Críticas

Entrei em Pânico… (2001)

Apesar de algumas falhas, é um filme divertidíssimo que mesmo tendo lá suas 2 horas de duração não enjoa em nenhum momento!

Entrei em Pânico (2001) (2)

Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado
Original:Idem
Ano:2001•País:Brasil
Direção:Felipe M. Guerra
Roteiro:Felipe M. Guerra
Produção:Eliseu Demari, Felipe M. Guerra
Elenco:Rodrigo Guerra, Niandra Sartori, Eliseu Demari, Marcelo Ferranti, Tomás Zilli, Diego Guerra, Larissa Mazocato, Mathias Gusso, Tatiana Mantovani, Cintia Dalposso, Andrius Berté, Paulo Dalle Laste, Fabiano Taufer, Fábio Prina Da Silva, Clarissa Flores

Surpresa minha quando chego em casa e vejo o recém chegado DVD do Entrei em Pânico…, produção caseira filmada com 250 reais pelo diretor/jornalista Felipe M. Guerra em 2001 com elenco amador e sangue aos borbotões. O filme começa com uma excelente piada envolvendo A Bruxa de Blair, apesar da piada não ser inédita pra mim (uma variante foi usada no excelente filme de Sammo Hung chamado Twinkle Twinkle Lucky Stars, ou Guarda-Costas do Inimigo) ainda assim ri bastante. Somos então apresentados à Cíntia, uma menina normal que recebe uma ligação de um assassino: a sequência é uma homenagem a Pânico de Wes Craven, sendo que até o assassino se veste igual. É nessa sequência que há as melhores piadas de todo o filme! Hilária a paródia ao Show do Milhão, a revelação do amante de Cíntia, e a incompetência da mesma de explicar o final de A Bruxa de Blair (Mas eu até hoje não entendi o final desse filme! Hahaha). É então que somos brindados com uma das mais sangrentas cenas do filme, onde um pobre coitado tem seu braço motosserrado pelo assassino. Um belo efeito levando-se em conta o baixo orçamento, mas eu senti falta de um esguichos de sangue saindo do braço recém cortado.

Entra em cena o herói do filme, o hilário Goti, que pretende dar uma festa em casa para comemorar a formatura do 2º grau. E decide fazer tudo isso regrado a drogas e muita bebida, indo contra as ordens do irmão Fabiano, que irá passar dias fora e cisma de confiar no irmão. O tal Fabiano talvez seja o personagem mais sensato do filme e tem uma coleção realmente invejável de fitas VHS de terror. Goti é o oposto do irmão, bonachão, cachaceiro, festeiro e ao mesmo tempo romântico! Mantêm um namoro virtual com Niandra com quem nunca se encontrou. Tem como melhor amigo, Marcelo, outro sem aparentemente nada pra fazer que fica fumando maconha com o amigo e o sacaneia por ser romântico: Porra! Liga e come ela, depois diz seu nome! Hahahahaha.

Eles então chamam todos os outros amigos, Eliseu, Tomás, Tati e seu namorado, Gêison (que sempre é encarnado por ser homônimo do assassino mascarado) além de Larissa, Niandra e Ido (o cara inconveniente e que ninguém gosta, mas que rende ótimas piadas durante o filme). Durante a festa, porém, é onde o assassino concluirá sua vingança.

Apesar de algumas falhas, afinal é um filme caseiro, Entrei em Pânico… é um filme divertidíssimo que mesmo tendo lá suas 2 horas de duração não enjoa em nenhum momento. Há claro, cenas que ao meu ver bem que poderiam ser cortadas como a do assassino rondando a casa das vítimas e não matando ninguém, como faz quando Goti jogava Double Dragon (cena que me remeteu à infância)

As cenas de mortes são bastante criativas levando-se em conta a verba pífia. Destaco como a mais original a que um personagem tem implantado no pescoço uma torneira que drena seu sangue! hahaha. Mas algumas mortes deixam a desejar como a de Mathias, que aparece com as tripas para fora, mas com a barriga praticamente intacta, nem parecendo ter sido aberta.

Entrei em Pânico (2001)

O roteiro acerta em vários momentos e erra em alguns. Acerta porque consegue desenvolver vários personagens a ponto do público simpatizar com eles. Goti, Eliseu e Niandra são os maiores exemplos. E erra ao dar alguns poucos momentos de cena a personagens como Larissa e Tati (a atriz mais bonita do filme, na minha opinião, que infelizmente aparece pouco). O roteiro ainda homenageia Psicose ao matar o protagonista sem dó e transformar o até então coadjuvante em herói. A morte do herói é bem realizada, apesar de ter uma longa duração que tira um pouco da surpresa da cena. No primeiro momento sabemos que o personagem está sendo penetrado (sem piadas de duplo sentido, por favor), por algo pontiagudo, mas a demora do objeto em trespassar o sujeito faz com que grande parte da dramaticidade da cena suma, mesmo com a excelente atuação do ator no momento. Aliás a morte do protagonista chega a ser revoltante, pois é um dos caras mais gente boa do filme.

O final claustrofóbico (todos ficam presos na casa) é muito divertido. Há citações à Massacre da Serra-Elétrica (a morte com as marretadas) e uma avalanche de clichês de slasher movies. Mas o mais interessante é que mesmo usando clichês, o filme ainda quebra muitos. Em filmes slasher nota-se que quando se forma um casal no fim do filme, tanto o herói quanto a heroína se mostram sempre abstêmios, não usam drogas e não fazem sexo. Pra citar exemplos mais famosos, Sexta-feira 13 partes 2,6,7 e 8. Já aqui é interessante ver um herói totalmente imperfeito juntando-se à heroína.

Outro momento pra rir são os incessantes retornos do vilão da morte – coisa típica nesse tipo de filme, que aqui funciona como uma paródia muito engraçada. E o que dizer dos motivos que levaram o vilão a matar? Hahaha. Sem contar que o neo-herói do filme, assim como o assassino, dá uma de Duro de Matar e sempre escapa da morte, até mesmo quando leva uma facada no pescoço que ultrapassa sua boca, no melhor estilo Terror Na Ópera.

Esse filme com um título quilométrico é sem dúvida um dos mais divertidos que já vi. E é legal ver o empenho do pessoal em fazer um longa com apenas 250 reais, numa iniciativa louvável. O negócio é entrar na brincadeira e rir das burradas de Goti, da incompetência de Ido e torcer pelo heroísmo de Eliseu. Sem contar as beldades como Niandra (no melhor momento scream-queen) e Tati (que como disse acho a mais linda do filme e que infelizmente aparece pouco) Some às cenas antológicas como a briga de bonecos do Leatherface e Barbie, à trilha sonora divertida e aos peculiares sotaques do pessoal de Carlos Barbosa. Afinal Porco Dio não se ouve em qualquer slasher de Hollywood.

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