Críticas

Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras (2000)

É quase um exercício de desconstrução da obra original substituindo seus elementos funcionais por camadas de clichês e mais clichês!

Bruxa de Blair 2 (2000)

Bruxa de Blair 2 - O Livro das Sombras
Original:Book of Shadows: Blair Witch 2
Ano:2000•País:EUA
Direção:Joe Berlinger
Roteiro:Daniel Myrick, Eduardo Sánchez, Dick Beebe, Joe Berlinger
Produção:Bill Carraro
Elenco:Stephen Barker Turner, Erica Leerhsen, Kim Director, Erik Jensen, Kevin Murray, Lauren Hulsey, Richard Kirkwood, Raynor Scheine, Kennen Sisco

Assistir ao filme A Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras é uma experiência no mínimo curiosa. A obra original foi lançada em 1998 com uma eficiente mistura de found footage com um suspense claustrofóbico extremamente bem construído. Qual fã de filmes de terror não se lembra da história dos três estudantes de cinema Heather, Josh e Michael que foram filmar uma documentário sobre a lenda da Bruxa de Blair em Maryland e nunca mais foram vistos.

As fitas contendo o material gravado teriam sido encontradas cerca de um ano depois trazendo o que seriam as últimas horas do trio. Sem mortes, sem sangue e sem trilha sonora, fomos apresentados a provavelmente a obra mais impactante da década de 1990 e que hoje figura ao lado de clássicos do gênero. Com uma eficiente campanha publicitária, várias cidades do mundo, inclusive brasileiras, receberam cartazes de procura-se com a foto do trio então desaparecido, o que fez muita gente pensar que o que se via nas telas era real. Para completar, A Bruxa de Blair tem um dos finais mais emblemáticos e impactantes dentro do gênero.

Curiosamente tantos pontos positivos também traziam algo de negativo de modo que logo surgiram notícias de uma sequência. Dirigido por Joe Berlinger, mais conhecido por documentários de bandas como Metallica e Rolling Stones, A Bruxa de Blair 2 chegou aos cinemas no ano 2000. Com uma campanha publicitária de ser mais assustador do que o primeiro, o filme realmente entrou para a história, mas por ter sido um fracasso de público e crítica e principalmente por ter ido contra tudo o que havia sido visto na obra original.

Bruxa de Blair 2 (2000) (1)

Assistido de forma isolada, o filme de Berlinger não é uma tragédia completa. Tem até alguns (poucos) momentos interessantes. No entanto, de forma comparativa, A Bruxa de Blair 2 destoa completamente do primeiro filme. Isto acontece pelo fato de quando a sequência foi lançada, a trama original já estava consolidada como sucesso de público e crítica, o que tornou ainda mais difícil a concepção de uma parte 2 que mantivesse a essência do original. A verdade é que algumas obras fílmicas são únicas e sem a necessidade de sequências. O final de A Bruxa de Blair, mesmo inconcluso, fechava o ciclo proposto pelos roteiristas e diretores originais Daniel Myrick e Eduardo Sánchez.

E no caso de A Bruxa de Blair 2, além de tudo, temos um roteiro fraco, que não consegue prender a atenção do público e insiste em um suspense que não existe. Pior, o novo filme pega tudo o que foi evitado no primeiro filme e usa em abundancia nesta parte 2. Dos diálogos para as situações clichês. Entre as pérolas do roteiro, uma das personagens solta a frase de que não acredita como os personagens do primeiro filme ficaram na floresta alguns dias e não fizeram sexo. Acreditem ou não, mas este foi um dos elementos que ajudou no sucesso do primeiro filme, afinal já era lugar comum ter cenas de sexo em filmes de terror.

A Bruxa de Blair 2, gravado no tradicional formato de 33 mm e sem a estética found footage, começa de forma até interessante ao admitir que o que foi visto no primeiro filme foi verdade e que o trio de estudantes nunca foi encontrado, mas as suas fitas sim. Até algumas imagens do original são mostradas. Sendo assim, a área florestal na qual a ação da trama original acontece vira atração turística e todo mundo corre para lá com uma câmera atrás de provas da tal bruxa. Entre os desocupados está Jeff, que decide lucrar com a fama instantânea da cidade vendendo camisetas, bonés e até gravetos amarrados.

Bruxa de Blair 2 (2000) (2)

Para aumentar a gama de produtos oferecidos, Jeff decide criar uma excursão ao local onde foram achadas as fitas de Heather, Josh e Michael. Seus clientes são a bruxa Erica Leerhsen, o casal Tristen Skyler e Stephen Barker Turner que está estudando o fenômeno da bruxa de Blair e a gótica Kim Director. Com diálogos que beiram ao ridículo, eles logos começam a beber, falar besteiras e claro, tirar a roupa e transar. No dia seguinte, ninguém se lembra do que aconteceu na floresta e coisas estranhas começam a acontecer.

Se a premissa já soa fraca, o que vem depois é pior ainda já que a trama simplesmente emperra em um roteiro que simplesmente não sai do canto com uma história mais do que óbvia. A estética amadora dentro da ideia de um documentário do primeiro filme desapareceu, decepcionando muito dos fãs do primeiro filme. O horror teen fraco toma conta da película com destaque para adultos interpretando adolescentes correndo, gritando e claro, transando. E como não falar do elenco? Heather, Josh e Michael estavam muito bem no original, enquanto o novo cast poderia estar em Malhação ou Rebelde.

