Críticas

Chamas da Morte (1981)

Sem dever em nada para Sexta-Feira 13, o filme é um ótimo entretenimento, reunindo os clichês favoritos de quem curte esse tipo de produção!

Chamas da Morte (1981)

Chamas da Morte
Original:The Burning
Ano:1981•País:EUA, Canadá
Direção:Tony Maylam
Roteiro:Harvey Weinstein, Tony Maylam, Brad Grey, Peter Lawrence, Bob Weinstein
Produção:Harvey Weinstein
Elenco:Brian Matthews, Leah Ayres, Brian Backer, Larry Joshua, Jason Alexander, Ned Eisenberg, Fisher Stevens, Bonnie Deroski, Holly Hunter, Kevi Kendall

por Nilton Kleina

Quando foi lançado, Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, 1980) ajudou a popularizar os slashers com um cenário que se tornou clássico no gênero: um assassino de personalidade e um roteiro ingênuo, porém funcional, além da alta contagem de corpos. O filme virou franquia e, independentemente da qualidade dos últimos capítulos, conquistou um espaço na história – afinal, quem não reconhece a máscara de hóquei? Mas o que nem todos sabem é que um ano depois saiu um filme muito parecido lançado como Chamas da Morte (The Burning, 1981).

Com uma tonelada de semelhanças e outras muitas originalidades em relação ao Sexta-Feira 13, a produção tem uma qualidade tão alta quanto o primo famoso e merecia, no mínimo, o mesmo reconhecimento. Mas, por um toque do destino e dos “deuses do cinema”, ele caiu no esquecimento – algo extremamente injusto, como você verá a seguir.

Chamas da Morte começa no Acampamento Blackfoot. A figura mais notável do local é o zelador Cropsy (Lou David), um bêbado violento que é odiado por absolutamente todos os jovens campistas. Certa noite, cinco deles resolvem dar um susto no sujeito, colocando um crânio falso em chamas e cheio de vermes ao lado da cama do desafeto. No susto, Cropsy derruba o objeto no colchão, incendiando a pequena cabana e o próprio corpo. As crianças fogem, sem relatar o ocorrido, com o pobre coitado indo parar em um hospital.

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Mesmo com 90% do corpo queimado e recém saído de um coma (!), o zelador dá um jeito de fugir e ainda executar uma prostituta (K.C. Townsend, talvez uma das piores atrizes que você já viu em um filme de terror). Novamente livre, Cropsy parte para o Acampamento Stonewater, vizinho da antiga morada, agora em ruínas.

É aí que somos apresentados aos jovens que serão as vítimas da vez – cada um com uma característica bem definida. Glazer (Larry Joshua) é o atleta metido que vive sem camisa, Eddy (Ned Eisenberg) é o malandro que só quer saber de sexo e Alfred (Brian Backer) é antissocial e vítima de bullying. Do lado das moças, destacam-se Sally (Carrick Glenn), que é namorada de Glazer, e Karen (Carolyn Houlihan), “ficante” de Eddy e candidata à protagonista no início do longa.

Outro dos adolescentes presentes é Dave (Jason Alexander). Reconheceu o nome do ator? Trata-se do George Constanza de Seinfeld, aqui em uma versão jovem, só um pouco acima do peso e com cabelo. Sem ser um chato como Shelly, de Sexta-Feira 13 – Parte 3 (Friday the 13th – Part 3, 1982), o personagem é cheio de falas, interage com todos os núcleos e vive fazendo piadas realmente divertidas – ou seja, reconheceram o talento de Alexander e o abismo entre ele e os demais. Com um papel de menor importância, Sophie, esse também é o filme de estreia de Holly Hunter (Arizona Nunca Mais, Nos Bastidores da Notícia, Aos Treze).

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Estão lá ainda os monitores Michelle (Leah Ayres) e Todd (Brian Matthews), sendo que este parece ter alguma ligação com o assassino. Seguindo com a trama, os jovens mais velhos do acampamento partem em jangadas para uma excursão a um local mais afastado das barracas. Ainda sem suspeitar da presença de Cropsy, cuja lenda fora contada durante a noite anterior, os jovens acordam com os botes roubados, sem saber que aquele é o início de um pesadelo muito maior.

