Robocop (2014)

Joel Kinnaman vive o personagem título.

Robocop
Original:Robocop
Ano:2014•País:EUA
Direção:José Padilha
Roteiro:Joshua Zetumer
Produção:Marc Abraham, Eric Newman
Elenco:Joel Kinnaman, Michael Keaton, Gary Oldman, Abbie Cornish, Jackie Earle Haley, Samuel L. Jackson, Michael K. Williams, Jennifer Ehle, Jay Baruchel, Marianne Jean-Baptiste

Em 1987, Paul Verhoeven lançou Robocop, filme de ação que traz consigo uma sátira ao consumismo norte-americano e a uma sociedade tomada pelo crime e pela falta de escrúpulos das grandes corporações. Acompanhamos a história do policial Alex Murphy, torturado e morto por bandidos em Detroit, revivido pela empresa OCP como um ciborgue e usado pela polícia para colocar ordem na cidade. Assistimos ao protagonista tendo membros explodidos por armas de fogo, ciborgues matando um funcionário da OCP em um banho de sangue e um bandido sendo derretido por um balde de lixo tóxico. Já em 2014, ganhamos um novo RoboCop e a história é bem diferente.

A premissa do novo Robocop é bem semelhante ao original. Na Detroit de 2028, o policial Alex Murphy (Kinnaman) trabalha para prender Antoine Vallon, o chefão do crime local, e para desvendar policiais corruptos que fazem parte da corporação. Depois de uma ação malsucedida, o parceiro de Murphy, Lewis (Michael K. Williams) é ferido e os bandidos escapam. Para se vingar de Murphy, o grupo coloca uma bomba em seu carro. O policial é salvo pela OmniCorp de Raymond Sellars (Michael Keaton), que transforma o que restou de seu corpo em um policial-robô preparado para salvar Detroit das mãos dos vilões.

Fãs do Robocop original torceram o nariz para o remake desde seu anúncio. Um roteiro mal avaliado, troca de atores (Hugh Laurie deixou a produção e foi substituído por Keaton) e adiamento na data de estreia foram ruins para a reputação da produção, mas o que realmente matou as expectativas do público foi o anúncio de que o longa teria classificação PG13, ainda que José Padilha, que dirigiu Tropa de Elite 1 e 2, e Joel Kinnaman tenham brigado com o estúdio por uma classificação mais alta. O resultado é um filme com pouca violência e nenhum sangue. Não que um filme precise de sangue para ser bom, mas a situação em que a cidade é colocada não justifica a necessidade de um ciborgue para protegê-la.

Robocop (2014) (1)

No início do filme assistimos ao apresentador conservador Pat Novak (em clara referência aos comentaristas políticos conservadores americanos Pat Buchanan e Robert Novak) apresentando uma reportagem ao vivo, que mostra os robôs e drones da OmniCorp cuidando da segurança nas ruas do Irã, país tomado pelas tropas americanas. Na sequência, um homem bomba tenta explodir um dos drones, sem sucesso. Ao presenciar a cena, seu filho adolescente, armado com uma faca de cozinha, enfrenta o robô e morre a tiros em uma nuvem de poeira e uma câmera desviada rapidamente. A cena dita o tom do restante do filme: Robocop não tem os níveis de violência que se esperaria de um reboot da franquia. Para se ter uma ideia, mais tarde, em seu treinamento e ao enfrentar (poucos) bandidos nas ruas, em lugar de sua arma, o homem-robô utiliza um taser.

Robocop (2014) (3)

O roteiro deixa de explorar a situação real pela qual a cidade de Detroit está passando. Na metade do ano passado, a cidade anunciou sua falência. Em 2012, o local tinha o maior índice de violência entre as grandes cidades dos Estados Unidos; hoje Detroit tem o maior índice de homicídios dos últimos quarenta anos; tomada por ruas mal iluminadas e estruturas abandonadas, sendo considerada uma das mais violentas do país nos últimos vinte anos. Ao compararmos a Detroit real com a de Robocop, a que vemos no filme é um lugar até agradável para se viver. (Atenção: pequenos spoilers) O vilão Antoine Vallon é facilmente eliminado por Murphy, deixando vago o posto de maior criminoso da cidade. O Raymond Sellars de Keaton não é suficientemente desprezível para ser tão odiado, e suas piores ações ficam perdidas no final do filme. (fim dos spoilers)

Robocop (2014) (2)

O novo Robocop é muito mais focado no lado emocional, mostrando o conflito causado pela nova condição de Murphy na vida familiar. Gary Oldman entra como o responsável pela construção do ciborgue, a todo momento demonstrando sua insatisfação com as implicações éticas que tal ato pode gerar e realmente se preocupando com o bem-estar do ser humano por trás de sua criação.

