House of the Dead – O Filme (2003)

House of the Dead (2003)
Este filme não é ruim como dizem… É 10 vezes pior!
House of the Dead - O Filme
Original:House of the Dead
Ano:2003•País:EUA, Alemanha, Canadá
Direção:Uwe Boll
Roteiro:Dave Parker, Mark Altman
Produção:Shawn Williamson, Uwe Boll, Wolfgang Herold
Elenco:Ben Derrick, Clint Howard, David Palffy, Ellie Cornell, Enuka Okuma, Jonathan Cherry, Jurgen Prochnow, Michael Eklund, Ona Grauer, Will Sanderson

(ATENÇÃO: Este artigo tem spoilers. Mas como o filme é uma porcaria mesmo, você não vai se importar em saber como ele termina!)

Toda unanimidade é burra, diz um célebre ditado popular. Entretanto, em alguns casos é impossível não concordar com as opiniões unânimes. Principalmente quando dizem, por exemplo, que Cidadão Kane (o clássico de Orson Welles), é um filmaço e Nunca Brinque com os Mortos é um lixo. Mesmo assim, costumo fazer o máximo de esforço para não ir atrás de elogios ou críticas muito unânimes, tendo uma opinião formada própria. Fuga de Los Angeles, de John Carpenter, é um filme do qual todos falavam (e falam) mal, mas mesmo assim eu gostei, entre centenas de outros exemplos.

Achei que por isso haveria alguma chance de eu gostar do House of the Dead, do qual todos falavam tãoooooooo mal. Até o Renato Rosatti, habitualmente generoso com algumas produções fraquinhas (tipo Premonição 2, Halloween Ressurreição e Olhos Famintos 2), teve que entregar os pontos e sentar a lenha neste filme de zumbis “teen“. Pensei que algo havia de muito errado no filme, mas mesmo assim resolvi assistir…

Meu conselho: não sejam burros como eu fui!

House of the Dead (2003) (1)

House of the Dead é simplesmente um dos mais horrendos (no pior dos sentidos) filmes de horror, de suspense, de ação, ou seja lá do que for, realizado nos últimos anos. Eu fico só pensando como é que gente normal consegue dar dinheiro para produzir um lixo do tamanho deste filme, e fico pensando também como gente normal paga ingressos e locações na locadora para ver porcarias tão grandes como esta. E estou tentando me conter nos insultos… Todas as críticas a este filme são generosas demais: House of the Dead é dez vezes pior do que andam falando.

Aparentemente, este lixo é baseado num videogame da Sega, que por sinal eu já joguei. Mas a única relação entre filme e videogame parece ser a existência de zumbis e muitos, mas muitos tiros. Os personagens da trama, lá pela meia hora de filme, parecem estar jogando videogame: todos pegam armas pequenas e grandes (revólveres, metralhadoras, espingardas, escopetas, granadas) e saem destruindo centenas de milhares de zumbis que aparecem pela frente. Talvez tivesse alguma graça se o espectador ganhasse uma arma também e pudesse atirar contra a tela, numa espécie de filme/videogame virtual, que é justamente o que o filme parece.

O mais constrangedor de tudo é constatar a completa falta de noção, de talento, de técnica narrativa e de uso de câmera do diretor alemão Uwe Boll, um cara até então totalmente desconhecido que veio de uns filmes classe Z (tipo o suspense Santimony – Crimes Diabólicos, lançado no Brasil e provavelmente não visto por ninguém) e sabe-se lá como arranjou cacife e grana para fazer uma produção mais ou menos. Mas Deus do céu, o cara é muitooooooo ruim. Segurem esse cara, coloquem ele num manicômio ou deem um tiro no meio dos cornos do sujeito, mas por favor jamais deixem com que ele ponha as mãos numa câmera novamente!

House of the Dead (2003) (2)

Dirigindo um suposto “filme de horror“, Boll parece, isso sim, estar inventando um novo jogo de videogame (a diferença é que não é interativo, ou seja, o espectador não pode jogar, apenas assistir). Tem a mesma graça que quando você vai ao fliperama sem dinheiro e tem que ficar assistindo outra pessoa jogar: os personagens do “filme” parecem estar se divertindo muito atirando e destruindo os zumbis, mas você, que não está participando da ação e só pode ficar olhando, acaba ficando apenas entediado.

