Críticas

Demons 2 – Eles Voltaram (1986)

É, na verdade, um outro filme, que aproveita várias das ideias do original, copia a maioria e inclui um tempero de exagero total!

Demons 2 (1986)

Demons 2 - Eles Voltaram
Original:Dèmoni 2... l'incubo ritorna
Ano:1986•País:Itália
Direção:Lamberto Bava
Roteiro:Dario Argento, Lamberto Bava, Franco Ferrini, Dardano Sacchetti
Produção:Dario Argento
Elenco:David Edwin Knight, Nancy Brilli, Coralina Cataldi-Tassoni, Bobby Rhodes, Asia Argento, Virginia Bryant, Anita Bartolucci, Antonio Cantafora, Luisa Passega, Davide Marotta, Marco Vivio, Michele Mirabella, Lorenzo Gioielli, Lino Salemme

Outra predição apocalíptica está para se realizar. Os ventos da morte varrerão o mundo e os continentes mergulharão num mar de sangue!

Como a maioria das continuações de filmes de horror, Demons 2 – Eles Voltaram não tem nada, ou muito pouco, a ver com o filme original. Até me lembro que há muitos anos, quando vi este filme pela primeira vez, achava que seria uma continuação à la Dawn of the Dead do primeiro, com as cidades dominadas por demônios e um grupo de personagens tentando sobreviver aos ataques dos monstros.

Mas Demons 2 é, na verdade, um outro filme, que aproveita várias das ideias do original, copia a maioria e inclui um tempero de exagero total, nos efeitos e nas mortes, bem mais sangrentas e elaboradas do que no primeiro filme. Chama a atenção o fato de ser uma continuação feita às pressas (Demons é de 1985, e este filme foi lançado já em 1986), e com praticamente os mesmos realizadores do original. Isto é: foi escrito novamente a quatro mãos pelo diretor Lamberto Bava, por Dario Argento, Franco Ferrini e Dardano Sacchetti (o que pode explicar a semelhança entre os dois filmes).

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Sergio Stivaletti é novamente o responsável pelos excelentes efeitos especiais, e até Bobby Rhodes (que fazia um cafetão e morria no primeiro filme) volta ao elenco, em um personagem diferente, mas tão macho man quanto o anterior – e que, claro, vai levar ferro logo nos primeiros momentos.

A ideia básica é praticamente a mesma. Se em Demons o que iniciava toda a confusão era um filme exibido no cinema, aqui é um filme exibido na telinha da TV – um toque Poltergeist que poderia ter sido melhor explorado. A situação se passa em um prédio de segurança máxima, onde os heróis ficam trancados após uma pane no sistema… assim como os heróis do primeiro Demons ficavam confinados em um cinema com as portas trancadas! Até o nome do herói nos dois filmes é o mesmo: George!!! São várias semelhanças, e é só assistir aos dois filmes de uma só vez para sacar melhor. Parece até que os quatro roteiristas quiseram fazer uma grande brincadeira de citações com o espectador, homenageando a todo momento o excelente filme original.

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Demons 2 tem uma interessante introdução, com um líquido vermelho escuro pingando sobre uma faca afiada, em um ambiente escuro. Não é sangue, e sim calda de morango escorrendo sobre a faca com que um confeiteiro prepara o bolo para o aniversário de Sally (Coralina Cataldi Tassoni), uma das moradoras do tal prédio, que fará uma festa para seus amigos. No mesmo local funciona uma academia de ginástica coordenada pelo machão Hank (Bobby Rhodes, quem mais?). Outros moradores/vítimas são o casal George (David Knight) e Hannah (Nancy Brilli), ela grávida; Ingrid (Asia Argento, filha do diretor Dario Argento) e seus pais; um garotinho (Davide Marotta); uma prostituta (Virginia Bryant) que ironicamente visita vários clientes do mesmo prédio, entre outros personagens menos importantes. Quando começa a festa de aniversário de Sally, começa também um filme na TV sobre jovens que se aventuram numa tal zona proibida. Esta parece ser uma citação, embora meio inexplicável, ao final de Demons, pois o filme exibido se passa em uma cidade desabitada, cercada por altas muralhas. Lá dentro, carros destruídos e prédios em escombros, além de vários esqueletos e cadáveres de demônios. Dá para imaginar que foi o que sobrou da cidade onde se passava o primeiro Demons, que termina com os demônios saindo para a rua e atacando seres humanos, espalhando o contágio. Dentro desta teoria, o filme na TV seria um documentário realizado após a história original.

De qualquer forma, assim como em Demons 1, coisas que acontecem na telinha se repetem na vida real. A aniversariante Sally fica puta da vida com os amigos ao saber que eles convidaram um ex-namorado, Jacob, para a festa, e resolve se trancar no quarto para assistir o programa. Na telinha da TV, os jovens se reúnem ao lado do cadáver de um demônio para tirar uma fotografia. Na festa de Sally, seus amigos também se juntam para uma foto. Tanto na TV quanto na festa, o flash da câmera não funciona. No programa, o demônio volta à vida e ataca os jovens, quando uma voz tenebrosa diz: Outra predição apocalíptica está para se realizar. Os ventos da morte varrerão o mundo e os continentes mergulharão num mar de sangue!.