O remake de Robocop é mais uma ação desnecessária na indústria de Hollywood, que parece ter perdido completamente sua criatividade. Não fossem as amarras que os estúdios impõem aos diretores, talvez José Padilha tivesse conseguido dar ao público uma visão diferente do policial-robô, que causasse tanto impacto quanto o original causou em 1987.

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Silvana Perez

Silvana Perez

Escolheu alguns caminhos errados e acabou vindo parar na Boca do Inferno.

13 comentários em “Robocop (2014)

  • 21/04/2015 em 18:56
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    Se paga muito pau pra esse Padilha. Querer encher o filme de crítica social, não faz dele bom. Suas cenas de ação são péssimas, com a câmera tremendo o tempo todo. Esqueçam Tropa de Elite.

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  • 11/03/2014 em 18:42
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    Tem um jeitão de ser péssimo mesmo. Robocop utilizando teaser?? putz…..

    Vou esperar sair em algum canal. Não vou desperdiçar meu pobre dinheirinho em um filme que só recebe elogios de ufanistas ou fãs de Transformers.

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  • 08/03/2014 em 21:29
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    Gostei muito do filme, principalmente pelo foco nas críticas socias, existênciais e políticas, essa post serve mais como resumo e spoiler, do que uma análise real do filme, que não serve apenas como instrumento de entretenimento e sim de reflexão. Padilha acertou, na escolha do elenco, nos diálogos, na condução da trama, na construção das cenas, erros acontecem, como descritos acima, mas como um todo, achei um ótimo filme.

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  • 06/03/2014 em 13:00
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    Gostei do filme…achei que seria pior.

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  • 04/03/2014 em 23:11
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    Eu gosto de alguns remakes, mas alguns filmes realmente não deveriam ser refeitos.

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  • 04/03/2014 em 21:33
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    Ah não venham inocentar Padilha não: segundo entrevista ele mesmo que teve a ideia do remake. E outra: mesmo sem a violência tem muita coisa que não funciona no filme. Porque usar uma máscara retrátil que faz o Robocop parecer um super-herói estilo Homem de Ferro? E para que a mão desnuda?? Isso junto com a família fizeram o drama do Robocop ser bem menos pesado do que o original, onde a gente chega a sentir pena do Murphy.

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    • 27/07/2014 em 06:37
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      A máscara retrátil e a mão desnuda funciona exatamente onde a crítica tocou: humanização do RoboCop. Simples assim. Ele é um ciborgue, tem traços humanos, família… Ia ser esquisito se simplesmente se sentasse para falar com o filho com o visor abaixado e sem nenhum tato real. Esses são os motivos. No mais, a classificação realmente foi o que segurou o filme. Com PG13 não se faz absolutamente nada. Todo o resto eu achei passável. O filme me recordou Tropa de Elite (1 e 2), em seu conceito. Se você elimina um peixe pequeno, o governo aplaude. Agora tente investigar a corrupção do sistema. Todo mundo te quer morto. A ideia, basicamente, foi adaptada ao conceito de RoboCop e, nesse sentido, me deixou satisfeito (considerando todos os pontos).

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  • 03/03/2014 em 19:53
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    Se o Padilha tivesse cartão verde para fazer uma versão do que era ROBOCOP pra ele, tenho certeza de que a coisa teria ficado bem FEIA… (no melhor sentido da palavra), para todos os fãs de T.E 1 e 2 e do RoboCop.

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  • 03/03/2014 em 16:49
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    também concordo , a única coisa que deixaram padilha colocar no filme, foi seu tom escuro, que lembou muito o bope e o caveirão ou seja sua moto…com certeza a censura falou mais alto..

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  • 02/03/2014 em 18:17
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    Já era de se esperar essa decepção, uma pena pois o Padilha merecia algo melhor.

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    • 02/03/2014 em 18:44
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      tbm acho,maldita censura 🙁

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