Nem adiantaria perder meu tempo comentando a “história” que inventaram para que House of the Dead tivesse algum nexo (falharam na tentativa, porque não tem nenhum nexo). Mas vamos lá: um grupo de jovens boçais, ridículos, burros e esteriotipados como poucos quer ir a uma rave numa ilha deserta (óbvio). Ninguém liga para o fato de o local ser chamado “Isla de la Muerte” e todos contarem lendas e histórias assustadoras. Ninguém liga para o fato do capitão de um navio, chamado Capitão Kirk (oh, céus…), pedir mil dólares para levar o grupinho até lá.

Epa! Calma lá! Onde é que um jovem burro na faixa dos 25 anos arranjou MIL DÓLARES para ir numa rave? Ah, deixa pra lá. Esse é o menor dos furos do “roteiro“.

Vamos dizer apenas que o “Capitão Kirk” é interpretado por Jurgen Prochnow (veterano de filmes de horror, embora cada vez em participações mais medíocres) e seu imediato, um marinheiro com um gancho no lugar de uma das mãos (oh, céus!), é ninguém menos que Clint Howard, eterno coadjuvante de filmes de horror, que aqui, vejam só, também é coadjuvante!

House of the Dead (2003) (3)

Enquanto o grupo sai do cais, deixando para trás Casper (Gasparzinho? argh!), a fiscal da guarda costeira interpretada por Ellie Cornell (que teve tempos melhores em Halloween 4), um monte de zumbis putrefatos, porém super ágeis, começa a atacar a galera que está na rave. Quando os jovens chegam à ilha, encontram uns poucos sobreviventes e todo o restante das vítimas transformado em zumbis (leia-se: com a cara branca e um pouco de sangue salpicado no rosto).

No início parece haver uns poucos zumbis e a rave deve ter, no máximo, umas 100 pessoas. Mas no que a galera chega à ilha, os mortos se multiplicam e atacam em grupos de milhares! Sério! Você até perde a conta de quantos zumbis são destruídos pelos “heróis“.

Os jovens são todos uns idiotas e não acreditam que há algo de estranho no lugar, mesmo encontrando tudo destruído no local onde era para estar acontecendo a rave. Uma das moças chega a dizer que os mortos-vivos são, na verdade, “atores” contratados pelos organizadores da festa!!! E, idiotas que são, se separam o tempo todo para fazer idiotices. O espectador chega a ficar feliz quando eles morrem, de tão ridículos que são os personagens e os diálogos! Ou seja, o filme falha totalmente em criar um vínculo entre espectador e personagens. Não existem heróis, apenas um monte de palermas “comida de zumbis“.

House of the Dead (2003) (4)

Calha do Capitão Kirk ser um contrabandista de armas, e lá pela metade do filme todos os sobreviventes se armam até os dentes com um arsenal pesado (as armas anteriormente citadas) e saem detonando zumbis, num videogame total e palerma (só faltaria um placar no canto de cima da tela, mostrando quantos pontos os atores estão acumulando). Milagrosamente, todos aqueles jovens otários se revelam exímios atiradores e lutadores de kickboxing, pois saem mostrando uma mira fantástica e um sangue frio tremendo para explodir cabeças de zumbis. Sabem até carregar e recarregar armas que nunca viram na vida e mesmo jogar granadas!!!! Argh!

O pior de tudo é ver a luta contra os zumbis coreografada como se fosse a série Matrix. Eu penso, penso, mas não consigo imaginar onde o “diretor” Boll estava com a cabeça. Sim, porque aparentemente ele deveria estar fazendo um filme de horror, mas prefere mostrar lutas coreografas em câmera lenta, o diabo do efeito “bullet time” – que está desgastado desde o primeiro Matrix (de 1999, e lá vão cinco anos!!!) – e closes de chutes, socos e tiros sendo disparados de revólver. Ou seja, ele não está brincando de George Romero ou de Peter Jackson, mas sim de John Woo e Irmãos Wachowsky, e nós supostamente deveríamos estar gostando disso tudo!

Esta pavorosa cena de tiroteio, que eu apelidei de “Neo, Trinity e amigos versus zumbis“, é mais ou menos assim: o grupo de sobreviventes está tentando chegar a uma casa abandonada, onde pretende fazer uma barricada (a tal “casa dos mortos“, finalmente dando as caras para justificar o título do filme!!!!). Mas, para chegar lá, terão que enfrentar um exército de mortos. O caminho até a casa tem, no máximo, uns 20 metros. Mas do jeito que a cena é filmada, parece ter dois quilômetros (e uns 500 mil zumbis!). Em câmera lenta misturada com ritmo acelerado de videoclip, os jovens correm, pulam, lutam, atiram, explodem zumbis, num momento que parece copiado do clássico O Encouraçado Potenkim (onde um carrinho de bebê cai de uma escada e a cena não termina nunca, como se a escada fosse infinita). A diferença é que aqui enche o saco. Quando pintar a cena em que a negrinha Enuka Okuma dá um saltinho no ar (em câmera lenta) para meter um tiro de espingarda num zumbi, você vai estar louco de vontade de dar um stop e fazer algo de útil da sua vida.

