Críticas

Cloverfield – Monstro (2008)

A destruição de Nova York num explosivo found footage do criador de Lost!

Cloverfield (2008)

Cloverfield - Monstro
Original:Cloverfield
Ano:2008•País:EUA
Direção:Matt Reeves
Roteiro:Drew Goddard
Produção:J.J. Abrams, Bryan Burk
Elenco:Mike Vogel, Jessica Lucas, Lizzy Caplan, T.J. Miller, Michael Stahl-David, Odette Annable, Anjul Nigam, Theo Rossi, Brian Klugman, Kelvin Yu

Desde a primeiríssima vez que eu vi o primeiríssimo trailer de Cloverfield – Monstro junto com as cópias de Transformers eu tinha certeza que seria uma porcaria, uma versão pomposa de Boa vs. Python. O excesso de teorias e a falta de dados concretos sobre a forma do monstro que assolaria a imprensa especializada nos meses seguintes e o hipado marketing viral estavam indicando o norte de um filme tosco de marca maior, com toda a chance de ser um fracasso retumbante como o primeiro remake de Godzilla.

E assistir a produção nos cinemas só me fez confirmar que eu estava ABSOLUTAMENTE ERRADO! WRONG! FALSCH! SBAGLIATO! FAUX!

Não, é claro que eu não estava esperando um filme ruim, mas por mais empolgação que tivesse sobre o trabalho do badalado produtor J.J. Abrams  (dos seriados Alias e Lost), a ideia de um projeto estadunidense sobre um monstro gigante (animal ou não) me arrepiava os cabelos. Será que é preciso citar exemplos? Eu sei que não, mas vou citá-los mesmo assim: Octopus, King Cobra, Anaconda 2, Megalodon, Dinocroc… Sentiram o drama?

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Porém por outro lado a ousadia garantiria pelo menos algo diferente, apoiado pelo orçamento minúsculo para uma produção do mainstream de Hollywood (de 30 milhões de dólares) e sendo rodado inteiramente em câmeras digitais. Além disso, o filme não possui créditos iniciais, título ou trilha sonora, fazendo todos a crer que se trata de uma fita encontrada pelo departamento de defesa dos Estados Unidos numa área que “era formalmente conhecida por Central Park“.

Curioso que a origem embrionária de Cloverfield aconteceu quando J.J. Abrams e seu filho visitaram uma loja de brinquedos enquanto estava no Japão para a promoção de Missão Impossível 3 e viu todos aqueles bonecos do Godzilla. “Nós olhamos para aquilo e nos meus pensamentos eu sentia que nós precisávamos de um monstro americano, e não um adorável como King Kong, mas algo que fosse insano e intenso“, disse o produtor.

Em fevereiro de 2007 a Paramount Pictures deu secretamente a luz verde para Cloverfield a ser dirigido por Matt Reeves (diretor de um dos segmentos de Dimensão do Terror) e roteirizado por Drew Goddard (de vários episódios de Lost), mas a produção só ganharia a notoriedade com as especulações após o primeiro teaser trailer lançado em julho de 2007 (antes mesmo de começarem as filmagens principais), sem título algum associado e por isso muitos achavam que 1-18-08 era o nome do filme, contudo não passava da data de lançamento nos Estados Unidos (18 de janeiro de 2008).

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A medida que o tempo passava muitos outros nomes falsos foram usados para despistar os especuladores, como “Cheese“, “Clover” e “Slusho“, e o segundo trailer, de 16 de novembro de 2007, confirmou o título real, que de acordo com Matt Reeves era o planejado desde o início. O título, aliás, é uma palavra que não tem contexto algum no roteiro, servindo apenas de codinome que o governo adotou para nomear o caso “da criatura gigante“, portanto caso estejam se perguntando, Cloverfield é apenas o nome do boulevard em Santa Monica onde se localizam os escritórios da produtora Bad Robot (de propriedade de Abrams).

Para manter o mistério em cima da produção, os testes para os papéis principais eram realizados com atores desconhecidos sem serem enviados scripts e tudo complementado pelo marketing viral. Começando pelas fotos do site 1-18-08.com e um sem número de outras páginas com referências a Cloverfield pipocando na rede, bem como um site sobre a fictícia empresa japonesa Tagruato e o refrigerante Slusho! relacionado com as obras de J.J. Abrams.

O roteiro todo mundo já deve estar sabendo a essa altura, todavia não custa recapitular: o dia 22 de maio é especial para Rob Hawkins (Michael Stahl-David), pois no dia seguinte se mudará da cidade de Nova York e tomará um voo para o oriente onde foi promovido e se apossará do cargo de vice-presidente de uma companhia no Japão, ironicamente a terra dos monstros gigantes.

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Seu irmão Jason (Mike Vogel de O Massacre da Serra Elétrica 2003) e a namorada de Jason, Lily (Jessica Lucas de O Pacto) preparam uma festa de despedida. Jason deixa a cargo do melhor amigo de Rob, Hud (T. J. Miller) a câmera de vídeo para documentar a festa e gravar o depoimento das pessoas desejando um “Adeus e boa sorte“, porém Hud passa quase o tempo todo tentando cantar Marlena (Lizzy Caplan), amiga de Lily que apenas mostra indiferença e irritação às iniciativas do rapaz.

A ex-namorada de Rob, Beth (Odette Yustman, de Alma Perdida) chega à festa com um novo namorado, Travis (Ben Feldman), o que chateia Rob e começa uma discussão entre os dois, mesmo que seja evidente que ambos ainda se gostam. Beth sai da festa mordida e pouco depois o inferno começa.

