempo depois, a família do homem (mulher e dois filhos) foi massacrada. Vizinhos diziam que o fantasma da desaparecida aparecia ao lado da poça, com uma camisola branca e cabelos desgrenhados, assustando a todos na região, o que resultou na mudança de grande parte dos habitantes. Nos últimos 42 anos, houve acidentes, mortes e desaparecimentos. O lugar perfeito para passar a noite? Dãããããã-não!

Na primeira parte do filme, a única que foi editada pela equipe, alguns moradores locais são entrevistados, ao melhor estilo A Bruxa de Blair. Se em A Bruxa a construção do suspense é lenta, aqui talvez tenham prolongado demais as entrevistas, pois todos diziam praticamente a mesma coisa, o que me cansou antes dos primeiros 16 minutos. A sensação era de meia hora transcorrida.

O tempo do filme é mediano, por volta de 1h20min, e acredito que os personagens poderiam ter sido melhor trabalhados se o começo não fosse uma enrolação tão grande. Metade das entrevistas poderiam ter sido cortadas. Por longos minutos tudo o que vemos é a câmera focalizando a região sofrida enquanto ouvimos a equipe conversando, sem saber quem é quem. Aliás, me espantei quando finalmente o cinegrafista apareceu. Jurava que eram somente cinco pessoas, e não seis. Com tão pouco tempo, poderiam ser apenas quatro personagens, o que possibilitaria uma possível identificação com algum deles, e menos confusão no final.

The Haunted House Project (2010)
Fique longe se quiser ficar vivo!

A casa assombrada provoca arrepios por si só. Afastada de qualquer lugar habitado, parece alguma das construções da Cracolândia. Há entulho por toda parte e, como um dos personagens disse, possui um ar muito triste. É uma das personagens mais fortes do elenco. Só de se imaginar em um lugar daquele já causa desconforto. O lugar ajuda a construir a atmosfera claustrofóbica e o suspense suportável. Há sim os momentos em que você fica olhando determinado ponto, esperando algo acontecer ou alguém aparecer, mas são poucos.

Não tenho certeza, mas em determinados momentos senti que foi acrescentada uma trilha sonora bem sutil para tentar criar (ou seria forçar?) o clima. Ora, se é um mocumentário não há porque existir música, a não ser que os personagens carreguem um rádio junto à câmera. Diversas vezes senti que o diretor Lee Cheol-Ha estava perdido, sem saber para onde ir ou o que fazer. Resultado? Voltas e mais voltas pela casa, muitas vezes pelo mesmo lugar. Quando decide que é hora de parar de andar, ele acrescenta chiados da gravação (até aí tudo bem) até um close repentino em uma silhueta feminina. Confesso que pulei do sofá, por causa do susto, mas aquele tipo de susto que dá e passa. Em seguida, a enrolação volta com tudo. Algumas cenas são tão escuras, mas tão escuras, que eu não entendia o que estava acontecendo. Não chega a ser apenas tenso: irrita e cansa.

Entretanto, não são apenas contras que compõem The Haunted House Project. Há momentos tensos nos penúltimos minutos, quando percebe-se que entrar na casa foi a pior ideia de suas vidas e começa o “pernas pra que te quero”. Não há apenas o sugerido; há sangue. Há gente sendo arrastada, voando para a escuridão, há corpos sendo contorcidos ao estilo oriental de ser, com o som dos ossos estalando (eu tive que gritar “Como essa porra ainda tá viva depois daquilo? É impossível que a coluna dela ainda esteja inteira!”).

O primeiro problema do final é exatamente a correria. Eu fiquei tão perdido quanto os infelizes correndo pela casa. Não sabia o que estava acontecendo, quem já havia morrido, ou como a câmera mudou de mãos tão rapidamente. Conclui que a culpa não foi minha, e sim do diretor em não conseguir imersar o espectador na história. Sabe quando você fica de olhos grudados na tela? Não há cola nenhuma aqui. Eu já estava com o dedo para clicar no x da janela antes mesmo de subirem os créditos.

O segundo problema é o final. Que final! Completamente dispensável. Não vou dizer o que acontece, mas após a última gravação a tentativa de mais um susto fácil falha vergonhosamente. Tô de poker face até agora.

Apesar dos pesares, The Haunted House Project não é de todo mal. Há sim seus momentos e merece ser conferido por quem gosta de suspense. Não chega a ser tão ruim quanto O Misterioso Assassinato de Uma Família; obviamente não chega a ser tão bom quanto A Bruxa de Blair. Está no meio termo, daquele tipo que você assiste uma vez, leva seus sustinhos, levanta pra tomar um leite e vai dormir como se ninguém o estivesse observando. É mais do mesmo, sem ser tão bom quanto.

(Visited 12 times, 1 visits today)
Autor Convidado

Autor Convidado

Um infernauta com talentos sobrenaturais convidado a ter seu texto publicado no Boca do Inferno!

Um comentário em “The Haunted House Project (2010)

  • 02/05/2013 em 21:43
    Permalink

    os japa pira. foi mal galera, mais uma vez não resisti.

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WP-Backgrounds Lite by InoPlugs Web Design and Juwelier Schönmann 1010 Wien