House of the Dead (2003) (5)

Ah sim, supostamente existe uma subtrama, entre as lutinhas matrixianas e os zumbis, sobre um padre espanhol do século 18 que refugiou-se na ilha para fazer experiências de ressurreição dos mortos. Isso nunca fica bem explicado (na verdade, nada fica explicado). Ele tem a cara toda costurada, aparentemente porque mantém-se vivo arrancando partes de corpos vivos e implantando no seu próprio (outra coisa que não fica bem explicada). Ele teria criado o exército de zumbis para aprisionar os incautos que visitam a ilha e arrancarar sua pele e seus órgãos, para regenerar seu próprio organismo. Apesar disso, somente os dois “heróis” do filme são, misteriosamente aprisionados pelos zumbis, e não mortos, devorados e esquartejados, como todos os outros! Argh!!!! E o roteiro foi escrito por DUAS PESSOAS, Mark Altman e Dave Parker! Socorro!!!

O filme é simplesmente ridículo do início ao fim. Sem contar que a dupla de roteiristas sofre do “mal de Claudio Fragasso e Bruno Mattei” (os responsáveis pelo pior filme italiano de zumbis de todos os tempos, Zombie 3). Como no filme italiano, cuja direção é creditada a Lucio Fulci, os zumbis de House of the Dead não se decidem: às vezes morrem com tiros no peito e no coração, às vezes só com tiros na cabeça. Às vezes andam devagar, às vezes correm. Já os “heróis” encontram armas dando sopa para explodir os zumbis. E, como no filme de Mattei/Fragasso, alguns zumbis têm paciência para ficar escondidos em paredes ou atrás de árvores para saltar na hora H e atacar os heróis (resta saber quanto tempo eles ficaram lá escondidos esperando!!!!).

O número de bobagens não pára por aí: sabe-se lá por quê, o “diretor” Boll achou que seria interessante colocar cenas de videogame em meio ao filme. Bom, se alguém gostou disso, se alguém achou alguma lógica nessa ideia ridícula, por favor me escreva e eu vou adorar saber o que levou você a apreciar essa “ideia”. Logo depois, serei forçado a ligar para o manicômio mais próximo da sua casa.

Mais algumas besteiras para a relação:

BESTEIRA NÚMERO 1: Como em Um Drink no Inferno, os personagens encaram a existência de zumbis como se fosse a coisa mais normal do mundo!!! Se nos velhos filmes de Bruno Mattei e Andrea Bianchi as pessoas falavam coisas idiotas como “Meu Deus, que horror!” ao invés de correr, aqui os personagens nem parecem ter medo de corpos putrefatos andando (correndo) em direção a eles. Lá pelas tantas, começam a explodir os zumbis como se fizessem isso todo dia!!!! Não tentam nem ao menos fazer uma cara de medo ou de pavor. Pior: encaram a morte dos amigos e colegas com a maior naturalidade.

House of the Dead (2003) (6)

BESTEIRA NÚMERO 2: A cena mais idiota, que reflete bem isso, é aquela onde um dos sobreviventes do massacre na rave mostra um vídeo que fez dos zumbis atacando os outros jovens. E mostra com a maior tranqüilidade. Ou seja, ao invés de ajudar, de correr, de fazer alguma coisa, o mané ficou lá filmando os zumbis atacando e devorando seus amigos!!!!!!

BESTEIRA NÚMERO 3: Em outro momento semelhante ao anterior, que mostra a completa falta de noção e de emoção dos seus “heróis“, o grupo está sitiado na casa, com uma centena de zumbis putrefatos do lado de fora, vários dos seus amigos mortos, e um deles, ao invés de estar preocupado se vão sobreviver, se vão conseguir escapar da ilha, apenas fica se olhando no espelho e reclamando que está deformado por causa de um ferimento no rosto!!!!! ARGHHHHH!!!!!!

