Críticas

Extermínio 2 (2007)

É um daqueles filmes que felizmente existem para honrar o cinema de horror, mostrando sangue, tripas, violência e loucura em doses generosas

Extermínio 2 (2007)

Extermínio 2
Original:28 Weeks Later
Ano:2007•País:UK, Espanha
Direção:Juan Carlos Fresnadillo
Roteiro:Juan Carlos Fresnadillo, Rowan Joffe, Enrique López Lavigne, Jesús Olmo
Produção:Enrique López Lavigne, Andrew Macdonald, Allon Reich
Elenco:Jeremy Renner, Rose Byrne, Robert Carlyle, Harold Perrineau, Catherine McCormack, Idris Elba, Imogen Poots, Mackintosh Muggleton, Emily Beecham, Garfield Morgan, Shahid Ahmed

Em 01/06/07 estreou nos cinemas brasileiros Extermínio 2 (28 Weeks Later, 2007), dirigido pelo espanhol Juan Carlos Fresnadillo (de Intacto, 2001), e com a dupla Danny Boyle e Alex Garland na produção executiva, além do talentoso ator escocês Robert Carlyle na liderança do elenco.

Como sugere o título original, 28 semanas depois dos acontecimentos do primeiro filme, Extermínio (28 Days Later, 2002), dirigido por Boyle e escrito por Garland, a contaminação do vírus na Inglaterra estava sob controle, não se espalhando para outros países. Os infectados haviam morrido de fome e o exército americano estava trabalhando em Londres para impedir a propagação da praga e permitir aos poucos o retorno dos moradores que fugiram da epidemia, mas inicialmente apenas para viverem numa área isolada, que seria o ponto de partida para o início da reconstrução da cidade após o caos disseminado pelo vírus da raiva.

Extermínio 2 (2007) (1)

Entre os principais personagens temos Don (Robert Carlyle), um homem que vive na área de segurança e que tem uma espécie de cargo de zelador do local. Ele aguarda a chegada de seus filhos, Andy (Mackintosh Muggleton) e Tammy (Imogen Poots), e guarda na cabeça a perturbadora lembrança de sua esposa Alice (Catherine McCormack) sendo atacada pelos infectados. Porém, a aparente calmaria do lugar se transforma radicalmente quando o vírus consegue se infiltrar no refúgio espalhando novamente o caos absoluto entre os civis e militares. Um grupo formado pelo jovem casal de irmãos, um atirador de elite, Sargento Doyle (Jeremy Renner), e uma médica do exército, tenta escapar da área de segurança, tendo que para isso combater tanto os infectados que querem rasgar suas carnes e saborear o sangue, como os militares americanos que são orientados a conter a nova epidemia a qualquer custo, mesmo que seja necessário matar pessoas inocentes e ainda livres do vírus.

São produzidas tantas porcarias no cinema de horror que o lançamento de Extermínio 2 é um alívio imenso para quem procura um filme significativo no gênero. O original de 2002 já era ótimo e tinha colocado seu nome na lembrança dos apreciadores do cinema de horror como um grande filme abordando o tema do caos espalhado na humanidade pela ação de uma praga de proporções colossais com uma disseminação de velocidade descomunal. As vítimas eram infectadas por um vírus da raiva e passavam a atacar violentamente todos que cruzassem seu caminho, à procura incessante de carne e sangue, e com isso espalhando a contaminação.

Extermínio 2 (2007) (2)

Extermínio 2 é um daqueles filmes que felizmente existem para honrar o cinema de horror, mostrando sangue, tripas, atrocidades, mortes, violência e loucura em doses generosas e numa história inteligente onde não parece mesmo existir esperança para a humanidade. Curiosamente, assim como ocorreu também com Terra dos Mortos (Land of the Dead, 2005), o quarto filme da série de George Romero, o filme teve uma passagem irregular nos cinemas, sendo exibido em poucas salas e horários, obrigando um esforço adicional para tentar não perdê-lo nas telas grandes. A violência de seu conteúdo certamente contribuiu para essa dificuldade.

