Críticas

All the Colors of the Dark (1972)

Martino conduz o espectador por caminhos povoados por imagens de erotismo quase mórbido e de violência desenfreada!

All the Colors of the Dark (1972)

All the Colors of the Dark
Original:Tutti i colori del buio
Ano:1972•País:Itália, Espanha
Direção:Sergio Martino
Roteiro:Ernesto Gastaldi, Santiago Moncada, Sauro Scavolini
Produção:Mino Loy, Luciano Martino
Elenco:George Hilton, Edwige Fenech, Ivan Rassimov, Julián Ugarte, George Rigaud, Maria Cumani Quasimodo, Nieves Navarro, Marina Malfatti, Luciano Pigozzi, Dominique Boschero

Sergio Martino dirigiu em 1972 um filme único dentro do universo dos filmes gialli: All the Colors of the Dark aka Tutti i Colori del Buio. Ambientado em Londres e protagonizado pela atriz Edwige Fenech, cunhada do diretor e muito famosa por protagonizar vários filmes desse subgênero, como por exemplo: Perche Quelle Strano Gocce Di Sangue Sul Corpo di Jennifer? aka The Case of the Bloody Iris, 1972, dirigido por Giuliano Carnimeo e Nude Per L’Assassino aka Strip Nude for your Killer, 1975, dirigido por Andrea Bianchi.

Sem esquecer da participação de Fenech em diversas e cultuadas comédias eróticas produzidas na Itália do final dos anos 60 até o final dos 70 como: Ubalda Tutta Nuda Tutta Calda, 1972, de Mariano Laurenti, a série erótica La Poliziotta fa Carriera, iniciada em 1975 e numa incursão do Mestre do Horror Extremo Italiano, Lucio Fulci, no cinema erótico em La Pretora, 1976, onde Fenech aparece em cenas mais explícitas, frontais, de nudez. Essas comédias eróticas produzidas na Itália desse período, e que tinham um forte apelo popular, foram uma das grandes influências para a produção das denominadas “Pornochanchadas” brasileiras.

All the Colors of the Dark (1972) (1)

A trama central é simples aparentemente: uma mulher frígida e traumatizada por pesadelos é perseguida por um homem misterioso na Londres do início dos anos 70 e, auxiliada por uma amiga, tenta se curar dos traumas frequentando um culto misterioso. Em Tutti i Colori Del Buio, a direção de fotografia foi criada pela dupla Miguel Fernandez Mila e Giancarlo Ferrando, e a de Arte ficou a cargo de Cubero Galícia, muito sofisticadas, detalhe presente na produção cinematográfica italiana de um modo geral, em especial no Cinema de Horror, por mais modesta que fosse a película. Mais uma vez, os temas da psicodelia se fazem presentes nos delírios da frígida protagonista, Jane, acrescentando ao filme um tema muito em alta na época, o ocultismo. A trama é protagonizada e tem suas principais ações desencadeadas por uma mulher. O tema da repressão/frigidez é solucionado em um ritual de satanismo cujas alusões ao LSD e ao sangue se misturam à prática do amor livre como ato de libertação. O sacerdote do tal culto fala da liberdade ligada ao ato de beber o sangue com simbolismo alucinógino. “Drink this, and you will be free…” (“Beba isto e vocês se tornarão livres”), diz o bizarro sacerdote estendendo um cálice dourado para Jane e sob o olhar de um grupo de discípulos quase em transe. Nesse clima de delírio, Martino conduz essa mulher por caminhos que se tornam labirintos até sua libertação final, originada por sua vontade própria e sua coragem. As imagens dos sonhos de Jane, envolvendo um homem de olhos azuis com uma faca golpeando figuras femininas, são um dos grandes momentos dessa história de mistério com muitos elementos de horror.

As locações escolhidas pela produção são excelentes. Os parques, o campo, o prédio onde Jane vive com o marido Richard, o castelo onde se realiza o Culto Satânico, o elevador que lembra o de Profondo Rosso, tudo auxilia na construção de um grande filme giallo, com todos os seus elementos acentuados tanto pelo roteiro como pela direção de Martino, que cria atmosferas muito densas de suspense, como nas cenas da casa de campo, onde Jane é perseguida por um misterioso assassino pelos corredores da tal casa e pelos bosques que a cercam. Cada vez mais fica intrincado o mistério do filme. Quem é o misterioso homem de olhos azuis? Por que ele persegue Jane? A cada sequência o mistério, mesclado pelo delírio se misturam e aumentam de intensidade. Mas as sequências do ritual e os elementos de paganismo ligado a sexualidade, a nudez e o sangue, dão o tom da história. Os cenários do ritual e o trabalho de câmera criam uma atmosfera muito singular e eficiente.

All the Colors of the Dark (1972) (3)

Enquanto Jane passa o filme atormentada pela misteriosa figura do homem de olhos azuis que a persegue, muitas cenas de nudez surgem. Uma delas é muito significativa mostrando a protagonista nua diante de três espelhos que triplicam sua imagem, mostrando suas ambiguidades e os fragmentos do mistério que a envolve e que estão ligados diretamente ao tal Culto Satanista. A trilha sonora de Bruno Nicolai é excelente e mescla elementos psicodélicos com climas tensos e de forte efeito dramático.

Assim como em seu outro filme giallo famoso: Torsom aka I Corpi Presentano Trace di Violenza Carbale, Martino conduz o espectador por caminhos povoados por imagens de erotismo quase mórbido e de violência desenfreada, tendo como desfecho o ato de libertação de duas figuras inseridas no gênero feminino. São filmes sobre mulheres, e muito mais, conduzidos por elas.

All the Colors of the Dark (1972) (4)

As presenças masculinas de All the Colors of The Dark são interpretadas por dois atores populares em vários subgêneros do Horror Cinematográfico Italiano como: George Hilton, no papel de Richard, que aparece nos gialli Il Baco da Seta, 1973, dirigido por Mario Sequi; e L’Assassino e Costretto ad Uccidere Ancora, 1975, dirigido por Luigi Cozzi, além de Ivan Rassimov, que protagonizou o popular giallo de 1974, Spasmo, dirigido por Umberto Lenzi e que ainda conta com a participação de Suzy Kendall. Sem esquecer das participações de Rassimov em diversos filmes italianos sobre canibais, como por exemplo: Deep River Savages aka Mundo Canibal, Il Paese Del Sesso Selvaggiom, 1972, dirigido por Umberto Lenzi. O roteiro de Tutti i Colori del Buio foi escrito por Ernesto Gastaldi, que colaborou em várias produções desse subgênero fascinante dos filmes gialli, um subgênero tipicamente italiano.

Leia também:

2 Comentários

  1. vanessa vasconcelos

    interessante….

    • Walter Gomes

      Muito bom o seu comentário, o qual me fez baixar e assistir o filme!

      Gosto de bons críticos de cinema!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *