Críticas

Atividade Paranormal 4 (2012)

Atividade Paranormal 4 sofre do mesmo problema de outras parte 4 modernas: não consegue inovar, nem surpreender!

Atividade Paranormal 4 (2012) (1)

Atividade Paranormal 4
Original:Paranormal Activity 4
Ano:2012•País:EUA
Direção:Henry Joost, Ariel Schulman
Roteiro:Christopher Landon, Chad Feehan
Produção:Jason Blum, Oren Peli
Elenco:Katie Featherston, Matt Shively, Stephen Dunham, Kathryn Newton, Sprague Grayden, Alexondra Lee, Brady Allen, Aiden Lovekamp, Sara Mornell, Brendon Eggertsen, Alisha Boe, Brian Boland

Um pequeno filme. É assim que Oren Peli definia Atividade Paranormal, quando teve a ideia de realizá-lo com alguns conhecidos, tendo no bolso apenas $15 mil dólares. Conseguiu vendê-lo para a Paramount/Dreamworks por $350 mil, após uma exibição teste, com as câmeras voltadas para a reação do público. O diretor israelense se surpreendeu com os resultados de seu projeto pessoal, principalmente quando ele foi lançado em 2009 e arrecadou $193 milhões. O sucesso trouxe de volta o subgênero found footage, sendo copiado à exaustão no cinema, e pediu que continuações fossem feitas, tornando a franquia uma das mais lucrativas do novo milênio ao lado de Jogos Mortais, O Senhor dos Anéis, Harry Potter e a Saga Crepúsculo.

Sob os mesmos moldes foi lançado no ano seguinte Atividade Paranormal 2, custando $5 milhões, e adquirindo $177 em sua passagem pelo mundo. A Paramount gostou da ideia e criou até mesmo uma divisão dentro de seu estúdio para produções em micro-orçamento, nascendo assim Filha do Mal (que não conseguiu seguir o caminho da outra franquia, sendo realizado com $1 milhão e lucrando pouco mais de $33). No entanto, ainda existia história para Oren Peli contar, o que significa que um Atividade Paranormal 3 sairia do forno em 2011, custando o mesmo do segundo filme, mas arrecadando pouco mais de $100 milhões. Com ele também seria feito um spin-off japonês, usando a fórmula em outro ambiente, numa resposta oriental ao que os americanos vêm fazendo na última década. Apesar da queda nos valores adquiridos, o terceiro ainda poderia ser considerado um sucesso se levar em conta o custo-benefício, que abriria as portas para um quarto exemplar.

Atividade Paranormal 4 veio com uma grande responsabilidade: igualar ou superar o longa anterior, apontado como um dos melhores da série. O terceiro filme surpreendeu o público ao trabalhar com o subgênero no formato VHS e ao mudar a fórmula no ato final, quando tudo parecia caminhar para mais do mesmo. A plateia, que sempre reagiu com espanto a cada nova produção, esperava as respostas prometidas pelo cartaz e trailer, como se isso fosse necessário. Realmente não era. Se a franquia terminasse no terceiro filme, poderíamos considerar a trilogia interessante, repetitiva, mas no mesmo nível de sustos e diversão. Pode até ser que arrecade valores altos como os demais filmes da série, porém Atividade Paranormal 4 não conseguiu estabelecer seus objetivos, tornando-se apenas uma película boa, sem acrescentar muito a mitologia, nem responder a todas as questões como havia prometido.

A falta de respostas ou a repetição da fórmula, sem superar o anterior, não é o principal problema de Atividade Paranormal 4: o roteiro de Christopher Landon (Atividade Paranormal 3), a partir de uma história de Chad Feehan (Beneath the Dark), é capaz de aborrecer os fãs do gênero e da franquia ao trazer como personagens principais dois adolescentes, sendo que um deles é cheio de tiradas cômicas, o que faz do novo filme uma produção teen “engraçadinha“. Muitos jovens irão se espelhar no casal, como foi a manifestação daqueles presentes da pré-estreia, com risadas e comentários elogiosos e até mesmo aplausos e gritos de euforia com o surgimento dos créditos. Acreditem: o filme é bom, tem a capacidade de fazer os espectadores pularem nos assentos do cinema a cada movimento estranho na frente da câmera, mas não traz grandes novidades e evidencia até mesmo uns furos na trama para os mais atentos.

