Críticas, Quadrinhos

28 Days Later – Aftermath (2007)

Direto ao ponto, na luta pela sobrevivência, em uma terra tomada por demônios em forma de gente, até o seu desfecho dantesco!

28 Days Later (2007)

28 Days Later - Aftermath
Original:28 Days Later - Aftermath
Ano:2007•País:UK
Páginas:112• Autor:Editora: Fox Atomic Comics

por Tiago Toy

Quando ainda morava no interior, eu adorava ficar durante horas em locadoras, lendo sinopses e vendo capas de filmes. Mesmo que não fosse alugar, havia algo que me segurava (talvez imaginar como seria a história, a partir das poucas linhas atrás das embalagens). Por sorte uma amiga trabalhava em uma das melhores locadoras da cidade, então aproveitava para papear enquanto passava os olhos pelos lançamentos. Havia um que eu já percebera, mas nunca me chamara atenção. Lembro exatamente como essa amiga, Rafaela, disse, certa vez.

– Você que gosta desses filmes feios, com sangue, vai adorar aquele.

E apontava um com a capa vermelha, onde um cara corria desesperado de figuras envoltas em chamas, e na parte de cima um par de olhos vermelhos encarava. O título era interessante, então decidi, depois de muito adiar, alugar. Foi meu primeiro contato com os infectados de 28 Days Later, ou Extermínio aqui no Brasil.

O filme começa com um rapaz, Jim, acordando em um leito de hospital. Estranhando o silêncio mortal, ele se arrisca a levantar e procurar alguém, e qual não é sua surpresa ao descobrir que não há ninguém ali! A surpresa é maior quando ele perambula pelas ruas desertas de Londres e não encontra uma vivalma. Pouco depois, em uma igreja, finalmente se alivia ao encontrar o padre, sensação essa que dura segundos. Percebendo que o padre – e outras pessoas que surgem em meio à corpos estraçalhados – agem de forma estranha, violenta, conclui que o melhor é correr. Mal sabe ele que os próximos dias serão assim. Correndo dos infectados.

Eu, como fã de filmes de zumbis, logo me identifiquei com a película. Tudo bem que os infectados não são mortos-vivos, apenas pessoas doentes com um tipo de raiva humana, mas esse mero detalhe pode passar despercebido, visto que há tensão em doses nada homeopáticas e a cada minuto o filme só melhora. Desnecessário dizer que virei fã e logo que saiu a continuação, 28 Weeks Later, fui conferir sem perda de tempo.

Diferente do que muitos devem ter pensado até o trecho acima, meu post não é sobre o filme. Não, Toy? Nããão! É sobre algo que tem relação direta com os filmes, e arrisco dizer que consegue ser tão bom quanto, ou melhor. Refiro-me às HQs de 28 Days Later.

28 Days Later (2007) (3)

Primeiro vamos conhecer a 28 Days Later – The Aftermath, lançada pela Fox Atomic Comics e escrita por Steve Niles, responsável por trabalhos como o ótimo 30 Days of Night (30 Dias de Noite). A minissérie concluída em apenas quatro edições narra os eventos que deram início ao holocausto visto no longa. Não é segredo pra ninguém (uma vez que sabemos logo no início do filme) que o vírus veio dos macacos, devido a um experimento que deu errado, e que um grupo de “salvadores de animais” invade um laboratório a fim de libertar os pobres animais. O que eles não sabem é que seria melhor tê-los deixado lá. Afinal, não adianta chorar pelo leite derramado!

Visando o bem estar dos bichinhos, quase conseguem seu intento, não fosse o detalhe mor: os macacos estavam infectados com algo que poderia ser considerado raiva. O pior de tudo é que essa raiva é transmitida aos humanos como gripe. O simples contato com sangue infectado, saliva ou outros fluídos corporais é o suficiente para levar a vítima a um estado permanente de raiva. Se zumbis são perigosos perambulando lentos por aí, imagine correndo como velocistas, no estilo Madrugada dos Mortos, de Zack Snyder? Deu pra sentir, né?

A infecção se espalha em questão de segundos (segundos mesmo!) e não há tempo para pensar. Sua mãe, namorada, melhor amigo, seu Totó. Não importa! A solução é estar com uma arma, seja um revólver ou um facão, e descer a lenha. Uma vez infectado, não há cura. Diante dos olhos vermelhos e com veias estouradas, você se tornará apenas um McLanche-Humano Feliz, e sem as fritas para acompanhar.

A primeira edição foca no laboratório, em como os cientistas pesquisam relatos de violência para tentar isolar o neuroquímico que causa a ira e agressividade nos humanos. Os chimpanzés vistos no filme foram, sim, as cobaias, mas não as primeiras. Tentaram, de início, fazer testes com um homem. Pra não entregar spoilers, digo apenas que não deu muito certo, e foi aí que decidiram partir para os macacos. Agora eu pergunto: O que vocês acham que aconteceria se, de alguma maneira, o vírus Ebola e o vírus da gripe fossem unidos em um só? 28 Days Later é a resposta.

Na segunda edição é que o caldo engrossa! Uma família está comemorando o aniversário da mãe com um piquenique no parque quando o caçula, Liam, observa algo no alto. “Mas mãe, tem um macaco na árvore!” Vocês me perguntam se o macaco fugiu do laboratório? Algo precisava acontecer para a história seguir, não é? O chimpanzé tem tempo apenas de pular sobre o garoto e vomitar sangue em seu rosto, antes de ter a cabeça esmagada pelo pai desesperado. Porém, para chegar até ali o macaco andou um bocado. E, nesse percurso, outras pessoas o encontraram. Ou seja, tarde demais, papai!

Logo depois aparecem outros infectados, e é quando a festa começa. Pessoas fogem de outras pelas ruas, mordem umas às outras, jogam-se contra carros em movimento, e gritam como animais enfurecidos. É exatamente o que gosto. É como doce!

Dias depois encontramos o restante da família, sem o pequeno Liam, escondidos em sua casa, as portas e janelas lacradas, ouvindo as orientações do governo em não saírem para as ruas. Como um deles diz, esperar ali é esperar para morrer. Então, decidem sair. As páginas seguintes são repletas de ação de tirar o fôlego. Quando leio gibis, sinto que acontece tudo muito rápido. Então me lembro que gibis são assim, precisam fluir, sem enrolação. E é exatamente desse jeito que a minissérie se desenrola. Direto ao ponto, na luta pela sobrevivência, em uma terra tomada por demônios em forma de gente, até o seu desfecho dantesco.

Se vocês acham que, pela descrição acima, 28 Days Later – Aftermath é uma puta HQ, é porque não conhecem 28 Days Later, HQ lançada pela Boom! Studios. Mas esse merece um post único.

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1 Comentário

  1. Danilo

    dahora hein, já to esperando pelo post da 28 Days Later

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