Críticas

Terror em Silent Hill (2006)

Bem produzido e com um enredo que prende a atenção, Terror em Silent Hill já figura entre as melhores adaptações de games já realizadas!

Terror em Silent Hill (2006)

Terror em Silent Hill
Original:Silent Hill
Ano:2006•País:Canadá, França, Japão, EUA
Direção:Christophe Gans
Roteiro:Roger Avary
Produção:Don Carmody, Samuel Hadida
Elenco:Radha Mitchell, Laurie Holden, Sean Bean, Deborah Kara Unger, Kim Coates, Tanya Allen, Alice Krige, Jodelle Ferland, Colleen Williams, Maxine Dumont

“What the fuck? What the fuck? You saw that, right? That was real? What the fuck is going on?” – policial Cybil

Finalmente um dos filmes mais exibidos como trailer nos cinemas e na televisão fez sua estreia nacional no dia 18 de agosto de 2006. A produção responde pelo nome de Terror em Silent Hill (Silent Hill, 2006) e a boa notícia é que a espera valeu a pena, pois a história, adaptada do vídeo-game homônimo é tão boa, interessante e assustadora quanto o próprio jogo. Bem produzido e com um enredo que prende a atenção, Silent Hill já figura entre as melhores adaptações de games já realizadas.

Não é de hoje que jogos eletrônicos fazem sucesso ao abordarem histórias de terror e situações sobrenaturais. Tais games são marcados por terem tramas voltadas para o bizarro e o grotesco, fugindo da linha “quem é o assassino” para trabalhar uma história mais complexa e perturbadora. Os jogos costumam possuir quebra-cabeças e através de cada decisão, tomada pelo jogador, o enredo avança para caminhos diferentes. A ambientação é geralmente macabra, assim como a trilha sonora e efeitos de som, que conseguem dar muito mais medo do que diversas produções cinematográficas do gênero.

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Os representantes deste tipo de diversão eletrônica, conhecida pelos aficionados como “survival horror”, tem como principais títulos Resident Evil, Alone in the Dark, Fatal Frame e o próprio Silent Hill. Todos estes jogos começam com uma introdução da história, feita de forma muito semelhante a prólogos de filmes, além de possuírem pequenos vídeos que são apresentados durante os diversos níveis. Silent Hill foi lançado no final dos anos 90, pela empresa Konami, para PlayStation, ganhando também versões para Xbox, PSP, Game Boy Advance e possui atualmente cinco jogos que não seguem uma cronologia fixa.

A história se desenvolve na cidade que dá nome ao jogo, que após um trágico incêndio, foi abandonada pelos sobreviventes e se tornou um deserto. Desde então, Silent Hill passou a ser assombrada por uma maldição na qual seres infernais surgem quando escurece. Nos dois primeiros jogos, um pai, procurando respostas para alucinações da filha, que sempre sonha com o lugar, vai para a cidade em busca de respostas. Nos games seguintes, a trama acontece com pessoas que possuem alguma ligação com o local.

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Como em Hollywood, tudo que faz sucesso acaba virando um ou mais filmes, com Silent Hill não poderia ser diferente. Principalmente em um período no qual o gênero terror está sendo explorado até o bagaço, com a produção de sequências, pré-sequels e remakes. Além do mais, o game Resident Evil, quando foi adaptado para o cinema, acabou se transformando em uma bem sucedida (leia-se economicamente rentável) série cinematográfica. Por que não fazer o mesmo com Silent Hill? A ideia de realizar a transposição do jogo para a tela grande surgiu em 2000, porém, existia uma recusa por parte da empresa Konami, que era contra o projeto.

Foi através da insistência do então futuro diretor, Christophe Gans (Necronomicon, 1993), que o filme pôde ser realizado. Para tal, ele gravou um vídeo, que foi enviado para a Konami, no qual apresentava razões e praticamente implorava para que o projeto fosse liberado. Gans também produziu, por conta própria, algumas cenas que serviriam para mostrar o formato que Terror em Silent Hill iria ter e para isso, utilizou a trilha sonora dos games. Apenas em 2005, após muita negociação, o filme finalmente foi liberado pela Konami.

