Críticas

CHUD – A Cidade das Sombras (1984)

Nos anos 80, é possível também encontrar pérolas cult divertidas como C.H.U.D. e seus monstruosos mendigos canibais!

CHUD (1984)

Os monstruosos mendigos canibais dos anos 80

CHUD - A Cidade das Sombras
Original:C.H.U.D.
Ano:1984•País:EUA
Direção:Douglas Cheek
Roteiro:Shepard Abbott, Parnell Hall, Christopher Curry, Daniel Stern
Produção:Andrew Bonime
Elenco:John Heard, Daniel Stern, Christopher Curry, Kim Greist, Laure Mattos, Brenda Currin, Justin Hall, Michael O'Hare, Cordis Heard, Vic Polizos, Eddie Jones, Sam McMurray, John Goodman, Jay Thomas, Ivar Brogger

Nas profundezas obscuras dos anos 80, além da invasão das produções adolescentes e bem-humoradas do subgênero “terrir“, é possível também encontrar pérolas cult divertidas como C.H.U.D. e seus monstruosos mendigos canibais. Realizado em 1984, com direção de Douglas Cheek – em seu único filme na função, ocupando posteriormente o cargo de editor de documentários e séries de TV -, o longa não esconde sua classificação B, seja nos efeitos old school, na fotografia e trilha sonora, seja no roteiro simples, escrito por Parnell Hall, baseado numa história de Shepard Abbott, com participação dos atores Daniel Stern e Christopher Curry.

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A capa do VHS, distribuído pela Alvorada Vídeo, era uma das que mais chamavam a atenção nas locadoras: uma criatura com olhos brilhantes é vista de relance erguendo a tampa de um bueiro, com o título CHUD – Cidade das Sombras em destaque. Como ficaria difícil traduzir o acrônimo que dá o nome ao filme (imagine algo como HCHS – Humanóides Canibais que Habitam o Subterrâneo), optou-se por tirar os pontos, mantendo a base do título original, numa atitude bem pensada pela distribuidora. Em tempo: a capa nacional é parecida com a lançada nos EUA e bem diferente de uma versão holandesa, que trazia as pernas de uma mulher em destaque, sem a presença de algum monstro, e lia-se C.H.U.D. – Panik in Manhattan.

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Com seu estilo proposital de filme B, CHUD teve uma passagem rápida pelos cinemas, arrecadou pouco e acumulou críticas que variavam de negativa à mediana. A indicação no The New York Times facilitou para o longa vencer na categoria de Melhor Filme Fantástico do Brussels International Festival of Fantasy Film, em 1985. Se a boa reputação não ajudou a equipe técnica a conseguir novos trabalhos, o mesmo não se pode dizer do elenco, com rostos conhecidos em pontas e grandes participações. John Heard (Esqueceram de Mim, Quero ser Grande, Prison Break), Daniel Stern (um dos vilões de Esqueceram de Mim, esteve em Otis e 72 Horas), Christopher Curry (Tropas Estelares, Transformers 2), Kim Greist (Brazil – O Filme, Jogue a Mamãe do Trem), entre outros, figura numa galeria de nomes que você certamente deve ter visto em outras produções. E o que dizer então da pontinha de dois astros no calibre de Jay Thomas (O Mistério da Libélula, Loucuras de Verão) e, principalmente, John Goodman (O Grande Lebowski, Argo…), numa aparição rápida como policiais que são mortos numa lanchonete?

A trama de CHUD é basicamente sobre o que foi dito no primeiro parágrafo: mendigos em contato com lixo tóxico deixados nos esgotos se transformam em monstros canibais, causando uma série de desaparecimentos em Nova Iorque. Logo na cena inicial, uma mulher passeia com seu cão pelas ruas escuras até ser puxada por algo escondido no bueiro. Os cortes da câmera facilitam a ação, embora exija um pouco da imaginação do espectador para entender o que aconteceu. Ela é a mulher do Capitão Bosch (Curry), uma figura estereotipada pelo ambiente clássico de uma delegacia. Embora ele acredite que os sumiços são comuns na América e não necessitam de investigação, sua esposa o faz ir a fundo em busca de mais detalhes.

