Críticas

A Casa do Espanto IV (1992)

Uma produção que não acerta a mão, servindo apenas para dar um fim trágico a um personagem amaldiçoado, mas extremamente carismático!

A Casa do Espanto IV (1992)

A Casa do Espanto IV
Original:House IV
Ano:1992•País:EUA
Direção:Lewis Abernathy
Roteiro:Geof Miller, Deirdre Higgins, Jim Wynorski, R.J. Robertson
Produção:Sean S. Cunningham, Debbie Hayn-Cass
Elenco:Terri Treas, William Katt, Scott Burkholder, Denny Dillon, Melissa Clayton, Dabbs Greer, Ned Romero, Ned Bellamy, John Santucci, Paul Keith, Annie O'Donnell, Kevin Goetz

Roger Cobb é um homem amaldiçoado! Outrora escritor famoso e reconhecido, ele ainda guarda na memória a trágica passagem pela Guerra do Vietnã e a contribuição para o sofrimento de um parceiro nas batalhas. Seu inferno pessoal se amplia com o desaparecimento de seu filho na velha morada de sua tia – que se rendeu ao suicídio -, a separação consequente, o bloqueio criativo que o impede de continuar produzindo e os estranhos acontecimentos que rondam suas noites insones. A loucura, associada à influência negativa de sua herança, transporta-o a um universo alternativo, povoado por demônios e assombrações, com a possibilidade de um confronto direto com o seu passado. Apesar de toda essa intempérie, ele consegue encontrar o caminho de volta para casa e para a família. Um final digno para alguém que sofrera tantas perdas, mas sempre se mostrou disposto a vencer os desafios, certo? Seria o correto, se a franquia A Casa do Espanto tivesse se encerrado no divertido longa de 1986. Com os bons rendimentos e algumas doses de picaretagem, foram produzidas duas continuações não relacionadas à mitologia original, lançadas em 1987 e 1989. No entanto, a maldição de Roger Cobb parecia não ter fim.

Jason Voorhees, Michael Myers, Freddy Krueger, e nem os novatos Pinhead e Chucky conseguiam fazer tanto sucesso no início da década de 90, aparecendo em continuações desnecessárias, com poucas alterações em seu conteúdo. Nesse período infértil, chegou às mãos de Sean S. Cunningham um roteiro escrito por quatro pessoas – algo que já não representa um bom sinal – envolvendo uma família sendo assombrada por fantasmas e por mafiosos interessados em comprar a mansão onde ela reside. Com o intento de atrair público e relacionar à franquia de sucesso, Cunningham contratou o astro William Katt, um ator de filmes B e de pontas em séries e longas para a TV, e resolveu resgatar seu personagem mais carismático no gênero fantástico, mesmo que para isso tenha que esquecer a cronologia e os acontecimentos principais do original.

A Casa do Espanto IV (1992) (2)

A Casa do Espanto IV foi lançada em vídeo nos EUA em janeiro de 1992, causando uma certa confusão no público. Na América, nunca houve um terceiro filme, já que o título House III só foi usado em lançamentos pelo mundo do filme The Horror Show. Ainda assim, o trailer fazia questão de estabelecer uma conexão com o original ao exibir cenas com Katt e acrescentar a narração, antes de indicar o número quatro em algarismos romanos: “Roger Cobb está de volta à casa dos pais“. Quem não iria se interessar em vê-lo novamente numa casa assombrada, mesmo que sua participação seja pequena? Foi o que Cunningham imaginou e fez questão de apostar suas fichas, mas esqueceu de ler o roteiro e dar um tratamento melhor ao conteúdo investido.

Se Cobb era um escrito conhecido, tinha esposa e filho no longa de 1986, neste não há nenhuma menção a respeito. Ele agora está casado com Kelly (Terri Treas), tem uma filha adolescente chamada Laurel (Melissa Clayton), e mora na mansão que herdou dos pais, localizada numa região isolada. Sua tranquilidade no local só é abalada pelos interesses de compra da residência por parte de seu meio-irmão Burke (Scott Burkholder) a serviço de uma organização mafiosa cartunesca e seus capangas atrapalhados. Durante um passeio noturno, a família sofre um grave acidente de carro, culminando na morte de Roger e na paraplegia de Lauren – mais uma amostra da maldição de Cobb – mas a tragédia não facilita a venda da casa para Burke, o que o faz apelar para visitas agressivas para conseguir o que quer.

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Agravando os problemas, Kelly passa a ser aterrorizada por eventos sobrenaturais, pesadelos e sustos. Uma gosma preta começa a verter das torneiras, e ela tem uma briga particular com uma pizza, numa das poucas boas cenas da produção. Kelly busca ajuda de um índio, conhecido da família de Cobb, e fica sabendo que a alma de uma pessoa recém-falecida não descansa quando as causas de sua morte envolvem uma morte violenta e sem explicação. Assim, ela precisa decidir se aceita os apelos da filha – que não quer mais viver ali – ou se enfrenta os inimigos vivos enquanto busca meios de facilitar a transição de seu marido para o Além.

Assim como nos demais filmes da franquia, A Casa do Espanto IV também traz cenas de humor. Com exceção do hilário momento “Pizza Man“, as principais sequências de humor envolvem os atrapalhados capangas, com um exagerado estilo “pastelão” para tentar divertir o público. Como destaque em suas participações, eles enfrentam um “cachorro-abajur“, lanças que surgem nas escadas e ainda são confundidos com baratas e cobras. Contudo, estão bem distantes do “demônio-voador e sua espingarda” no primeiro filme, das criaturinhas engraçadas da parte 2 e das referências A Hora do Pesadelo no terceiro exemplar.

Com direção modesta de Lewis Abernathy (quem?), o roteiro de A Casa do Espanto IV foi escrito por Geof Miller (Pânico em Lovers Lane) e Deirdre Higgins, a partir de uma história criada por Jim Wynorski (de produções eróticas para a TV e filmes como Piranhaconda) e R.J. Robertson (Munchie Strikes Back). Várias mãos envolvidas numa produção que não acerta a mão e está bem distante dos demais longas da série, servindo apenas para dar um fim trágico a um personagem amaldiçoado, mas extremamente carismático. Pelo menos, enterrou de vez a franquia e evitou outros espantosos desastres!

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3 Comentários

  1. Tenho esse filme armazenado no meu HD externo tem muito tempo mas ainda não vi e agora que provavelmente não verei mesmo.

  2. Gilson Bloch

    pra mim o pior da série..que desastre.ótimo artigo..

  3. vanessa vasconcelos

    não sabia que esse filme tinha tantas continuações assim.

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