Críticas

O Chamado (2002)

É um filme de horror intrigante que merece a atenção dos fãs do gênero, com suas reviravoltas, surpresas e sustos!

O Chamado (2002)

O Chamado
Original:The Ring
Ano:2002•País:EUA, Japão
Direção:Gore Verbinski
Roteiro:Ehren Kruger, Kôji Suzuki, Hiroshi Takahashi
Produção:Laurie MacDonald, Walter F. Parkes
Elenco:Naomi Watts, Martin Henderson, Brian Cox, David Dorfman, Jane Alexander, Lindsay Frost, Amber Tamblyn, Rachael Bella, Daveigh Chase, Shannon Cochran, Sandra Thigpen, Richard Lineback, Sasha Barrese, Adam Brody

Ultimamente o cinema de horror tem sido muito bem representado por filmes que tem priorizado explorar os sentimentos sugeridos de medo do ser humano, em vez de apenas apresentar de forma explícita monstros sobrenaturais, assassinos psicopatas tradicionais e banhos de sangue exagerados. Ótimos exemplos dessa bem sucedida linha de ação são os filmes Os Outros (The Others / Los Otros), no melhor estilo casa assombrada, com direção e roteiro do cineasta chileno Alejandro Amenábar, O Pacto dos Lobos (Le Pacte des Loups), produção francesa dirigida por Christophe Gans sobre uma criatura sobrenatural que aterroriza uma aldeia, A Última Profecia
(The Mothman Prophecies), com Richard Gere enfrentando trágicas profecias, e A Mão do Diabo (Frailty), com direção estreante do ótimo ator Bill Paxton (que também atuou), tratando sobre insanidade e o mal interior do Homem. Todos esses filmes foram exibidos em 2002 nos cinemas brasileiros.

Em 31/01/03 estreou oficialmente no Brasil outro filme seguindo esse interessante estilo do cinema de horror, O Chamado (The Ring), um thriller sobrenatural da DreamWorks produzido por Walter F. Parkes e Laurie MacDonald (de Gladiador e Homens de Preto II), dirigido por Gore Verbinski (da comédia A Mexicana) e com roteiro de Ehren Kruger e Scott Frank, baseado em livro homônimo de Koji Suzuki. Kruger escreveu também Pânico 3, a ficção científica Impostor, com história inspirada em obra de Philip K. Dick, e a franquia Transformers.

O filme é na verdade uma refilmagem de um original japonês chamado Ringu, dirigido por Hideo Nakata em 1998 e escrito por Hiroshi Takahashi, e que transformou-se numa trilogia com a produção de outros dois filmes seguintes, Ringu 2 e Ringu 0, sendo este último uma pré-sequência, os quais receberam nos Estados Unidos os títulos The Ring 2 e Ring 0: The Birthday. Outro fato interessante a se notar tem sido também uma tendência atual do cinema americano em refilmar histórias que renderam bons filmes em outros países como já foi o caso do suspense com elementos de ficção científica Vanilla Sky, estrelado por Tom Cruise, que é uma refilmagem do espanhol Abre los Ojos (Preso na Escuridão, 1997), dirigido por Alejandro Amenábar.

O Chamado procura explorar uma lenda urbana mortal, a exibição de um estranho vídeo VHS amador amaldiçoado que provoca a morte de quem o assistiu após exatos 7 dias. Uma repórter, Rachel Keller (Naomi Watts, de King Kong), teve sua sobrinha de dezesseis anos Katy Nurick (Amber Tamblyn) misteriosamente morta, e ao investigar o caso a pedido de sua irmã e mãe da menina, Ruth (Lindsay Frost), percebeu a existência de uma possível relação entre a morte dela e de mais três outros adolescentes (o namorado da garota e mais um casal de amigos), com a suposta maldição de uma fita de vídeo. Ela decidiu então realizar uma investigação pessoal que levou-a a uma pousada nas montanhas conhecida como Shelter Mountain, local onde encontrou o tal vídeo obscuro.

Com imagens produzidas de forma amadora e mostrando cenas aparentemente desconexas com num confuso pesadelo, a fita mostra basicamente a tragédia da família de uma criadora de cavalos, Anna Morgan (Shannon Cochran), que mora numa ilha chamada Moesko, e a relação conturbada entre ela, seu marido Richard (Brian Cox, de A Identidade Bourne) e a misteriosa filha adotiva Samara (Daveigh Chase, de S.Darko), incluindo ainda fatos estranhos como suicídios de cavalos desesperados que se atiravam ao mar.

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Rachel acabou descobrindo realmente a existência da terrível maldição, quando após assistir a fita recebeu um telefonema anônimo informando de sua morte em sete dias. Ela procurou ajuda com seu ex-marido Noah (Martin Henderson, de Códigos de Guerra), que também assistiu a fita e é um especialista em fotografia e tecnologia de vídeo. O filho pequeno do casal, Aidan (David Dorfman), que demonstra possuir uma capacidade extrasensorial de comunicação com os mortos, lembrando os personagens sensitivos dos garotos Haley Joel Osment em O Sexto Sentido(1999) ou Danny Lloyd em O Iluminado (1980), acidentalmente também viu o filme, obrigando seus pais a correrem contra o tempo para descobrir a verdade sobre o macabro vídeo e uma forma de anular o feitiço e salvarem suas vidas.