Começa então a velha história dos filmes de terror: enquanto alguns saem sozinhos para a mata procurar os botes, outros resolvem aproveitar o tempo livre para “namorar”. Prato-cheio para Cropsy, que se mostra um caçador implacável. A sangueira é usada na medida certa, as mortes são filmadas sem cortes desnecessários e há uma transição em vermelho em algumas cenas que parece brega de início, mas só amplia o clima de desespero.

Diferentemente de Jason, que usava qualquer arma afiada ou não que encontrava pelo caminho, o assassino de Chamas da Morte prefere uma enorme tesoura de jardineiro, provavelmente um instrumento de trabalho de quando ele ainda era uma pessoa normal. O trabalho de maquiagem é sensacional: as deformações de Cropsy são impressionantes e deixam o personagem realmente assustador e repugnante – mais um trabalho de primeira do mestre Tom Savini, que também caprichou no sangue para as mortes.

Se é possível criticar Chamas da Morte por alguma coisa, esse algo é a demora em começar o “filme de terror” de verdade. A ambientação demora demais, com bastante tempo gasto em conversas entre os jovens. Mas nem todo mundo vê isso como um ponto negativo, já que o recurso cria a identificação com o espectador. Além disso, as mortes podem demorar a começar de verdade, mas depois não param mais e são surpreendentemente violentas, compensando a espera, em especial na hora de um ataque surpresa e em massa promovido por Cropsy.

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Méritos para o roteiro do diretor Tony Maylam, que depois passou a fazer documentários, com contribuições de Brad Gray e Peter Lawrence. Também creditados como roteiristas estão os irmãos Bob e Harvey Weinstein – sim, os donos de mais de metade dos blockbusters da Hollywood atual! Esse foi um dos dois textos escritos pela dupla de produtores, que logo passou a dedicar-se apenas à atividade mais lucrativa. Essa verdadeira constelação de profissionais é fechada por Rick Wakeman, que compôs uma trilha sonora memorável e perturbadora, com um uso de sintetizadores que lembra um pouco as produções italianas de Dario Argento ao som da banda Goblin.

Um pouco difícil de ser encontrado recentemente (o SBT até passava há alguns anos, rebatizado como “A Vingança de Cropsy”), Chamas da Morte é uma daquelas pérolas escondidas que, por puro azar, não ganharam o devido reconhecimento. É mais do mesmo? É, mas esse “mesmo” ainda era novidade na década de 1980 e, ainda hoje, é possível aproveitar toda a qualidade da produção.

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Sem dever em nada para Sexta-Feira 13 (a não ser no nome do vilão, já que Jason Voorhees é muito mais estiloso que… Cropsy), o filme é um ótimo entretenimento em forma de slasher, reunindo os clichês favoritos de quem curte esse tipo de produção. Por isso, da próxima vez em que você contar histórias assustadoras durante um acampamento, vale a pena trocar a lenda do menino que se afogou pela do assassino com o corpo em chamas.

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7 Comentários

  1. Miguel

    Nossa assisti esse filme ainda criança com minhas irmãs mais velhas
    e morria de medo pois sempre passava a noite esse filme batia de frente com os
    Sexta feira 13 rsrs bons tempos quando os filmes metiam medo de verdade.

  2. Graças ao Boca vim a conhecer essa joia dos slashers! Merecia muito, muito mais reconhecimento! Mortes caprichadas e personagens divertidos!

  3. Thiago Marques

    Olha, a cena do barco pra mim, é a melhor das melhores! NOssa, muito bom esse filme. Achei num sebo aqui, aquele lugar que vende dvd’s velhos… pela bagatela de : 08reais
    Adoro minha coleção! Filmaço com certeza…

  4. Vinnícius

    Ótimo slasher! Um dos melhores dos anos 80. A violência é primorosa! Pra mim só a maquiagem final de Cropsy deixou a desejar: esperava algo bem mais aterrador; mas o filme é incrível.

  5. Gilson Bloch

    lamento muito não ter assistido quando passava no sbt a noite ,pois na época televisão pra mim era um objeto de luxo..

  6. vanessa vasconcelos

    Parece ser muito bom,fiquei interessada.

  7. É uma pena não ter o reconhecimento que tanto merece , The Burning , não tem como esquecê – lo , principalmente da carnificina na jangada . Sou feliz por ter ele em meu extenso acervo , um slasher que não pode faltar de jeito nenhum .

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