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O roteiro que daria origem à película foi escrito por Roger Avary, que utilizou os dois primeiros jogos da franquia para servir de base para a versão cinematográfica. Na trama para o cinema conhecemos Rose da Silva (Radha Mitchell), uma mulher atormentada com as alucinações constantes da filha Sharon (Jodelle Ferland), que, durante as crises, sempre grita o nome de Silent Hill, uma cidade fantasma e que fora vítima de um grande incêndio anos atrás. Contrariando seu marido, Rose decide ir com a menina para a tal cidade, na tentativa de encontrar respostas para as alucinações da garota. Quando estão próximas do local, a mãe perde o controle do carro, acaba colidindo na estrada e desmaia. Ao acordar, não encontra Sharon e desesperada, parte para Silent Hill onde começa a seguir uma menina que parece com a sua filha. É quando Rose descobre que sair de lá não vai ser nada fácil.

O enredo visto nas telas pode parecer um pouco complexo (ou até confuso) para quem está acostumado com filmes diretos e mistérios óbvios, porém, segue exatamente a linha mostrada pelos games evitando uma história boba apenas com bons efeitos especiais. No caso desta adaptação, claro que o aspecto visual é fundamental para um bom resultado, mas o filme consegue ter vida além disso, possuindo uma trama segura e bem desenvolvida, além de várias interrogações que vão sendo colecionadas para serem respondidas no final, o que aumenta o interesse pelo enredo.

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Um mundo sombrio

A produção começa com uma rápida introdução da história e sem perder muito tempo, já leva a mocinha (e a audiência) para a tal cidade. O primeiro ponto que merece destaque é justamente mostrar a trama pelos olhos da heroína e não oferecer nenhuma explicação adicional, o que faz com que o público do cinema se sinta quase como um terceiro elemento dentro do enredo, tendo medo e ficando confuso neste mundo perturbador e que está sendo descoberto, naquele mesmo momento, por Rose.

Deserta, abandonada, morta. É assim que Silent Hill é vista pela primeira vez no filme. Um clima de inquietação toma conta do local ao mesmo tempo em que uma constante fuligem cai do céu como neve. Mas não vai demorar muito para que uma brusca escuridão se apodere do lugar para dar vida a um inferno na terra habitado por criaturas aterradoras como vindas de um pesadelo. É nesse momento que o filme mostra todo o seu poder de impressionar e apavorar (no mesmo nível) ao trazer para as telas o universo visual do game. A partir de então, a trama começa a apresentar uma série de monstros deformados e sem rostos, cenários claustrofóbicos, sujos e escuros, grades e correntes, criando uma narrativa aterradora.

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A trilha sonora também terá fundamental importância nesse pavoroso universo, pois mais parece uma junção de estranhos sons e barulhos que, intercalados com as cenas, recria o tom exato dos games. Tal característica não acontece por acaso, pois o diretor Gans utilizou trabalhos assinados pelo compositor Akira Yamaoka, responsável pela trilha e sonoplastia nos games de Silent Hill, para incorporar ao filme. A direção também foi bastante feliz por não perder tempo no quesito “susto feito por edição frenética e som digital”. Apesar de existirem alguns, o diretor apostou mais no terror propriamente dito e sem abandonar a proposta visual do game. E nesse quesito foram as ideias mais simples que ofereceram os melhores resultados como quando Silent Hill é tomada pela escuridão. Tais momentos são de fazer a espinha gelar, pois fica claro que algo de ruim e tenebroso irá acontecer em seguida. Aliás, este anoitecer é muito bem utilizado na película, por criar cenas em que a platéia se esforça para ver algo, percebe que é alguma coisa perigosa, mas só é possível enxergar alguns detalhes que a lanterna consegue alcançar.

