Críticas

Epidemia de Zumbis (1966)

O filme da Hammer não apresenta violência e cenas sangrentas, focando mais na atmosfera gótica e no suspense sombrio!

Epidemia de Zumbis (1966)

Epidemia de Zumbis
Original:The Plague of the Zombies
Ano:1966•País:UK
Direção:John Gilling
Roteiro:Peter Bryan
Produção:Anthony Nelson Keys
Elenco:André Morell, Diane Clare, Brook Williams, Jacqueline Pearce, John Carson, Alexander Davion, Michael Ripper, Marcus Hammond, Dennis Chinnery, Louis Mahoney, Roy Royston, Ben Aris, Tim Condren

A produtora inglesa Hammer nos presenteou com dezenas de filmes de horror entre o final dos anos 50 e meados da década de 70 do século passado, abordando todos os sub-gêneros do estilo, e Epidemia de Zumbis (The Plague of the Zombies, 1966) é a sua contribuição para o tema dos mortos-vivos. Ele antecede o clássico de George Romero A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, 68), que introduziu no cinema os zumbis putrefatos comedores de carne humana, e que influenciou toda uma safra de produções similares até os dias de hoje. Dirigido por John Gilling, de A Carne e o Diabo (The Flesh and the Fiends, 60, com Peter Cushing e Donald Pleasence), e estrelado por André Morell (de O Cão dos Baskervilles, 59, com Christopher Lee e novamente Cushing), esse filme da Hammer sobre zumbis é inspirado em Zumbi Branco (White Zombie, 32), produção em preto e branco com elenco liderado pelo ícone Bela Lugosi, apresentando mortos que levantam de suas tumbas geladas em rituais de magia negra e vodu, não em busca de carne, mas para vagarem errantes como escravos de seu mestre.

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Um médico, Dr. Peter Tompson (Brook Williams), está enfrentando sérios problemas para diagnosticar a causa da morte de vários aldeões de uma pequena vila no interior da Inglaterra em 1860. Preocupado com a situação e vendo também sua jovem esposa, Alice Mary Tompson (Jacqueline Pearce), apresentar sinais progressivos de fraqueza, ele escreve para seu antigo professor, Sir James Forbes (André Morell), relatando sua angústia por não conseguir impedir a crescente onda de mortes misteriosas. O renomado professor de medicina da Universidade de Londres decide então viajar até o vilarejo com sua bela filha Sylvia (Diane Clare), para tentar auxiliar seu ex-aluno. Chegando lá, enfrenta hostilidades dos moradores supersticiosos e assustados com a desconhecida epidemia, e sua investigação o leva a suspeitar do envolvimento de um rico fidalgo rural, Clive Hamilton (John Carson), proprietário de uma mina de estanho, com rituais de magia negra, e com as estranhas mortes que estão ocorrendo.

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Diferente de seu sucessor americano A Noite dos Mortos-Vivos, o filme da Hammer apresenta bem menos violência e cenas sangrentas, focando mais na atmosfera gótica e no suspense sombrio, ingredientes típicos das produções do cultuado estúdio inglês, que se transformaram em sua marca registrada, responsável por conquistar uma imensa legião de apreciadores. Mas, a despeito do clima mais voltado ao horror sugerido, temos também boas sequências de mortes, com aparições e ataques dos mortos-vivos muito bem caracterizados, num trabalho notável de maquiagem, principalmente para a época da produção, há meio século.

Entre as várias curiosidades, vale citar que o diretor John Gilling (1912 / 1984) e o ator André Morell (1909 / 1978) estiveram juntos em outro filme da Hammer, A Mortalha da Múmia, também conhecido por aqui como O Sarcófago Maldito (The Mummy´s Shroud, 67). O roteiro de Epidemia de Zumbis é de autoria de Peter Bryan, o mesmo do já citado O Cão dos Baskervilles e de As Noivas do Vampiro (60), com Peter Cushing. Foi filmado ao mesmo tempo de A Serpente (The Reptile), com o mesmo cineasta John Gilling, alguns atores em comum como Michael Ripper e Jacqueline Pearce, e utilizando as mesmas locações e cenários ambientando um pequeno vilarejo europeu da metade do século XIX. Enquanto o primeiro filme aborda a temática dos mortos-vivos, ressuscitados por feitiçaria e transformados em escravos, o outro explora também o poder de cultos proibidos na criação de um horrível monstro assassino mutante, misto de mulher e serpente. Aliás, o inglês Michael Ripper (1913 / 2000), que em Epidemia de Zumbis fez o papel do policial Sargento Jack Swift, é o ator que mais esteve presente em filmes da Hammer, sempre como coadjuvante, participando de A Vingança de Frankenstein (58), A Múmia (59), A Maldição do Lobisomem (61), O Fantasma da Ópera (62), A Maldição da Múmia (64), Rasputin – O Monge Louco (66), O Continente Esquecido (68), Drácula – O Perfil do Diabo (68), O Sangue de Drácula (70), O Conde Drácula (70), entre outros.

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Epidemia de Zumbis teve lançamento em DVD no Brasil pelo extinto selo Dark Side da Works Editora. Praticamente sem materiais extras, trazendo apenas pequenas biografias de John Gilling e André Morell, e com uma frase sensacionalista exagerada e equivocada na contra capa (Milhares de mortos estão levantando de suas tumbas. Uma horripilante descoberta que chocará toda a raça humana), sendo que o filme nem precisaria desse tipo de apelo forçado.

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Juvenatrix

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Uma criatura da noite tão antiga quanto seu próprio poder sombrio. As palavras são suas servas e sua paixão pelo Horror é a sua motivação nesse Inferno Digital.

2 Comentários

  1. Adrianoconan

    A cena da decapitação, com certeza, serviu de inspiração para uma das cenas de THE EVIL DEAD.

  2. vanessa vasconcelos

    parece bom.

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