Críticas

Exorcista – O Início (2004)

Esse quarto filme tem um roteiro interessante e com vários pontos positivos, onde destaco a memorável e chocante sequência de introdução!

Exorcista - O Início (2004)

Exorcista - O Início
Original:Exorcist: The Beginning
Ano:2004•País:EUA
Direção:Renny Harlin
Roteiro:William Wisher Jr., Caleb Carr, Alexi Hawley
Produção:James G. Robinson
Elenco:Stellan Skarsgård, Izabella Scorupco, James D'Arcy, Remy Sweeney, Julian Wadham, Andrew French, Ralph Brown, Ben Cross, David Bradley, Alan Ford, Antonie Kamerling

Deus não está aqui hoje, padre

Em 1973, William Friedkin dirigiu O Exorcista (The Exorcist), um clássico absoluto do horror baseado em livro homônimo de William Peter Blatty, escrito dois anos antes, e considerado como um dos filmes mais significativos de toda a história do gênero, com sua história sobre a possessão demoníaca de uma garota de apenas doze anos, Regan MacNeil (Linda Blair, marcada para sempre pelo papel), e a consequente batalha entre o pútrido demônio Pazuzu e os padres Lancaster Merrin (Max von Sydow) e Damien Karras (Jason Miller), num intenso e desgastante ritual de exorcismo.

O livro, por sua vez, foi inspirado num caso supostamente real de exorcismo em 1949 nos Estados Unidos, tendo como vítima um garoto de quatorze anos com atitudes agressivas. O grande sucesso comercial do filme no mundo todo inevitavelmente motivou a criação de uma franquia, com a produção de duas continuações inferiores em qualidade. Vieram então em 1977 o confuso O Exorcista II – O Herege, de John Boorman, e em 1990 o thriller O Exorcista III, de William Peter Blatty. Com uma baixa receptividade do público, a franquia só retornou dez anos depois através de uma bem sucedida estratégia de marketing, com o filme original sendo relançado em 2000 numa versão do diretor (como aconteceu também com outros clássicos do cinema como o drama de guerra Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, ou a ficção científica Blade Runner, de Ridley Scott). Essa versão apresentou como novidade o acréscimo de 11 minutos de cenas inéditas e não aproveitadas na época pelo diretor Friedkin, além de novos e mais modernos efeitos digitais.

Com o novo sucesso pelo relançamento do clássico de 1973 nos cinemas, os produtores se animaram para a criação de mais um filme da franquia, e após uma infinidade de dificuldades e situações bizarras e curiosas (relatadas no final desta análise), finalmente Exorcista: O Início (Exorcist: the Beginning) foi lançado nos Estados Unidos em agosto de 2004 e entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 29/10. Com direção do finlandês Renny Harlin (de A Hora do Pesadelo 4 e Do Fundo do Mar) e com o ator sueco Stellan Skarsgård (de A Casa de Vidro e Rei Arthur) liderando o elenco, a história é um prelúdio, ou seja, apresenta eventos acontecidos antes do filme original.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, o arqueólogo Lancaster Merrin (Stellan Skarsgård) está vivendo no Egito, na cidade do Cairo em 1949, sempre envolvido com consumo de álcool para conseguir enfrentar horríveis pesadelos que o atormentam desde que deixou de ser padre na Holanda devido a um conflito interior de fé por causa de trágicos acontecimentos que testemunhou e foi obrigado pelos nazistas a participar durante a guerra, num fato que culminou com a morte de várias pessoas inocentes.

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Num bar, ele recebe o convite de um colecionador de antiguidades, Semelier (Ben Cross), para participar de uma escavação numa remota região próxima à tribo Turkana, no Quênia, um país do leste da África ainda colônia sob o domínio militar da Inglaterra. O objetivo é resgatar um artefato que estaria enterrado numa misteriosa igreja cristã bizantina descoberta num sítio arqueológico. Ao chegar lá, Merrin é recebido por um jovem padre católico, William Francis (o inglês James D´Arcy), enviado especialmente pelo Vaticano para estudar e investigar a igreja que surgiu debaixo da terra, e por um nativo local, Chuma (Andrew French), que faz o papel de intérprete. Ele também é apresentado para outras pessoas como Jeffries (Alan Ford), um homem arrogante que lidera os nativos nos trabalhos de escavação, e Emekwi (Eddie Osei), um nativo que oferece sua casa como hospedagem e que tem dois filhos pequenos, James (James Bellamy) e Joseph (Remy Sweeney), que possuem participações significativas na história. Além de Sarah Novak (a polonesa Izabella Scorupco, de Reino de Fogo), uma médica em missão humanitária, e que também foi vítima dos nazistas na guerra, sobrevivendo de um campo de concentração. A região está sob uma forte turbulência política com os nativos insatisfeitos pela falta de liberdade perante o controle militar inglês, liderado pelo Major Granville (Julian Wadham), que tem o curioso hábito de colecionar borboletas mortas.

Merrin consegue entrar na igreja cristã soterrada e encontra em seu interior sinais de profanação, além de estranhas ilustrações em suas paredes. Descobre também uma cripta que oculta uma passagem para uma misteriosa galeria subterrânea que era utilizada para rituais de sacrifícios humanos. Tentando obter mais informações, ele procura um homem que chefiava as escavações anteriormente, Bession (Patrick O´Kane), que enlouquecera repentinamente e estava internado num sanatório em Nairobi, dirigido pelo Padre Gionetti (David Bradley, o Argus Filch da série Harry Potter), o qual lhe revela a existência de um perigoso e histórico mal que habita os subterrâneos da igreja e a necessidade de um ritual de exorcismo para impedir seu domínio.

