O Sinal (2007)

O Sinal (2007) (1)

O Sinal
Original:The Signal
Ano:2007•País:EUA
Direção:David Bruckner, Dan Bush, Jacob Gentry
Roteiro:David Bruckner, Jacob Gentry, Dan Bush
Produção:Jacob Gentry, Alexander Motlagh
Elenco:Anessa Ramsey, Justin Welborn, Scott Poythress, Sahr Ngaujah, AJ Bowen, Matthew Stanton, Suehyla El-Attar, Cheri Christian, Christopher Thomas, Lindsey Garrett, Chad McKnight, Claire Bronson, David Bruckner, Dan Bush

Em 1973, depois de A Noite dos Mortos-Vivos e antes de O Despertar dos Mortos, o genial George A. Romero dirigiu um de seus melhores – e infelizmente mais desconhecidos – filmes de horror: The Crazies, no Brasil rebatizado O Exército do Extermínio. O argumento era uma espécie de alegoria aos seus próprios filmes de zumbis: a população de uma pequena cidade norte-americana era contaminada por uma toxina desenvolvida pelo Exército e enlouquecia, tornando-se violenta e irracional. Os militares então faziam um cerco à cidade, e os poucos habitantes não-contaminados precisavam enfrentar a violência dos “loucos” e, principalmente, a resposta armada do Exército, que usava todos os meios possíveis para que ninguém saísse da área de quarentena (o que justifica o título nacional). Embora o filme seja extraordinário, ele é mais focado nos sobreviventes e nos militares, mas bem pouco nos pobres habitantes que enlouqueceram devido à toxina e são forçados a cometer atos irracionais de violência sem querer, muitas vezes contra seus próprios familiares e pessoas que amam. E se a história fosse narrada a partir do ponto de vista dos “loucos“, como ficaria?

Um salto no tempo e, 34 anos depois, vem do cinema independente a resposta para esta minha pergunta. Um filme excelente chamado The Signal, dirigido e roteirizado por três cineastas, lembra justamente uma releitura de O Exército do Extermínio vista pelo lado dos contaminados; ou seja, o das pessoas normais que subitamente enlouqueceram, mas, na sua loucura, acreditam ainda estar normais. Para dar uma ideia do quanto esta situação é brilhante: em determinada cena do filme, um personagem pergunta “Do you have the crazy?” para um outro personagem que vem cambaleando rua acima com uma arma na mão. Obviamente, ele quer saber se a pessoa que se aproxima está louca como todos os outros ou normal. O irônico é que ambos – tanto o que pergunta quanto o que vem caminhando – foram afetados pelo misterioso sinal e estão, cada um à sua maneira, completamente loucos. Só que não sabem!

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Quem foi obrigado a ler Machado de Assis no colégio certamente lembra do conto “O Alienista”, que narra a história de um psiquiatra que interna à força num manicômio várias pessoas que, na verdade, são mentalmente sãs, acusando-as de serem loucas. No final, descobre-se que o louco era ele, mas, como todo louco, pensava que ele era o normal. E é mais ou menos uma versão hardcore de “O Alienista” este The Signal, uma daquelas surpresas que volta-e-meia surgem sem muito alarde para acabar com a mesmice do cinemão comercial.

Eu estava doido para ver o filme desde que, meio sem querer, me deparei com o trailer, que é simplesmente perfeito: ao som da melancólica “Perfect Day“, do Lou Reed, desenrolam-se diferentes atos irracionais de violência, num contraste absurdo com a sensibilidade da música! Procurem no YouTube e confiram por conta própria; vocês também vão ficar loucos (sem trocadilho) para ver o filme. Além disso, algumas críticas de sites norte-americanos literalmente babavam (uma delas dizia que o The Signal já nasce cult). Com isso, minhas expectativas estavam nas alturas. E não me decepcionei.

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Se a princípio o argumento parece um coquetel de referências (do calibre de O Exército do Extermínio, Videodrome, de David Cronenberg, e À Beira da Loucura, de John Carpenter, passando por “Cell”, livro de Stephen King, e com um toque de Kairo/Pulse, do Kiyoshi Kurosawa), logo você percebe que The Signal tem vida própria e é inteligentíssimo ao focar boa parte de seu desenvolvimento na loucura dos “vilões”: eles não sabem que estão loucos, têm uma lógica toda particular na sua loucura e, por isso, acabam confundindo o próprio espectador com seus atos. A certa altura, você não sabe mais quem está normal e quem está simplesmente lelé da cuca!

