Críticas

Halloween – O Início (2007)

A destruição sem misericórdia de um clássico do cinema!

Halloween (2007)

Halloween - O Início
Original:Halloween
Ano:2007•País:EUA
Direção:Rob Zombie
Roteiro:Rob Zombie, John Carpenter, Debra Hill
Produção:Malek Akkad, Andy Gould, Rob Zombie
Elenco:Scout Taylor-Compton, Malcolm McDowell, Tyler Mane, Daeg Faerch, Sheri Moon Zombie, William Forsythe, Danielle Harris, Kristina Klebe, Skyler Gisondo, Danny Trejo, Hanna Hall, Bill Moseley, Leslie Easterbrook, Brad Dourif, Clint Howard, Udo Kier

No final de 2007, coloquei minhas mãos na workprint do remake de Halloween, escrito e dirigido por Rob Zombie, que “misteriosamente” havia vazado na internet. Assisti com muita curiosidade e expectativa. E a primeira coisa que passou pela minha cabeça quando subiram os créditos finais não foi “Que perda de tempo!”, nem “Zombie conseguiu destruir um clássico do horror”. A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi: “Quero ver como é que os fãs de Rob Zombie vão defender esta bosta”. Dito e feito: descontando os adoradores realmente xiitas (e cegos) do roqueiro que se acha cineasta, a maioria dos críticos e pseudocríticos que antes defendia com unhas e dentes os filmes de Rob tiveram que dar a mão à palmatória e assumir a ruindade do novo Halloween. Pelo menos desta vez eu não era o único falando mal e remando contra uma maré de defensores raivosos, como acontecera na época de A Casa dos Mil Corpos e Rejeitados pelo Diabo, os filmes anteriores do “cineasta“.

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Só para registrar algumas opiniões: Leandro Caraça, do blog Viver e Morrer no Cinema, grande fã de Rejeitados pelo Diabo e um dos blogueiros que eu mais respeito, escreveu: “Rob Zombie aos poucos começa a mostrar sua verdadeira face. Aquela de um realizador hipócrita, de ideias confusas e repetitivas. Porque nesta nova versão de Halloween ele faz tudo o que disse abominar em remakes. Não é capaz de criar nada fora do seu habitual (você sabe, caipiras violentos, mulheres desbocadas, etc.), e não sabe decidir o que é melhor para seu próprio filme”. Carlos Thomaz Albornoz, a enciclopédia brasileira sobre cinema de horror, foi menos bonzinho no orkut: “Desconfio que Zombie despediu algum assistente que tinha arrumado seu Rejeitados pelo Diabo, pois isso aqui lembra (e muito) os piores momentos de A Casa dos Mil Corpos: câmera incompetente, diálogos ruins, cenas intermináveis… Resumindo, Zombie aqui parece ter regredido tudo que havia andado pra frente (e ainda por cima ter dado vários passos pra trás de seu ponto de partida)”. Finalmente, o site gringo Bloody Disgusting, que conseguiu a façanha de dar nota 10 para os dois filmes anteriores de Rob Zombie, não foi nada benevolente desta vez: “O maior problema do filme é a indecisão de Zombie entre ser prequel ou remake. Os anúncios nos dizem que este é ‘Rob Zombie’s Halloween’, mas é uma mentira. É ‘Rob Zombie’s John Carpenter’s Halloween’.

Este verdadeiro massacre crítico, vale ressaltar, não é em momento algum injusto. Pelo contrário, é bastante merecido: com um roteiro burro e sem propósito, Zombie começou a trabalhar neste remake garganteando sua proposta de dar uma “nova visão” do clássico dirigido em 1978 por John Carpenter – um filme obrigatório para quem ainda não viu. Disse, para quem quisesse ouvir, que odiava refilmagens, mas que a “sua” seria uma versão diferente, uma nova visão sobre as origens de Michael Myers, o assassino psicopata de máscara branca que assombrou gerações desde o lançamento do filme original. Mas, tirando os cabelos compridos de todo o elenco masculino e o excesso de violência e de nudez, temos em Rob Zombie’s Halloween um filme idêntico ao original, apenas piorado. Será que “nova visão”, neste caso, seria sinônimo de “visão distorcida”?

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Eu confesso, e meus leitores já devem saber, que não morro de amores por Rob Zombie. Embora adore o trabalho pregresso do sujeito como músico (White Zombie já foi uma das minhas bandas preferidas), odeio-o na mesma proporção como cineasta. Fui um dos idiotas que esperou com ansiedade seu primeiro filme, A Casa dos Mil Corpos, apenas para me deparar com uma ridícula colcha de retalhos feita com clichês do horror e com visual de videoclipe. Rejeitados pelo Diabo, que foi celebrado por metade da humanidade como novo clássico e obra-prima do cinema de horror moderno, para mim não passa de um filme razoável com muita pose e pouco conteúdo (do tipo “Olhem para mim, eu quero desesperadamente ser cult e cool!”).

