Thriller (1983)

Thriller (1983)

Thriller
Original:Thriller
Ano:1983•País:EUA
Direção:John Landis
Roteiro:John Landis, Michael Jackson
Produção:George Folsey Jr., Michael Jackson, John Landis
Elenco:Michael Jackson, Ola Ray, Vincent Price, Hanala Sagal, Forrest J Ackerman, Rick Baker, Miko C. Brando, Greg Cannom, Michael DeLorenzo, Tony Gardner, Tom Hester, Janet Jackson, Vincent Paterson, Mark Sellers

O videoclipe é uma arte em constante transformação. Hoje você pode assistir ao clipe de sua banda favorita a qualquer momento, através de sites como o YouTube. Há apenas dez anos, quem quisesse ver um vídeo em especial dependia da boa vontade da toda poderosa MTV ou de uma ou outra exibição esporádica em outros programas da TV aberta e fechada. No início dos anos 80, a coisa era ainda mais difícil. A MTV estava engatinhando e ninguém pensava em gastar muito tempo e dinheiro com vídeos musicais, que eram filmados sem muito esmero e não causavam muita repercussão. Foi nessa década, mais precisamente em 1983, que um curta-metragem de treze minutos iria mudar esse cenário para sempre.

A ideia de que alguém fosse gastar meio milhão de dólares (cinco vezes mais do que os vídeos mais caros feitos até então), contratar um dos diretores mais promissores de Hollywood (John Landis, que na época estava em franca acensão depois do sucesso de Um Lobisomem Americano em Londres e Os Irmãos cara de Pau), um maquiador vencedor do Oscar (Rick Baker, responsável pela assustadora cena da transformação no filme de lobisomem de Landis) e, de quebra, trazer uma narração em off de Vincent Price era tão absurda que só poderia ter partido da cabeça peculiar do Rei do Pop, Michael Jackson.

Thriller (1983) (1)

A música Thriller está incluída no sexto álbum de Jackson, que leva o mesmo nome. Lançado em 1982, o álbum já vendeu mais de 400 milhões de cópias, o que faz dele o mais vendido da História. A canção foi lançada também como compacto em 1984, atingindo o primeiro lugar nas top tens do mundo todo. Com todo esse sucesso, é difícil imaginar um candidato melhor para fazer essa pequena revolução no cenário dos vídeos musicais.

A história do clipe (se pudermos chamá-la assim) começa com um casal de adolescentes (Michael e Ola Ray) caminhando na névoa depois que o seu carro fica sem gasolina. O cenário aparentemente romântico é quebrado quando Michael se transforma em um lobisomem debaixo da lua cheia. Vale destacar o design do monstro, mais parecido com um gato do que um lobo, numa esperta sacada de Landis e Rick Baker para evitar comparações com Um Lobisomem Americano em Londres.

Thriller (1983) (2)

Então, num brilhante recurso narrativo, descobrimos que o que estávamos vendo era um filme projetado numa tela de cinema, e nossos verdadeiros protagonistas (interpretados também por Michael e Ola Ray) estão sentados na plateia. No caminho de volta para casa, o casal é rodeado por zumbis, que saem da tumba ao som da narração de Vincent Price e participam de uma dança inesquecível ao som da canção de Jackson.

Thriller não é simplesmente um vídeo musical: é um curta de horror com a lógica de um videoclipe. John Landis o concebeu como um curta-metragem, e foi de fato exibido nos cinemas, e mais tarde lançado em VHS nos EUA. Reza a lenda que a única razão pela qual o vídeo não recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Curta Metragem foi o fato de ser uma produção de horror. A maquiagem dos zumbis é espetacular, provavelmente a mais elaborada já vista, e se a Academia fosse justa também colocado mais uma estatueta na prateleira de Rick Baker também. Mesmo com essas injustiças, Thriller foi e sempre vai ser um divisor de águas para o entretenimento, e, o que é melhor, pode ser assistido agora no conforto do seu computador.

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10 coisas que você precisa saber sobre Thriller:

– O recurso metalinguístico da sala de cinema foi reaproveitado por Bigas Luna em seu clássico Os Olhos da Cidade São Meus, em 1987.

– Quando os nossos protagonistas saem do cinema, os pôsters no saguão são de Schlock (longa de 1973 do diretor John Landis), Museu de Cera (de 1953, estrelando Vincent Price) e um anúncio de um filme fictício com Price chamado Thriller.

-. Em 1983 Thriller foi exibido no Brasil pela primeira vez, no Fantástico da Rede Globo, no que acabou se tornando um evento televisivo de parar o país!

– O clipe começa com o letreiro “Seguindo minhas convicções pessoais, eu quero frisar que esse filme não promove de forma alguma minha crença no oculto – Michael Jackson“.

Thriller (1983) (4)

– A coreografia dos zumbis foi planejada de acordo com dados médicos de como um cadáver com rigor mortis dançaria.

Michael Jackson quase demitiu sua companheira de cena Ola Ray depois de descobrir que a moça tinha posado para a Playboy em 1980.

– Os efeitos sonoros da transformação no primeiro ato foram reaproveitados de Um Lobisomem Americano em Londres.

– A famosa jaqueta vermelha de Michael foi desenhada pela esposa de John Landis.

Thriller foi o primeiro videoclipe a ser incluído na o Registro Cinematográfico Nacional da Biblitoeca do Congresso dos EUA, que reúne diversos clássicos da sétima arte.

– O nome original da canção seria Starlight, e ela quase foi abandonada durante a produção porque a mixagem não estava certa. Jackson abandonou o estúdio e foi observar crianças brincado num parquinho. De volta ao estúdio, ele disse ter recuperado a inspiração e finalizou a música.

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Matheus Ferraz

Matheus Ferraz

Mineiro, autor publicado e mestre em Biografia pela University of Buckingham

6 comentários em “Thriller (1983)

  • 14/12/2014 em 16:56
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    De longe o melhor videoclipe do mundo,bem feito e revolucionário!

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  • 29/09/2014 em 14:16
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    Sensacional. Acho que todos aqueles que pensam em fazer um filme sobre Zumbis ou lobisomens deveriam, primeiro, assistir Trhiller.

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  • 16/04/2014 em 21:21
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    Um classico, não só pela revolução grafica na epoca como tambem uma demonstração de inteligencia, delicadeza e sutileza de Michael em relação a setima arte. Impossivel hoje encontrar-mos algo de tamanha originalidade. Infelizmente esse genio não se encontra entre a gente.

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  • 15/04/2014 em 15:45
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    pena ele ter morrido,muito talentoso. R.I.P

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  • 15/04/2014 em 14:03
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    O Demons, do Lamberto Bava, também usa essa metalinguística do cinema 🙂

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