Até a forma como algumas tomadas foram gravadas consegue criar momentos de tensão, como na primeira vez em que Rose se depara com os estranhos seres do local. Mostrando a fuga da moça através de um ângulo superior e que vai se afastando do chão, a cena é simples, mas extremamente bem conduzida por apresentar a vastidão do local e a solidão de Rose dentro deste. Os “habitantes” de Silent Hill também são uma atração à parte e, como cenobitas do universo Hellraiser, são grotescos, mas extremamente bem concebidos, quase como monstros elegantes.

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A começar pelo estranho ser que possui corpo de homem, mas tem uma grande jaula na cabeça, o que o faz ter semelhança ao deus egípcio Anúbis. Munido de estrema força, é um dos mais perigosos monstros do lugar sendo capaz de esfolar com as próprias mãos um ser humano. Outras criaturas igualmente assustadoras são semelhantes a casulos com pessoas dentro, porém, que de humanos, não possuem nada. Andando com dificuldade e emitindo estranhos sons, tais serem possuem aspecto macabro e ameaçador. Para completar o show de horrores, existe um exército de enfermeiras gostosas sem rosto e que, mesmo cegas, são extremamente perigosas. Muitas destas criaturas foram interpretadas por dançarinos, para que tais seres tivessem flexibilidade e postura diferente de seres humanos

O elenco também contribuiu para o produto final da película, a começar por Radha Mitchell (Em Busca da Terra do Nunca, 2004), que está muito bem como a mãe movida por medo e amor para encontrar a filha. Fazendo par com Mitchell, coube a Laurie Holden (O Álibi, 1997) fazer a policial machona e braba Cybil. Merece destaque a atriz mirim Jodelle Ferland que se reversa em dois (ou seriam três??) papéis e consegue passar rapidamente de uma garotinha assustada para a própria representante do mal. Deborah Kara Unger (Highlander 3, 1994) e Alice Krige (a rainha Borg, de Jornada nas Estrelas – Primeiro Contato, 1996) são duas coadjuvantes que marcam a trama como uma louca moradora de Silent Hill e uma líder religiosa, respectivamente.

Interessante perceber que apenas mulheres têm destaque dentro do filme, afinal, no primeiro tratamento do roteiro, não existiam homens na história. Eles só foram inseridos após exigência dos produtores, o que fez o roteirista criar o marido para Sharon e um policial. Quando Terror em Silent Hill foi lançado no mercado norte-americano, o diretor Gans declarou que a versão exibida nos cinemas era a que ele tinha em mente quando decidiu realizar o projeto e que, de acordo com o próprio, nenhum corte precisou ser feito. No entanto, o script original resultava em um filme com mais de 3 horas e meia de duração, porém, segundo Gans, os cortes foram feitos no próprio roteiro e não no filme já gravado, como geralmente acontece.

Ao final da trama, o mistério que envolve o lugar, assim como a ligação da filha de Rose com a cidade, será revelado em uma conclusão não convencional, mas que funciona dentro da proposta do projeto. Foram precisos seis anos para o longa ganhar uma continuação, afinal, assim como games de terror vendem bem e acabam ganhando adaptações para o cinema, também é verdade que se uma película faz sucesso, ela logo ganhará uma parte 2. E como na caso de Silent Hill, o resultado foi duplamente positivo, pois trata-se de uma adaptação de um eficiente produto vindo do universo dos games e que gerou um ótimo resultado como película.

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7 Comentários

  1. LUIS HENRIQUE BOGO

    Sem falar nos cenários e clima… muito bem feitos… assustador… para uma adaptação de games, é um otimo filme

  2. THALES ARYUKI DE MORAIS

    Gostei deste post!! Muito bom

  3. Antonio

    Regular. 2 caveiras e meia.

  4. muito melhor do que resit evil. da um certo medo esse filme sem duvida pra min e a lmelhor adptaçao de game. ainda nao vim a continuaçao. spero que seja legalzinha.

  5. Matheus
  6. vanessa vasconcelos

    apesar de ser bonzinho eu só daria duas caveiras e meia,pois achei mediano.

  7. Álvaro Leite

    Ótima crítica,amo esse filme.

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