Críticas

Drácula 3D (2012)

Difícil acreditar que um dos maiores diretores italianos de todos os tempos fez um filme tão preguiçoso e desinteressante!

Dracula 3D (2012)

Drácula 3D
Original:Dracula 3D
Ano:2012•País:Itália, França, Espanha
Direção:Dario Argento
Roteiro:Dario Argento, Enrique Cerezo, Stefano Piani, Antonio Tentori, Bram Stoker
Produção:Enrique Cerezo, Roberto Di Girolamo, Sergio Gobbi, Franco Paolucci, Giovanni Paolucci
Elenco:Thomas Kretschmann, Marta Gastini, Asia Argento, Unax Ugalde, Miriam Giovanelli, Rutger Hauer, Maria Cristina Heller, Augusto Zucchi, Franco Ravera, Francesco Rossini, Giovanni Franzoni, Giuseppe Lo Console

Dono de um passado impecável e merecedor de culto por ter feito filmes como O Pássaro das Plumas de Cristal (1970), Prelúdio para Matar (1975) e Suspiria (1977), Dario Argento já não andava muito bem com sua base de fãs após os medianos Jogador Misterioso (2004), O Retorno da Maldição: A Mãe das Lágrimas (2007) e Giallo: Reféns do Medo (2012). Se estas três últimas produções já continham elementos que no mínimo podemos questionar certos termos de qualidade ou relevância, nem o maior de seus fãs poderá fechar os olhos para o tamanho dos erros cometidos em sua mais recente aventura atrás das câmeras, co-roteirizando e dirigindo Dracula 3D, uma obra que tem mais coisas do ruim exploitation europeu dos anos 70 – mezzo Jean Rollin, mezzo Jesús Franco – do que qualquer outra coisa que Argento já tenha feito antes.

A ação usa a mesma base do livro de Bram Stoker com poucas mudanças. Abrindo com Jonathan Harker (Unex Ugalde), que chega para trabalhar como bibliotecário em um remoto vilarejo para o misterioso benfeitor da cidade, Conde Drácula (Thomas Kretschmann, Resident Evil 2: Apocalipse), e rapidinho se tornando prisioneiro para alimentar com seu próprio sangue o apetite do conde e de sua “sobrinha“, uma gostosa da vila vampirizada a pouco tempo chamada Tania (Miriam Giovanelli). Não muito tempo depois sua esposa Mina (Marta Gastini, O Ritual) chega também ao local para se hospedar com sua melhor amiga Lucy (Asia Argento) para aguardar o retorno do marido, que como já sabemos não voltará, forçando a Mina a investigar o sumiço de Jonathan diretamente no castelo do conde.

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Acontece que como o grande empreendedor que é, Drácula tem um acordo com os habitantes da cidade onde ele mantém o vilarejo próspero (não fica muito claro de que forma) e em troca eles não se incomodariam em o vampirão morder um pescoço ou outro de vez em quando. Evidentemente eles começam a perceber que não é exatamente um bom negócio e começam a elaborar um complô para enfiar uma estaca no coração dele uma vez por todas. No meio termo, Lucy se revela uma lacaia de Drácula e é transformada em vampira ao mesmo tempo em que o próprio Drácula demonstra estar obcecado por Mina. Tudo parece perdido até que o famoso nêmeses do rei dos vampiros, Abraham Van Helsing (Rutger Hauer), aparece para colocar água benta no feijão de Drácula.

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Ok, há alguma violência, nudez gratuita (ver Asia e Gastini nuas é sempre um deleite) e o sangue escuro característico está lá, mas as semelhanças terminam por aí. Dos efeitos horrendos e um CGI muito tosco (Sharknado manda lembranças), até trilha sonora de filme B composta pelo parceiro de longa data, Claudio Simonetti, com teremim insistente e irritante, passando pela “overatuação” de alguns (Asia Argento) e pela inépcia de outros (Unex Ugalde), sobra muito pouco que seja digno de elogio – talvez umas risadas por algumas cenas de alucinação ou quando Drácula se transforma em vários bichos, de um enxame de moscas a um louva-deus gigante na melhor cena do filme.

Dá pena também de ver um conde Drácula sem qualquer traço que cause medo ou sedução, requisito mínimo para um antagonista de tamanha importância. O nome de Rutger Hauer também é mal aproveitado num papel secundário já que seu personagem – estranhamente letárgico, no piloto automático – só aparece com mais de uma hora decorrida.

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Porém o que mais incomoda é que parece que Argento não se importa com o desenvolvimento do roteiro que ele mesmo co-escreveu com, pasmem, outras três pessoas (Enrique Cerezo, Stefano Piani e Antonio Tentori), especialmente por ser uma trama contada um sem número de vezes nas telas. Era de se esperar algo de destaque, um toque artístico que caracterizou os filmes de Argento por tanto tempo e que você espera, espera e não acontece. Haja visto o ritmo teatral, o trabalho de câmera burocrático (a câmera fica estática em inúmeras cenas) e a declamação das falas tediosa, ajudada pela péssima dublagem para o mercado americano. Só posso imaginar que o diretor deslumbrado com a tecnologia 3D, esqueceu-se do resto do seu ofício.

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Há uma previsão tardia de que este filme seja lançado nos cinemas brasileiros em outubro de 2014, porém nem posso reclamar do atraso de quase quase anos (foi lançado na Itália em 22 de novembro de 2012, após ter estreado em Cannes em 19 de maio do mesmo ano). Sem audácia ou novidade e com nenhum ponto que valha uma boa avaliação, Drácula 3D falha como adaptação da obra de Bram Stoker e é decepcionante constatar que mesmo que o grande vampirão já tenha seus momentos ruins no cinema, foi Dario Argento quem criou um filme que, fazendo muita força, serve tão somente como uma comédia involuntária.

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5 Comentários

  1. Dave

    Pô, Dario…

    =´(

  2. Guilherme

    Existem tantos filmes do Drácula que fazer mais um não faz sentido, mesmo em 3D.

  3. vanessa vasconcelos

    que vergonha deve ser esse filme,passo longe……..

  4. Cristina

    A cena do Louva-deus gigante é ridiculamente impagável e nem assim vale o filme!
    Um pena que sofriam de ócio coletivo; preguiça de dirigir, de atuar de de se esforçar…

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