Por isso, eu procurei ver seu terceiro filme sem grandes expectativas, embora no começo tenha me revoltado ao saber que Zombie pretendia refilmar logo Halloween, um dos meus filmes de horror preferidos e um dos clássicos que me fez amar o cinema de horror. Embora eu tenha assistido as Partes 2 e 3 ANTES do original de Carpenter, foi esta pequena obra-prima que mais me marcou – principalmente a forma como o diretor construía sua história investindo no suspense e na tensão, sem mostrar demais o assassino, embora ele parecesse onipresente o tempo inteiro – mais ou menos como o tubarão no filme de Spielberg. Se fosse mesmo para refilmar Halloween, havia muita gente melhor e mais talentosa para o trabalho. Mas Zombie queria dar sua “nova visão“…

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É óbvio que, desde as primeiras notícias, eu duvidava da capacidade de Zombie para fazer algo no mínimo parecido com o original, mas, como também sabem meus fiéis cinco leitores, ando um tanto generoso com remakes em geral: adorei Viagem Maldita e Madrugada dos Mortos, e até achei legais as novas versões de A Profecia e A Morte pede Carona. Então, de bom humor, quem sabe, até poderia curtir o tal Rob Zombie’s Halloween. Claro, se o filme fosse minimamente decente. Mas está bem longe disso… Na verdade, a heresia de Zombie fica no mesmo nível de ruindade dos recentes remakes de Dia dos Mortos e A Bruma Assassina, com o mesmo desprezo e desrespeito ao material original.

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O novo Halloween tem muitos erros, mas vamos começar com o principal: ninguém merece que um diretor incompetente e sem ideias próprias tente explicar o inexplicável. Neste caso, durante o primeiro ato das duas horas (!!!) do filme, num total de 50 minutos, Rob Zombie dedica seu tempo a contar a “origem” de Michael Myers, ou o que, na sua opinião, transformou um garotinho bonitinho em psicopata furioso. Ora, mas tudo o que ele conta nestes 50 insuportáveis minutos John Carpenter havia contado em apenas cinco minutos (!!!) no original de 1978, o que torna todo o primeiro ato do remake redundante, repetitivo e sem sentido. Além do mais, como bem sabe o espectador moderno, tentativas de “explicar” a origem de mitos do horror raramente prestam (ou alguém realmente gostou de Hannibal – A Origem do Mal e de O Massacre da Serra Elétrica – O Início?).

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No filme original, como todo mundo sabe (ou deveria saber), o garoto Michael Myers, com apenas 10 anos de idade, fica maluco de uma hora para a outra na noite de Halloween e mata sua única irmã, Judith, a facadas. Internado em um sanatório, passa anos em estado catatônico, sem falar uma palavra. Até que, já adulto, escapa do hospício, volta à sua cidade natal e prepara um novo massacre na noite de Halloween. Carpenter nunca quis (e nem precisou) explicar porque Myers matava. O assassino simplesmente escolhia três babás como alvo específico (uma delas era a Laurie Strode interpretada por Jamie Lee Curtis), e passava o filme inteiro caçando as pobres moças, o que por si só já era assustador (uma obsessão sem qualquer motivo). Nunca houve a necessidade de “porquês”, e toda a proposta foi para as cucuias quando as continuações começaram a tentar explicar motivos e motivações (como o fato de Laurie também ser irmã de Michael, algo que só foi introduzido em Halloween 2). Mas nada pode ser pior do que o pérfido Halloween 6, que tentou justificar a loucura do vilão associando-o a uma milenar maldição druida (!!!).

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Neste remake, no momento em que Zombie começa a mostrar que Michael Myers não teve uma infância tão tranquila e “normal” quanto tivera no original, está automaticamente destruindo um mito do cinema de horror. É o fim do Michael Myers de John Carpenter, que era uma criança de família normal e começava a matar sem motivo. Para a Laurie Strode de 1978, Michael era o “Bicho Papão” (boogeyman, no original). Para seu psiquiatra na versão original, o dr. Sam Loomis (interpretado de maneira magistral por Donald Pleasence), ele era o “Mal Absoluto” (pure evil, no original). Não precisava de maiores explicações. Não é suficientemente assustador o fato de um psicopata indestrutível não ter motivos e nem uma origem para a sua maldade?

Bem, para o gênio Rob Zombie isso não serve. Afinal, o Michael Myers de Zombie, já nos seus 10 anos de idade (e interpretado por Daeg Faerch), não passa de um delinquente juvenil em formação, fascinado por máscaras (porque não gosta do seu rosto), com longos cabelos desgrenhados e pose de criança rebelde (não falta nem a camiseta do Kiss). Sua família também está bem longe de ser normal e mais longe ainda de ser amável: a mãe, Deborah (Sheri Moon Zombie, esposa do diretor) é uma stripper; seu padrasto, Ronnie White (o eterno malvado William Forsythe), é um vagabundo alcoólatra e violento, e sua irmã, Judith (Hanna Hall), é a vaca do colégio, alguém que, nas palavras dos personagens secundários do filme, “chupou tantos paus que precisou fazer lavagem estomacal para retirar todo o esperma”. A única mais normal na família Myers é a irmãzinha Boo, que ainda é bebê.

