Críticas

Wolverine: Imortal (2013)

Que Wolverine é imortal, isto já sabemos. Resta pensar em novos filmes para que este personagem tão marcante volte a surpreender seu público

Wolverine (2013)

Wolverine - Imortal
Original:The Wolverine
Ano:2013•País:EUA, Austrália
Direção:James Mangold
Roteiro:Mark Bomback, Scott Frank
Produção:Hugh Jackman, Hutch Parker, Lauren Shuler Donner
Elenco:Hugh Jackman, Tao Okamoto, Rila Fukushima, Hiroyuki Sanada, Svetlana Khodchenkova, Brian Tee, Hal Yamanouchi, Will Yun Lee, Ken Yamamura, Famke Janssen

Não é de hoje que Wolverine se tornou um herói previsível. Desde o seu primeiro filme solo, X-Men Origens: Wolverine, de 2009, que o mutante de garras de adamantium não consegue surpreender com uma boa história. Mas verdade seja dita que a culpa não é exclusiva dele. X-Men Origens: Primeira Classe, de 2011, parece sofrer do mesmo mal que acometeu a série desde o lançamento do ótimo X-Men: O Confronto Final, de 2006. Um festival de explosões, lutas e perseguições, mas com roteiros previsíveis e poucas profundidade na concepção dos personagens.

Este elemento ligado aos personagens foi o diferencial dos três filmes da trilogia original, iniciada no ano 2000. Antes de serem heróis e vilões, os mutantes criados em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby conseguiram cativar o público no cinema não apenas por explosões e brigas, mas por serem personagens bem concebidos. Os x-men são obrigados a aceitar a mutação com a qual nasceram, ao mesmo tempo em que alguns precisam viver escondidos por temer preconceitos da sociedade. Além disso, os roteiros das produções sempre procurou surpreender o público, desde a concepção da própria história até por matar personagens importantes. Para completar, o elenco caiu como uma luva para dar vida aos heróis e vilões, o que ajudou ainda mais na empatia pelos mutantes, cuja maioria esteve presente nos três filmes originais. A direção de Bryan Singer, responsável pelo capítulos 1 e 2, e de Brett Ratner, que assinou o terceiro, conseguiu o tom certo para popularizar a série.

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Mas estas características não acompanharam os filmes solos, que pareciam cair no lugar comum das produções de ação e assistir Wolverine – Imortal, de 2013, é o melhor exemplo do que a franquia se tornou. O filme, dirigido por James Mangold, acompanha o personagem Logan, nome de Wolverine quando não está lutando. Aqui temos uma espécie de sequência solo pós X-Men: O Confronto Final. Apenas para contextualizar, o final do filme de 2006 mostra Wolverine sendo obrigado a matar a sua amada Jean Grey, que na ocasião assumiu a personalidade da Fênix, a mutante mais poderosa e perigosa já vista.

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Quando reencontramos Logan, mais uma vez interpretado por Hugh Jackman, percebemos que ele é assombrado por sonhos com Jean, novamente Famke Janssen. Logo nosso herói recebe uma estranha visita. Trata-se de Yukio, Rila Fukushima, uma japonesa que estava em busca de Wolverine para levá-lo ao Japão. Ao chegar na terra do sol nascente, Logan é surpreendido ao reencontrar Yashida, que na juventude foi salvo pelo mutante da explosão da bomba atômica de Nagasaki. A beira da morte, o empresário quer agradecer ao herói e para isto, oferece aquilo que Logan mais estaria buscando: ter uma vida mortal para um dia morrer.

A partir desta explicação começa o corre corre, pancadaria e explosões que levam o nosso herói imortal a enfrentar novos mutantes, ninjas e a própria máfia japonesa. No entanto, tudo é muito óbvio, visto que depois de aparecer em quatro filmes, sem contar uma rápida participação em Primeira Classe, Wolverine simplesmente não morre e todo mundo já sabe disso. Sobram então muita pancadaria e tiradas cômicas de Logan perambulado por Tóquio e gerando inevitáveis choques culturais entre ele e a tradição típica do Japão.

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Talvez o melhor do filme seja realmente a química entre Logan e Jean Grey. Mesmo tratando-se de poucas cenas, a intenção serve para mostrar um herói mais humano, vulnerável e com sentimentos. Tais características podem até soar deslocadas dentro de uma trama de ação, mas tratando-se dos x-men, elas não apenas são necessárias como fazem falta na concepção final dos últimos roteiros. Até porque não é novidade o fato de Wolverine ser imortal e muito menos dele conseguir matar todo mundo. Aqui temos o trivial sem que haja adição de nenhum elemento extra.

E se a trama não ajuda, os novos personagens muito menos. Destaque negativo para a russa Svetlana Khodchenkova no papel de Víbora. Aqui tem-se claramente a vilã mais sem graça e mal concebida de toda a série. Em alguns momentos é possível imaginar que estamos diante da Poison Ivy interpretada por Uma Thurman no péssimo Batman e Robin, de 1997. Em outros momentos ela parece vilã de algum filme infantil da Xuxa.

