O Trem do Terror (1980)

O Trem do Terror (1980)

O Trem do Terror
Original:Terror Train
Ano:1980•País:EUA, Canadá
Direção:Roger Spottiswoode
Roteiro:T.Y. Drake, Daniel Grodnik
Produção:Harold Greenberg
Elenco:Ben Johnson, Jamie Lee Curtis, Hart Bochner, David Copperfield, Derek McKinnon, Sandee Currie, Timothy Webber, Anthony Sherwood, Howard Busgang, Steve Michaels, Vanity

Após assistir Halloween, de John Carpenter, e O Expresso de Chicago, de Arthur Hiller, o produtor e roteirista Daniel Grodnik teve um sonho e perguntou para sua esposa: O que você acha da ideia de colocar Halloween num trem?. Ela respondeu que seria terrível, o que o motivou a escrever num papel Terrible Train e esboçar 22 páginas do que seria o argumento de O Trem do Terror, num parceria com a companhia de Sandy Howard realizada na mesma tarde. Depois o esboço passaria para T.Y. Drake, que havia trabalhado em The Keeper, com Christopher Lee, em 1976, ficando Daniel apenas com o cargo de produtor executivo do slasher.

O longa foi a estreia na direção do canadense Roger Spottiswoode (007 – O Amanhã Nunca Morre, O 6º Dia…), já evidenciando suas habilidades em lidar com movimentos de câmera em cenas de ação. O filme também teve o debut do astro da magia David Copperfield, cuja canastrice o levaria a interpretar a si mesmo a partir daí. No entanto, o destaque inevitável é a presença da scream queen Jamie Lee Curtis em sua quarta atuação no gênero fantástico – além de Halloween, ela apareceu em A Bruma Assassina e A Morte Convida para Dançar, associando seu rosto ao de uma survivor girl, mesmo a atriz não almejando essa referência.

O Trem do Terror poderia fazer parte dos slashers com temas relacionados a datas como Halloween e Sexta-Feira 13, pois se passa numa festa de ano-novo e tem um assassino em série aumentando a taxa de mortalidade no gênero. Mas, entrou para a categoria dos filmes de terror ambientados em trens como Expresso do Horror, com Christopher Lee e Peter Cushing, e Expresso Macabro, com David Naughton, sem relacionar a produção a uma máscara ou arma específicas, como acontecia com os ícones Michael Myers, Freddy Krueger e Jason Voorhees.

Assim como em A Morte Convida para Dançar – filmado na mesma época no Canadá -, e diversas outras produções similares, esta também tem como justificativa uma brincadeira exagerada e uma possível vingança. A vítima da vez é o problemático e tímido Kenny Hampson (Derek McKinnon), que, durante as comemorações da fraternidade, é convidado para um encontro sexual com a relutante Alana Maxwell (Jamie Lee Curtis) num quarto escuro nas proximidades. No local, alguns estudantes, liderados pelo brincalhão Doc Manley (Hart Bochner, de Lenda Urbana 2), colocaram na cama o cadáver de uma mulher, apavorando tanto o rapaz que acabou levando-o a um hospital psiquiátrico.

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Três anos depois, a mesma turma resolve fazer as comemorações da formatura com uma festa à fantasia dentro de um trem. O engraçadinho da turma, Ed (Howard Busgang), fantasiou-se de Groucho Marx; Jackson (Anthony Sherwood, de Scanners – Sua Mente Pode Destruir) foi como um lagarto; Doc se vestiu de monge; a melhor amiga de Alana, Mitchy (Sandee Currie) foi vestida de bruxa (para rimar Mitchy witch); Mo (Timothy Webber, de Planeta dos Macacos: A Origem), namorado de Alana, foi de pássaro; além de umas amigas do grupo, vestidas de dançarinas. Também estavam no trem o condutor Carne (Ben Johnson, Meu Ódio Será Sua Herança), alguns auxiliares como o engenheiro Walter (Victor Knight, de A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça), o mágico contratado Ken (David Copperfield) e sua ajudante de palco.