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Para piorar, o pequeno Michael deste remake já mostra tendências homicidas desde a primeira cena, quando é revelado que um de seus passatempos é torturar e matar ratinhos, gatos e cães. Resumindo: criança que gosta de machucar animais cresce e vira serial killer. Porra, será que dá para ser mais clichê, Rob? Como é que o “Mal Absoluto” do filme de Carpenter foi se transformar num simples e grosseiro marginal mirim? Supostamente deveríamos ter medo de um vilão deste nível? Se era a proposta, não funcionou. Até porque temos alguns delinquentes juvenis bem piores que ele em nossas Febens!!!

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Após nos introduzir a “família” do pequeno Michael, mostrando didaticamente o inferno que é viver na casa dos Myers para justificar a transformação da “criança inocente” em “monstro”, o remake passa diretamente ao início da carreira de crimes do psicopata: na escola, um garoto valentão faz piada do fato da mãe de Michael ser uma stripper, e com isso ganha a honra de ser a primeira vítima do delinquente. Acaba morto a pauladas num bosque, numa cena grotesca e violenta. Não satisfeito em destruir a mitologia do filme original, Zombie ainda tenta fazer o espectador torcer por Michael ao mostrar o valentão como um personagem desprezível, como se ele merecesse morrer e como se o pequeno Michael estivesse fazendo a coisa certa!

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Finalmente, chega aquela fatídica noite de Halloween. A mãe Deborah vai fazer sua dança brochante no cabaré e Michael fica em casa com o resto da “família”. Ronnie adormece bebum no sofá enquanto assiste The Thing from another World (que também era exibido na TV no filme original), e Judith, que deveria sair com Michael para fazer a brincadeira do “trick or treat” típica dos norte-americanos, prefere ficar em casa transando com seu namoradinho Steve (Adam Weisman, de Terror no Pântano).

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É este momento que marca, de maneira pouco convincente, a transformação de Michael em monstro: numa montagem grotesca, toca a música mela-cueca “Love Hurts”, do Nazareth (argh!!!), e vemos cenas do garoto cabisbaixo, “abandonado” pelo mundo, enquanto sua mãe dança no clube de strip-tease. Na cena seguinte, num passe de mágica, Michael dedica-se a exterminar todos os que estão na casa (Ronnie, Steve e finalmente Judith), usando uma máscara de palhaço, como no original, antes de roubar de Steve a sua tradicional máscara branca, que é a marca registrada do personagem.

O mais irônico desta cena é que, quando Michael finalmente mata Judith, seguindo os passos do original, o espectador já está saturado e já entendeu a mensagem. Sim, Michael Myers é malvado e é um assassino. Ele já havia matado brutalmente três pessoas antes de chegar à irmã, o que elimina todo choque e surpresa do único assassinato inesperado do original. Zombie, claro, está mais preocupado com a violência e com a contagem de cadáveres. Tanto que Steve, como acontecera com o valentão do começo, é morto a pauladas (no caso, de taco de beisebol), e o padrasto tem sua garganta cortada enquanto está amarrado à poltrona, sangrando lentamente como se fosse um animal abatido no matadouro.

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Perpetrado o massacre, Mamãe Myers volta para casa e encontra Michael com Boo no colo e toda a família exterminada. A polícia aparece para controlar a situação, e pelos próximos minutos Zombie dedica-se a apresentar o que Carpenter não achou necessário mostrar no clássico: como foram os longos anos do pequeno assassino confinado no sanatório de Smith’s Grove, onde ele foi internado após seus crimes.

Esta é, disparado, a melhor parte do remake, e talvez a única que preste. É quando acompanhamos a relação do garoto assassino com o dr. Samuel Loomis (agora interpretado pelo excelente Malcolm McDowell). Loomis é representado como um psiquiatra realmente interessado em tentar entender a perturbada mente de Michael, e também dedicado a ajudar o garoto. No original, como todo mundo deve (ou deveria) saber, o dr. Loomis de Pleasence era um homem amargurado, que passou longos anos tentando ajudar Myers até desistir e resignar-se com a hipótese de que ele era um psicopata irrecuperável e que deveria morrer atrás das grades, sem jamais voltar à liberdade. O remake nos mostra, detalhadamente, como foi esta relação entre os dois e o que levou Loomis a perder a fé no seu paciente, por isso destaco estes momentos como o ponto alto da nova versão – e o único momento em que Zombie demonstra ter algumas boas ideias relacionadas com o filme original.

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No sanatório, Michael recebe visitas da mãe, quando volta a ser um “garotinho inocente“. Entrevistado por Loomis, garante não lembrar da noite dos crimes – e o espectador fica na dúvida se ele é um simples marginal mentiroso ou realmente foi movido por impulsos maléficos e/ou sobrenaturais. Sua rotina é triste e solitária, até que ele conhece um enfermeiro chamado Ismael Cruz (Danny Trejo), que lhe ensina como enfrentar a dura vida de prisioneiro: “Você tem que olhar além das paredes. Aprenda a viver dentro da sua mente, não há paredes que possam te deter lá“. Isso apenas transforma Michael numa criança mais fechada e maléfica, que não hesita em rasgar a garganta de uma enfermeira (Sybil Danning, de As Amazonas na Lua) com um garfo quando ela faz uma piadinha sobre sua irmã Boo. Então, basicamente, esta é a explicação para a maldade de Michael Myers nunca justificada no original: uma mãe stripper, uma família desajustada e um enfermeiro chicano filosófico! hahahahaha

