Fantasma (1979)

Fantasma (1979)

Fantasma
Original:Phantasm
Ano:1979•País:EUA
Direção:Don Coscarelli
Roteiro:Don Coscarelli
Produção:Dac Coscarelli
Elenco:A. Michael Baldwin, Bill Thornbury, Reggie Bannister, Kathy Lester, Terrie Kalbus, Kenneth V. Jones, Susan Harper, Lynn Eastman-Rossi, David Arntzen, Ralph Richmond, Bill ConeLaura Mann, Mary Ellen Shaw, Angus Scrimm

O período de transição entre as décadas de 70 e 80 foi marcado pelo surgimento de boas obras do gênero terror/suspense/ficção. Mais clara ainda é a divisão das produções deste período, que hoje são classificadas como “marcantes” ou “lixos“. No entanto, vai ser justamente dessa época que surgiu também um tipo de qualificação intermediária para alguns filmes que ficaram conhecidos como “obscuros“. Tais produções são boas, mas têm na falta de recursos a sua maior característica. Lançado em 1979, Fantasma (Phantasm), se enquadra perfeitamente nessas características, de pouca verba, mas com resultados interessantes.

A produção conta a história do jovem Mike, que durante um enterro, depois que todos foram embora, testemunha algo bastante incomum: o coveiro retirando, sozinho, o caixão da cova e levando-o para dentro da funerária. Assustado com o que viu, Mike resolve investigar o lugar, sem ter ideia de que o que se esconde lá pode ser algo sobrenatural e perigoso.

Fantasma foi escrito, produzido, filmado, editado e dirigido pelo norte-americano Don Coscarelli. A participação dele em tantas áreas do projeto já deixa claro que se trata de um projeto independente e quase autoral. Com apenas dois outros filmes no currículo antes de Fantasma, Coscarelli sempre demonstrou que gostava do gênero terror, sendo inclusive grande admirador da obra de George Romero. Mas ao invés de arriscar um projeto com mortos-vivos, Coscarelli resolveu investir em um projeto próprio.

E como quase sempre acontece nesses casos, o processo de pré e de produção foi marcado por pouco dinheiro e muita criatividade para driblar os problemas. O melhor exemplo disso era o estranho cronograma adotado pelo diretor para as filmagens, que sempre aconteciam aos fins de semana, pois como o equipamento era alugado, as câmeras pagas na sexta-feira poderiam ser utilizadas durante todo o fim de semana para que fossem devolvidas apenas na segunda-feira.

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Aliás, a falta de verba é algo claramente perceptível no filme, que possui praticamente três cenários: a casa dos protagonistas, a funerária e um bar esquisitão. A ausência de moradores na cidade também deixa claro que os poucos figurantes não eram pagos, o que levava os envolvidos na produção a recorrer a uma ajudinha familiar para resolver esse problema, chamando parentes e amigos que topassem aparecer de graça em algumas cenas. Os pais do diretor podem ser vistos na sequência do enterro.

Mas não pense que essa falta de dinheiro prejudicou o resultado do filme ou o seu conceito criativo. Pelo contrário, a história é até interessante, a produção possui alguns elementos muito bem desenvolvidos, como a ambientação do filme, que realmente é macabra. A casa que abriga a funerária também causa incômodo, pelo seu formato, repleta de corredores e portas, ou por ter um grande corredor com corpos enterrados em gavetas fúnebres. O filme também opta por uma direção de arte escura, o que ajuda a criar um clima de ameaça e medo.

Contudo, tais elogios não eximem as falhas do filme, que são bem evidentes, em especial no aspecto técnico. Como exemplo máximo, temos a cena do ataque da “abelha assassina” e a transformação da loira esquisitona no coveiro. Tais momentos são tão toscos a ponto de causarem risos.

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Para o elenco, Coscarelli optou – na verdade ele não tinha outra forma – em usar atores desconhecidos, por conseguinte, baratos. Mas a escolha foi apropriada, pois o elenco segura bem o filme, claro que com algum exagero em determinado momento, mas nada que atrapalhe o conjunto da obra. O jovem Mike ganhou vida através do ator Michael Baldwin, que acabou tendo nesse seu papel mais lembrado. Para viver o irmão mais velho dele, Jody, Bill Thornbury foi o escolhido. Apesar de não ter feito mais nada depois de Fantasma, sem contar as sequências, Thornbury é também conhecido por ter feito o drama Sarah T. – Portrait of a Teenage Alcoholic (1975), com Linda Blair. Completa o trio principal o ator Reggie Bannister, no papel do sorveteiro corajoso Reggie.

