Críticas

O Bebê de Rosemary (1968)

O primeiro filme de Polanski nos EUA conseguiu criar um suspense intenso: utilizando-se de pequenos espaços num apartamento fantasmagórico!

O Bebê de Rosemary (1968)

O Bebê de Rosemary
Original:Rosemary's Baby
Ano:1968•País:EUA
Direção:Roman Polanski
Roteiro:Roman Polanski, Ira Levin
Produção:William Castle
Elenco:Mia Farrow, John Cassavetes, Ruth Gordon, Sidney Blackmer, Maurice Evans, Ralph Bellamy, Victoria Vetri, Patsy Kelly, Elisha Cook Jr., Emmaline Henry, Charles Grodin, Phil Leeds, Hope Summers

1968 não foi apenas um ano de grandes agitações políticas e sociais, mas também de grandes momentos para o universo do terror: George Romero fez levantar, literalmente, os mortos para atacar os vivos no clássico A Noite dos Mortos-Vivos (Night of Living Dead), mostrando que o horror explícito e orçamento mínimo poderiam gerar uma obra-prima do cinema; os Rolling Stones colocavam Satã na ordem do dia com a música “Sympathy For The Devil“, onde o “Príncipe do Mal” era retratado como um Anti-Herói e suas maldades serviam como contraponto à ordem social “careta” e ao Establishment, imagens típicas da Contracultura da época; e o diretor polonês Roman Polanski trouxe nada mais nada menos do que o filho do Demônio, o próprio anti-Cristo, às telas no clássico O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby).

Baseado no livro de grande sucesso de Ira Levin, a história é simples e apavorante: jovem recém-casada, Rosemary (Mia Farrow), muda-se com seu marido, Guy (John Cassavetes), um ator desempregado, para um edifício soturno (Dakota) em Nova Iorque. Logo, ela começa a desconfiar que seu marido está envolvido com magia negra (junto com os vizinhos, um “simpático” casal de velhinhos) e, em troca do sucesso, quer entregar seu filho para rituais macabros. O filme, então, narra a luta de Rosemary para manter a criança longe de seus perseguidores, reservando-lhe uma trágica surpresa: seu filho não era de Guy, mas sim do Demônio.

O Bebê de Rosemary (1968) (1)

Produzido pelo legendário especialista em filmes de terror William Castle (que faz uma “ponta” como o homem que vai na cabine telefônica e assusta a fugitiva Rosemary), o primeiro filme de Roman Polanski nos Estados Unidos conseguiu criar um suspense intenso: utilizando-se de pequenos espaços num apartamento fantasmagórico (sombras, pessoas passando sem serem notadas, vozes vindas da parede, etc.), Rosemary fica presa completamente – mesmo numa cidade gigantesca como Nova Iorque, as “redes” podem ser fechadas e não existe lugar para fugir.

O filme tornou-se uma obra-prima do terror psicológico, apesar de apresentar momentos fortíssimos, como as impressionantes cenas do Demônio transando com Rosemary; a fragilidade dela sofrendo de inexplicáveis dores de gestação; o clima de perseguição que a faz ficar paranoica; e o final chocante (Rosemary, com uma faca, invade o apartamento do lado, descobre a real natureza de seu filho – Polanski acrescentou vários fotogramas da “criança“, destacando os olhos horripilantes – e aceita ser sua mãe), entre outras. Tais cenas provocaram polêmica – a Igreja Católica classificou o filme como “blasfemo“, assim como outras religiões, que procuraram impedir a exibição do filme – e grande sucesso de bilheteria. O filme e o livro abriram uma série de trabalhos sobre cultos e demônios na época. Podemos também colocar este filme como o precursor direto dos futuros clássicos O Exorcista (The Exorcist) e A Profecia (The Omem).

O Bebê de Rosemary (1968) (4)

Além da direção criativa de Polanski, nada disso seria possível sem a fantástica interpretação do elenco: Mia Farrow está perfeita como a frágil Rosemary, sofrendo todos os terrores possíveis para proteger seu “filho“; John Cassavetes está perfeito como o marido que entrega tudo ao Demônio; Ruth Gordon, a velhinha simpática e demoníaca, ganharia o Oscar de atriz coadjuvante.

O Bebê de Rosemary (1968) (3)

E, como todo clássico que se preze, também apresentou suas “maldições“: um ano depois do lançamento do filme, a esposa de Roman Polanski, a belíssima atriz Sharon Tate, foi assassinada brutalmente pela “comunidade” liderada por Charles Manson (ele misturava passagens da Bíblia com letras do “Álbum Branco” dos Beatles, num dos episódios mais violentos da década de 60 e que ajudaria a destruir a Contracultura); em 1980, na frente do mesmo edifício Dakota onde o filme foi rodado, o ex-beatle John Lennon foi assassinado. O diabo andou às soltas, sem dúvida.

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8 Comentários

  1. Tulio Voorhees

    Simplesmente o filme de terror mais superestimado da história. O final é um balde de água fria tão grande que consegue jogar no lixo todo suspense alimentado até o momento. Uma bosta

    • Mario

      esse filme não é pra qq um entender. tem que ter uma certa inteligência pra compreender a cena final, e a mensagem que polansky quer passar, sobre a maternidade. chamar de uma bosta, além de falta de educação, demonstra que vc realmente não pode analisar os filmes, ao colocar um final como um balde de água fria.

  2. Papa Emeritus

    Pra mim, ao lado de O Iluminado e O Exorcista, esse é melhor filme de terror da história.

  3. Henrique

    Um dos meus preferidos. Sempre revejo, com o mesmo prazer. É um clássico irretocável. Filme perfeito e fidelíssimo ao livro do Ira Levin. O público de hoje consideraria o filme lento, mas é justamente isso que eu curto, a atmosfera do filme, o desenvolvimento da história e dos personagens. O terror é mais psicológico do que físico e o final é desconcertante porque envolve traição, ódio, repulsa e amor materno, tudo na mesma equação. Elenco e direção perfeitos. É o melhor do Polanski, na minha opinião.

  4. vanessa vasconcelos

    clássico , e com um ótimo suspense.uma prova de que os seres humanos conseguem ser piores que o Diabo.

  5. Thiago Marques

    Eu tenho ele em minha coleção! Uma OBRA GENIAL do nosso querido e talentoso POLANSKI.

  6. Augusto

    Adorei o texto!

  7. Pedro Netto

    Filme sensacional! Sem sombra de duvidas, uma obra clássica e visualmente linda. Assustador no ponto certo, com ótimas atuações e sequencias de suspense de roer as unhas! Nota dez para este clássico.

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