Críticas

Julia X (2011)

Um confronto sangrento entre assassinos numa produção que deixa muito a desejar na ousadia.

Julia X (2011)

Um dia caça e outro do caçador.

Julia X
Original:Julia X
Ano:2011•País:EUA
Direção:P.J. Pettiette
Roteiro:Matt Cunningham, P.J. Pettiette
Produção:Greg Hall, P.J. Pettiette, Claudie Viguerie
Elenco:Valerie Azlynn, Kevin Sorbo, Alicia Leigh Willis, Joel David Moore, Ving Rhames, Saxon Sharbino, Gregg Brazzel, Kasi Scarbrough Corley

Conhecer pessoas pelo bate-papo é uma prática comum hoje em dia pela facilidade do contato e por permitir a aproximação pelo conteúdo antes de valorizar o rótulo. Ao mesmo tempo que é interessante também pode se tornar perigoso a partir do momento em que não é possível saber com quem você está lidando até o encontro físico. O cinema de horror já trouxe alguns bons ensinamentos sobre essa prática através do psicológico Menina.Com, do drama Confiar e recentemente com o sangrento Julia X, dirigido pelo produtor e roteirista P.J. Pettiette (Jennifer’s Shadow, If I Die Before I Wake e Bad Dreams).

Com um orçamento estimado em 4 milhões, o longa tem como estrela o ex-Hércules, Kevin Sorbo, como um serial killer que costuma sequestrar mulheres que conhece pela internet para depois matá-las, deixando uma marca na pele das vítimas. Julia (Valerie Azlynn, de Substitutos, 2009) poderia ser mais uma vítima do assassino, se não fosse sua capacidade de sobrevivência e intenções macabras. Nos primeiros vinte minutos, ela encontra meios para fugir em diversas situações, incluindo a própria morada do estranho e outros lugares abandonados, parecendo apenas mais uma survivor girl. O ponto de virada acontece quando ela tem a oportunidade de nocautear e sequestrá-lo, conduzindo-o até sua residência, onde sua sádica irmã Jéssica (Alicia Leigh Willis, de A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos) os aguarda.

Jéssica também quer ter a oportunidade de protagonizar sequestros, mas, por ser mais nova, é obrigada a seguir as orientações da irmã. Assim que acorda, o assassino percebe que escolheu a vítima errada, sofrendo inúmeras torturas, enquanto também tenta encontrar alguma maneira de fugir e contra-atacar. Assim, o banho de sangue comanda o longa, com as irmãs enfrentando o inimigo com os acessórios que possuem em casa, enquanto brigam entre si a respeito de eliminar ou não o homem, continuar torturando-o e o posto de líder.

P.J. Pettiette emprestou seu argumento para o especialista em efeitos especiais, Matt Cunningham (Tropas Estelares, 1998), escrever o roteiro. Apesar da boa ideia, o resultado não foi plenamente satisfatório, mesmo ao encher a tela de vermelho e criar lutas sangrentas entre frases de um simples encontro. Até mesmo a entrada de uma outra vítima na história, o mecânico Sam (Joel David Moore, de Avatar,2009), não trouxe grandes mudanças no longa, até mesmo porque sua participação não acrescentou nada à produção. E também não haveria necessidade de mostrar o passados das irmãs para justificar sua raiva pelos homens, algo que o cinema de horror já provou não ser importante.

Julia X (2011) (2)

Kevin Sorbo é um ator bastante limitado, não convencendo em nenhum momento como serial killer sedutor — aliás, ele serviria muito bem para filmes pornô, principalmente na cena inicial no devaneio de Julia no banheiro. O destaque das atuações ficou por conta de Alicia, no papel de uma garota imprevisível e ousada, capaz de assumir o controle da situação e ainda se divertir com os confrontos. É ela que seduz o espectador e provoca as melhores cenas, permitindo uma avaliação não tão negativa para o longa.

Julia X tinha as ferramentas para se transformar numa grande produção, sempre lembrada pelos fãs do gênero, mas acabou se tornando uma Guerra dos Roses ou a Morte lhe Cai Bem: levemente divertido, embora não seja ousado e peque em algumas soluções fáceis.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. Já foi juri de festivais e eventos do gênero! Contato: [email protected]

5 Comentários

  1. jeh

    Uma bosta, elenco fraco, história fraca, sem sentido, falhas e peça muito. Sempre costumo ver os filmes até o fim, mas este sem chance. Achei a nota muito alta, eu daria zero.

  2. Hierofante1970

    O que acontece quando um psicopata encontra duas psicopatas ??? Simplesmente esse filme muito bom Julia X recomendo.

  3. FERNANDO

    Não concordo com a sua critica. Eu adorei o filme. É dinâmico, ousado e te prende na tela. Eu prefiro assim, do que o terror psicopata sobrenatural de garota infernal. Claro que a personagen da Alison, roubou a cena até da própria Valery, personagem titulo e a primeira dos créditos. Está na cara que isso não foi planejado. Enfim, é um ótimo filme de ritmo frenético. Só não convence tanto, devido a ausência da policia no longa, que nunca investigou as garotas e não surge em momento algum.

  4. vanessa vasconcelos

    ME DEU VONTADE DE ASSISTI-LO MESMO ASSIM.

    • Embora lembre um pouco o enredo de “A Vingança de Jennifer”, vi o trailer e me pareceu bem interessante. Vou assistir em DVD, com certeza.

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