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Os anos passam e Michael Myers cresce, mas parece cada vez mais longe de “melhorar”. Sua cela está decorada com incontáveis máscaras que ele faz com papel-machê e que passa o dia usando – segundo Loomis, “estas máscaras devem ter criado um santuário mental onde Michael se esconde“. De garoto gorducho, transformou-se num gigante de dois metros de altura e de cabelo comprido para cobrir o rosto (agora interpretado por Tyler Mane, o Dentes de Sabre da série X-Men). Como no original, ele pára de falar e passa os dias em estado catatônico. A situação é tão insustentável que Loomis resolve desistir do seu paciente, após acompanhá-lo durante 15 anos. E é neste momento que Michael “acorda” do seu transe, foge do manicômio e volta a Haddonfield para um novo massacre na noite de Halloween.

A cena da fuga é puro Rob Zombie; ou seja, um lixo. Numa noite, dois enfermeiros tarados resolvem estuprar uma das pacientes (num momento ao estilo Kill Bill). Um deles acha que seria uma boa ideia cometer a violência sexual na cela de Michael, mas é claro que o próprio Michael não concorda com isso. Ele esmaga a cabeça dos dois (não fica claro se mata também a paciente estuprada…), e sai caminhando livremente pelos corredores, matando ainda, na fuga, seu “velho amigo” Ismael – que, enquanto é atacado, ainda tenta defender-se gritando: “Eu sempre te tratei bem!”. Esta cena existia originalmente na workprint, mas, de tão idiota, foi mudada na versão para os cinemas, que mostrava o assassino sendo transferido do manicômio e exterminando seis policiais no processo (um deles interpretado por Bill Moseley, ator-fetiche de Zombie, e outra por Leslie Easterbrook, a policial machona da série Loucademia de Polícia). Mas, na director’s cut lançada em DVD, que é a versão analisada neste artigo, o diretor recuperou a cena antiga da fuga após o estupro.

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Finalmente livre, Michael ainda rouba as roupas de um caminhoneiro antes de partir para Haddonfield. É então que encerra o primeiro ato, ou o ato original escrito por Rob Zombie, e começa o segundo, onde ele entra na refilmagem propriamente dita e literal do original de Carpenter. Ou seja: é como se o filme estivesse recomeçando, mas desta vez seguindo o roteiro do clássico de 1978. Somos apresentados a Laurie Strode (a bonita Scout Taylor-Compton, que também está no remake de A Noite das Brincadeiras Mortais). Ela é uma baby-sitter como suas amigas, Annie (Danielle Harris) e Lynda (Kristina Klebe). E as três são representadas como adolescentes promíscuas que só sabem falar de sexo e fazer sexo com seus namorados cabeludos – nunca escutei tanto “Fuck me! Fuck me!” fora de um filme pornô!!!

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Laurie, obviamente, é a nova identidade de Boo, a irmã de Michael, que foi deixada para adoção quando ainda era bebê, após o suicídio de Mamãe Myers. E Danielle Harris, que interpreta Annie, caso você não tenha reconhecido, é a mesma atriz que, quando criança, interpretou a sobrinha de Michael em Halloween 4 e Halloween 5!!! Nada como um dia após o outro…

Apresentadas as personagens do original, Rob Zombie’s Halloween se transforma na típica refilmagem cena a cena (por isso o comentário irônico do site Bloody Disguting), embora Zombie aumente a contagem de cadáveres de quatro no filme de Carpenter para mais de 15. Mas nunca, e nunca mesmo, ele chega sequer aos pés do original, já que tensão e construção de suspense são duas coisas que inexistem neste remake – até porque já foram diluídas com a quantidade de mortes e sangue que o diretor utilizou até então.

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Quem já viu o original sabe o que vem pela frente: Michael persegue as três babás, especialmente Laurie, no momento em que ela está tomando conta de duas crianças, Tommy Doyle (Skyler Gisondo) e Lindsey Wallace (Jenny Gregg Stewart). Felizmente, o dr. Loomis chega à cidade, desconfiando que o psicopata iria retornar ao local onde tudo começou, e pede a ajuda do xerife Lee Brackett (interpretado pelo veterano Brad Dourif) para caçar Michael. O homem da lei inicialmente duvida da história contada por Loomis, mas começa a acreditar quando sua filha, Annie, torna-se uma das vítimas do retorno do cidadão mais indesejado de Haddonfield.