No filme Um Drink no Inferno os personagens também encaram os vampiros como uma coisa normal e saem matando eles tranquilamente enquanto fazem piadinhas. A diferença é que o filme de Robert Rodriguez/Quentin Tarantino é uma brincadeira trash, uma sátira rasgada, enquanto Uwe Boll leva o “seu filme” como se fosse uma obra séria, como se estivesse tentando fazer a trilogia de George A. Romero (que inclusive é citada por um dos personagens).

House of the Dead (2003) (7)

BESTEIRA NÚMERO 4: Em outro momento, o grupo de sobreviventes chega até a praia onde está o navio que os trouxe à ilha. Ou seja, estão a poucos passos de fugir do maldito lugar. Só que eles descobrem que o bote que levaria o grupo até o navio, ancorado a menos de 10 metros, desapareceu. Bastaria nadar até o navio e fugir logo daquela porra de ilha. Mas eles acham que é mais fácil e “coerente” voltar pelo meio da selva até uma casa abandonada, onde poderiam “resistir” (hahahaha), como em A Noite dos Mortos-Vivos. E fazem isso mesmo!!! Por favor…

BESTEIRA NÚMERO 5: Em outra cena, ainda, a jovem negra anteriormente citada, segurando um machado na mão, encontra uma porta trancada e diz para os amigos: “Não podemos passar, está fechada…“. Usa o machado, anta!

BESTEIRA NÚMERO 6: E o que dizer da cena em que uma moça, tentando pular a janela, tem suas pernas cortadas a machadadas pelos zumbis – peraí, eles não mordem mais, agora usam ferramentas? Milagrosamente, quando ela é puxada para dentro de casa por um rapaz, a despeito do corpo humano ter muitos litros de sangue, e considerando a gravidade do ferimento, nem ao menos sai uma gotinha vermelha das pernas cortadas, quando na verdade deveria jorrar uma cachoeira de sangue do ferimento. E o tal rapaz que puxa ela, ao invés de tentar fazer um torniquete para estancar a hemorragia (supostamente, é um estudante de medicina), apenas joga um cobertor por cima!!!!! ARGHHHH!!!!!

BESTEIRA NÚMERO 7: Mas o melhor é a cena onde o personagem de Clint Howard encontra uma das mocinhas nua, com as tetas de fora, e ela continua falando com ele como se aquilo fosse a coisa mais normal, sem nem ao menos se cobrir! Lembrei na hora do pavoroso Man Hunter, de Jess Franco, onde as mulheres peladas não têm vergonha de serem vistas por todo o elenco masculino… a diferença é que o filme de Franco pelo menos é engraçado.

House of the Dead (2003) (9)

BESTEIRA SUPREMA E FINAL: O final consegue ser ainda mais “brilhante“: os zumbis repentinamente “somem de cena” e o casal de sobreviventes enfrenta o padre morto-vivo. Ele atinge a mocinha mortalmente e ela cai estatelada no chão, como morta. Quando o padre está matando o mocinho, a garota que parecia estar morta “acorda“, encontra forças para levantar e dar um fim no vilão, somente para dois segundos depois cair estatelada e morta no chão novamente, na cena mais falsa e forçada da história do cinema!!!!!!!!! Quer dizer, se ela não estava morta, porque caiu no chão desfalecida, com os olhos fechados, como se estivesse, apenas para “acordar” bem na hora de salvar a pátria? Não seria melhor e mais convicente mostrar a menina caída e se contorcendo de dor?

E vamos entregar logo de primeira mão (eu não quero que vocês vejam essa porcaria, então vou contar o final) que conseguiram até mesmo chupar a conclusão de Reanimator, embora sem um pingo de brilhantismo.

No fim (se é que você vai aguentar chegar até o fim), várias coisas permanecem sem explicação, mas vou enumerar apenas algumas, para quem viu o filme:

1. O que faz um cemitério numa suposta ilha deserta?
2. Por que os zumbis não parecem interessados em devorar os vivos, mas apenas dar uma mordidinha para contaminá-los?
3. Quem foi o jacu que inventou a cena onde um zumbi vomita na cara de um rapaz, e o vômito corrói o rosto do dito cujo???
4. Quem inventou zumbis que correm como se fossem lebres, pulam como se fossem rãs e nadam como se fossem peixes?
5. Se os zumbis estão mortos, por que eles soltam bolhas de ar quando estão mergulhados?
6. Como jovens que nunca viram uma arma aprendem a atirar e recarregar armas em trinta segundos?

House of the Dead (2003)
Um dos piores filmes dos últimos tempos!

