Fenômenos Paranormais 2 (2012)

Fenômenos Paranormais 2 (2012)
De Volta ao hospício da colina!
Fenômenos Paranormais 2
Original:Grave Encounters 2
Ano:2012•País:Canadá, EUA
Direção:John Poliquin
Roteiro:The Vicious Brothers
Produção:Shawn Angelski, Martin Fisher
Elenco:Richard Harmon, Dylan Playfair, Stephanie Bennett, Howie Lai, Leanne Lapp, Alex Barima, Sean Rogerson, Peter Chao

Uma pequena aranha tece sua teia no canto da parede. Você observa a cena com muita pena, imaginando que ela morrerá de fome, já que nenhuma presa será tão estúpida de se aproximar da armadilha. Mais tarde, no mesmo local, há uma mosca lutando para se soltar, depois surgem outras vítimas, provocando um ótimo banquete para a predadora. Não, esta não é uma resenha para algum site de biologia ou início de tese; trata-se da analogia mais adequada para tentar entender alguns furos do roteiro de Fenômenos Paranormais 2: se você sabe que um lugar é perigoso e que pessoas desapareceram ali, por que, cargas d´água, você arriscaria ir lá fazer as mesmas coisas?

Filmado em 12 dias, com um orçamento estimado em um milhão de dólares, o primeiro filme teve estreia limitada em Nova Iorque e Los Angeles em 2011, conquistando um bom número de fãs – 20 milhões de usuários assistiram aos vídeos virais no youtube – e a tradicional especulação de que alguns integrantes teriam realmente desaparecido durante a produção. Não é verdade: a dupla de cineastas, The Vicious Brothers, disse em entrevista ao site Twitch que tudo ocorreu tranquilamente e nenhum membro da equipe foi ferido no processo de filmagem. Contudo, essa brincadeira de verdade ou mentira incentivou a realização imediata de uma continuação, com roteiro novamente de Colin Minihan e Stuart Ortiz e a direção à cargo de John Poliquin, assistente de produção de Serpentes a Bordo, seguindo os moldes de A Bruxa de Blair 2 ao questionar a veracidade dos fatos.

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Fenômenos Paranormais trazia a equipe de produção do reality show Grave Encounters, que investiga fenômenos sobrenaturais, nos trabalhos do sexto episódio. O que era apenas uma diversão que envolvia criar falsos efeitos paranormais num hospital psiquiátrico abandonado acaba se tornando um pesadelo sem fim, entre sumiços, atividades sinistras e a aparição de pacientes e do próprio médico louco que costumava realizar testes e torturas no local. O grupo não retornou como previsto, mas deixou o material de gravação – o tal found footage – para a apresentação do produtor Jerry Hartfield (Ben Wilkinson), que, na introdução, afirmava que nada havia sido editado, mesmo com o número exagerado de horas de filmagem não condizente para um filme de pouco mais de uma hora e meia. Como ele conseguiu as fitas? Uma informação na continuação deixa evidente os interesses das assombrações em exibir seus feitos, como Samara Morgan pretendia em O Chamado.

A sequência começa com a participação de vários vloggers comentando o primeiro filme. Algumas afirmações positivas sobre o conteúdo, muitas críticas, com ênfase no final abrupto. Imaginei que os depoimentos fossem verdadeiros, com os realizadores tendo feito alguma promoção para o público aparecer no filme, porém não encontrei nada a respeito, além do fato de muitos vídeos terem sido feitos por atores como Jeffrey Bowyer-Chapman (de Dear Mr. Gacy). Entre os participantes, destaca-se o jovem cineasta amador Alex Wright (Richard Harmon, de Contos do Dia das Bruxas), que fica obcecado pelo longa original, principalmente quando recebe uma resposta em vídeo de algo que se intitula Death Awaits 666, com uma cena não vista em Fenômenos Paranormais. O tal amigo virtual aponta a localização do hospital psiquiátrico e informações que levam ao ator Sean Rogerson, que interpretou o apresentador Lance Preston no original.

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Alex costuma ocupar seu tempo na direção de curtas de horror e críticas em vídeo no youtube. Primeiramente ele procura o produtor Jerry Hartfield, que, não percebe uma câmera escondida mais do que óbvia, e revela que os acontecimentos do filme são reais. Depois de tentar localizar Sean Rogerson e descobrir que ele está desaparecido desde a gravação do sexto episódio de Grave Encounters, Alex se convence da veracidade de Fenômenos Paranormais. O que ele faz então? a) usa o material adquirido e faz uma denúncia nos jornais e TV, comprovando que o sobrenatural existe? b) publica um vídeo da internet e considera o longa original como o mais assustador de todos os tempos? c) resolve visitar o sanatório com os amigos para buscar mais provas, mesmo sabendo dos perigos que isso pode ocasionar? Pois é. Se o rapaz fosse ao hospital para tentar provar que não existe assombração ali, poderíamos até entender, mas ir ao local para arriscar sua vida e sanidade é difícil engolir.

O roteiro também opta por não explicar os motivos que levaram os familiares a esquecer o que aconteceu. Ora, se você visse um parente seu sendo puxado para dentro de uma banheira cheia de sangue, não faria nada a respeito? Deixaria o produtor lucrar com o filme lançado e a possível morte de seu ente querido? São perguntas assim que nos fazem ver o quanto o argumento é extremamente falho e repleto de buracos. Em A Bruxa de Blair 2, ainda há a desculpa – esfarrapada, diga-se de passagem – que há aqueles que querem lucrar com o filme original, já considerado artificial, realizando passeios até as matas como uma espécie de visita aos sets de filmagem. Já no clássico Cannibal Holocaust, uma nova expedição serviu para procurar os desaparecidos e justificar o encontro do material de gravação. Somente em Fenômenos Paranormais 2, os personagens vão ao encontro da morte, literalmente!