Atividade Paranormal 4 (2012) (2)

O filme se passa em 2011, cinco anos após os eventos mostrados no fim do segundo, quando Katie (Katie Featherston) sequestrou o pequeno Hunter, depois de assassinar seu companheiro Micah, além dos pais do garoto, Daniel e Kristi. O paradeiro dos dois é desconhecido, embora no filme Atividade Paranormal em Tóquio há uma referência sobre um acidente de trânsito que poderia ter vitimado Katie – embora o acidente tenha ocorrido em 2010 e a Katie estar viva em 2011.

Uma família em Nevada nota que há novos moradores do outro lado da rua, principalmente um garoto esquisito chamado Robbie (Brady Allen), que insiste em aparecer em lugares inusitados sem avisar, uma espécie de Mestre dos Magos. Com seu olhar esbugalhado e a sombrancelha sempre erguida, ele transmite um ar incômodo desde a sua aparição nos trailers, em cenas novamente não utilizadas no filme. Ele tende a ser o Damien (de A Profecia) da produção, numa referência bem-vinda como outras envolvendo O Iluminado (no passeio de bicicleta pela casa) e Poltergeist (com a televisão servindo como comunicação com o Além).

A nova família de cineastas amadores – já percebeu o azar desse demônio que sempre se manifesta em casas vigiadas? A sorte é que as pessoas não costumam assistir as gravações quando elas são importantes – é composta pelo casal em crise Holly (Alexondra Lee) e Doug (Stephen Dunham, falecido recentemente), e pelos filhos, a adolescente bonitinha Alex (Kathryn Newton, de Professora Sem Classe, em trajes que irão animar os pedófilos) e o pequeno Wyatt (Aiden Lovekamp). Alex namora o irritante Ben (Matt Shively, que tinha 22 anos mas fez papel de 15), o alívio cômico da produção, sempre dando apelidos para Robbie ou tentando levar a garota para a cama. É ele que consegue estabelecer um sistema de vigilância constante na casa a partir dos inúmeros notebooks, quando coisas estranhas começam a acontecer.

Assim que a mãe de Robbie é internada por motivos desconhecidos, a família aceita tomar conta do garoto, fio condutor do demônio conhecido como Toby. Aliás, era provável que esse inimigo pudesse ser uma criança também (mas no terceiro filme ficamos sabendo que ele é alto e velho) pois a sua manifestação constante, típicas infantilidades inconsequentes, é que gera as desconfianças, seja espalhando brinquedos pela casa, fazendo barulhos estranhos, chacoalhando lustres ou empurrando uma cadeira. Desta vez não há mordidas, mas pessoas são arremessadas a longa distância e mensagens na parede que dão pistas da identidade de Hunter, a criança desaparecida. Num dos momentos mais tensos da produção, uma faca desaparece diante da câmera, deixando o público apreensivo sobre sua possível volta.

Atividade Paranormal 4 (2012)

O Diabo está na Repetição

Um recurso de iluminação noturna através do X-Box faz a diferença nas gravações, porém não é o suficiente para ser apontado como inovador. Assim, Atividade Paranormal 4 segue a cartilha da série, começando chato, com poucas atividades até o final frenético, com o CGI estragando o estilo produção caseira para impressionar o público. Nada que não tenha sido mostrado antes em outros found footage como The Tunnel e Fenômenos Paranormais, longas menos populares, mas interessantes em suas concepções divertidas.

Katie será a ladra das cenas. Aquela que foi vítima do demônio no primeiro exemplar passa a ser motivo de espanto a cada aparição sinistra, procurando o pequeno Wyatt ou no último ato, capaz de fazer os espectadores saltarem nos assentos do cinema. Esses mesmos saltadores irão esperar respostas absolutas, o Livro das Sombras, mas irão esbarrar em conta-gotas (pouca novidade para a realização de um filme inteiro), mudando as regras do jogo no que você pensava ser o objetivo real do demônio.