The Signal, em linhas gerais, é a história de uma pequena (e fictícia) cidadezinha norte-americana chamada Terminus, que, na véspera do ano novo, é afetada por um estranho sinal transmitido pela TV, pelo rádio e pelos telefones fixos e celulares. Na forma de imagens coloridas e lisérgicas, ou de um som bizarro parecido com o da fita de Ringu, este sinal afeta o cérebro de quem é exposto a ele durante muito tempo (à la Videodrome), amplificando sensações como ciúme, ira e paranoia, até deixar o “infectado” completamente louco e fora de controle, aumentando também sua agressividade, transformando pessoas pacíficas em assassinos selvagens. Resultado: é só você olhar de canto de olho para um dos loucos que ele, na sua lógica de louco, vai pensar que você quer matá-lo e partir para cima de você com um taco de beisebol!!!

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Aí você pode até pensar: “Oh não, mais uma historinha de apocalipse onde pessoas normais são transformadas em psicopatas raivosos…”. Realmente, o argumento básico não é mais novidade há um bom tempo. Nos anos 70 tivemos o já citado O Exército do Extermínio (toxina transformava pessoas em assassinas), e ainda Calafrios, do Cronenberg (onde um parasita também transformava pessoas em assassinas ninfomaníacas); mais recentemente, tivemos Extermínio, de Danny Boyle (onde um vírus da raiva mutante transformava pessoas… errrr, em assassinas), o já citado À Beira da Loucura, de Carpenter (onde o último livro de um famoso autor de horror transformava as pessoas… bem, você já deve ter aprendido), e inclusive o livro “Cell”, do King (onde um sinal transmitido por celular bla bla bla bla), isso sem contar filmes e livros mais desconhecidos. Uma curiosidade: na época de seu lançamento, The Signal inclusive foi considerado plágio de “Cell”, até que os produtores conseguiram convencer seus acusadores de que o filme começou a ser produzido bem antes.

Enfim, concluindo o raciocínio: tivemos todas essas histórias maravilhosas e clássicas sobre vírus, toxinas, parasitas e sinais que deixam as pessoas malucas, certo? Então como é que uma pequena produção independente de 50 mil dólares, sem nomes conhecidos, realizada por três diretores de quem ninguém nunca ouviu falar, sem grana suficiente para poder filmar um apocalipse em massa como o dos filmes de Romero, pode se destacar de todas estas obras já clássicas? Acredite: The Signal consegue. E com uma vantagem: embora tenha algumas situações parecidas com seus antecessores aqui e ali, é uma história totalmente original, principalmente na forma como ela é contada, dividida em três segmentos que, à primeira vista, parecem histórias independentes, mas cujos personagens acabam se entrelaçando, como um Pulp Fiction de terror!

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Tudo começa com cenas de outra produção independente, com cara de exploitation dos anos 70, chamada “The Happy Hapgood Story” (dirigida por Jacob Gentry, um dos três responsáveis por The Signal). Ela não faz parte da narrativa: logo descobrimos que é apenas um filme sendo exibido na televisão, e que sai do ar quando começa a ser transmitido o misterioso sinal enlouquecedor. Estamos no quarto de Ben (Justin Welborn), e ao seu lado está sua amada Mya Denton (Anessa Ramsey), uma mulher casada que precisa voltar para sua casa e para seu violento marido que ela não ama mais. Ben sugere que ela abandone o corno e que ambos fujam para uma cidadezinha do interior e recomecem suas vidas. Mya recusa o convite, coloca um CD gravado por Ben no walkman e vai até o seu carro. E aí o pesadelo começa, assim, subitamente.

No estacionamento do prédio, Mya já começa a perceber os primeiros sinais de que o mundo foi afetado pelo sinal desconhecido. Caído na calçada, um homem ensangüentado choraminga que foi apunhalado por um desconhecido, sem qualquer motivo. Ao fundo, um outro homem vem correndo de maneira suspeita, com a roupa coberta de sangue, e Mya, assustada, prefere entrar no carro e se mandar para casa. Telefones não funcionam, rádio não funciona. É o apocalipse em movimento.

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No prédio onde ela mora, no caminho até seu apartamento, todos parecem discutir agressivamente pelos corredores. Ao chegar em casa, Mya encontra o marido chifrudo, Lewis Denton (A.J. Bowen, excelente), acompanhado dos amigos Jerry (Matt Stanton) e Rod (Sahr Nguajah), em frente à TV fora do ar, transmitindo o sinal. Eles estão tentando regular o aparelho para assistir a um jogo de beisebol, sem perceber que seus cérebros estão sendo afetados pela transmissão. No quarto, Lewis interroga Mya com um milhão de perguntas até ter certeza de que ela estava com outro homem. E, quando a mulher está indo tomar banho, o marido tem um surto de loucura e esmaga a cabeça de Jerry com um taco de beisebol.

Rod pula sobre Lewis e tenta contê-lo, enquanto a moça foge do apartamento apenas para descobrir que o inferno se abateu sobre o lugar: há cadáveres espalhados pelos corredores e pessoas desorientadas, loucas, matando umas às outras com qualquer instrumento que apareça pela frente, o que inclui até tesouras de jardinagem. Ela adormece no apartamento de uma vizinha, morta por um dos loucos, e na manhã seguinte encontra Rod, que foi parcialmente afetado pelo sinal, mas ainda consegue raciocinar melhor que os outros. O rapaz conta que, como um Ash dos pobres, passou a madrugada matando os outros loucos com uma arma que fez com as próprias mãos (várias facas amarradas com fita adesiva a um pedestal metálico), até dizimar o prédio inteiro!

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Mya e Rod decidem pegar o carro, dirigir até a estação de trem e fugir de Terminus, já que os loucos tomaram as ruas e continuam matando uns aos outros e também as poucas pessoas normais que restaram. Paralelamente, a garota é procurada pelos seus “dois maridos”: Ben, que quer salvá-la do apocalipse de loucura, e o enlouquecido Lewis, que já começa a enxergar o mundo pelo peculiar ponto de vista de um maluco.

Assim como acontecia em Pulp Fiction, os três episódios em que a história se divide têm nomes (aqui as partes são chamadas de “transmissões“), e se entrelaçam no final. Esta primeira parte, que narra o aparecimento do sinal e o início do apocalipse, chama-se “Crazy in Love” (Loucos de Amor), e não fica nada a dever aos filmes de George Romero, mostrando como toda a sociedade civilizada vai rapidamente para o brejo numa situação-limite como esta.

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Logo em seguida, a partir da fuga de Mya e Rod do prédio, começa o segundo episódio, “The Jealousy Monster” (O Monstro do Ciúmes), onde conhecemos novos personagens e também a forma como eles foram afetados pelo sinal. São o casal Ken (Christopher Thomas) e Anna (Cheri Christian), e o vizinho deles, Clark (Scott Poythress). Na primeira vez que os vemos, estão agindo normalmente, porém cobertos de sangue. É a partir de flashbacks que descobrimos o que aconteceu: Anna teve que matar o marido Ken depois que ele enlouqueceu e tentou estrangulá-la, enquanto Clark decapitou, com uma pá, um personagem mostrado no primeiro episódio.

Tanto Anna quanto Clark também foram enlouquecidos pelo sinal, mas, e aqui entra a criatividade do roteiro dos três diretores, não sabem que estão loucos – a mesma coisa acontece com Lewis e Rod no primeiro episódio. Na verdade, eles até parecem normais em sua loucura, ela preocupada com a organização de sua festa de ano novo, ele disparando bobagens filosóficas para tentar explicar o caos que se abateu sobre a sociedade. Até que surge de volta um outro personagem do primeiro episódio, o alucinado Lewis, em busca da sua esposa fugitiva, e aí o caldo engrossa.

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Finalmente, chegamos ao terceiro e último ato, chamada “Escape from Terminus” (Fuga de Terminus), e que mostra os sobreviventes dos dois outros episódios tentando chegar à estação de trem para onde Mya se dirigiu ainda no final da primeira parte, tendo que confrontar os loucos pelo caminho e ainda a perda da própria sanidade.

O fato de The Signal ter sido dirigido por três pessoas, cada uma delas conduzindo um dos três atos, explica as radicais diferenças no tom de cada parte do filme. A Transmissão 1, “Crazy in Love“, foi dirigida por David Bruckner e, por se dedicar a mostrar a disseminação da loucura e a conseqüente carnificina, lembra bastante filmes como Extermínio, com os loucos sendo representados quase como se fossem zumbis. É, de longe, a melhor parte do filme, e certamente o ponto alto para quem gosta de histórias do gênero: violenta, brutal e apocalíptica. No seu momento mais brilhante, Mya coloca os fones de ouvido para, através da música, isolar-se da loucura reinante e atravessar o corredor do prédio repleto de sangue e cadáveres.

