Críticas

Basket Case (1982)

Vingou muito mais pela empatia com os personagens do que pela sua produção. A interação entre os personagens é, todavia, hilária!

Basket Case (1982)

Basket Case
Original:Basket Case
Ano:1982•País:EUA
Direção:Frank Henenlotter
Roteiro:Frank Henenlotter
Produção:Edgar Ievins, Arnold H. Bruck
Elenco:Kevin Van Hentenryck, Terri Susan Smith, Beverly Bonner, Robert Vogel, Diana Browne, Lloyd Pace, Bill Freeman, Joe Clarke, Ruth Neuman, Richard Pierce, Sean McCabe, Dorothy Strongin, Ilze Balodis

Basket Case é um clássico oitentista escrito e dirigido por Frank Henenlotter, responsável por outras pérolas grotescas como Brain Damage, Bad Biology e Frankenhooker. Mesmo tendo como maior obstáculo o seu baixo orçamento o filme ganhou o público na década de 80, graças ao humor negro e violência over-the-top da trama. Também deve seu debut como um dos filmes cult do “cinema bagaceiro” devido ao advento do vídeo residencial.

A trama conta a história de Duane Bradley (Kevin Van Hentenryck), um jovem aparentemente normal vindo do interior de Glens Falls com seu irmão gêmeo. O único problema é que o irmão de Duane, Belial, é uma besta deformada que vive em uma cesta de vime. Durante a gestação da mamãe Bradley o gêmeo monstruoso acabou por ser anexado ao lado de Duane como um gêmeo xipófago. O pai de Duane não aceitava a aberração e procurou todos os meios judiciais para “abortar” a criatura, mas como não poderia extirpar o filho deformado sem ter de prestar contas com a Lei decidiu contratar alguns médicos para realizarem uma operação clandestina que devolvesse a dignidade para o seu filho. Na tenra idade de oito anos, os irmãos foram separados cirurgicamente contra a sua vontade e o gêmeo de Duane foi descartado como lixo cirúrgico e jogado numa lixeira próxima à residência dos Bradley.

Enquanto se recuperava da operação, o jovem Duane começa a escutar a voz de Belial em sua cabeça pedindo socorro no meio da madrugada. Profundamente ressentido por ter sido separado de seu irmão, Belial convence Duane a se vingar do Dr. Lifflander e dos outros médicos. Após o assassinato de Lifflander na pacata cidade de Glens Falls pelas mãos poderosas do gêmeo deformado, Duane e seu irmão decidem fugir de casa e ir para Nova York onde residem os outros responsáveis pela separação. O ódio que queima a mente de Belial só poderá ser apaziguado quando todos os responsáveis pela operação forem mortos.

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Em Nova York, mais precisamente na Times Square, os irmãos Bradley alugam um quarto onde planejam as formas mais bizarras de realizarem sua vingança. No momento dos assassinatos o único a sujar as mãos é o bizarro Belial. Apesar de ter apenas o tamanho de uma mochila de acampamento e ter o corpo todo atrofiado o “gêmeo maligno” de Duane é dono de uma força descomunal. Seus braços são fortes como tenazes e suas unhas e dentes rasgam a carne como manteiga e, desta forma, mordendo e destrinchando rostos e cabeças, que a dupla vai seguindo com sua vingança até Duane desenvolver uma “paixonite” por uma atendente chamada Sharon (Terri Susan Smith), fato este que acaba por gerar certo ciúme em seu irmão. Esta discordância terá um efeito bastante negativo na convivência deles que acarretará em uma avalanche de problemas até o final do filme…

Basket Case vingou muito mais pela empatia com os personagens do que pela sua produção. A interação entre os personagens é, todavia, hilária. Destaque total para a cena onde Belial decide acordar seu irmão pra conversar no meio da madrugada. Duane amaldiçoa o fato de não poder tapar os ouvidos porque seu irmão conversa com ele por meios telepáticos. Outra cena memorável é quando Belial decide furtar uma calcinha de Casey, a vizinha baranga (interpretada por Beverly Bonner) para realizar um 5×1 e, infelizmente, Duane também tem acesso a todos os pensamentos molhados do irmão, que se encontra no conforto de sua cesta. Os efeitos especiais utilizados na movimentação de Belial consistem basicamente em um fantoche de látex em algumas cenas e algumas tomadas é utilizada efeitos de stop-motion quando é necessária a aparição do personagem em movimento. Quando Belial é visto estraçalhando o rosto de suas vítimas com suas garras é o próprio Henenlotter quem utiliza uma prótese que reproduz o braço do irmão deformado.