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Dito isso, o demônio do filme sai da tela da TV (!) e faz de Sally sua primeira vítima! O ponto de partida é meio absurdo, afinal, se metade do prédio estava assistindo ao mesmo programa, porque o demônio saiu apenas no quarto de Sally? E no país inteiro, quantas pessoas estariam assistindo ao mesmo programa? A não ser que aquilo só estivesse sendo exibido naquele único prédio de segurança máxima (calma, explico isso melhor depois). Os roteiristas poderiam ter simplificado a coisa se os demônios tivessem saído em massa dos aparelhos de TV em todos os locais onde as pessoas estivessem assistindo o programa, o que daria uma ideia maior de apocalipse. Mas, aparentemente, eles queriam manter a situação no ambiente do prédio fechado, dando um clima de claustrofobia.

Aproveitando uma ideia original do filme Alien, o sangue dos demônios agora é ácido. Quando a matança começa na festa de aniversário, o sangue escorre pelo chão e vai furando todos os andares, dando pane no sistema de segurança, que tranca todas as portas e corta o telefone do prédio. O sangue, desta vez, também é contagioso, e basta encostar no líquido para se transformar em demônio.

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Enquanto os monstros vão tomando conta do prédio, fazendo uma verdadeiro arrastão andar por andar, o herói George está trancado no elevador parado juntamente com a prostituta. Ao perceber que as forças do mal estão à solta, ele faz de tudo para voltar ao seu apartamento e fugir com a esposa, enquanto no térreo os frequentadores da academia tentam se defender do ataque em massa dos demônios.

O roteiro vai progressivamente perdendo o rumo, à medida que todos viram demônios e faltam personagens humanos. Até cachorros e crianças viram demônios!!!! Faz falta a excelente música original de Claudio Simonetti, aqui substituído por uma trilha OK de Simon Boswell, mas sem o mesmo impacto do tema original. A trilha inclui ainda bandas dos anos 80, como The Cult, The Smiths e Peter Murphy.

Há uma cópia descarada da cena de Demons em que os demônios caminham por um corredor escuro (aqui adaptada para um dos corredores entre os apartamentos). Há, também, um excesso de cenas nada a ver, que parecem estar ali apenas para aumentar o tempo de duração do filme. Por exemplo, os pais de Sally, que estão fora do prédio, ficam passeando por uma festa típica germânica (o filme foi filmado na Alemanha), enquanto a câmera de Bava vai filmando músicos e público dançando, sem que isso interfira na história. Ou, ainda, várias cenas com Jacob, o ex-namorado de Sally, dirigindo pelas ruas da cidade, sem qualquer razão de existir, e esticadas mais do que o necessário.

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Também como no primeiro Demons, há detalhes meio inexplicáveis no roteiro. No final, por exemplo, o casal sobrevivente vai parar em um prédio ao lado daquele dominado pelos demônios, onde encontram um estúdio de TV abandonado – aparentemente, alguém usou este estúdio com más intenções para espalhar os demônios pelo edifício, mas este detalhe não fica bem explicado, embora pudesse gerar uma ideia de conspiração tipo Arquivo X. Como não há grandes justificativas, o espectador simplesmente engole o final – feliz, ao contrário do primeiro -, mesmo que algumas coisas não tenham ficado bem claras… Típico do cinema italiano de horror.

Resumindo: é obrigatório ver Demons 2 com a ideia de que não se trata de uma continuação, mas sim de uma outra história com o mesmo conceito do filme original. Caso contrário, as chances de quebrar a cara e ficar com raiva do filme são grandes. Mas pelo excesso de violência e doideiras diversas, vale a pena ver, de preferência acompanhado por um grupo de amigos, para rir das milhares de bobagens do roteiro, que traz bem menos tensão e suspense do que o filme original.

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5 Comentários

  1. Thais Affini

    Então, eu já discordo com você. O primeiro filme com certeza tem as suas qualidades, e está como um dos meus favoritos, junto com a continuação, que pra mim na época ao assistir o 2 com olhos de criança, foi inexplicavelmente mais assustador, e traumático que o 1. Fiquei alguns dias sem ver tv por causa desse filme, lembro claramente de como eu e minha irmã que dividíamos o quarto, fazíamos turnos para dormir.
    Ambos filmes são excelentes fiquei feliz ao ver 5 caveiras no primeiro filme e a sua resenha sobre o mesmo, mas fique triste ao ver apenas 3 caveiras nesse. Acho que você se prendeu demais em comparar ambos os filmes, do que ver o potencial e a criatividade mais elaborada no segundo filme.

  2. SERGIO RIETH

    BONS TEMPOS DOS FILMES DE TERROR DAS ANTIGAS. ESTE PARA MIM FOI UM CLÁSSICO DOS CLASSICOS. QUE BOM TERMOS SITES MAGNIFICOS COMO ESTE PARA VIAJAR NO TEMPO E SABER MAIS SOBRE ESTAS PRODUÇÕES FANTASTICAS.

  3. Inacio

    Muito legal esse filme não me canso de assistir,o primeiro também é muito bom!!!
    Vale a pena assistir.

  4. vanessa vasconcelos

    fiquei afim de ver.

  5. Yves

    Achei melhor que o 1º!!! E muito!!!!

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