***O próximo parágrafo contém detalhes que irão estragar a surpresa daqueles que ainda não viram o filme***

Em Atividade Paranormal, as informações apresentadas deixam evidente que é um demônio que gosta de possuir suas vítimas até levar à morte, como um parasita cujo objetivo é apenas destruir o seu hospedeiro. No segundo filme, o Mal cria inúmeras situações com o propósito de roubar o pequeno Hunter. O garoto foi preparado para algo desde que sua mãe Kristi era criança, depois de participar de uma seita envolvendo bruxaria e riqueza. Tudo indicava que se tratava de um sacrifício para a vinda física desse demônio, apelidado de Toby, mas parece que o garoto será o corpo do vilão, uma espécie de casulo, para uma possessão definitiva, não apenas uma moeda de troca.

Atividade Paranormal 4 (2012) (4)

***Fim dos Spoilers***

Atividade Paranormal 4 sofre do mesmo problema de outras parte 4 modernas, como Premonição 4, Jogos Mortais 4, Piratas do Caribe 4, Alien 4…(com exceção de Pânico 4): o de não conseguir inovar, surpreender. A repetição da fórmula pode até divertir, enganar o público de que se trata de um filmaço, mas é muito pouco para justificar uma passagem pelos cinemas. Como foi dito antes, o filme poderia nem existir se as novidades viessem num curta lançado junto com o DVD da parte três ou um easter egg, um livro, uma HQ…é óbvio que o objetivo é custar pouco e continuar arrastando multidões para acompanhar a série nas telonas. Continuará sendo uma franquia lucrativa, mesmo que o conteúdo apresentado já não surpreenda mais.

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7 Comentários

  1. ruth

    achei o filme mas ou menos pq não entende oque a katie e sei la não tem sentido ..

  2. Thiago Marquers

    Apesar de tudo, a cinesérie: Atividade paranormal, pra mim, ainda é uma das melhores que tem hoje em dia. Apesar de ter preferido 1000x a Terceira, eu acredito que este Quarto, tenha mantido aquilo que o público quer ver apenas: sustos numa sequência chata de dia após dia, para o grande FINAL.
    Apesar de tudo…, é um grande filme!!
    Ps: e depois pra deixar o xbox ligado? rs….

  3. vanessa vasconcelos

    acabei nem vendo este filme depois de ver tanta gente metendo o pau nele,e agora nem sei se quero.

  4. O filme que simplesmente cagou na franquia. Pô, o primeiro filme foi tão legal…

    http://gatosmucky.blogspot.com.br/2012/10/paranormal-activity-4.html

    Abraços.

  5. Apollyon

    Eu não gostei desse filme, achei bobo, principalmente quando fazia aqueles cortes onde mostrava uma cena inútil daquela gúria mexendo no notebook dela, e depois cortava pra ela abrindo o armário e dava um barulho exagerado da porta abrindo (e vi no cinema), e realmente esse filme pode ter sido feito tentando atingir um público adolescente, pois uma prima minha, que na época devia ter uns 14, disse que gostou achou um filme bom (quase cortei a língua dela por blasfêmia). E também vi criança de uns 9 que achou o filme ruim e que não entendia por que aquela gúria ficava levando de um lado o notebook dela, o que por sinal, como a tela ficava na frente dela prejudicaria a visão do que está a frente em um ambiente mais escuro. Eu gostei do terceiro, foi o único, mas depois desse passo até mal de ver trailer no cinema da versão “latina”.

    • Felipe

      Concordo com você prá mim esse filme foi muito tedioso e sem falar na quele final sem graça, dunada aparace um bucado da quelas bruxas de trás da garota prá dar um simples sustos .

  6. Mateus

    Rapaz, eu não levei um susto sequer deste filme. Aliás, achei o filme tão tedioso, que de terror ou suspense não teve nada. A vontade era de avançar só pra saber o final.

    Da franquia, eu gosto bastante do primeiro, acho o segundo uma porcaria e o terceiro bonzinho. Parece que saiu o 5º, que provavelmente não deve ser grande coisa também.

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