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Após mais de meia-hora de enrolação, com cenas dos curtas de Alex e a presença incômoda de um segurança nas proximidades do hospital apenas para atrasar a entrada, finalmente os jovens invadem o local, onde supostamente irão encontrar o internauta Death Awaits 666 às três da manhã nos túneis. Santa ingenuidade, Krueger! Logo, o terror tem início, com a janela que se abre sozinha e presenças macabras, como a de um paciente gigantesco que até ilustra a capa do segundo filme. Para tentar diferenciar a narrativa, The Vicious Brothers faz com que alguns até consigam sair numa ilusão passageira, mostra a ala infantil do manicômio e traz o retorno de Sean Rogerson, que teria se escondido lá por quase dez anos, num estado primitivo, alimentando-se de ratos e bebendo água da privada. Ele conduz os sobreviventes até uma porta vermelha, fechada com correntes e cadeados, a possível fuga daquele inferno. Sean parece ouvir uma voz interior que o induz a matar e os passos para finalmente encontrar a saída.

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Ao tentar não imitar o primeiro filme, John Poliquin faz câmeras voarem e cria até um vórtice evildeadiano no final, mesmo o show de efeitos não sendo suficiente para tornar a produção mais bem conceituada. Há erros grotescos de continuidade – como o olho cego de Sean mudando de cor entre as cenas e a maquiagem das garotas, e do amigo assassinado, alterando-se constantemente – e interpretações ruins, como a de Leanne Lapp (a amiga Jennifer Parker), que não consegue transmitir o desespero da situação fora de controle, e o protagonista Richard Harmon e sua carranca sem fim, ambos facilmente obstruídos pelo insano Sean, um homem das cavernas imprevisível.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

19 comentários em “Fenômenos Paranormais 2 (2012)

  • 07/11/2016 em 01:04
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    Cara, no fim do filme, na parte que o principal está falando que não tem
    Nada no hospital, pra ninguém voltar lá, etc etc, antes dos créditos, rapidamente uma sequência de números vem amostra ” 49 14 122 48″ ( são esses números ) o que será ? Pra quem
    Nunca reparou… voltem e vejam!

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  • 18/09/2016 em 16:02
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    Por que no filme eles cortavam a voz quando eles falavam o nome do Hospital

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  • 18/09/2016 em 16:01
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    Cara,nao vou dizer que esse filme me deu medo me assusto sim comecei ate ficar meio louco mas acho que tanbem foi a falta de sono que ajudou eu comecava ver as coisas aparecerem no meu lado quase que tenho um surto esse filme bom

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  • 14/03/2015 em 00:12
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    Ambos os filmes 1 e 2 NÃO SAO REAIS, POIS OS ATORES JA FIZERAM OUTROS FILMES, MAIS O HOSPITAL EXISTE, SÓ QUE TA CAINDO AOS PEDAÇOS, SÓ PESQUISAREM NO GOOGLE, E VER VIDEOS NO YOUTUBE , O ALEX DO ULTIMO FILME, O INSTA OFICIAL DELE É ESSE : https://instagram.com/richardsharmon , ELES FIZERAM PARA PARECE REAL MESMO, PORQUE ASSIM GANHAM MAIS GRANA,E AS PESSOAS FICAM OBCECADAS EM SABER A VERDADE E SURGE A DUVIDA. GRANDE BEIJO

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  • 14/03/2015 em 00:09
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    Ambos os filmes 1 e 2 NÃO SAO REAIS, POIS OS ATORES JA FIZERAM OUTROS FILMES, MAIS O HOSPITAL EXISTE, SÓ QUE TA CAIDOS AOS PEDAÇOS, SÓ PESQUISAREM NO GOOGLE, E VER VIDEOS NO YOUTUBE , O ALEX DO ULTIMO FILME, O INSTA DELE É ESSE : https://instagram.com/richardsharmon , ELES FIZERAM PARA PARECER REAL MESMO, PORQUE ASSIM GANHAR MAIS GRANA, E SURGE A DUVIDA.

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  • 25/11/2014 em 23:25
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    Eu acho que pode ser real toda vez que alguem vai falar o nome do hospital da um bip na vos

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    • 16/12/2015 em 18:40
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      o filme é pura ficça o e um otimo filme que nos confundi com realidade.
      o hospital foi fechado em 2012.nao antes dos fillmes.

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  • 17/10/2013 em 09:16
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    alguem pode mi responder com uma so palavra é verdade ou ñ os filmes?

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  • 31/08/2013 em 04:47
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    Simplesmente o melhor desses últimos filmes de terror descartáveis de hoje…

    Simplificado em uma única palavra: DIVERSÃO!
    A história não se leva a sério e tem inúmeras partes de humor negro.
    Os caras souberam brincar com o que poderiam fazer em mãos. Não poupando nem mesmo o filme anterior, que tinha o final capenga. Os caras sacanearam o final do outro filme e conseguiram criar uma ótima experiência de horror, humor negro e sátira sobre formulas prontas de hoje em dia.

    Outra coisa que me agradou bastante foi o fato de que a grande maioria dos efeitos do filme foram práticos, abusando da criatividade e poupando ao máximo as cenas feitas por computador…

    Com certeza, vale a pena reunir um monte de amigos e amigas em casa e colocar o filme pra rolar…
    E não esqueçam a pipoca e a cerveja…

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  • 29/08/2013 em 14:15
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    nem tive vontade de ver essa sequencia,sem lá porque.

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