O roteiro de O Chamado está repleto de reviravoltas, surpresas e informações soltas que propositadamente tem a intenção de criar dúvidas e divergências de interpretações no público, ganhando um interesse especial e obrigando-nos a refletir e imaginar os eventos que envolvem a sinistra história de um vídeo amador amaldiçoado. Detalhes que deverão ficar mais esclarecidos nas continuações que serão filmadas inevitavelmente, já que houve um grande sucesso comercial do filme.
Os maiores destaques certamente são uma sequência tensa envolvendo uma balsa e um cavalo em desespero, e a cena em que um fantasma eletrônico sai literalmente através da imagem de uma televisão para cumprir sua missão de vingança, lembrando situações similares do clássico moderno Poltergeist (1982), de Tobe Hooper.

Como curiosidade existem várias homenagens ao mestre do suspense Alfred Hitchcock, em sequências com referências aos seus filmes clássicos como Psicose (1960), na passagem onde há água escorrendo para o ralo do banheiro quando Rachel está tomando um banho (numa referência à famosa cena do assassinato do chuveiro), ou Janela Indiscreta (1954), através do vizinho de prédio de Rachel, que está assistindo televisão sentado numa poltrona e com uma das pernas quebrada (lembrando o personagem similar de James Stewart, que gostava de observar seus vizinhos com uma luneta).

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Outros fatos curiosos foram o aparecimento rápido de imagens de círculos sutis de tamanhos variados, ao longo do filme, numa referência clara ao símbolo do vídeo amaldiçoado, e a ausência do ator Chris Cooper, que havia filmado algumas cenas como um assassino de crianças e foi cortado na edição final.

A exemplo do que já havia acontecido com o fenômeno A Bruxa de Blair em 1999, foi também criado um interessante marketing pelos produtores utilizando a internet como meio de divulgação, para chamar a atenção do público quanto ao filme e a mitologia que envolve sua terrível lenda urbana. Foram construídos vários sites com produção amadora interligados entre si mostrando depoimentos de pessoas que supostamente tiveram contato com a fita macabra e sofreram as consequências da maldição, ou mesmo pessoas que tinham alguma informação sobre esse mistério, ou ainda mais detalhes da tragédia que se abateu sobre a família Morgan, que serviu de base para o conteúdo da fita de vídeo amaldiçoada.

É interessante notar como a história básica da refilmagem de O Chamado tem certa similaridade com outro filme de horror produzido na mesma época, Medopontocom (Fear dot com), com direção de William Malone, onde seu roteiro é sobre um misterioso site da web que uma vez visitado causa a morte do internauta em 48 horas. Está cada vez mais perigoso navegar pela internet e assistir vídeos amadores obscuros e bizarros…

Dessa vez, os responsáveis pela escolha do título nacional para o filme foram bem sucedidos, já que O Chamado tem uma relação interessante com a história, uma vez que o espectador do vídeo misterioso é chamado para morrer uma semana após assistir as enigmáticas imagens, sendo uma alternativa muito boa para o consagrado título original The Ring (O Anel), que também tem uma forte ligação com a trama numa revelação interessante.Poderíamos até inventar uma frase similar a que foi utilizada para a propaganda original do filme, algo como Antes de morrer, você ouve… O Chamado.

Na equipe técnica da refilmagem americana destaca-se a presença do prestigiado maquiador Rick Baker, um dos melhores profissionais dessa área no mundo cinematográfico atual. Ele foi o responsável por premiados trabalhos em filmes como Grito de Horror (1980), Um Lobisomem Americano em Londres (1981), Homens de Preto (1997), O Grinch (2000), Planeta dos Macacos (2001), e Homens de Preto II (2002), especializando-se em filmes fantásticos e contribuindo de forma decisiva para transformar em realidade vários monstros do cinema. Ele foi o responsável pela famosa e já clássica sequência do bar repleto de alienígenas estranhos no primeiro filme produzido da franquia Star Wars (1977), além de criar o lobisomem do videoclip Thriller do falecido cantor Michael Jackson.

Os produtores de O Chamado já anunciaram a intenção de realizarem uma sequência após o grande sucesso comercial do lançamento do filme, que teve um orçamento de US$ 45 milhões e faturou em pouco tempo o triplo desse valor. Uma das possibilidades para a história do próximo episódio da franquia será a revelação de como a fita maldita foi criada, um mistério que continua obscuro, dando um destaque maior para a assustadora garota de longos cabelos negros Samara, cuja real identidade desconhecemos, sabendo apenas que foi adotada por Anna Morgan.

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O DVD do filme tem como destaque entre o material extra, um vídeo inédito de quinze minutos feito pelo diretor Gore Verbinski revelando detalhes e segredos importantes para um melhor entendimento do mistério que envolve a fita amaldiçoada.

O Chamado é um filme de horror intrigante que merece a atenção dos fãs do gênero, e independente da veracidade da abordagem sobre uma lenda urbana de um vídeo amaldiçoado, sempre é bom lembrar as palavras do garoto sensitivo Aidan, quando preocupado falou para sua mãe sobre o fantasma vingativo de Samara: Você não entende, Rachel? Ela nunca dorme…

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6 Comentários

  1. Henrique

    Um dos poucos casos em que eu considero o remake melhor que o original. Só acho que exageraram um pouco na caracterização da Samara no final.

  2. Giovani

    O filme no geral é bom, porém desde que assisti o filme me pergunto sobre o final, que fazer uma cópia da fita original seria a solução para escapar da “maldição”, essa história que “Samara só queria ser ouvida” não me desceu.

  3. Álvaro Leite

    Ótimo remake, vale muito a pena.

  4. Juninho

    Boa refilmagem mas ainda prefiro o original, muito mais tenso e roteiro melhor

  5. Gustavo

    100000 vezes melhor que o original. Excelente remake.

  6. vanessa vasconcelos

    adorei esse remake.

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