Críticas

O Incrível Homem que Encolheu (1957)

O que fez a diferença foi Richard Matheson e sua visão do que seria estar verdadeiramente no limiar do desespero sem volta!

O Incrível Homem que Encolheu (1957)

Uma obra grandiosa do cinema fantástico!

O Incrível Homem que Encolheu
Original:The Incredible Shrinking Man
Ano:1957•País:EUA
Direção:Jack Arnold
Roteiro:Richard Matheson, Richard Alan Simmons
Produção:Albert Zugsmith
Elenco:Grant Williams, Randy Stuart, April Kent, Paul Langton, Raymond Bailey, William Schallert, Frank J. Scannell, Helene Marshall, Diana Darrin, Billy Curtis

Embora fã incondicional de filmes fantásticos já há algum tempo, apenas em 2001 tive a oportunidade de conferir o clássico O Incrível Homem que Encolheu (The Incredible Shrinking Man, 1957), de Jack Arnold. Fiquei impressionado com a competência desse filme. De longe o melhor trabalho do conhecido diretor de O Monstro da Lagoa Negra (54), que também é ótimo.

Escrito e roteirizado pelo mestre Richard Matheson, a partir de seu romance homônino, O Incrível Homem que Encolheu narra a dramática odisseia de Scott Carey (Grant Williams), um pacato cidadão americano que acidentalmente atravessa uma estranha nuvem radioativa durante um passeio de barco e passa a diminuir de tamanho progressivamente, diante da impossibilidade dos médicos de frearem o processo. O pesadelo se inicia. Espiralando-se de encontro ao inevitável, ele sabe que está prestes a dar um mergulho sem volta ao misterioso universo quântico. E se isso não bastasse, ainda existe a certeza de que esse universo é único, inédito; e o pior – ele será engolido e deixado para trás por coisas que anteriormente dominava com indiferença.

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O próprio Matheson considerava essa história mais como fantasia do que ficção científica, ou antes um pesadelo de horror, pois a ciência é utilizada de forma frouxa, livre, sem fornecer campo algum para a especulação; mas com esse argumento essencialmente simples em sua estrutura, o autor cria uma avalanche de situações física e emocionalmente assustadoras, que se ancoram nos efeitos especiais magníficos de Clifford Stine para formar um dos maiores clássicos do cinema fantástico.

Pela sutiliza perversa da história e pelo modo como testemunhamos as mirabulosas aventuras do personagem diante de sua tragédia, esse filme é considerado por muitos como uma verdadeira fantasia de horror e medo. Mas aqui o terror não se apresenta com monstros; funciona antes – e muito melhor – na angústia vivida pelo personagem. É verdade que ele precisa escapar de seu próprio gato; precisa derrotar uma aranha para ter domínio completo sobre seu território – o porão -, mas ele sabe (e nós sabemos) que a sua luta diária, por mais árdua que seja, terá sido em vão. Quando muito, ele será um vencedor temporário, indo direto ao encontro de novos níveis de perigo, ainda maiores (ou menores?).

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Um dos momentos mais angustiantes é quando o desafortunado liliputiano, a ponto de ser tragado por uma inesperada inundação, concentra toda sua energia nos gritos aterrorizados que jamais vibrarão nos tímpanos de um possível salvador. Sua micro voz já não pertence à esfera de nosso mundo. Se houve alguma esperança no passado, ela se desmorona nesse momento.

Assim, Matheson cria um anti-herói rebelde, que no início reluta em aceitar sua condição, mas no final, quando percebe que, a despeito de tudo, ainda pensa como gente grande e pode fazer uso de sua inteligência, ele se funde no microcosmo e não se importa de ser tragado por ele.

Eu ainda existo“, clama o personagem, heroicamente, na última cena.

O mais interessante é que o filme não explora clichês. Seria fácil, por exemplo, dedilhar o roteiro e colocar Scott Carey como um prisioneiro de cientistas “entusiasmados” com sua estranha doença e tendo que fugir (vide O Mundo em Perigo: “Não queremos danificar o formigueiro“; ou O Monstro do Ártico: “Precisamos conservá-lo para estudo“…), ou , pior ainda, de maneira ainda mais mirabulosa que o próprio encolhimento, um modo de reverter o processo e trazer o personagem de volta à normalidade.

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Seria fácil, mas o que fez a diferença foi Richard Matheson e sua visão do que seria estar verdadeiramente no limiar do desespero sem volta, ainda que o final, contornando o pessimismo completo, se apresente de maneira poética: à proporção que o universo se expande, Corey diminui; pequeno ou grande, porém, ele está dentro desse universo em expansão. A metáfora final se apresenta quando, mesmo seguindo rumo ao infinitesimal, ele se vê livre do horrendo porão que por muito tempo o aprisionou.

Um clássico.

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5 Comentários

  1. Davi Mercatelli

    Um bom filme.

    Conforme o personagem vai encolhendo a tensão e o desprezo das pessoas crescem.

    Um filme tenso que merece ser visto!

  2. anselmo luiz

    Grande Filme !Um dos classicos da ficção cientifica,passou na Rede Globo de 80 a 90 no Cine Clube sessão exibida com som original e legendas em portugues ,Foi refilmado em 1984 mas com uma mulher como protagonista a Veterana Atriz Lily Tomly em tom de comedia exibido varias vezes no SBT no fim decada de 80 e começo de 90 o titulo deste filme é ” A Incrivel Mulher que Encolheu “.

  3. Da n telecine cult toda hora Vanessa …. vc n tem sky ou net ?

    • vanessa vasconcelos

      tenho não mano(coisa de pobre hahaha) mas vou caçar na net pra baixar ou quem sabe assisti-lo on line ,valeu mesmo assim 🙂

  4. vanessa vasconcelos

    rapaz,deve ser hilário isso aí hein? queria ver hahaha.

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