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SPOILER: PULE PARA O PRÓXIMO PARÁGRAFO —

A boa notícia é que depois do final igualmente óbvio surgem os créditos e eis que temos a inclusão de uma cena extra. Aqui, Logan, de volta aos Estados Unidos, reencontra no aeroporto Magneto, Ian McKellen, e Charles Xavier, Patrick Stewart, da trilogia original. Em um rápido diálogo, Logan é informado que uma arma capaz de destruir todos os mutantes está sendo construída. Esta rápida cena serve na verdade como um teaser do próximo filme batizado de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, com previsão de estreia para 2014. Além de trazer o elenco original dos três primeiros filmes de volta, o novo longa será dirigido novamente por Bryan Singer.

Espera-se que com o novo X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, cujas filmagens estão em andamento, a saga dos mutantes consiga recuperar não apenas o fôlego, mas as características principais que fizeram dela um verdadeiro sucesso de público e crítica. Que Wolverine é imortal, isto já sabemos. Resta pensar em novos filmes para que este personagem tão marcante volte a surpreender seu público.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista com Mestrando em Comunicação. Fã de Cinema, mas com gosto especial para filmes de Terror. Para ele, o gênero vai muito além de sangue e morte. Contato: filipefalcao@bocadoinferno.com.br

5 Comentários

  1. Icaro Antuales

    Já Hugh Jackman deixou de lado suas opiniões emocionais sobre o Wolverine e voltou a acertar o tom com o personagem. Definitivamente, não sinto nem um pouco de inveja do ator que um dia o suceder neste trabalho. Mandou bem nas cenas de ação, conseguiu, quando necessário, ser engraçado sem ser debochado e, principalmente, trabalhou muito bem as emoções nas cenas que envolveram Mariko e Jean Grey. Hoje é, de longe, o ator que mais fielmente interpreta um personagem baseado em HQs. O filme da Fox, até por ter tido uma boa parte da sua produção no Japão, reúne o maior número de caras novas para o público ocidental. Apesar de estarem estreando, as modelos Tao Okamoto e Rila Fukushima não decepcionam. O resto de elenco quase todo faz um trabalho na medida. A exceção fica por conta da bela Svetlana Khodchenkova que, além de não ter acertado o tom, teve a desgraça de ver seu péssimo personagem, a Víbora, ganhar um espaço completamente desnecessário na trama. Apesar de ser baseado em uma das duas mais famosas histórias feitas com o personagem (a outra é Arma X, de Barry Windsor-Smith), a história se desenvolve mais à vontade. Há muita ação? Sim, mas é uma quantidade justificada (afinal, ele está protegendo uma pessoa perseguida pela Yakuza). O humor é bem dosado e feito para todos rirem juntos, e não uns dos outros. O desenvolvimento do relacionamento amoroso entre Mariko e Logan é, de longe, o mais bem trabalhado se considerarmos os três filmes. Nada de amor à primeira vista, devoção submissa ou trocas de gracejos idiotas… Mesmo sendo jovem, a garota possui um código de conduta e se fascina aos poucos pelo “ronin” que insiste em protegê-la apesar de suas agruras físicas. E ele vai aos poucos se desarmando diante da delicadeza e da coragem da japonesa. Uma grande ideia foi a localização temporal da história. Em vez de ser uma continuação do primeiro filme solo, Imortal se passa após os eventos de X-Men, O Confronto Final, com o canadense tentando superar o trauma de ter sido o instrumento da morte de Jean Grey, seu grande amor. Tao Okamoto e Rila Fukushima. A primeira convence como Mariko, principalmente na transição entre a garota tímida e sufocada pelas obrigações “de honra” da sua família e a mulher que vai vencendo as barreiras – próprias e do Carcaju – em direção ao amor. A segunda, apesar de ser feia de doer na vista, foi a melhor surpresa que tive, fazendo de sua Yukio um personagem bem legal, embora distante milhas de sua contraparte nos quadrinhos. A utilização da personagem Jean Grey foi um verdadeiro achado! A cena final entre “ela” e Logan passa uma emoção que os seus concorrentes da Marvel e da Warner não chegam sequer a arranhar! Wolverine – Imortal é certinho e agrada.

  2. Antonio

    “X-Men: Primeira Classe” é estupendo. O melhor filme de toda a filmografia dos mutantes. “Sem fôlego” é o terceiro da saga, o “Confronto Final”.

  3. Danilo

    acho dificil fazerem um filme bom sobre x men… talvez quem saiba ‘Dias de um Futuro Esquecido’ mude isso

  4. vanessa vasconcelos

    verei on line mesmo,gosto dos X mens e do Wolverine,mas estou meio desanimada pra ver no cinema.

  5. Duas caveiras? Pra mim merecia umas 4. Achei o filme espetacular, história simples e direta, tem algumas mancadas sim, mas se sai bem no quê propõe, consegue ser muito superior ao X-Men Origens: Wolverine. A Yukio robou várias cenas, Japinha boa de briga!!! A cena pós-créditos com um gancho pra X-Men Dias de Um Futuro Esquecido foi espetacular. A maior decepção sem dúvida foi o 3D, não valeu a grana gasta! No mais, um bom filme!

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