As comparações não terminam por aqui. A fotografia noturna do primeiro filme era um dos pontos altos de forma que a chegada da noite já representava um sentimento de medo por parte da público. Este aspecto não foi mantido no segundo, com uma fotografia fraca e que não tem nenhuma funcionalidade. E o que falar do som, quando a ausência deste significava pânico para os personagens que escutavam assustadores sons de crianças chorando no meio da floresta. Aqui, tudo é resumido a gritaria e trilha sonora exagerada. Aliás, a cena de abertura do filme já traz uma música de Marilin Manson em alto e bom som.

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De volta ao parágrafo inicial deste texto, a justificativa de pontuar A Bruxa de Blair 2 como uma experiência fílmica curiosa se dá justamente por esta parte 2 ir contra todos os elementos que fizeram do original um sucesso sem precedentes. É quase um exercício de desconstrução da obra original substituindo seus elementos funcionais por camadas de clichês e mais clichês. Se estivéssemos falando de um filme qualquer, até que a obra de Berlinger passaria sem maiores problemas. Receberia críticas negativas do mesmo jeito, não seria sucesso e logo cairia no esquecimento. Mas o fato de levar o título A Bruxa de Blair 2 piora a reação de quem está assistindo à película. Desta forma, a melhor parte deste segundo filme é justamente no começo, quando vemos rapidamente as imagens do original com Heather e cia.

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17 Comentários

  1. Vi no cinema e não achei tão ruim assim.Pelo desfecho do primeiro,foi difícil bolar algo relativo tão rápido.Isso foi feito com o terceiro filme lançado no ano passado.Adoro a franquia, que é charmosa e por que não, assustadora.

  2. ViniciusGandolfi

    Assisti, achei legalzinho, mas não entendi o motivo do subtítulo ”O Livro das Sombras”. Parece que criaram um outro roteiro em que esse livro seria a peça-chave, mas jogaram ela fora e criaram esse novo, mas esqueceram de mudar o título.

    • Oi, Vinícius! Tudo bem?

      Segundo a Wicca, o Livro das Sombras é o livro usado pelas bruxas para guardar seus feitiços, rituais, ou seja, traz os segredos da bruxa. Assim, essa continuação tem esse título porque a intenção seria mostrar como a bruxa do primeiro filme matava, contar seus segredos. Em outras palavras, poderia chamar o filme de Bruxa de Blair 2 – Modus Operandi.

      Abs

  3. Renan dos Santos Celestino

    Quem diria esse filme acaba sendo mil vezes melhor que essa bomba de 2016

  4. Juninho

    Muito ruim mesmo. Curiosamente eu tenho o dvd mas só porque eu queria o filme Hellraiser 4. Ele estão no mesmo disco

  5. Paulinha

    O primeiro é um lixo e essa sequência é um lixo maior ainda!!!!!!

  6. Caio Fernandes

    Péssimo texto! Sem coerência no gênero das palavras e repetição exagerada das mesmas coisas! Erros grotescos! Favor prestar mais atenção. Esse site merece textos mais bem escritos.

  7. Godz

    Esse filme é ruim mesmo, não vou negar, mas tenho um carinho por ele por ter feito parte da minha infância, é daqueles filmes que acabam servindo como nostalgia mesmo, apenas.

  8. Flávio Oliveira

    Acabei de Assistir o primeiro filme depois de tantos anos, vou assistir o segundo novamente, mas tenho certeza que vou concordar com o que foi discutido no texto.

  9. Daniel Castro

    Assisti ao primeiro filme novamente em dezembro de 2013, e vi o segundo também recentemente, e o que tenho a dizer é o seguinte: quanto ao primeiro filme da franquia, continuo achando a mesma porcaria, possivelmente, um dos piores filmes do gênero Found Footage já feitos. Quanto à esta “sequência”, achei realmente muito bom, com um roteiro bem feito, interessante e coerente. Acredito que quem aprecia este filme podado de preconceitos, consegue se divertir mais e curtir a ótima trama que nos é apresentada.

  10. gu

    eu curto \o/

  11. Eu já vejo o fato de a estética mudar de rumo de um “found footage” para um filme “tradicional” como um ponto alto. Os produtores tiveram a sagacidade de entender que a mesma fórmula seria repetitiva, coisa que a turma de “Atividade Paranormal” não se toca. E pelo jeito o público também gosta de mais do mesmo ¬¬

  12. Thiago Marques

    Até hoje espero uma parte 3… Mas, depois deste, acho que a coisa nem vai sair mesmo… Pq, eles conseguiram DESTRUIR algo que ficou muito bom… O Primeiro é Demais!

  13. Carlos Dente

    O qu’eu gostei deste filme foi justamente da trilha sonora: não da forma como ela está no filme, mas das músicas em si. Por muito tempo procurei esta trilha (assim como a de ‘Os Garotos Perdidos’, que adquiri meses atrás, e de ‘Drácula 2000’, muito interessante, que consegui em dezembro de 2013), tendo encontrado uma cópia justamente mês passado.

  14. Gilson bloch

    não é um filme de se jogar fora, eu particularmente gosto…

    • vanessa vasconcelos

      tbm gosto,mas mesmo assim concordo com a crítica.

  15. Guilherme

    Esse filme me assustava quando eu era criança.

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