Críticas

A Casa das Almas Perdidas (1991)

Apesar dos efeitos precários, é eficiente na condução do drama dos Smurls, nas cenas arrepiantes com as presenças malignas e pelo elenco!

A Casa das Almas Perdidas (1991)

A Casa das Almas Perdidas
Original:The Haunted
Ano:1991•País:EUA
Direção:Robert Mandel
Roteiro:Robert Curran, Jack Smurl, Janet Smurl, Ed Warren, Lorraine Warren, Darrah Cloud
Produção:Daniel Schneider
Elenco:Sally Kirkland, Jeffrey DeMunn, Louise Latham, George Wallace, Joyce Van Patten, William O'Connell, Stephen Markle, Diane Baker, Ashley Bank, John O'Leary, Michelle Collins

Muito do sucesso de Invocação do Mal (The Conjuring, 2013) se deve a três personagens do longa de horror de James Wan: a assustadora boneca Annabelle e o casal de investigadores de atividades paranormais, Lorraine e Ed Warren. A dupla desenvolve pesquisas e participa de palestras sobre fatos inexplicáveis, além de ter fundado em 1952 um museu de objetos ocultos, retirados de lugares considerados realmente assombrados. Para o público brasileiro, eles somente se tornaram conhecidos pela produção americana e por uma entrevista de Lorraine dado ao Fantástico, onde ela mencionou a trajetória de seu falecido marido – Ed partiu em 2006 – e apresentou o tal The Warren’s Occult Museum e a própria Annabelle, numa versão bem diferente daquela mostrada no cinema. Se o casal não é popular por aqui, entre as pessoas não tão íntimas ao gênero, engana-se quem imagina que o filme do malaio tenha sido o primeiro a apresentá-lo: coube a uma produção feita para a TV, lançada em 1991, o mérito de trazê-los como personagens secundários, atuando contra, obviamente, o sobrenatural. Trata-se do interessante A Casa das Almas Perdidas, dirigido por Robert Mandel (de séries como Prison Break e Lost), a partir de um roteiro para a TV de Darrah Cloud, baseado numa obra escrita por Robert Curran, com a ajuda da família Smurl e dos pesquisadores presentes nos fatos.

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Casas assombradas por fantasmas ou demônios fazem parte de um subgênero bastante popular no cinema e na literatura de horror. O primeiro relato escrito de coisas sobrenaturais acontecendo numa morada é do governador da antiga região de Bitínia, Plínio (Caio Plínio Cecílio Segundo, também conhecido como O Jovem), enviado na segunda metade do primeiro século – entre 50 a 100 DC – para seu patrono Lucias Sura. Na carta, ele relata acontecimentos estranhos num vilarejo em Atenas, onde na casa do filósofo Athenodorus ninguém conseguia morar, tendo baixo custo para quem quisesse viver ali. Entre barulhos estranhos e vultos, o mais assustador era a figura de um homem velho se arrastando com correntes, bastante presenciado pelos vizinhos da casa. Certa noite, o filósofo seguiu o espírito pela morada até o jardim, onde, no dia seguinte, encontraria enterrado no local o esqueleto de um homem acorrentado. Também é conhecido o primeiro trabalho do subgênero, a obra de Horace Walpole, escrita em 1764, O Castelo de Otranto. Fantasmas, aparições, sons estranhos e correntes fazem parte desse romance, considerado o primeiro livro gótico. Já no cinema, o curta-metragem The Haunted House, de Edward F. Cline e Buster Keaton, de 1921, deu o pontapé inicial ao estilo, trazendo a fórmula que seria copiada nas décadas seguintes.

Entre as inúmeras produções similares, destacam-se aquelas bem conduzidas, com ótimos atores e com a capacidade de criar uma certa insegurança no espectador. O Iluminado, de 1980, Poltergeist, o Fenômeno, de 1982, e A Casa do Espanto, 1986, são as mais apreciadas, enquanto A Casa dos Maus Espíritos, de 1959 e Desafio ao Além, de 1963, entram como as obras clássicas e prestigiadas. No entanto, A Casa das Almas Perdidas possui um carinho especial dos fãs do gênero. Além de ser um filme modesto, que trabalha mais o sutil, era uma produção bastante exibida na TV aberta, nas madrugadas frias. Os dizeres “baseado em fatos reais“, ainda não tão comuns no horror, também contribuíram para criar a atmosfera necessária para a apreciação, fazendo-a figurar em qualquer lista dos melhores do gênero. Mas, será que essa película conseguiu envelhecer bem? Vista atualmente, a resposta ainda é positiva.

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A história começa no Halloween de 1955, com Janet Smurl (Sally Kirkland), na infância, recordando os fatos estranhos que já relacionados ao local onde ela iria morar em agosto de 1975, com o marido Jack (Jeffrey DeMunn), seus filhos Erin (Michelle Collins), Colleen (Krista Murphy), Shawn (Ashley Bank) e Katie (Allison Barron), além dos pais de seu marido, Mary (Louise Latham) e John (George Wallace). No começo, nada tão estranho acontece: apenas o desaparecimento de um martelo e uma imagem estranha na pintura da casa. A situação começa a se complicar em março de 1985, quando Janet começa a ouvir vozes, ter problemas com aparelhos elétricos e presenciar um vulto sem forma atravessando paredes até um encontro com a sogra.

