Críticas

Rose Red – A Casa Adormecida (2002)

Mesmo sem ser um clássico mostra-se como um bom representante do gênero principalmente por abordar, de forma criativa, um tema já desgastado

Rose Red (2002)

Rose Red - A Casa Adormecida
Original:Rose Red
Ano:2002•País:EUA, Canadá
Direção:Craig R. Baxley
Roteiro:Stephen King
Produção:Thomas H. Brodek, Robert F. Phillips
Elenco:Nancy Travis, Matt Keeslar, Kimberly J. Brown,David Dukes, Judith Ivey, Melanie Lynskey, Matt Ross, Julian Sands, Kevin Tighe, Julia Campbell, Emily Deschanel

Existem alguns projetos que, quando são anunciados, fazem à alegria de qualquer fã e provavelmente foi isso que aconteceu no final dos anos 90 quando foi divulgado que o diretor Steven Spielberg e o escritor Stephen King fariam, juntos, um projeto cinematográfico. A ideia era de realizar o filme mais assustador com o tema das casas assombradas, e,  com o envolvimento da dupla, a expectativa era das melhores, uma vez que King iria criar a história, enquanto Spielberg ficaria responsável por dar vida a mesma, como diretor e / ou produtor. De acordo com o escritor, foi o próprio cineasta quem o procurou com a ideia de trabalharem juntos. No entanto, como o roteiro demorou para ficar pronto, o criador de ET (1982) não pôde esperar, pois precisava assumir outros compromissos, terminando com a alegria dos fãs.

Spielberg participou então como produtor-executivo (não creditado) do desastroso A Casa Amaldiçoada (The Hauting,1999), uma bomba cinematográfica dirigida por Jan de Bont (Velocidade Máxima, 1994), que nada mais é do que uma série de péssimos efeitos especiais dentro de um roteiro inexistente. Em matéria de medo, o filme é um verdadeiro fiasco, além de ter utilizado os nomes dos atores Lian Neeson e Catherine Zeta-Jones para vender o produto. Diz a lenda que o próprio Spielberg dirigiu algumas cenas, mas prevendo que o resultado final ficaria ruim, passou o cargo para Bont. Claro que tal informação nunca foi confirmada, mas vendo o filme, ela é facilmente compreendida.

Logo após esse desastre cinematográfico, foi a vez de King colocar em prática o seu projeto e para isso aproveitou as ideias feitas para a finada parceria com Spielberg. O trabalho, batizado de Rose Red – A Casa Adormecida (Rose Red, 2002), foi vendido para ser uma série de televisão, produzida pela ABC sendo posteriormente lançada em VHS e DVD e que, mesmo com algumas falhas, merece ser conferida por ter um enredo interessante e que evita a banalização da história apenas por efeitos especiais.

Rose Red (2002) (1)

Rose Red é uma gigantesca mansão construída no começo do século XX e que é considerada assombrada e perigosa desde que alguns pedreiros morreram de forma trágica durante a construção do local, assim como moradores que desapareceram misteriosamente. Fechada, a casa permanece em silêncio e sem manifestações fantasmagóricas até que Joyce (Nancy Travis), que trabalha com parapsicologia, decide fazer um estudo sobre a velha propriedade. Para isso, ela contrata um grupo de paranormais, cada um com uma habilidade específica, para explorar o lugar em busca de provas que possam confirmar a existência de espíritos no local. Claro que o plano não vai ser tão simples e um verdadeiro festival de coisas estranhas começa a acontecer mostrando que Rose Red é um caso que vai muito além de portas que batem ou barulhos de passos vindos do escuro.

É dentro desse terreno tão batido e explorado como o das casas mal assombradas que Rose Red vai ganhar destaque por apresentar uma trama voltada para o sobrenatural e capaz de apresentar momentos de suspense durante o desenrolar da história. Por ser um trabalho feito para televisão, no caso uma mini-série dividida em capítulos e totalizando 255 minutos, a narrativa percorre um caminho diferente das duas horas de projeção dos filmes tradicionais oferecendo maiores possibilidades tanto de desenvolvimento da trama, como dos personagens e enredos paralelos.

Grande parte deste bom resultado se deve ao fato de Rose Red ter sido escrita por King diretamente para ser uma série de televisão, diferente do restante das suas obras que é lançada como livro ou conto para depois, pelas mãos de terceiros, ganhar as telas em resultados duvidosos, com poucas exceções. Em Rose Red, o escritor consegue prender a atenção do público na medida em que o mistério vai ganhando maiores proporções e membros do elenco começam a desaparecer. A direção ficou por conta de Craig R. Baxley, responsável pela excelente adaptação para a TV de A Tempestade do Século (Storm of the Century, 1999) e que parece entender perfeitamente os significados dos textos de King ao transformá-los em imagens.

