Críticas

O Ataque Vem do Polo (1957)

Um dos monstros gigantes mais feios da história do cinema está nessa produção devagar e barata!

O Ataque vem do Polo (1957)

O Ataque Vem do Polo
Original:The Giant Claw
Ano:1957•País:EUA
Direção:Fred F. Sears
Roteiro:Samuel Newman, Paul Gangelin
Produção:Sam Katzman
Elenco:Jeff Morrow, Mara Corday, Morris Ankrum, Louis Merrill, Edgar Barrier, Robert Shayne, Frank Griffin, Clark Howat, Morgan Jones

por Nilton Kleina

Em produções com monstros gigantes, como Godzilla (Gojira, 1954) e suas dezenas de derivados, é impossível destacar outra coisa a não ser as criaturas em questão. Elas estão no pôster, no trailer e até no nome do filme. Por isso, há uma enorme responsabilidade na composição do personagem, que deve ser intrigante, ameaçador e, por mais difícil que pareça, realista. Mas o que acontece se o bicho em questão não consegue preencher nenhum desses requisitos?

O monstro capaz disso é a ave antagonista de O Ataque Vem do Polo (The Giant Claw, 1957), uma das inúmeras produções sobre invasões de criaturas de proporções colossais combatidas por heroicos militares que surgiram na década de 50. De forma pouco convencional, o filme começa com uma narração séria explicando o funcionamento de radares e sistemas de comunicação, logo passando para uma cena em que um jato parece ser atacado por um objeto no céu.

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O protagonista que conduz a aerovane é Mitch McAfee (Jeff Morrow, de Guerra Entre Planetas), um engenheiro que faz bicos como piloto de testes para o exército (ou algo assim). Acompanhando da matemática e par romântico Dra. Sally Caldwell (Mara Corday, que fez Tarântula) e do general Considine (Morris Ankrum, de Invasão de Discos Voadores), o rapaz é o primeiro a investigar um misterioso vulto que assusta pilotos e derruba aviões, devorando os ocupantes em seguida.

De início, a teoria de McAfee de que há um monstro gigante nos céus dos Estados Unidos é vista como uma brincadeira por outros militares e cientistas, como o general Van Buskirk (Robert Shayne, de O Monstro Indestrutível). Mas a frequência cada vez maior dos ataques faz com que o piloto ganhe alguns simpatizantes. Quando a ave é finalmente avistada, o grupo e o cientista Dr. Karol Noymann (Edgar Barrier) precisam bolar um plano para impedir que a criatura destrua todo o planeta.

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O inimigo ataca com garras enormes, asas intimidadoras e um bico poderoso. Mas a arma secreta da criatura é uma espécie de escudo antimatéria, já que o bicho veio do espaço, de uma galáxia distante que é formada por essa composição. Com essa energia emanada, ele ganha uma “aura” que o deixa não só imune a tiros e mísseis, mas também indetectável por radares.

Tão grande quanto um navio de batalha” (ele é chamado assim umas trinta vezes durante toda a história, sem exageros!), a tal “garra gigante” é talvez um dos mais poderosos monstros do cinema dos anos 1950. Mas o que é e com o que se parece a tal criatura? Você está mesmo pronto para confrontá-la com os próprios olhos? Bom, não diga que eu não avisei…

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Pois é, é isso aí. O monstro original seria feito por Ray Harryhausen, mestre do stop-motion e de outros efeitos especiais, homem por trás de criaturas de clássicos como Fúria de Titãs (1981) e Jasão e os Argonautas (1963). Devido a cortes no orçamento, ele foi descartado e substituído da pior maneira possível pelo produtor: uma fábrica barata de miniaturas na Cidade no México criou a marionete, resultando em um dos monstros mais patéticos da história do cinema.

Economizando mais alguns trocados, as melhores cenas com efeitos especiais foram emprestadas de Guerra dos Mundos (War of the Worlds, 1953) e A Invasão dos Discos Voadores (Earth Vs. The Flying Saucers, 1956), este sim um trabalho de Harryhausen e também com Fred F. Sears na direção. Sears ainda ocupou a cadeira de diretor em muitas outras produções da época com o mesmo estilo de invasão extraterrestre, além de fazer vários trabalhos como narrador de uma história (incluindo no próprio O Ataque Vem do Polo).

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O problema do filme, fora o urubu abobalhado com topete e dentes tortos, é o ritmo: os vinte minutos finais, com a criatura atacando constantemente e guerreando contra os humanos, são excepcionais. Mas a demora na resolução do conflito e toda a burocracia entre os cientistas e militares podem irritar quem não tem tanta paciência com filmes antigos. As atuações também não ultrapassam aquelas caras e bocas galhofas, típicas da ficção científica de décadas atrás.

Mas não vamos apenas atirar pedras no pobre passarinho. O filme chega a divertir e tenta manter um estilo “profissional”, com uma narração galhofa e de ar documental mesclada com explicações científicas relativamente complexas sobre a ave (se você não sabe o que é um átomo exótico ou antimatéria, o filme explica!). Acredite: por mais engraçado que o oponente seja, eles tentam levar tudo a sério.

Em resumo, excluindo o pássaro esquisito, O Ataque Vem do Polo é um filme genérico, com uma história bastante padrão e um pouco cansativo, alternado com bons e divertidos momentos de ação e ataque alienígena. Só que não se pode negar uma coisa: a presença da “garra gigante” com esse visual tão peculiar fez com que ele se tornasse bem mais famoso e adorado do que deveria.

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Por conta de tudo isso, o filme é cercado de supostas histórias – como o paradeiro da marionete da ave, que é desconhecido. Será que ela foi destruída ou escondida em algum depósito? Se fosse achada, ela valeria alguns milhões para colecionadores, sem dúvidas.

Além disso, como nenhuma das cenas da criatura foi filmada com os atores no mesmo ambiente, conta-se que ninguém do elenco viu o boneco até a estreia do filme. A surpresa foi grande também para os espectadores: o rosto do bicho estrategicamente não aparece no cartaz oficial (a criatura só surge do pescoço para baixo). Já o trailer tenta esconder o bicho por letreiros e cortes rápidos, mas dá maior destaque à ave.

Ainda assim, todos acreditaram que o trabalho seria bem feito. Reza a lenda que, durante a projeção de estreia na cidade natal do protagonista Jeff Morrow, o bicho apareceu na tela pela primeira vez – e o astro do filme contou em entrevistas que a plateia ria descaradamente a cada cena do monstro. Envergonhado, ele saiu do local e foi para casa afogar as mágoas, entregue à bebedeira. Não se preocupe, Jeff: não te julgamos nem um pouco por isso.

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2 Comentários

  1. Cristiano

    Este monstro é esquisito, mas ao mesmo tempo é um monstro criativo por ser diferente dos outros monstros, se eu achasse o dvd deste filme eu animaria comprar para ver como é este filme.

  2. vanessa vasconcelos

    me animei muito não ,parece meio tosco.

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