Entre os vários destaques, vale registrar:

* os movimentos super rápidos da câmera na cena inicial do ataque dos infectados contra um grupo de sobreviventes escondidos numa cabana, aumentando ainda mais uma sensação inquietante no espectador, já previamente consolidada graças aos acontecimentos da história (grupo isolado lutando pela sobrevivência num confronto com criaturas que querem devorá-lo vivo);

* a fuga desesperada do personagem de Robert Carlyle, correndo sozinho por um campo, sendo perseguido por uma legião de infectados furiosos que surgem em número cada vez maior do alto das colinas, ávidos por destroçar seu corpo em pedaços;

* a magnífica trilha sonora, se encaixando perfeitamente no clima depressivo de desolação das cenas violentas de combate entre os infectados e os militares;

* a sequência extremamente sangrenta envolvendo um helicóptero e um grupo de infectados (e que talvez possa até ser uma homenagem ao clássico Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead, 1978), de George Romero;

Extermínio 2 (2007) (4)

* uma outra seqüência passada no interior do metrô totalmente escuro, com os sobreviventes em fuga caminhando sem enxergar nada, utilizando apenas como referência a mira telescópica de um rifle, podendo encontrar a morte a qualquer momento através de um ataque de infectados;

* a atuação brilhante do experiente ator Robert Carlyle (de Mortos de Fome / 1999, e Eragon / 2006), tanto nas cenas dramáticas, quanto nos momentos em que expressa uma fúria primitiva;

* a declaração de código vermelho pelo exército americano, autorizando um bombardeio aéreo contra a área de segurança, com bombas incendiárias de grande poder de destruição, em efeitos bem produzidos e convincentes;

* a totalmente perturbadora característica dos infectados, que possuem extrema ferocidade e agilidade nos movimentos, além de utilizarem muita violência em seus ataques, não faltando por isso cenas carregadas de gore;

* o desfecho sempre apocalíptico, que já é uma marca registrada nos filmes sobre pragas assolando a humanidade, que nos faz pensar na impossibilidade de conter o caos.

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6 Comentários

  1. luan

    ESSE É MEU SENTIMENTO SOBRE O FILME>

    “Não adianta trazer um elenco mais requintado se o resto não ajuda. A produção traz Jeremy Renner, como um soldado e Rose Byrne, como uma doutora militar. Juntos, eles tentam ajudar os meninos – além de Idris Elba, que parece destinado a fazer papéis como em Círculo de Fogo, o de algum militar genérico linha dura. Sai Danny Boyle na direção e entra o espanhol Juan Carlos Fresnadillo, que tem os seus momentos de total desorientação atrás das câmeras. As cenas de confinamento da população, atacada pelos zumbis, é uma confusão absurda. O herói de Renner é despachado em uma cena idiota e a personagem de Byrne desperdiçada, assassinada pelo papai zumbi em uma cena de visão noturna para a geração Atividade Paranormal (nada de criatividade aqui).”

  2. roberto cardoso

    Realmente,o início é impactante, já o restante não me agradou muito. O roteiro some com o personagem do Robert Carlyle a certa altura,o que é uma pena.

  3. Sérgio

    Saudações,

    Reitero um dos pontos destacados do filme pelo autor desta publicação. Realmente, a cena do bombardeio com bombas incendiárias, em uma área tomada de infectados, na cidade é um espetáculo apocalíptico bastante perturbador e que me fez refletir como seria se uma coisa horrorosa como essa acontecesse de verdade.

    Este filme é uma continuação impecável da primeira história e que honra como uma boa obra-prima do terror. Imperdível!

  4. Filme perfeito , pra mim uma das melhores continuações já feitas neste subgênero !
    Um destaque em sua ótima trilha sonora , atuação , e em seu gore , a cena mais memorável e impressionante está na carnificina provocada pelo helicóptero , mais também vale lembrar o seu começo eletrizante !
    Extermínio 1 e 2 também estão na minha coleção .

  5. vanessa vasconcelos

    ótima continuação.

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