Críticas

As Bodas de Satã (1968)

Traz o que a Hammer tem de melhor: a atmosfera e a teatralidade, porém com um toque de criação que o destaca de ser uma mera produção gótica

As Bodas de Satã (1968)

As Bodas de Satã
Original:The Devil Rides Out
Ano:1968•País:UK
Direção:Terence Fisher
Roteiro:Richard Matheson, Dennis Wheatley
Produção:Russell Waters
Elenco:Christopher Lee, Charles Gray, Nike Arrighi, Leon Greene, Patrick Mower, Gwen Ffrangcon Davies, Sarah Lawson, Paul Eddington, Rosalyn Landor, Russell Waters

O ano de 1968 para o cinema de horror foi marcado por uma virada muito significativa no gênero, principalmente motivada por duas produções, O Bebê de Rosemary, de Roman Polanski, e A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero. Cada filme com suas próprias características, ambos obliteraram qualquer inocência que havia no terror gótico (subgênero predominante até então) e trabalharam com o medo de ameaças inexplicáveis que apenas sabemos que está lá e a qualquer momento podem nos ferir.

Em 1968 a Hammer Film também lançou um trabalho que tenta uma guinada nesta direção com As Bodas de Satã e, apesar de não se desgrudar de alguns elementos que são característicos de suas produções, chama a atenção por ser uma das primeiras produções a aproveitar a baixa da censura britânica e tratar de magia negra e satanismo.

O filme surgiu em 1963 quando sua principal estrela, Christopher Lee, sugeriu a Hammer a adaptação do livro The Devil Rides Out, de Dennis Wheatley (publicado pela primeira vez em 1934). Anos mais tarde, quando a oportunidade surgiu em 1967, a produtora pegou grandes nomes de seu casting para a realização: chamou o autor Richard Matheson (O Incrível Homem que Encolheu, Eu Sou a Lenda) para roteirizar a adaptação, Terence Fisher (O Vampiro da Noite, O Cão dos Baskervilles) para a direção, Arthur Grant (Sangue no Sarcófago da Múmia, Epidemia de Zumbis) na fotografia e no elenco encabeçado pelo próprio Christopher Lee e Charles Gray (007 – Os Diamantes São Eternos).

As Bodas de Satã (1968) (2)

A história se passa no interior do Reino Unido do final dos anos 20 onde o Duque de Richleau, Nicholas (Lee), acompanhado por Rex van Ryn (Leon Greene), viaja para visitar o jovem Simon (Patrick Mower). Não demora muito e o Duque descobre que seu protegido caiu sobre a influência de um culto satânico liderado pelo poderoso Mocata (Charles Gray).

Simon desaparece, e Nicholas (que tem sua cota de conhecimento de magia negra, praticamente um Winchester, de Supernatural) e Rex usam uma jovem iniciada no culto de Mocata chamada Tanith (Nike Arrighti) para procurar o rapaz. A única coisa que se sabe é que o tempo é curto, pois Mocata pretende realizar uma missa negra para batizar tanto Simon quanto Tanith, sob os olhos de Baphomet invocado (uma impressionante figura meio homem, meio bode, bastante ousado para a época). Quase na última hora, a alma de Simon é salva quando Nicholas e Rex invadem de carro a cerimônia realizada na mata, quase atropelando os asseclas de Mocata.

Porém a batalha somente começou, pois Mocata não desistiu de seus objetivos e usará todas as suas cartas ocultas na manga e seu poder para atrair novamente Simon e Tanith para o lado das trevas e fazer com que um Anjo da Morte leve todos os que ficarem em seu caminho.

O filme trás o que a Hammer tem de melhor: a atmosfera e a teatralidade, porém com um toque de criação que o destaca de ser uma mera produção gótica, o flerte com o satanismo e com figuras impactantes que deveriam chocar as audiências europeias na época, acostumadas a ver um outro tipo de filme da produtora (apesar da pouca violência, sangue e nenhuma nudez).

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O elenco ajuda muito a passar esta boa impressão. Lee que – salvo engano – está em seu único papel na Hammer como mocinho interpreta com bastante empolgação seu Conde e é acompanhado páreo a páreo com Charles Gray e seu maligno Mocata. Um duelo de gigantes, como versões satânicas de Van Helsing e Drácula. Os demais coadjuvantes não são ruins, porém não chegam nem próximo da dupla principal.

Os problemas residem nos valores de produção, que envelheceu muito mal (com exceção a aparição de Baphomet e do Anjo da Morte): o figurino dos membros do culto, por exemplo, parece um desfile de carnaval com suas túnicas brilhantes roxas chamativas. Pela duração da película parece que poderia perder uns bons 10 minutos de enrolação no ato final, porém, ainda assim, é um filme onde só a interpretação inspirada de Lee já vale todo o esforço.

As Bodas de Satã pode ser encontrado num DVD pelado, nu com a mão no bolso, lançado pela distribuidora Cult Classic (que tem uma imagem meio lavada e opaca que prejudica um pouco a experiência) ou aos aventureiros das línguas estrangeiras podem encontrar no DVD americano ou no britânico lançado pela Anchor Bay, um porto seguro: áudio remixado em 5.1, trailers, spots e comentários dos atores Christopher Lee e Sarah Lawson.

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3 Comentários

  1. Fabio Rodriguez

    Vi esse filme recentemente, e tem uma cena em especial que quase me fez cagar de medo. (A aparição de uma entidade demoníaca interpretada por um homem negro.)

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