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A Transmissão 2, “The Jealousy Monster“, é de Jacob Gentry e espanta por abandonar o enfoque apocalíptico para se concentrar num surpreendente tom brincalhão, de humor negro, na linha Shaun of the Dead. O episódio se passa quase totalmente na sala da casa de Ken e Anna, decorada para a festa de ano novo, mostrando o relacionamento entre os personagens afetados pelo sinal, como Lewis e Clark. Embora os espectadores mais tradicionais possam torcer o nariz para o estilo mais engraçadinho deste segmento, ainda mais depois da primeira parte de tirar o fôlego, é aqui que a história torna-se mais criativa, justamente por mostrar ao espectador o que os loucos pensam e vêem (se eles eram mostrados como zumbis na primeira parte, aqui descobrimos que eles raciocinam, mas de forma completamente embaraçada pelo sinal).

Anna, por exemplo, só consegue pensar em recepcionar seus convidados para a festa (alheia ao fato de a sociedade ter entrado em colapso), enquanto Lewis vê toda e qualquer pessoa que surge em seu caminho como um agressor em potencial: quando uma das convidadas entra na casa, por exemplo, Lewis esmaga sua cabeça com um tanque de inseticida, alegando que ela iria atacar Anna com uma faca – na verdade, a vítima tinha um chaveiro numa das mãos! Mais adiante, Lewis novamente trava uma conversa com outro personagem secundário acreditando que ele é Ben, o amante de Mya. É quando se desenrola um dos mais brilhantes diálogos do filme:

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– Eu não estou louco como os outros.
– Não, cara, você está bem pior, porque nem percebe o que está lhe acontecendo!

E para quem não gostar do tom brincalhão deste episódio e estiver pensando em desistir do filme, fica o alerta: um dos momentos mais chocantes de The Signal acontece justamente aqui, entre piadinhas e gracinhas, quando Lewis tortura uma pobre vítima usando inseticida.

Finalmente, chegamos à parte final, a Transmisssão 3, “Escape from Terminus“, que é de Dan Bush e parece ter sido dirigida ao estilo John Carpenter (talvez o título do episódio não seja uma citação tão gratuita a Fuga de Nova Iorque…). Bush foi um tanto prejudicado por não ter mais muito tempo para criar nada de novo, sendo obrigado a amarrar as pontas soltas dos dois episódios anteriores, unir os personagens sobreviventes dos dois segmentos e concluir a história, naquele tradicional confronto entre sobreviventes e vilões. A luta de vida ou morte acontece na estação de Terminus, e tem um desfecho totalmente fora do convencional.

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Também é neste terceiro episódio que acontece uma das cenas mais bizarras de The Signal: Clark, já completamente maluco pela exposição ao sinal, “conversa” com uma cabeça decepada, que ele reanima usando uma bateria de carro! A cena parece saída de algum filme da série Evil Dead, ou de Reanimator.

Por ser produção independente, The Signal não tem nenhuma cena super-elaborada e repleta de figurantes para mostrar como a loucura se espalhou pelas ruas da cidade, tipo o brilhante início de Madrugada dos Mortos. Mesmo assim, seus diretores conseguem criar algumas imagens bem perturbadoras, com ruas vazias e/ou repletas de cadáveres. E como o sinal deixa a TV fora do ar, não é possível, aqui, explorar o velho clichê do noticiário televisivo falando sobre o fenômeno, o que é ótimo. Como nos filmes de Romero, nunca sabemos o que, na verdade, é o sinal, de onde surgiu e qual a sua finalidade. O foco da “infecção” sempre fica contido nos três episódios, primeiro no prédio onde Mya e Lewis vivem, depois na casa de Ken e Anna, e finalmente na estação rodoviária do final, sem mostrar o que está acontecendo em outras partes da cidade ou do mundo – será que o sinal afetou apenas Terminus ou o planeta inteiro?