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Bosh é atraído por uma história envolvendo uma mendiga que teria roubado a arma de um policial. Em buscas de pistas, chega até A.J.Shepherd (Stern), conhecido pelos moradores de rua como Reverendo, pelo fato de ajudar na alimentação deles. Ele confirma os desaparecimentos e aponta um homem que teria conseguido escapar do que ele chamou de “monstros do esgoto“, ampliado com seus discursos de “o fim está próximo“, “o céu vai se abrir” e blá blá blá. É Shepherd que mostrará evidências sobre a presença de roupas de proteção e medidor Geiger, o que confirma a presença de algo estranho embaixo de Nova Iorque, tendo a participação de homens de uma comissão de observação nuclear, sob o comando de Wilson (George Martin).

No outro lado da moeda, está o fotógrafo George Cooper (Heard), que vive com a modelo Lauren Daniels (Greist) e está sendo cobrado por fotos sobre mendigos e miséria, por um tal de Derek. Ele resolve terminar o serviço quando recebe um pedido de ajuda de uma moradora que conhece e estaria na delegacia por ter roubado a arma de um policial – conforme contado acima. O roteiro não explica muito bem a relação dos dois, mas George diz que ela seria uma vizinha conhecida. Ao acompanhá-la até sua morada subterrânea, ele vê um homem que teria sido mordido por algo que caminha nos esgotos. Suas fotos acabam servindo de prova, principalmente quando Bosch invade sua casa em busca de pistas sobre o que anda acontecendo.

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Por motivos diferentes, George e Sheperd acabarão nos esgotos, presos por Wilson, quando percebe que seu projeto C.H.U.D., que também leva o acrônimo “Contamination Hazard Urban Disposal“, sobre a possibilidade de eliminar os moradores de rua, está sendo desvendado. Wilson resolve abrir o gás, mesmo sabendo que alguns acidentes poderão acontecer, para que as criaturas apareçam e possam ser eliminadas. Os monstros, com seus olhos brilhantes e seu corpo semi-derretido, aparecerão na cidade, causando pânico e morte, e uma grande tensão envolvendo a grávida Lauren em seu apartamento.

CHUD traz uma Nova Iorque imunda, o retrato de uma cidade mal tratada, abandonada. Os ambientes apresentados são sempre escuros, úmidos e tristes, num aspecto positivo para o longa por estabelecer uma boa relação com os objetivos do lixo tóxico nos esgotos. Aliás, a presença de material contaminante na região alimentou algumas lendas urbanas como a do jacaré gigante (Alligator) nas redes que cobrem a parte inferior da cidade. O roteiro faz o certo ao esconder as criaturas durante o primeiro e boa parte do segundo ato, aumentando as expectativas do público sobre as mãos monstruosas que apareciam o tempo todo.

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É claro que não se compara a outros trabalhos realizados na década de ouro do cinema-pipoca, mas consegue divertir e envolver o espectador com cenas bem interessantes como a que acontece com uma garota no chuveiro. Talvez pelo lançamento no mesmo ano de A Hora do Pesadelo, de Wes Craven, tenha ficado como as criaturas do esgoto, vivendo na obscuridade, como a péssima continuação lançada em 1989, com direção de David Irving. Ainda assim, enalteço o convite para que o infernauta conheça essa produção cult ainda não lançada em DVD no Brasil.

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4 Comentários

  1. Beto KAOSZD

    Assisti muito filme no final dos anos 80, mas este deve ser inédito para mim. Deve ser fabuloso.

  2. Cristiano

    Não assisti este filme, mas tem jeito de ser legal.

  3. Gilson Bloch

    TAMBÉM GOSTO MUITO DE FILMES TRASH…

  4. vanessa vasconcelos

    deve ser massa,adoro um filme trash.

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