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Como já estamos quase na parte final do filme (!!!), não há mais muito tempo para o desenvolvimento de personagens, e Rob é obrigado a resumir todo o Halloween original em 60 minutos. Resultado: Annie e Lynda só existem no remake porque existiam no original, e só morrem no remake porque também morriam no original. O grande problema é que, no momento em que a refilmagem parte do princípio de que Michael Myers está de volta a Haddonfield em busca da irmã (ao contrário do que acontecia no original, onde seu objetivo era um mistério), torna-se completamente obsoleto o fato de ele perseguir e matar outras pessoas que nem ao menos se colocam em seu caminho, como Annie e Lynda. Qual o propósito? Aumentar a contagem de cadáveres? Por que Michael não vai direto atrás de Laurie/Boo ao invés de perder tempo caçando suas amigas e respectivos namorados? Porque não, ora! Porque este é um slasher movie e precisa de vítimas. Mais ou menos como Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado, a série Pânico e Lenda Urbana, onde os assassinos têm um plano de vingança bem definido, mas passam o filme todo matando quem quer que apareça em seu caminho, MENOS a garota de quem realmente desejam se vingar!!!

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O cúmulo da idiotice é quando o assassino, já consciente de que Laurie Strode é a sua irmã, segue a moça até a casa de seus pais adotivos, Mason (Pat Skipper) e Cyntha Strode (Dee Wallace, de Quadrilha de Sádicos). Michael espera Laurie sair de casa e, ao invés de persegui-la e fazer a história andar, prefere invadir a casa e exterminar os Strode, empilhando mais duas mortes sem qualquer propósito ou relação com seu “objetivo primário”. Qual o propósito? Ora, mostrar mais cenas sangrentas! O que você esperava? Neste remake, Michael Myers está definitivamente mais para Jason Voorhees do que para o verdadeiro vilão frio e calculista concebido por John Carpenter.

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Logo, o fascínio de Zombie pela violência e pelas consequências desta violência transformam Halloween num slasher banal, que nada tem de diferente em comparação a inúmeros outros filmes do gênero. Enquanto o original de Carpenter trabalhava individualmente os personagens centrais e criava o clima, concentrando as (poucas) mortes para os 30 minutos finais, Zombie já começa o massacre desde cedo. E, por ter mais vítimas (carne fresca?) em cena, não lhe sobra tempo para os personagens. Apenas Michael Myers e o dr. Loomis têm um mínimo de profundidade; os demais são meras caricaturas, quase figuras de cartolina que só existem para morrer, incluindo a apagada Laurie Strode. Culpa do roteiro, que dá mais ênfase ao passado e à personalidade do vilão (um vício de linguagem de Rob Zombie, já demonstrado em seus dois filmes anteriores) do que às vítimas.

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Pelo menos desta vez o roteiro raso também dá um mínimo de composição ao antagonista natural do vilão, o dr. Loomis. Enquanto no original Donald Pleasence interpretou o psiquiatra como um caçador, que já aparece de revólver em punho desde a primeira cena (os tempos eram outros), o Loomis de McDowell (em ótima forma após uma série de papéis medíocres em filmes medíocres) divide-se entre o ódio e o remorso. Ódio pelo rastro de destruição deixado pelo seu ex-paciente, e remorso porque se considera culpado por não ter conseguido ajudá-lo nos 15 anos em que trabalhou como seu psiquiatra. As cenas de McDowell com o jovem Michael no sanatório são a melhor parte do filme inteiro, e o ator consegue passar convicção até mesmo quando repete literalmente as frases que Pleasence falou no original. Zombie ainda enriquece um pouco mais o personagem ao apresentar uma faceta um tanto mercenária do psiquiatra, que fica famoso ao publicar um livro sobre seu mais famoso paciente, Michael, chamado “Os Olhos do Demônio“.

Halloween (2007) (26)

Com o foco em Michael e no dr. Loomis, sobra pouquíssimo tempo para o trio de garotas que roubava a cena no Halloween de 1978, Laurie, Annie e Lynda. Considerando que Laurie é a verdadeira personagem principal da trama, e não Michael nem Loomis, o fato de ela ser tão mal representada não deixa de ser um outro grande erro do roteiro. Annie e Lynda mal aparecem e já morrem (só têm tempo de aparecer peladas e fazendo sexo), enquanto Laurie tem um pouco mais de tempo em cena, mas apenas correndo e gritando. E isso que as cenas a mais da director’s cut tentam dar um pouco de profundidade à personagem, incluindo vários diálogos de Laurie com seus pais adotivos (um outro detalhe desperdiçado pelo roteiro).

Zombie ainda se repete apelativamente durante as duas horas do filme. Qual o sentido, por exemplo, de repetir a cena em que uma pessoa atingida por uma facada de Michael se arrasta ensanguentada pelo chão em busca de ajuda, antes de receber o golpe de misericórdia do psicopata? Uma vez, vá lá… Mas depois de usar este artifício no início do filme, na morte de Judith, Zombie o repete outras duas vezes de forma idêntica, na morte da madrasta de Laurie e na cena do ataque a Annie.