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E é justamente por ser um produção independente que os três diretores-roteiristas puderam extrapolar os níveis de humor negro e violência. Não há nenhum massacre sanguinolento estilo Fome Animal ou mesmo parecido com o banquete de zumbis dos filmes de George Romero. E embora a maior parte da violência seja implícita, as cenas fortes estão presentes, e sem economia de sangue – tanto que, após os primeiros 15 minutos, praticamente TODOS os personagens de The Signal passam o filme inteiro banhados em sangue. Descontando a já citada cena da tortura com inseticida, que achei particularmente perturbadora (até porque o filme estava engraçadinho momentos antes desta brutal reviravolta), há cenas bastante gráficas de cabeças esmagadas, uma furadeira fazendo estrago no braço de um homem e tacadas certeiras no crânio. Coisa fina, e sem necessidade de usar computação gráfica.

Em meio a diálogos bizarros, como “Esse é o dia mais fodido da história da humanidade!” ou “Você percebe que está mantendo um diálogo com uma cabeça decapitada?“, a melhor coisa de The Signal é a maneira como ele consegue criar um clima de paranoia, do tipo “quem está louco e quem não está?“. Até o final, na estação de Terminus, é praticamente impossível adivinhar quem realmente foi exposto excessivamente ao sinal e quem está agindo racionalmente. Até porque, como eu já escrevi anteriormente, os loucos são guiados por uma lógica bem peculiar e não sabem que estão loucos. Como um personagem secundário bem explica, “Eles sabem o que fazem, só que não tem sentido. Eles apenas acham que tem sentido“.

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Não bastasse o roteiro inovador, o elenco de caras desconhecidas leva o filme nas costas. O melhor em cena é A.J. Bowen, como o chifrudo e alucinado Lewis. Com uma barba fechada e as feições semelhantes à do brasileiro José Mojica Marins, ele às vezes até parece o jovem Zé do Caixão nos filmes dos anos 60! Bowen é aquele tipo de ator que consegue tornar-se ameaçador apenas com o olhar, o que transforma Lewis no grande vilão do filme – embora às vezes o espectador até simpatize com o sujeito, principalmente quando percebe a lógica distorcida que o pobre maluco está seguindo! O segundo destaque é o Clark interpretado por Scott Poythress, outro cuja loucura vai sendo apresentada progressivamente, até chegar ao ponto de conversar com uma cabeça decepada como se fosse a coisa mais normal do mundo! O restante do elenco entrega interpretações simples, mas convincentes, embora os intérpretes de Ken e Anna, e Chad McKnight (que aparece como um convidado inconveniente da festa de Anna), sejam bem fraquinhos e careteiros, levando a coisa para o lado da comédia.

Com muitas qualidades e uma forma bastante peculiar de contar sua história, The Signal é uma das grandes surpresas (tanto que o coloquei em lugar de destaque entre os melhores filmes que vi em 2008), daquelas que compensam cada tralha do Uwe Boll ou remake caça-níqueis que somos obrigados a engolir a cada temporada. É uma pena que o filme não tenha recebido grande destaque fora dos Estados Unidos (onde inclusive teve boa repercussão no famoso Festival de Cinema de Sundance), e no Brasil, por exemplo, saiu direto em DVD.

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Nestas horas, quem tem que valorizar filmaços como The Signal é o verdadeiro fã de horror. Portanto, corra para as locadoras ou compre o DVD para a sua coleção, mas não deixe essa brilhante mistura de filme de zumbis, apocalipse, George Romero, David Cronenberg, Sam Raimi e John Carpenter mofar nas prateleiras. E anote os nomes dos seus realizadores: com certeza, Bruckner, Gentry e Bush devem vir com muita coisa boa nos anos vindouros.

Se bem que se a carreira do trio se resumir a este The Signal, já está de bom tamanho…

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

6 comentários em “O Sinal (2007)

  • 16/01/2017 em 03:24
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    É um bom filme e merece ser conferido.

    O filme é divido em três partes. A primeira parte, na minha opinião a melhor, mostra a população enlouquecendo e a cidade virando um caos.

    A segunda parte apresenta uma “festa” e a tortura de uma personagem e possui uma cena bem impactante!!

    A terceira parte do filme mostra a desolação do local e o desfecho da trama.

    Merece ser visto e está recomendado.

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  • 05/10/2013 em 10:54
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    ouvi falar muito mal desse filme,mas tua crítica me deu uma animada.

    Resposta
  • 01/10/2013 em 08:48
    Permalink

    pena que a Alpha filmes não existe mais. ela que distribui o filme…

    Resposta

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