A partir daí, Merrin irá enfrentar seus piores pesadelos numa intensa batalha interior sobre o questionamento de sua fé, com direito a uma infinidade de situações bizarras como o ataque de ferozes hienas destroçando violentamente uma criança, passando por um bebê recém-nascido coberto de vermes asquerosos se alimentando de sua carne, um homem com as vísceras brutalmente arrancadas e devoradas por corvos (e que ainda vivo tinha o rosto em crescente decomposição coberto de feridas pútridas, lembrando o drama do astronauta de O Incrível Homem Que Derreteu), e culminando com um violento confronto com um demônio.

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Após o merecido fracasso de O Exorcista II: O Herege, um filme realmente muito ruim, e do mediano O Exorcista III (uma espécie de thriller policial mais voltado para as ações de um serial killer), as expectativas para um próximo filme não eram as melhores, o que é até compreensível. Mas, uma vez não fazendo comparações com o clássico de 1973, esse quarto filme da franquia tem um roteiro interessante e com vários pontos positivos, onde destaco a memorável e chocante sequência de introdução, que nos remete àqueles campos de batalha do passado histórico da humanidade, com corpos destroçados pela afiada lâmina de aço das espadas, num mar de cadáveres espalhados para todos os lados, tendo apenas os corvos famintos e a morte como a única vencedora, soberana e insuperável. O desfecho também é bastante intenso, com o violento confronto entre Merrin e Pazuzu, e que apesar de previsível (é fácil saber o resultado quando se pensa nos eventos posteriores vistos no original de William Friedkin), houve bastante coragem e ousadia dos realizadores na definição do destino de personagens importantes, procurando fugir do convencional.

Outros momentos de destaque são justamente aqueles que foram bastante criticados pelo seu conteúdo de violência (crianças sendo assassinadas), e que na minha opinião, por isso mesmo estas sequências devem ser enaltecidas por distanciar o filme do trivial que é apresentado pela maioria das outras produções do gênero. As cenas são brutais e perturbadoras, mas não são gratuitas, pelo contrário, aproximam o filme da realidade do mundo, pois às vezes, conforme é enfatizado no filme, Deus não está aqui hoje.

Exorcista: O Início possui diversas e interessantes curiosidades e informações de bastidores, como por exemplo os excelentes cenários recriando a cidade do Cairo em 1949, no início do filme, além do deserto do Quênia com as escavações da igreja soterrada, e a Holanda da Segunda Guerra Mundial num rigoroso inverno, com os trabalhos de filmagens realizados na Itália no famosos estúdios Cinecitta, em Roma.

Mas o filme não será lembrado apenas pelas fortes e ousadas cenas de violência com crianças, ele também deverá ser reconhecido pelos fãs por uma incrível sucessão de fatos anormais que aconteceram durante sua turbulenta produção. Inicialmente, iria se chamar Exorcist: Dominium e o diretor contratado John Frankenheimer teve que abandonar o projeto por problemas de saúde antes mesmo do início das filmagens, vindo a falecer pouco tempo depois. Com a saída forçada de Frankenheimer, o ator Liam Neeson, que interpretaria o Padre Merrin, desistiu do projeto e em seu lugar foi chamado Stellan Skarsgård.

O novo cineasta que assumiu a direção foi Paul Schrader (mais conhecido como o roteirista de Taxi Driver, 1976), porém depois de concluída as filmagens e apresentado o trabalho para os executivos da Morgan Creek, o filme foi considerado um autêntico thriller psicológico ao contrário da intenção dos produtores em ver um filme de horror com mais cenas chocantes para o público. Em razão disso, o filme de Schrader foi vetado e ele se retirou do projeto, sendo convidado outro diretor para refazer o filme, conforme as exigências dos financiadores. Com isso, alguns atores que estavam com a agenda ocupada, como Gabriel Mann (que fez o Padre Francis), não puderam participar dos novos trabalhos de filmagens, agora sob o comando de Renny Harlin, contratado para fazer um filme com mais violência gráfica e com cenas de grande impacto visual. O resultado disso tudo é que tivemos a produção de duas versões diferentes de O Exorcista 4, onde o suspense psicológico de Paul Schrader apenas foi planejado para ser lançado como material extra do DVD, e o horror sangrento de Renny Harlin tornou-se o filme oficial lançado nos cinemas ao redor do mundo. Curiosamente, o excelente ator Stellan Skarsgård interpretou Merrin nas duas versões.

Os mortos se levantarão num rio de sangue

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5 Comentários

  1. Pó boca do inferno gostei da sua critica
    o filme e bom, pena que muitas pessoas dizen
    que ele ruim gosto do personagen padre merri.

  2. Pó boca do inferno gostei da
    sua critica o filme e bom,
    pena que muitas pessoas dizen
    Que ruim gosto do personagen
    padre merri .

  3. Gosto dos três filmes, mas este é muito fraco. Algumas cenas boas, só. No final, o uso de efeitos especiais feitos em computador, com o “endemoninhado” pulando pelas paredes, transforma a coisa numa ridícula comédia.

  4. Hierofante1970

    O primeiro Exorcista não há mais o que escrever sobre ele é simplesmente um obra prima do terror. Já os outros gosto só do Exorcista III que tem um clima pesado e um bom suspense.

  5. vanessa vasconcelos

    só presta o 1,o resto é fraco,assim como este.

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