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Falando em Annie, gostaria que alguém me explicasse como é que um exterminador implacável como Michael Myers deixa a moça viver após algumas punhaladas, quando ficou longos minutos sozinho com ela e teve todo o tempo do mundo para terminar o serviço. Mas ele preferiu gastar este tempo pendurando o namorado morto de Annie com uma abóbora enfiada na cabeça, ao invés de dar um fim na garota! Para quem não lembra, Annie era uma das primeiras vítimas do psicopata no original, e era morta sem piedade lá em 1978…

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De resto, o “toque pessoal” que Rob tenta imprimir ao filme só ajuda a torná-lo ainda pior. Parece que o diretor quis mergulhar os personagens de Halloween no seu próprio universo sujo e violento de A Casa dos Mil Corpos e Rejeitados pelo Diabo. Resultado: ninguém conversa sem soltar pelo menos meia dúzia de palavrões (destaque para a família Myers neste quesito), ninguém conversa sobre outro assunto que não seja sexo, e todos os homens são “barra-pesada“, com barba por fazer ou cabelo comprido (inclusive o jovem Michael, os enfermeiros do manicômio, os namorados das garotas e até o dr. Loomis nas suas primeiras cenas!!!). Os diálogos vão do ruim ao bizarro, como quando o xerife Brackett oferece uma carona a Annie e suas amigas, e Lynda responde, na cara do homem da lei: “Não, obrigado, tenho alergia a bacon“!

E o que dizer do Michael Myers versão século 21? Bom, é a cara da geração Jogos Mortais. Repetindo um erro que já havia sido cometido pelos realizadores da refilmagem de O Massacre da Serra Elétrica, Zombie transformou o psicopata franzino do filme de John Carpenter num brutamontes bombado com dois metros de altura. Para fazê-lo mais “hardcore“, o diretor ainda lhe deu uma máscara toda suja e que parece remendada, lembrando a máscara de couro do Leatherface. E como é que você vai criar suspense quando o psicopata brutamontes consegue atravessar portas e paredes como se fossem de manteiga?

Halloween (2007) (25)

Chegamos, assim, ao segundo maior erro deste novo Halloween: o Michael Myers de Rob Zombie aparece O TEMPO TODO no filme – que, aliás, devia se chamar Michael Myers – O Início, e não Halloween. Enquanto no original o assassino aparecia muito raramente, e sempre de surpresa, aqui o psicopata e sua máscara suja estão em cada frame do longa, arrasando com qualquer tentativa de criar tensão. Lembra da fantástica cena em que a máscara branca de Michael aparecia de repente na escuridão, nas costas de Laurie, no filme original? Não espere ver nada disso aqui: toda cena de morte é filmada do mesmo jeito, com a vítima em primeiro plano e Michael caminhando no fundo em direção à vítima, destruindo qualquer surpresa de um ataque repentino. Zombie não consegue nem mesmo fazer o mais primário, que é repetir as boas cenas do original. Lembra aquela em que Laurie se encontra trancada do lado de fora da casa de Tommy Doyle e Michael vem caminhando lentamente pela rua em direção a ela? Pois é: Zombie arruinou completamente esta cena também! O único momento em que ele consegue criar um mínimo de suspense é quando Laurie cai numa piscina vazia e Michael vai se aproximando lentamente da sua vítima indefesa. E só. Muito pouco para um filme de terror com duas horas (!!!) e pouquíssima história para contar…

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Além disso, não tem como engolir o fato do Michael de Rob Zombie, um delinquente juvenil “normal“, ser tão forte a ponto de atravessar paredes e resistir a balaços à queima-roupa. O espectador aceitava com naturalidade o fato de o vilão nunca morrer na série Halloween original. Afinal, pouco ou nada se sabia sobre ele – vai que era mesmo o “Bicho Papão“? Isso não acontece no remake: depois de acompanhar boa parte da infância do jovem Michael, durante uns 50 minutos, você tem a certeza de que ele não passa de um garoto bobalhão e mimado que de repente teve um piripaque e virou assassino. Mas não, não existiu qualquer influência sobrenatural ou pacto demoníaco na sua infância. Ou seja: o Michael do remake é apenas um psicopata normal e banal, de carne e osso, que, teoricamente, teria que morrer após levar cinco, seis, sete tiros do dr. Loomis e uma facada no pescoço desferida por Laurie. Alguém explica esse fenômeno? Colete à prova de balas, talvez? Fator cura, como o Wolverine? Doses cavalares de anestesia arruinaram seu sistema nervoso? Ou simplesmente o roteiro é um lixo? Voto nesta última opção. Segundo Zombie, Michael não morre “porque não“, e está acabado!

Agora, se há um ponto positivo neste remake de Halloween, e isso precisa ser destacado, é a obsessão do diretor (já mostrada em Rejeitados pelo Diabo) de incluir figurinhas carimbadas do gênero em pequenas participações. É óbvio que ver atores conhecidos sendo mortos, como Sybil Danning, Dee Wallace e Bill Moseley, é muito mais “divertido” do que se fossem uns manés quaisquer. E olha que aparece um belo time no filme: Richard Lynch (com a cara mais enrugada do que nunca) como diretor da escola onde o jovem Michael estuda, Sid Haig como coveiro, Udo Kier e Clint Howard como os diretores do sanatório de Smith’s Grove, Tom Towles como um dos médicos (apenas na workprint) e Ken Foree como “Big Joe Grizzly“, o caminhoneiro de quem Michael rouba sua indestrutível roupa preta.