Sem incomodar as crianças, as assombrações vão se tornando ainda mais frequentes, convencendo até mesmo o marido – que escuta vozes no travesseiro e sente que alguém toca a sua esposa. Assíduos na Igreja do bairro, eles buscam ajudam para a relização de um exorcismo, mas tem o pedido negado devido a certas burocracias. Então, Janet assiste a uma palestra de Ed e Lorraine (Stephen Markle e Diane Baker), e consegue convencê-los a uma visita. Alguns procedimentos são realizados, com a confirmação da presença de bons e maus espíritos na residência, levando-os ao extremo de divulgar na mídia o que anda acontecendo, principalmente depois que seu marido é seduzido por um fantasma. O que poderia ajudá-los a convencer a Igreja no exorcismo piora ainda mais a situação, com a imprensa invadindo a privacidade da família, sempre de forma agressiva e incômoda.

Apesar dos efeitos precários, típicos de uma produção B, A Casa das Almas Perdidas é eficiente na condução do drama dos Smurls, nas cenas arrepiantes com as presenças malignas no local e, principalmente, pela boa atuação do elenco. Sally Kirkland (Todo Poderoso) carrega todo o pesadelo nas costas, degradando-se à medida em que os problemas aumentam – numa carga muito mais adequada do que a de JoBeth Williams, de Poltergeist. Também merece destaque a atuação do marido (de vários trabalhos baseados em Stephen King, como O Nevoeiro), tendo que conviver com as incertezas sobre o que está acontecendo, trazendo dúvidas sobre a sanidade da esposa. Lorraine Warren é interpretada pela veterana Diane Baker, de O Silêncio dos Inocentes, e representa bem a pesquisadora sensitiva, assim como Stephen Markle faz um Ed tranquilo e conhecedor dos assuntos tratados.

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Com toda a boa aprovação da obra, fala-se muito hoje em dia sobre a produção de um remake, principalmente após o sucesso de Invocação do Mal. Quando o tema envolve casas assombradas, é sempre interessante acompanhar versões assustadoras nas telas grandes, mesmo que saibamos que uma possível nova versão possa vir recheada de sustos gratuitos, exagerada nos efeitos e aparições e contando com um elenco mais popular entre os jovens. Nada contra refilmagens, desde que respeitem os originais e tenha um conteúdo que não transforme o resultado numa Casa dos Roteiristas Perdidos!

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10 Comentários

  1. Renato santos

    Lembro bem quando vi na madruga na globo, ainda adolescente , na cena q a sombra vai de uma casa pra outra… deu um vento vindo da cozinha e levantou a cortina ao lado da tv, eu disse ” te dana” desliguei a tv e fui pra cama… kkk

    anos depois vi o filme e ele ainda meteu medo, ótima produção, assusta mesmo.

  2. Lucas

    com toda certeza o melhor filme de terror do gênero que eu ja assisti

  3. Pedro Silva

    Remake não pelo amor de Deus!!!!!!

  4. Jaques

    Desgraça de filme, na hora que você está assistindo quase não sente medo, mas de noite qualquer ruido diferente te faz lembrar do filme e te assusta.

    • Ramon Braga

      KKKKKKK Foi exatamente o que aconteceu comigo, aluguei em VHS e assisti em uma tarde, gostei do filme, mas não deu medo nenhum, até a hora de ir para cama…medo do travesseiro cochichar no meu ouvido. kkkkkkk

  5. Alessandra Bastos

    Realmente, é um excelente filme, sou super, hiper, mega fã de filmes de terror, especialmente os que possuem temas relacionados ao paranormal, fantasmas, demônios e outros, e se for baseado em fatos reais, já gamei. A Casa das almas perdidas assisti quando era um carocinho inútil no sofá de casa, desde guria gostava de assistir esses filmes e depois procurava a cama dos pais ou irmãos para dormir… Voltando ao filme, mesmo nos dias de hoje ainda assisto, tenho uma cópia em DVD, não abro mão de filmes antigos, e a melhor cena é quando a família vai acampar para fugir um pouco da casa e um dos espíritos, pois na casa haviam vários, aliás não um espírito mas um demônio os acompanha, e com medo ao retornarem para a casa, parece que está cheia de gente, os vizinhos chegam a chamar a polícia devido aos gritos aterrorizantes que dela ecoam, simplesmente magnífico. Faltava um filme com o mesmo tema chamar atenção, e isso ocorreu em Invocação do Mal, assisti três vezes no cinema, mas confesso que ainda não comprei meu DVD. Também já conhecia os Warren’s, pelo caso de Amityville, e depois com a era da internet, já pesquisava outros casos do casal, tbm acompanho a Lorraine em algumas aparições na série Paranormal State, em que um grupo de pesquisadores paranormais tentam ajudar pessoas que sofrem com problemas envolvendo o paranormal, ela é ótima, sente mesmo as coisas, é incrível sua sensibilidade nessa área. Espero que os próximos filmes sejam do mesmo nível, e se essa mesma turma fizer a refilmagem dos acontecimentos da família Smurls, vai sair sim coisa boa. Abçs

  6. Adam

    Sempre falo desse filme para todos que gostam do gênero. Na antiga Super Cine.

  7. anselmo luiz

    excelente filme apresentando na TV GLOBO por ha anos ,apesar que o filme ja não passa á um bom tempo na TV,Valeu,Marcelo Milici ! pela a lembrança deste pequeno filme de terror que eu particularmente adoro,lançado ha muitos anos em VHS pela ABRIL VIDEO .Obs: espero que nunca refilme ele pois ja basta as porcarias que Hollywood ja fez estragando outros filmes de terror.Fora Remake’s !

  8. vanessa vasconcelos

    é um bom filme apesar de tudo.

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