Um dos destaques de Rose Red é a própria construção que dá título ao projeto. Semelhante a um hotel antigo com toques de castelo, a propriedade é por si só bastante sinistra e o melhor (pior para os personagens) é o tamanho da mansão, tão grande que obriga os visitantes a usarem um mapa para percorrerem os cômodos em segurança. Fãs dos trabalhos de King vão associar Rose Red ao sinistro hotel de O Iluminado (The Shining, 1980), embora a arquitetura de ambos seja completamente diferente, a sensação de medo e prisão dentro dos prédios é quase a mesma. Quando exibido, Rose Red concorreu ao Academy of Science Fiction, Fantasy & Horror Films, na categoria Melhor Série de Televisão; ao Emmy, por Direção de Arte; ao International Horror Guild, por Trabalho Feito para Televisão; entre outros. O projeto ganhou, um ano depois, uma pré-seqüência chamada The Diary of Ellen Rimbauer, que conta os mistérios de Rose Red durante e logo após a sua construção.

Rose Red (2002) (1)

Claro que, como mini-série para televisão, o produto final acaba gerando alguns pontos negativos, como os sofríveis efeitos especiais, que dificilmente conseguem impressionar, a não ser pela mediocridade dos mesmos. A boa notícia é que Rose Red é um projeto apoiado no roteiro e nesse quesito, mesmo com alguns deslizes, a narrativa transcorre sem maiores problemas até a conclusão da trama. O elenco não atrapalha, como é bem comum em produções do gênero e os personagens são interessantes e fáceis de despertarem a simpatia do público.

Talvez o principal problema de Rose Red seja o formato que ele venha a receber quando é exibido por canais de televisão como um filme e não como série dividida em capítulos. Não que a ação com 255 minutos seja chata para ser vista sem interrupção, mas algumas redes de TV resolvem fazer uma edição própria e acabam por mutilar a produção para que ela se encaixe na programação diária o que resulta em cortes bruscos de momentos importantes do enredo ou seqüências de suspense. O que é uma pena, pois Rose Red, mesmo sem ser um clássico, se mostra como um bom representante do gênero, principalmente por abordar, de forma criativa, um tema já tão trabalhado pelo cinema.

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10 Comentários

  1. Reinaldo

    O pior do filme, mesmo tendo vários pontos negativos, foi essa atriz Nancy Travis, jesus, q merda de atuação foi essa, vc fica sem saber se ela é cética ou se ela acredita nos fenômenos que ela presencia, além das péssimas expressões dela, pior escolha do filme!

  2. Mayara

    Esse filme é sensacional. Assisti em 2002 e de tempos em tempos o revejo. Os efeitos são realmente sofríveis, mas isso nunca atrapalhou a experiência. Acho uma direção super decente que, como o autor do texto bem disse, capta a essência das obras de Stephen King. Quem lê seus livros sabe disso. O próprio Iluminado, de Kubrick, por mais q seja um clássico, passa longe de transmitir a essência dos bons livros de King, pelo menos pra mim.
    Rose Red é com certeza um dos meus filmes preferidos do gênero e eu gostaria mto que tb tivesse sido lançado no formato livro.

  3. já vi esse filme no SBT e não gostei!!

  4. Gustavo

    Um dos melhores filmes de suspense/Terror que ja assisti,, Bom òtimo… assisti a uns 10 anos atras e sempre que assisto eu achoo fantástico nota 10

  5. Ricardo

    Vi esse filme há uns 10 anos atrás e, quando vi o artigo aqui no site, fui OBRIGADO a comentar: É UM DOS PIORES FILMES QUE JÁ ASSISTI EM TODA A MINHA VIDA.

  6. Cristina

    Muito ruim!

  7. Vinnícius

    É um ótimo remédio para insônia, pode ter certeza. Tive q assisti quatro vezes para concluir porque nas três primeiras eu dormi durante o filme. A história enrola muito, não há sustos e ação se concentra no final q nem é lá essas coisas. Poderia passar perfeitamente na Sessão da Tarde. Sem impacto, nem terror, nem suspense; acredito q nem mesmo a obra literária deva ser conferida.

    • Helena

      NÃO TEM OBRA LITERÁRIA, não leu o texto?

  8. vanessa vasconcelos

    só os péssimos efeitos especiais que eu não gostei,mas é divertidinho,sem falar que leva o nome do Stephen King.

  9. black madruga

    vi e não curti.

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