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Mas a homenagem é, ao mesmo tempo, uma faca de dois gumes: com tanta gente boa para colocar no filme, Zombie foi obrigado a criar todo tipo de cena inútil para que as “celebridades” apareçam pelo menos por uns dois ou três minutos. O resultado são sequências dispensáveis e até ridículas, como a de Foree (com um cabelo black power pra lá de fake) largando um barro antes de ser morto por Michael no banheiro mesmo. E isso que o diretor cortou quase todas as cenas de alguns atores: o pobre Udo Kier filmou diversos diálogos, mas na montagem final mal aparece. Outras “celebridades“, como Adrienne Barbeau, tiveram suas cenas cortadas na edição (ainda bem, pois senão o filme ficaria com três horas de duração!). E o pobre Tow Towles filmou duas participações, como médico na Workprint e como policial na versão para os cinemas, e ambas foram cortadas na Director’s Cut!!! É mole? Só lamentei o fato de o diretor não ter convidado atores que participaram do original para fazer pontas. Não seria legal (e irônico) ver P.J. Soles (que interpretou Lynda no filme de Carpenter) como a mãe de Michael neste remake? Ou Charles Cyphers (o xerife Brackett versão 1978) como Mason Strode? Ou ainda Nick Castle, o dublê do assassino no original, em algum papel marcante onde poderia finalmente mostrar o rosto?

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O que transparece, durante as duas intermináveis horas do filme, é que Rob Zombie realmente não sabia o que estava fazendo. E o mais irônico é que ele cometeu todos os erros que disse odiar em remakes numa entrevista pré-Halloween. Sua ideia original era equivocada desde a concepção. Por isso, quando detalhes do roteiro começaram a vazar nos fóruns da internet, e o pessoal reclamava da espécie de Michael Myers que o diretor estava concebendo, o próprio Zombie, numa atitude típica de moleque, entrou nos tais fóruns usando um nome falso para xingar quem estava se queixando – atitude muito madura, não é verdade?

Depois que a workprint vazou, e o diretor percebeu a extensão da cagada, ele mudou tanto o filme para tentar corrigi-lo, com regravações, corte de cenas, filmagem de mais mortes e novos diálogos, que acabou originando três versões da mesma porcaria, cada uma com suas próprias características (como o leitor pode ver na próxima página). Não se espante se logo surgir uma “Ultimate Edition” ou um “Definitive Cut” com novas cenas e mudanças na história. Se dependesse de mim, pelo menos, ainda teria muito a mudar e corrigir.

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Mas um mérito do diretor é fazer tudo no esquema “old school“, sem computação gráfica. E há muito sangue cenográfico em cena. Pena que Zombie contratou um epilético como operador de câmera, então a imagem treme e sacode de forma nauseante durante os ataques de Michael – estilo Extermínio. Talvez o cinegrafista seja a única pessoa no universo a tremer de medo durante os sustos fraquíssimos do filme, por isso a câmera sacode tanto!

E Zombie ainda merece uma medalha pela trilha sonora mais deslocada já vista em um filme de horror. O “Love Hurts“, que eu já citei, é tão forçado que já pensei em usá-lo numa das minhas comédias amadoras, mas aqui a música toca numa cena supostamente séria! E a trilha ainda tem clássicos jogados sem qualquer critério ao longo do filme, como composições do Kiss, Iggy Pop, Black Sabbath e Alice Cooper. “Don’t Fear the Reaper“, do Blue Oyster Cult, que também tocava no original, é executada duas vezes!!!

Pelo visto, a ruindade de Rob Zombie’s Halloween assustou até a distribuidora nacional, que adiou o prometido lançamento nos cinemas brasileiros umas três vezes antes de mutilá-lo em sua estreia brasileira. E isso que o remake chegou aos cinemas dos países vizinhos, Uruguai e Argentina: eu estava por lá de férias no começo de 2008 e pude ver o bonito cartaz em quase todos os cinemas, além de ler algumas críticas dos jornais dos hermanos detonando o trabalho de Zombie.

Halloween (2007) (28)

Encerro por aqui. Na minha modesta opinião, este remake de Halloween fica no mesmo nível de “qualidade” das sequências ruins da franquia, como Halloween 5 e Halloween Ressurreição (quem sabe até fica abaixo, considerando que as sequências pelo menos respeitaram o “personagemMichael Myers). Se há algo de benéfico no fracasso da refilmagem é que dificilmente veremos uma nova série de continuações ruins baseadas neste novo universo, como tentaram fazer com O Massacre da Serra Elétrica de 2003. Confesse: não ia ser ridículo ver o Michael Myers bombado e truculento de Zombie atacando num hospital, numa possível refilmagem de Halloween 2? Até porque o “novo” Michael não tem um pingo de sutileza, então imagine o estrago que ele faria ao invés de ficar escondido nas sombras, como o assassino do original…