7. Por que os zumbis têm os olhos vermelhos no escuro ao atacarem uma das primeiras vítimas, mas depois a cor dos olhos volta ao normal no restante do filme?
8. O que é aquela equipe de resgate que chega no final e já sabe que existem zumbis na ilha (chamando-os de “reanimated homo sapiens“)?
9. Por que nem todas as pessoas mordidas por zumbis viram zumbis?
10. Como é que uma fiscal da guarda costeira leva uma metralhadora pesada e uma pistola, como se fosse Rambo????
11. Por que os zumbis não atacam antes??? Quer dizer, o pessoal foi até a ilha para organizar a rave, fizeram um dia inteiro de festa e nenhum zumbi apareceu. De repente, eles surgem aos milhares!
12. Como a porta da frente da casa, explodida com dinamite pelo Capitão Kirk, está de volta no lugar quando um outro rapaz explode um barril de pólvora no interior da casa???
13. Como é que o velho diário de bordo encontrado por uma das meninas na casa antiga está impresso, ao invés de escrito a mão pelo capitão do navio???
14. Quem inventou a ridícula cena em que um zumbi assobia “Love Me Tender“???? ARGHHH!!!!!
15. Por que em uma cena os zumbis carregam os cadáveres dos “colegas” abatidos, levando-os embora? Para onde levam? O que fazem com eles????
16. Por que o filme se chama House of the Dead e não Island of the Dead (A Ilha dos Mortos-vivos), já que as cenas na tal “casa” não ocupam 15 minutos do filme?

House of the Dead até seria divertido se pelo menos assustasse ou tivesse cenas sangrentas. Que nada! O filme só provoca risos e indignação, e só zumbis são mortos violentamente. Não há uma única cena de gore com os jovens sendo despedaçados ou devorados. Pior: nem uma mordidinha ensanguentada sequer!!!! Quando os jovens são mortos, vemos apenas os zumbis caindo de pilha em cima deles, aí o “diretor“, sabe-se lá porquê, mostra uma cena com um close da vítima em questão e faz a tela ficar avermelhada, como se fosse um jogador de fliperama levando “Game over“. ARGHH!!!!

Só há sangue mesmo quando cabeças de zumbis são explodidas, porque o “diretor” Boll insiste em cortar ou mudar de cena quando um dos jovens é agarrado pelos mortos. Saudades do Lucio Fulci, do Romero, do Dan O´Bannon e, vá lá, até do Bruno Mattei e do Andrea Bianchi

House of the Dead (2003) (2)

Cada vez que eu vejo uma podreira como este House of the Dead, eu fico imaginando porque diretores como Ed Wood, Bruno Mattei e Umberto Lenzi são considerados “os piores“. Quer dizer, eles realmente são uns incapazes, mas seus filmes pelo menos são divertidos, em sua infinita ruindade – tentem assistir Hell of the Living Dead, do Mattei, e vocês vão achar que é uma obra-prima, mesmo sendo uma péssimo filme.

House of the Dead: de tão ruim ele deixa o espectador revoltado, pasmado, chocado com tanta bobagem. Poderia até dizer que o espectador fica mais burro depois de ver esta nulidade, esta afronta à inteligência. E o que dizer de um filme de terror que não tem uma única música sinistra, mas apenas muita música techno, o tempo inteiro batucando no cérebro do pobre espectador???

Reparem, ainda (ufa!), como o “diretorUwe Boll ataca de Ed Wood algumas vezes: em determinado momento, os personagens caminham calmamente na floresta em uma bela noite de luar enquanto, ao mesmo tempo, o Capitão Kirk está no barco debaixo de uma chuva torrencial (aparentemente, apenas sobre seu barco!!! hehehehe). Em outra cena, os heróis estão em um túnel de noite e saem do túnel de dia! ARGH!!!! O filme é desleixado e porco até mesmo na edição e na continuidade!

Esta é mais uma prova de que filmes baseados em jogos de videogame NÃO funcionam. E olha que a lista de erros não é pequena (Super Mario, Mortal Kombat, Tomb Raider, Street Fighter, só para citar os piores). E você achou que Resident Evil era fraco? Pois mesmo faltando violência e com um monstrengo ridículo atacando no final (além de usar zumbis apenas como coadjuvantes), fico com Resident Evil, muito mais um filme de mortos-vivos do que esta naba do Uwe Boll.