Mas foi o então veterano Angus Scrimm, que fez o vilão, batizado apenas de Tall Man, Homem Alto, que é um dos grandes acertos do filme. Sinistro, calado, sério e com uma força sobre humana, o Tall Man aparece em poucas cenas, mas chega realmente a impressionar. Merecem destaque também os anões, ajudantes do Tall Man, que usam batas escuras com capuzes e geralmente aparecem em duplas ou trios e fazem estranhos barulhos como animais. Outro ponto positivo são as esferas com ganchos metálicos que voam em direção das pessoas para matá-las.

Após o seu lançamento, Fantasma teve três sequências regulares: Fantasma 2 (Phantasm II, 1988), Fantasma 3 – O Senhor da Morte (Phantasm III – Lord of the Dead, 1994) e Fantasma 4 – O Pesadelo Continua (Phantasm IV – Oblivion, 1998). Todos dirigidos e produzidos pelo Don Coscarelli do filme original e com o trio principal de atores, além, é claro, do Tall Man. Em 2002 uma quinta e última parte havia sido anunciada com o título de “Phantasm’s End“, mas tal projeto nunca chegou a ser concluído e parece ter sido arquivado.

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Apesar das sequências, o original continua imbatível, se é que assim podemos chamar um filme que é considerado por alguns como tosco e fraco. Mas se formos tirar os defeitos, na maioria especiais, da trama e levarmos em consideração a história e a forma como foi contada, Fantasma merece ser conferido ou mesmo revisto, por ter um enredo no mínimo diferente e criativo. Melhor do que muita produção feita em cima apenas de efeitos e nomes de peso da indústria cinematográfica. Para os fãs do gênero, Fantasma já tem um lugar garantido entre os bons filmes já feitos.

Curiosidades:

· Fantasma ganhou o prêmio especial do Festival Avoriaz, na França, em 1979 e foi indicado na categoria Melhor Filme de Horror, da Academia de Filmes de Ficção Científica, Fantasia e Horror, dos EUA, em 1980.

· Fantasma recebeu o título de Noite Macabra quando foi exibido pelas televisões do Brasil.

· Os anões são interpretados por crianças.

· As cenas com as esferas são feitas com um fio de náilon amarrado entre as pontas da parede e dessa forma, a bola metálica vai deslizando.

· Apesar do ator que faz o Tall Man ter 1,88, ele parece bem mais alto no filme, graças a truques de enquadramento de câmera, o que faz com que o ator pareça muito mais alto.

Fantasma (1979) (5)

· O caixão retirado pelo Tall Man é feito de madeira falsa, por isso, leve.

· No final dos créditos, a data apresentada está escrita em algarismo romano: MCMLXXVII (1977).

· O filme teria originalmente três horas de duração, mas o diretor achou que um tempo longo prejudicaria um interesse do público.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista com Mestrando em Comunicação. Fã de Cinema, mas com gosto especial para filmes de Terror. Para ele, o gênero vai muito além de sangue e morte.

8 comentários em “Fantasma (1979)

  • 11/09/2018 em 02:53
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    Cara esse filme deu maior medo,pois quando assistir era criança rsrs.. na minha opiniao foi um bom filme de terror pra quem gosta! e no tempo que foi produzido não tinha tanta tecnologia como hj,mas por isso ficou mais original. depois de muito revi aqui nessa matéria. Era bom fazer o mesmo filme numa nova versao.. claro que tem que fazer jus ao tall man.

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  • 10/03/2018 em 11:50
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    Apesar da produção fraca achei o filme muito criativo e enredo interessante. Assisti todos no extinto intercine.

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  • 15/01/2015 em 02:54
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    gosto muito desse “tipo” de filme obscuro como foi falado, história estranha e criativa assistia sempre que passava na tv tem gente que não gosta mas gosto é gosto né

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  • 26/05/2014 em 06:35
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    É a primeira vez que eu discordo com o número de caveiras , pois esse filme é para mim é muito fraco merecia uma caveira e meia no máximo.

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  • 31/03/2014 em 09:46
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    Revi ontem, e continuo achando uma grande obra, (apesar dos tais defeitos técnicos citados).

    Eu achava que o Angus Scrimm há muito estivesse morto, fiquei feliz por saber que está vivo e tem saúde para fazer um quinto Phantasm!

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  • 27/01/2014 em 04:12
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    Tosco, fraco, bobo, e sem sentido. Não recomendo a ninguém.

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  • 25/01/2014 em 15:52
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    deve ser bem legal ,queria ver,quem sabe depois eu não ache pela net.

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