Silent Hill: Revelação (2012)

Silent Hill - Revelação (2012)

Silent Hill: Revelação
Original:Silent Hill: Revelation 3D
Ano:2012•País:França, EUA, Canadá
Direção:Michael J. Bassett
Roteiro:Michael J. Bassett, Laurent Hadida
Produção:Don Carmody, Samuel Hadida
Elenco:Adelaide Clemens, Kit Harington, Sean Bean, Carrie-Anne Moss, Radha Mitchell, Malcolm McDowell, Martin Donovan, Deborah Kara Unger, Roberto Campanella, Erin Pitt

Quando a produtora Konami lançou Silent Hill em 1999 a polvorosa foi grande. Praticamente um dos primeiros games a combinar terror real com uma história envolvente e, por mais que Resident Evil tenha aparecido 3 anos antes e se consolidado em uma franquia mais consistente, foi em Silent Hill em que os então adolescentes deixavam as luzes acesas a noite após uma sessão terrível de jogo.

O tempo passou e os caminhos do sucesso entre Silent Hill e Resident Evil se separaram: o Playstation 1 não recebeu mais nenhum jogo da franquia e, com raras exceções, Silent Hill foi perdendo popularidade e com lançamentos cada vez menos impressionantes afogado entre tantos outros “survivors” como Forbidden Siren e Clock Tower. Para efeitos comparativos, Resident Evil tem até o momento 23 jogos na franquia e 7 adaptações para o cinema, enquanto Silent Hill tem 9 jogos diferentes.

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Foi somente em 2006, 7 anos depois do primeiro e nostálgico game (eu, particularmente não parei de jogar até fazer todos os finais) que o primeiro filme saiu na tela grande pelas mãos de Christophe Gans (Necronomicon, O Pacto dos Lobos), após 5 anos de conversas com a Konami para adquirir os direitos.

Na época havia muito ceticismo com as adaptações de games, contudo o filme de Gans, mesmo não sendo uma obra prima do gênero, conseguiu capturar a atmosfera de um game complexo, visualmente impactante e ainda ser um suspense de primeira linha, com uma história atraente, personagens fortes e bastante sangue. Terror em Silent Hill, o filme, terminava em um final aberto, porém só outros 6 anos separariam os fãs da continuação esperada; parte da demora aconteceu por conta da prisão do roteirista do original e que retornaria na continuação, Roger Avary, que causou um acidente de carro que acabou matando uma pessoa em 2008.

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E, finalmente em 2012, Silent Hill: Revelation saiu nos Estados Unidos em toda a sua glória 3D. Vendo o resultado final, não posso nem reclamar tanto assim da demora na estreia brasileira, já que o diretor e roteirista da continuação Michael Bassett (Solomon Kane – O Caçador de Demônios), criou o visual fiel, mas algo se perdeu na tradução. Acompanhem…

Seis anos depois do fim do original, em que Rose (Radha Mitchell, em breve participação) consegue tirar Sharon de Silent Hill para os cuidados do seu pai Chris, sem todavia conseguir fugir da cidade amaldiçoada. Agora Sharon se chama Heather (Adelaide Clemens) e Chris se chama Harry (Sean Bean, em pequena participação) e vivem fugindo de cidade em cidade, trocando de identidade e de história, para não serem abordados pela “Ordem“, uma organização extremista que tem a intenção de fazê-la retornar a Silent Hill e matar a metade de Alessa que vive dentro dela, para se libertarem de uma vez por todas.

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Aos que não se lembram, em termos simples, Alessa era uma criança que com poderes paranormais foi acusada de bruxaria e queimada pelos moradores de Silent Hill. Alessa amaldiçoou o local, e a cidade foi envolvida em trevas, com seus moradores todos aprisionados para sempre. Então, agora com 18 anos, Heather/Alessa tem visões cada vez mais vívidas das trevas e, quando seu pai é capturado pela Ordem, é compelida a retornar a cidade de onde fugiu para salvá-lo e descobrir a verdade sobre si mesma.

Até aí, parece tudo tranquilo para o espectador, só que não funciona bem assim. Ela encontra personagens que vem e vão e outros que só dá para acreditar se você leva novela mexicana muito a sério. Por exemplo, um detetive particular que aparece por 5 minutos e morre de uma hora para outra, contratado pela ordem… mas vendo Heather, ele acredita que ela é uma boa garota e que não faria mal a ninguém… E Vincent (Kit Harington), que calha de ser o filho da líder da Ordem, chamada Cláudia (Carrie Ann Moss, em maquiagem que lembra os elfos de Hellboy 2)… mas vendo Heather, ele passa de mau a bom instantaneamente e se apaixona perdidamente pela garota e… Aff…

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É assim com quase todos os personagens, eles impressionam pela falta de credulidade, e os diálogos… Deus, os diálogos… Uma bola de bobagens por linha escrita. É tanta exposição atrás de exposição que poderiam transformar o filme em um áudio-livro. Bom, se temos esse caminhão de problemas e um monte de pontas de personagens sem função definida (de Radha Mitchell a Malcolm McDowell), o que sobra? O terror, é claro!

É interessante, porém que o diretor conseguiu trazer uma excelente ambientação e uma fidelidade ímpar ao visual do game, nos cenários, monstros e na caracterização dos personagens, especialmente dada a redução significativa de orçamento, pois o primeiro filme custou 50 milhões, contra 20 milhões deste aqui (porém a maquiagem e o CGI deixam esta diferença transparecer vez ou outra). Contudo nenhum visual no mundo constrói suspense por si só e apesar de algumas cenas impactantes, violentas e sangrentas, no geral a produção carece de criar uma atmosfera opressora, pois de tanto que joga pedaços de roteiro e diálogos intermináveis explicando a história do filme, “na hora do vamos ver” as coisas acontecem tão rápido que mal dá tempo de sentir medo de alguma coisa.

Silent Hill - Revelação (2012)

Ao fim fica a impressão de um produto de excelente capa, mas com a substância e a diversão comprometidas pela falta de cuidado no roteiro, aspectos que nada tem a ver com orçamento, principalmente se levar em conta que esta continuação saiu 6 anos depois do original. Não é de todo perdido, todavia a vantagem dos jogos é que você sempre pode pular uma sequência de cenas dispensáveis e voltar para a ação com um mero toque de botão.

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados.

4 comentários em “Silent Hill: Revelação (2012)

  • 10/06/2015 em 03:35
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    O primeiro foi sensacional, mas infelizmente não conseguiram manter o padrão no segundo que foi no máximo razoável uma pena.

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  • 17/01/2015 em 01:34
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    Sei que minhas palavras não farão diferença pra você, porém não posso deixar de lhe dar os parabéns! Você conseguiu colocar todo o meu pensamento e sentimento por esse filme nessa crítica muito bem feita. Transformou em palavras tudo o que eu senti ao vê-lo. Deve se orgulhar muito de escrever tão bem!

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  • 24/08/2014 em 08:29
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    Quase não dá para acreditar que levaram seis anos para lançar essa bomba, hahaha!

    Realmente o maior problema do filme é o roteiro. Esse lance de a Ordem foi muito palha, principalmente por Alessa ainda estar em Silent Hill e os manterem preso.

    Sua crítica ficou perfeita

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  • 23/10/2013 em 22:32
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    uma caveira pra esse filme.

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