Pouco antes de entrar no veículo, Ed é assassinado, tendo uma espada atravessada sobre seu peito, mas ninguém acredita no seu pedido de ajuda devido às brincadeiras do rapaz. O assassino, então, veste suas roupas de Groucho Marx e invade a festa, sem que ninguém note sua presença. Entre as curtições e azarações, brigas e traições, mágicas e brincadeiras, novas vítimas vão surgindo, mesmo quando Carne descobre o corpo de Jackson no banheiro e tenta alertar seus companheiros. Embora o local estivesse cheio de sangue, numa grande falha de continuidade, o assassino conseguiu limpar o ambiente e colocar a fantasia de lagarto para enganar o condutor.

Apesar da máscara de Groucho Marx ter sido usada na capa do filme, com o assassino segurando uma faca como Michael Myers, ele troca de fantasia a cada nova vítima confundindo os jovens e facilitando sua participação entre os convidados. Todas as pessoas envolvidas na brincadeira com Kenny Hampson são sucumbidas ao assassino, mas seria ele mesmo ou algum outro estudante está cometendo os assassinatos? Essa é a pergunta que vale apenas três milhões e meio, o orçamento da produção. Só os infernautas atentos irão notar a presença do vilão entre os estudantes durante o filme todo.

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Apesar de conter algumas falhas em sua trama, por vezes arrastada entre números de mágicas, e na falta de ousadia em exibir as mortes, O Trem do Terror consegue se manter entre cenas de tensão e mistério, ao estilo Assassinato no Expresso Oriente, de Agatha Christie, com seu ambiente claustrofóbico. A melhor parte é, obviamente, a sequência final, quando Alana é obrigada a encarar o assassino em diversos confrontos pelos vagões do trem, sem a presença dos amigos ou dos seguranças do veículo.

Um episódio que também vale a pena destacar acontece também no terceiro ato, com Alana presa num compartimento do trem por Doc, acreditando num isolamento como proteção de ambos. Mas, o assassino irá arrumar um jeito de entrar no local para surpreender e degolar o rapaz e continuar sua perseguição à garota. As suspeitas pelos crimes apontarão para o mágico Ken – seria uma abreviação de Kenny? -, um dos presentes que ninguém lembra de tê-lo convidado e que irá desaparecer sem usar um dos seus truques.

Pode ser que a geração atual enxergue em O Trem do Terror uma produção repleta de clichês e pouca violência. Se feita hoje em dia, poderia facilmente vestir essas definições e se arquivar entre outros filmes parecidos, mas é um longa de 1980, quando a época de ouro dos slashers começava a engatinhar. Só a presença de Jamie Lee Curtis já é um motivo mais do que eficiente para justificar uma conferida com olhares saudosos de um período rico em suspense e boas histórias.

Lançado em VHS pela CBS/Fox Video em 1988, O Trem do Terror chegou duas vezes ao mercado de DVDs lá fora: em 2004, numa edição simples, e depois em 2008 num pack contendo Candyman 2 e A Bruma Assassina. Chegou até a ser exibido nos cinemas em março de 2010 numa sessão retrô no New Beverly Cinema, no entanto, continua inédito por aqui, enquanto uma porcaria como O Trem da Morte, de Turi Meyer, e o dispensável Trem Fantasma, de Craig Singer, são facilmente encontrados para aluguel e venda!

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Em tempo, há uma produção lançada em 2008 com Thora Birch, Train, dirigida e roteirizada por Gideon Raff. Originalmente, este filme era para ser um remake de O Trem do Terror, a partir de um roteiro de Ryan Eslinger. No entanto, com o andar das carruagens, a história passou a adquirir características próprias e se tornou um longa independente. Trata-se de um filme sangrento com altas referências aO Albergue, mas bem fraquinho, num roteiro desgovernado e sem rumo como um trem perdido.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. É autor do livro "Medo de Palhaço", além de ter participado de várias antologias de horror!

3 comentários em “O Trem do Terror (1980)

  • 29/12/2013 em 17:12
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    Filmaço , pena que saiu em dvd pela cocôtinental filmes..era para uma distribuidora de respeito lançar esse clássico..

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  • 28/12/2013 em 19:22
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    Nossa Eterna Screen Queen: Jamie Lee Curtis…, gostei do que li aqui, Já vou procurar pela net agora mesmo! VLW BOCA!

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  • 27/12/2013 em 16:16
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    parece bem legal esse filme,adoro filmes assim e tbm já assisti esse que vc citou no fim do texto e gostei bastante.

    Resposta

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