O que aparenta ser um pequeno terremoto na região de Manhattan logo confirma a aparição de uma gigantesca criatura, após a decapitação da Estátua da Liberdade – numa referência ao cartaz de Fuga de Nova Iorque – e a demolição do edifício Empire State que lembra os ataques às Torres Gêmeas de 11 de setembro – que, a propósito, não é a única citação no filme ao maior ato terrorista da história.

Correria e desespero. Durante a fuga, Rob recebe uma ligação de Beth dizendo que está sangrando e não consegue sair de seu apartamento. Rob contrariando toda a frieza lógica de fugir da ilha, se deixa guiar pelas emoções e parte em busca da amada, acompanhado de Lily, Marlena e com Hud registrando tudo em sua câmera.

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E só. Essa descrição simplória do roteiro não é coisa de articulista preguiçoso e pelo menos desta vez tenho dois bons motivos para falar pouco: primeiro não há muito além disso, e principalmente, trata-se de uma experiência unicamente visual. E como toda experiência cinematográfica deste tipo o causam outras duas implicações – nem todas as palavras seriam capazes de descrever o deleite e a paranoia na tela grande e ainda que fosse possível fazer tal descrição, muita da graça do filme se perderia se o fizesse.

E falando em deleite visual agora vem a hora que todos estavam esperando: Como é o monstro? O bichão não é a única e nem a maior ameaça do filme, porém seu visual é muito bem feito – no excelente trabalho do coordenador de efeitos visuais Phil Tippett – e um pouco diferente para o que eu pessoalmente estava esperando, porém não espere para vê-lo inteiro tão cedo na película, apenas parcelas ou imagens de relance do dito cujo aparecem até o derradeiro final, quando ele aparece em toda sua imponência e magnitude.

O que mais me impressionou, contudo, não foi a “atração principal“, mas o trabalho que a equipe técnica teve com a continuidade e com os detalhes. Cada fotograma pareceu minuciosamente elaborado pelo diretor Matt Reeves e isso transparece pela tela, apenas desconsidere que a bateria “Jack Bauer” da câmera tenha durado cerca de 8 horas sem recarga, hahaha…

Devido ao tipo de narrativa a história é cheia de “meias palavras“, ou seja, o público acostumado com aquelas explicações na cara vão certamente ficar boiando; fora que o ritmo não dá espaço para outros esclarecimentos, como de onde vem o monstro (?) ou se há algum objetivo por trás deste ataque (?). Parar para pensar nestes assuntos tem por conseqüência ser devorado pelo gigante ou levar tiros dos militares que cercam todo o local.

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Outro ponto a favor da produção é a qualidade do elenco que causa a correspondência com seus personagens e seus atos, nenhum ato heroico é injustificado ou se trata de algo que jamais faríamos em situação semelhante.

A produção tem lá os seus sustos e momentos genuinamente tensos como a claustrofóbica cena nos subsolos do metrô, mas deve-se levar em consideração que foi lançado com classificação PG-13 nos Estados Unidos, o que significa que no quesito violência não há muito que se ver.

A forma escolhida para as filmagens é primorosa para este tipo de produção – a semente plantada por A Bruxa de Blair, em 1999, fazendo seu filho mais eficaz – contudo a característica do caótico balançar da câmera, pode causar vertigens no espectador desprevenido. E não é exagero da minha parte, de fato aconteceu diversas vezes de pessoas saírem das sessões de Cloverfield com náuseas e tonturas por causa dos “rodopios” de Hud o que fez com que alguns cinemas nos Estados Unidos postassem avisos para o público.

No frigir dos ovos, ao menos agora os yankees podem finalmente dizer que fizeram um filme bom de monstros gigantes e apenas isso já vale toda a nossa admiração. Com as interseções apresentadas na projeção e o sucesso comercial (fez 112 milhões de dólares mundialmente até agora) a continuação que contará as origens do monstro está garantida e, no que depender de J.J. Abrams, será tão verdadeira quanto o primeiro…então que venha Cloverfield 2.

CURIOSIDADES

ATENÇÃO SPOILER: Na exata última cena do filme, na roda-gigante do parque onde estão Rob e Beth enquanto a câmera foca o oceano, pode-se ver ao longe um objeto caindo no mar. Este objeto possivelmente está relacionado com as origens do monstro;

ATENÇÃO SPOILER: Durante a cena na ponte do Brooklin, pode-se ver um homem com uma câmera filmando o mar e depois se virando para Hud. De acordo com o diretor Matt Reeves, este deverá ser o ponto de interseção entre Cloverfield e Cloverfield 2;

ATENÇÃO SPOILER: Se o espectador ficar na sessão até o final dos créditos pode ouvir uma mensagem dizendo “Help us” (Nos ajude), mas quando tocada ao contrário ela diz “It’s still alive” (Ainda está vivo);

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados. Contato: gabrielpaixao@bocadoinferno.com.br

6 Comentários

  1. carlos eduardo

    a pior parte e que o monstro do filme é um bebe então imagina os pais desse bichão a humanidade estaria morta

  2. Apesar do JJ Abrams ter cagado com LOst, ele acerta bem mais do que erra. Cloverfield é um excelente filme.

  3. Cristina

    Muito bom! Um dos melhores do gênero.

  4. Gustavo Cabral

    Ótimo do começo ao fim. E na minha opinião o melhor monstro do cinema.

  5. Esse é meu preferido, Cloverfield e Rec me fizeram admirar o uso da câmera em primeira pessoa (e Bruxa de Blair, claro), e o fato de nada ser explicado no filme é o melhor.

  6. Não o vi ainda , mais só ouvi elogios e incentivos pra ver .

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