Críticas

Poltergeist, o Fenômeno (1982)

A singela história de uma família perturbada pelo efeito poltergeist ganhou aspectos sensacionais na tela!

Poltergeist (1982)

Poltergeist, o Fenômeno
Original:Poltergeist
Ano:1982•País:EUA
Direção:Tobe Hooper
Roteiro:Steven Spielberg, Michael Grais, Mark Victor
Produção:Frank Marshall, Steven Spielberg
Elenco:JoBeth Williams, Heather O'Rourke, Craig T. Nelson, Beatrice Straight, Dominique Dunne, Oliver Robins, Richard Lawson, Zelda Rubinstein, James Karen, Dirk Blocker

Cinema e televisão sempre viveram uma relação de amor e ódio. Nos Estados Unidos, boa parte dos técnicos que colocaram a televisão em funcionamento vieram do cinema (no Brasil, os técnicos, incluindo roteiristas, apresentadores e artistas, foram recrutados da rádio). Na metade dos anos 50 para frente, o cinema começou a sentir a competição com a televisão ao perder grande parte do seu público e, tentando inverter este quadro, procurou inovar tecnicamente, como foi o caso da invenção do CinemaScope. Alfred Hitchcock comandaria um programa de suspense na televisão, tornando-se o diretor mais rico da época, ensinando cinema para a televisão e aprendendo televisão para o cinema – seu clássico Psicose (Psycho, 1960) teve a sua maior parte filmado por equipes de televisão. Mas, normalmente, a relação cinema/televisão é de conflito, não de troca.

Uma das mais ácida críticas à televisão surgiu no início da década de 80, por um dos “garotos de ouro” de Hollywood, Steven Spielberg, com o filme Poltergeist, o Fenômeno (Poltergeist, 1982). A singela história de uma família perturbada pelo efeito poltergeist (que traz para a realidade seres do outro mundo) ganhou aspectos sensacionais na tela.

O diretor Tobe Hopper, famoso pelo antológico O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre), foi obscurecido pela presença de Spielberg (argumentista, roteirista e produtor), que deu o tom do filme: o contraste entre a vida pacata de uma típica família norte-americana e os horrores escondidos sobre ela (muitas das críticas ao filme partem justamente deste aspecto “família unida pode vencer todos os obstáculos“, que é comum em Spielberg, mas raro em Hopper), entre a bela paisagem e o seu subterrâneo negro (as belas casas da vila onde moram os personagens foram construídas sobre um cemitério indígena, onde foi removido apenas as lápides e não os corpos), entre a inocência das crianças e o Mal.

Poltergeist (1982) (5)

Os efeitos especiais, criados pela Industrial Light & Magic, impressionaram na época e, ainda hoje, décadas depois, são bastante eficientes, misturando-se perfeitamente (e com rara eficiência) com o roteiro e o suspense. A família é perfeita, em particular a menininha loira (Heather O’Rourke, que morreria de uma doença estranha depois de filmar Poltergeist 3, o Capítulo Final), que liga diretamente o público ao filme através da sua beleza e encantos angelicais sempre ameaçados terrivelmente por fantasmas.

Como é que os espíritos penetravam na casa e tomaram conta da menininha? Através do eletrodoméstico mais valorizado no século XX, a televisão. Os espíritos surgem, não aterrorizando, mas seduzindo, como num dos inúmeros programas de televisão. A beleza construída pelos espíritos para seduzir esconde o horror, como a televisão normalmente o faz: a beleza construída pelo meio é para seduzir, sim, mas também é para esconder o grande horror das mazelas sociais da vida dos telespectadores.

O filme apresenta a crítica, mas não condena totalmente as condições – afinal de contas, como desprezar um fenômeno tão expressivo como a televisão? Vamos viver com ela, gostando ou não da sua existência. Mas o filme sugere que é necessário encontrar formas de convívio com a televisão que não resultem no bloqueio intelectual, ou seja, é necessário sempre manter um diálogo do intelecto com o mundo e também com a própria televisão, que, quase sempre, procura criar apenas uma relação hipnótica sobre o telespectador, como podemos verificar na maior parte das pessoas que assistem certos programas.

Esta hipnose promovida pela televisão é o verdadeiro – e, caso não apresente uma seleção maior por parte do telespectador, invencível – terror.

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5 Comentários

  1. Hierofante1970

    Esse palhaço maldito me causa calafrios até hoje brrrrrrrrrrrrrrr.

  2. Jeferson

    O filme tem 32 anos, como que na critica fala que tem 18 anos? Copiaram de algum lugar? rs

    • Atualizei o texto, Jeferson! Foi publicado na primeira versão do site.

      Abraços

  3. vanessa vasconcelos

    filmaço,muito legal . e muito triste o destino de alguns atores desse filme na vida real,principalmente da menininha protagonista.

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