Enquanto assistia House of the Dead, em toda a sua ruindade, foi inevitável compará-lo ao Nights of Terror, de Andrea Bianchi, com a diferença de que o filme podreira italiano feito em 1980 é muito superior a esta tralha americana realizada em pleno século 21, com um orçamento 10 vezes maior! Comparem: nos dois filmes, a localização é um local isolado (uma ilha e um sítio), onde personagens tarados (adultos em um, adolescentes no outro) vão em busca de sexo e diversão (em ambos), mas são atacados por zumbis putrefatos (etruscos no filme italiano, espanhóis ou coisa que o valha no americano), transformando-se em mais zumbis (em ambos). Também nos dois filmes, os personagens bundões, ao invés de tentar escapar, resolvem fazer uma barricada em uma casa e enfrentar os zumbis, mas mesmo matando trocentos mortos-vivos, cada vez surgem mais monstrengos… hehehehe. Se eu fosse o Bianchi, processava o diretor desta naba por plágio.

Mas há um ponto positivo: House of the Dead começa com a narração do único sobrevivente explicando que todos seus amigos foram mortos. É ele quem conta a história, em flashback. Ou seja, de começo você já sabe como o filme vai acabar e que só vai ter este único sobrevivente. Logo, você só precisa assistir os primeiros 30 segundos e pode tirar a fita depois, sem ver o restante desta produção constrangedora.

Me respondam só uma coisa: onde anda George A. Romero quando se precisa dele???

 

 

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Felipe M. Guerra

Felipe M. Guerra

Jornalista por profissão e Cineasta por paixão. Diretor da saga "Entrei em Pânico...", entre muitos outros. Escreve para o Blog Filmes para Doidos!

12 comentários em “House of the Dead – O Filme (2003)

  • 22/07/2015 em 08:22
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    Nunca assisti este filme, mas se não consegui chegar ao final desta crítica de tão ruim imagina chegar no final do filme. Mas creio que você deveria assistir o filme de terror brasileiro “Mangue Negro”, esse pode ser bem pior, a unica coisa que salva é alguns efeitos especiais dos mortos vivos, mas é uma verdadeira tortura chegar ao final.

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  • 25/04/2015 em 16:58
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    Este filme é ruim mesmo, como pode um grupo de jovens que nunca deram um tiro, saberem usar armas?Cada uma que aparece.

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  • 17/03/2015 em 05:45
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    Esse filme é tão ruim que consegue fazer o Resident Evil: O Hóspede Maldito (2002) (que não é lá grande coisa) se tornar um Aliens o Resgate (1986). Se alguém conhecer algum filme que dirigido pelo Uwe Boll que preste por favor me avise, pois nunca vi um filme dele que seja digno de ser assistido por mais que dez minutos. Graças a Deus as adaptações para a telona de Doom a Porta Para o Inferno (2005) e Terror em Silent Hill (2006) não passaram pelas mãos dele.

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    • 03/08/2016 em 23:42
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      Existem três filmes bons que ele fez , eles são rampage 1 e 2 e darfur deserto de sangue, o resto é bem ruim mesmo.

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  • 07/09/2014 em 23:45
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    Eu vi esse filme ainda criança e não lembro de tudo, mas nunca esqueci de como os personagens se “transformam” quando resolvem lutar contra os zumbis. Hoje em dia já não teria coragem de assistir, mas passei um tempo vendo a sequência na locadora e pensando se devia alugar ou não…

    Resposta
  • 06/09/2014 em 18:55
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    Eu tenho esse filme, mas vivia enrolando para assistir mas nao tinha certeza se devia, pois achava o filme um tanto desinteressante. Agora depois de ler as criticas… Bye Bye
    Só não acho que seja pior que Linhas Mortais

    Resposta
  • 15/04/2014 em 18:38
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    E ainda teve continuação… Uwe Boll é o cara… doido!!! Vida loka.

    Resposta
  • 14/04/2014 em 00:21
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    kkkkk Caramba! Obrigada, valeu mesmo, me diverti mais com a sua resenha do que com alguns filmes tranqueiras que assisti por falta de aviso.Mas Agora to lembrada de outra critica desse filme a muitos anos no boca, é a mesma?

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  • 13/04/2014 em 22:16
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    Já caí na armadilha de alugar esse filme achando que era bom… não consegui assistir meia hora sem desligar e largar ele de lado.

    Resposta
  • 13/04/2014 em 01:21
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    Sempre vi esse filme na locadora e imaginava que deveria ser ruim portanto nunca quis alugar , mais com essa crítica apontada a ele , esse filme deve ser uma bosta .

    Resposta
  • 12/04/2014 em 22:42
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    estou fora,valeu por avisar,

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