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Basket Case foi lançado nos cinemas nos EUA pela Analysis Film Releasing Corporation no início de abril de 1982, mas era tão bizarro que acabou se tornando um “filme da meia-noite” (gênero de filmes B que só passavam nas madrugadas insones norte-americanas) por vários anos após seu lançamento. O filme foi lançado em DVD nos EUA dezesseis anos depois pela Image Entertainment, em 1998 e esta versão está atualmente fora de catálogo.

Em 2001 o filme foi relançado em uma edição especial pela Weird Vídeo e lançado em Blu-ray no dia 27 de setembro de 2011.

Curiosidades

Quando Duane vai se hospedar no Hotel Broslin, em New York ele tira um maço de dinheiro. De acordo com Frank Henenlotter, aquele era todo o orçamento do filme.

Para atingir um público mais voltado ao humor, o distribuidor original decidiu cortar todas as cenas sangrentas do filme. Algum tempo depois acabaram por (re)colocar todas elas de volta e relançaram o filme nos cinemas com o subtítulo “Não perca a versão sem cortes!

A maioria dos créditos que aparecem no final do filme são fakes. A equipe de produção era tão pequena que Henenlotter teve a brilhante ideia de inventar nomes e suas funções ao invés de repetir sempre os mesmos.

O Hotel Broslin na verdade não existe e as principais partes do lobby foram filmadas em um elevador de serviço na Franklin Street, em New York. A cena no final onde Duane e Belial estão pendurados na janela do Broslin Hotel foi filmada em um edifício exterior em Hubert Street, que fica perto da Franklin Street. Todas as outras tomadas internas foram feitas em casas de amigos etc.

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Durante as filmagens da cena da morte de Sharon (Terri Susan Smith), a equipe ficou ofendida e saiu da produção. Isso aconteceu novamente durante as gravações do filme Brain Damage.

No roteiro original Belial deveria caminhar em torno de Manhattan. Mas o diretor e a equipe logo perceberam que não teriam os recursos orçamentais para tal cena. Em vez disso Frank Henenlotter reescreveu a cena com Duane cruzando Nova York. Ele então chamou Kevin Van Hentenryck para obter a sua aprovação, que adorou a ideia, iniciando as filmagens na noite seguinte.

Algumas cenas de Basket Case foram filmadas em frias noites do inverno. Para poderem filmar a equipe deveria primeiro limpar as calçadas de quaisquer objetos que podiam ferir Kevin Van Hentenryck caso ele pisasse sobre eles. Em seguida, disponibilizaram vans aquecidas para transportar o ator para os novos blocos de filmagem externa.

No apartamento de Casey (Beverly Bonner), há pelo menos sete itens “Smiley”, incluindo sua camisola, um relógio e um botão ao lado da janela entre outros.

Além de oferecer seu rosto para o boneco Belial, Kevin Van Hentenryck também gravou os efeitos de voz do mutante.

A “história de ninar” que a tia dos meninos lê para eles é de Shakespeare, “A Tempestade“. Especificamente, ela está lendo-lhes um discurso de Caliban, uma criatura animalesca deformada que uma vez tentou estuprar a filha do protagonista e foi escravizada como resultado. O discurso – encontrado no Ato 3, Cena 2 – é considerado entre os críticos de Shakespeare como um momento de humanidade para Caliban, como ele conforta um recém-chegado à sua ilha natal por descrever a sua tranquilidade e beleza natural.

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7 Comentários

  1. mó doidera

  2. Hierofante1970

    É o tipico filme dos anos 80 pouco orçamento e muita criatividade outro filme que adoro também só que é de 1992 é Fome Animal muito hilário.

  3. Nelson sIcK

    Reassisti o filme depois de anos, vi com outros olhos, hilário o filme, me diverti muito com as situações.

  4. Cristina

    Nunca tinha visto o primeiro, só o segundo que passava direto na Band!

  5. vanessa vasconcelos

    que bizarro velho.

  6. Gilson Bloch

    QUERO VÊ MUITO ESSE FILME..

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