No fórum do IMDB, um fã xiita de Rob Zombie questionou se as pessoas continuariam massacrando o remake caso o Halloween original não existisse. Ora, que pergunta estúpida. Se o original não existisse, provavelmente também não existiria esta bomba. Mas o que mais dói na alma é saber que Rob torrou 20 milhões de dólares para destruir uma obra-prima que custou apenas 325 mil, e era um filme simples e despretensioso, porém de execução brilhante. Quer ver algo contemporâneo que chega aos pés do classico de Carpenter? Então esqueça este remake e dê uma olhada em Farol da Morte (2000), de Simon Hunter, que não custou 2 milhões de dólares, ou em Malevolence (2004), do Stevan Mena, que custou míseros 450 mil!!! São dois filmes que bebem da fonte do Halloween original, citam-no abertamente nos sustos e na criação de suspense, e dão um banho nesta visão sofrível que Rob Zombie precisou de 20 milhões para filmar…

Halloween (2007) (24)

Talvez Zombie tenha mais sorte refilmando Halloween 3. Não deixa de ser divertido imaginar o que ele ia fazer, por exemplo, com aqueles androides de terno e gravata que assessoram o vilão – substituí-los por headbangers cabeludos com camiseta preta, talvez? E eu continuo não gostando dos filmes de Rob (agora ainda menos, já que ele destruiu um dos meus clássicos preferidos). Mas assumo, principalmente diante dos seus muitos fãs, que ele realmente tem olho de cineasta e filma bem – quando quer. Falta é arrumar alguém talentoso que escreva roteiros decentes para ele filmar, pois, como roteirista, Zombie já demonstrou que é um excelente músico.

PS 1: Quando publiquei minhas primeiras impressões sobre o remake de Halloween em forma de crítica, aqui na Boca do Inferno, no final de 2007, recebi uma chuva de impropérios enviados por e-mail por supostos fãs apaixonados de Rob Zombie. Estes me definiram usando palavras de tão baixo calão que pude perceber qual é, afinal, a idade mental dos fãs apaixonados de Rob Zombie. Aguardo novos impropérios, mas não mudo minha posição: filme ruim merece é chumbo grosso!

PS 2: Em várias entrevistas que deu quando estava desenvolvendo este projeto, Rob, do alto de sua arrogância, disse que a “sua versão” do filme não mostraria Michael Myers aprendendo a dirigir “magicamente“. Ele se referia a um detalhe inexplicado no Halloween de John Carpenter, que mostrava Michael fugindo de carro do sanatório quando, na verdade, nunca teria aprendido a dirigir, já que estava preso desde a infância. Rob considerava este um grande furo do roteiro, e no remake, realmente, Michael não escapa de carro. Só faltou explicar como é que o vilão chegou a Haddonfield, 1.500 quilômetros distante, sem dirigir. De ônibus? De carona? Teletransportado? Então, meus parabéns a Rob Zombie: eliminou um suposto furo de roteiro criando outro!

PS 3: Por mais que eu me esforçasse nas piadinhas, nenhuma crítica a Rob Zombie’s Halloween pode ser mais divertida do que a publicada, em inglês, neste site. Eles simplesmente resumiram o roteiro de Rob Zombie e colocaram os personagens para explicar as imbecilidades do filme. Destaque para o “diálogo” entre Daeg Faerch e Malcolm McDowell sobre o porquê das cenas do hospício:

“DAEG FAERCH: Por que eu tenho que ficar aqui todo esse tempo?
MALCOLM MCDOWELL: Porque Rob Zombie parece pensar que devotar metade do filme para justificar seu comportamento vai convencer a audiência que você é um herói mal interpretado, e não um vilão malígno.” (hahahahahaahaha)

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27 Comentários

  1. Rick Grimes

    Antes de começar a ler a critica, eu já imaginava que teria a ver com o excesso de violência no filme, que você julga apelativo e desnecessário e que só arruinou a obra original. Mas temos que levar em consideração que o filme original é de 1978 e o remake de 2007. Os dois filmes têm praticamente 30 anos de diferença. Naquela época, o cinema era mais censurado. As cenas que naquela época tinham uma classificação indicativa de 18 anos, hoje são para 14. Também tem a questão dos recursos. Os efeitos especiais de antigamente nem se comparam com os dos dias atuais. Por conta disso tudo, é óbvio que as refilmagens terão mais violência que os filmes originais. Eu particularmente gostei muto do visual do ”Michael Roqueiro”. Conseguiram deixá-lo tão aterrorizante e intimidador quanto no filme original, e é isso o que importa!

    Os dois filmes são ótimos, tanto o original quanto o remake. O que acontece é que os mesmos são de épocas bastante distintas, consequentemente são bem diferentes um do outro.

  2. Paulo

    O filme original é de dar sono. Essa refilmagem foi muito melhor. Sem mimimi.

  3. Vinícius

    Tiro o chapéu pro início desse filme, contaram bem a história do Myers e como ele chegou até o sanatório,uma boa sacada pra dar mais respostas ao enredo, a única parte que se salvou desse “remake”. Na parte dos atores eles erraram feio, infantilizaram a Laurie com essas bobagens que eles chamam de falas no filme, sem nenhuma comparação com a atuação da James Lee Curtis, e também o Dr. Loomis que nesse filme o ator teve uma boa atuação, mas que, convenhamos, Donald Pleasence marcou muito mais nesse personagem.
    De resto a gente vê um filme que está mais voltado em fazer as pessoas sentirem medo do que propriamente tentar refazer a história do Halloween I e II.

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