Críticas

Army of the Dead (2008)

Sem gore suficiente, sem humor negro e sem mulher pelada, Army of the Dead não tem um pingo da diversão que o pôster do filme promete!

Army of the Dead (2008)

Army of the Dead
Original:Army of the Dead
Ano:2008•País:EUA
Direção:Joseph Conti
Roteiro:Michael Ciccolini, Tom Woosley
Produção:Joseph Conti, Paul Conti, Fred Tepper
Elenco:Ross Kelly, Stefani Marchesi, Miguel Martinez, Mike Hatfield, Malcolm Madera, Audrey Anderson, Vic Browder

Ao ver o pôster de um filme chamado Army of the Dead (“Exército dos Mortos”), com o desenho de um esqueleto usando uma armadura de Conquistador espanhol e segurando uma espingarda bem moderna nas “mãos” descarnadas, qual seria sua primeira expressão:

a-) “Uau!”
b-) “Argh!”
c-) “Pelamordedeus…”

Se você respondeu “b” ou “c“, pare de ler esta crítica imediatamente. Agora, se sua opção foi a letra “a“, meus parabéns, caro leitor: você, como eu, tem um mau gosto daqueles, e sabe que uma produção classe Z com esqueletos de Conquistadores espanhóis usando espingardas poderia muito bem render 90 minutos de pura diversão, certo?

É uma pena que, no caso específico de Army of the Dead, aquele “Uau!” inicial logo dê lugar a um melancólico e enfadonho “Pfffff…“.

Isso porque o diretor Joseph Conti tem material para uma produção classe Z com esqueletos de Conquistadores espanhóis usando espingardas, mas, por motivos que fogem à minha compreensão, prefere não explorar o potencial trash-podreira disso, e sim levar o argumento a sério, transformando o que podia ser uma bobagem divertida numa aventura sobrenatural “séria” – enfim, numa bobagem simplesmente. É como eu sempre digo: fazer filme ruim é fácil, difícil é fazer bons filmes ruins, ou filmes ruins divertidos!

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O argumento de Army of the Dead na verdade é a principal piada de Uma Noite Alucinante 3 – Bruce Campbell lutando contra divertidos esqueletos animados em stop-motion – esticada para 90 minutos (o que tira toda a graça) e filmada como se fosse filme sério (o grande pecado cometido pelos realizadores). Começa com um letreiro explicando que, no século 16, Conquistadores espanhóis desapareceram enquanto procuravam pela lendária cidade de El Dorado (aquela que seria totalmente feita de ouro), e a introdução mostra um pequeno destacamento de soldados espanhóis chegando até um templo, onde todos são exterminados por esqueletos que criam vida.

Corta para os tempos atuais, quando os pombinhos John (Ross Kelly) e Amy (a gatinha Stephanie Marchese) embarcam numa viagem para o deserto de Baja com alguns amigos e um professor da faculdade (Miguel Martinez), onde todos irão participar de uma corrida com Fuscas e jipes modificados. Este é, aparentemente, o grande sonho de John e o presente de aniversário que ele ganha da turma; além disso, numa daquelas conveniências forçadíssimas do roteiro, o rapaz também ganha, da namorada, uma afiada espada samurai do século 16, que obviamente vai ser de grande utilidade mais tarde!!! Aguenta…

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Não demora para que o tal professor revele suas verdadeiras intenções: ele descobriu a localização do tal templo da introdução do filme, e, acompanhado por um trio de mercenários (!!!), pretende roubar o ouro amaldiçoado. Claro, os coiós acabam despertando o “exército dos mortos“, que mata todos os mercenários e persegue o professor até o acampamento, onde os jovens também acabam metidos no rolo e precisam lutar para sobreviver. Bem, digamos apenas que, no estilo House of the Dead, adolescentes bobocas que nem saíram do colégio de repente mostram saber usar espingardas e metralhadoras como se fossem verdadeiros atiradores de elite! Argh!!!

Como já escrevi no início do texto, Army of the Dead tinha todo potencial para ser uma daquelas bobagens divertidas tipo as velhas e antológicas produções da Empire/Full Moon Pictures nos anos 80/90. Mas a boa ideia inicial acaba reduzida a uma piada de mau gosto por levar tudo na maior seriedade, como se esta fosse uma produção bilionária, e ainda insistir num insuportável “desenvolvimento de personagens” que somente atrasa o início da ação dos esqueletos assassinos em pelo menos 50 minutos! Esse desenvolvimento de personagens inclui o velho clichê do triângulo amoroso, aqui representado por uma morena bem bonitinha (Audrey Anderson) que quer roubar John da pobre Amy.

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E embora os efeitos em CGI do exército de esqueletos sejam muito bons, ainda mais considerando que esta é uma daquelas produções direto para DVD rodadas a preço de banana, o mesmo não pode ser dito da interação dos atores com os monstrinhos em CGI e das cenas de violência, também feitas por computação gráfica, e tão toscas e falsas que até esguichos de catchup em filmes caseiros parecem mais realistas. Os jatos de sangue computadorizado são tão pixelados que, na maior parte das cenas de morte, eu me senti jogando o antigo Doom num velho PC 386 – com a diferença de que não podia participar da ação.

O excesso de computação gráfica se explica pelo fato do diretor de primeira viagem Conti ter trabalhado nas equipes de efeitos visuais de filmes com orçamentos “um pouquinho maiores“, como Falcão Negro em Perigo e Homens de Preto.

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Army of the Dead se resume então a meia dúzia de cenas com os soldados esqueléticos usando flechas, espadas e, claro, espingardas para detonar o elenco de caras desconhecidas. O mais legal é quando eles são parcialmente destruídos pelos tiros ou espadadas dos heróis, e aí caminham em pedaços (tipo com metade do crânio apenas) atrás das suas vítimas. Só que os esqueletos em stop-motion de Uma Noite Alucinante 3 eram bem mais divertidos do que estes feitos em CGI…

Além disso, os realizadores desta tralha não tiveram o mesmo senso de humor de Sam Raimi para fazer um filme barato com esqueletos assassinos, o que é uma pena, e aí não há efeito especial ou gore que salve a coisa do desastre. Esse é o tipo de produção que só funciona com muito humor negro, sangue e tripas, quem sabe também umas cenas gratuitas de sexo ou mulher pelada – coisas que, vale destacar, não existem aqui. Do jeito que ficou, você até aguenta uma meia hora na boa, mas depois fatalmente vai se sentir seduzido a ir avançando o filme, e no final nem vai mais se importar com o que acontece.

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E, acredite, não vai perder absolutamente nada se desistir de ver ainda lá nos primeiros 10 minutos. Até porque, sem gore suficiente, sem humor negro e sem mulher pelada, Army of the Dead não tem um pingo da diversão que o pôster do filme promete. Propaganda enganosa total!

Onde anda Charles Band quando se precisa dele?

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1 Comentário

  1. vanessa vasconcelos

    passo………..

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