Críticas

Crowsnest (2012)

Como muitos exemplares do estilo, você não perderá nada se usar o fast foward em mais de 70% do filme!

Crowsnest (2012)

Crowsnest
Original:Crowsnest
Ano:2012•País:Canadá
Direção:Brenton Spencer
Roteiro:John Sheppard
Produção:John Sheppard, Brenton Spencer
Elenco:Mittita Barber, Aslam Percival, Victor Zinck Jr., Chelsey Reist, Christie Burke, Olivia Steele-Falconer, C. Ernst Harth, Ian Carter

Crow´s Nest é uma estrutura usada comumente em embarcações como observatório, oficialmente conhecido como cesto da gávea. Com o tempo, o termo passou a designar qualquer local de observação, e até a servir de nome para cidades e vales na Austrália, Estados Unidos e em Hong Kong. Sem referência ao Canadá, ambiente onde fora filmado o terror Crowsnest, sabe-se apenas que lá as cervejas são mais baratas, tanto que motivou cinco jovens a desviar uma viagem em quilômetros para economizar alguns dólares canadenses e encontrar a morte nas estradas isoladas por um matagal característico do estilo.

Trata-se de mais um exemplar do subgênero “Found Footage“, um estilo documental com ótimo custo-benefício e, atualmente, nenhuma criatividade. Teve suas origens nos snuff movies, produções que supostamente apresentavam a filmagem de uma morte real, estabeleceu a fórmula com Cannibal Holocaust, em 1980, e alcançou a popularidade com A Bruxa de Blair e, posteriormente, com Rec e Atividade Paranormal. O conceito costuma explorar, em sua maioria, lendas urbanas envolvendo assombrações, mas também há vestígios de exemplares com zumbis (Diário dos Mortos, de George Romero), e serial killers (o excelente Evidência).

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Em Crowsnest, há quase uma mistura de tudo num resultado extremamente indigesto. As cinco vítimas em potencial – nem importa quem é quem no elenco, acredite! – chegam a uma parada de caminhões aparentemente abandonada. Lá, testemunham a aparição de uma garotinha sinistra (Olivia Steele-Falconer, que fez Leviatã em Supernatural), vestida de branco, com os cabelos longos sobre o rosto, segurando uma boneca (com o selo “Clichê” de falta de criatividade)…e continuam o passeio interminável sem verificar nas filmagens se realmente havia uma menina ali. Também encontram uma carcaça misteriosa na estrada e também registram em vídeo, assim como a voz de um pastor na rádio como Colheita Madlita. “Quero documentar a nossa viagem.” Para qual finalidade tantos registros em vídeo?  O roteiro de John Sheppard (das pérolas Ripper 2: Ressuscitando o Medo e Acredite em Lobisomens) não se dá o trabalho de justificar.

Crowsnest (2012) (2)

Como muitas das produções do estilo, nada acontece durante 70% do filme. Pode apertar o fast foward do controle do aparelho sem peso na consciência, pois não perderá nada além de conversas fúteis, briguinhas bobas, aquele personagem que sempre pede para desligar a câmera, e o outro que filma tudo até a falta de bateria do celular. O vilão da vez não tem nada de sobrenatural; são caipiras canibais oriundos de filmes como Quadrilha de Sádicos e Pânico na Floresta, que utilizam seu trailer como matadouro. É claro que há o cineasta amador que invadirá o veículo deles, com a câmera como se fosse sua visão em primeira pessoa mesmo numa situação desesperadora; e aquela velha perseguição pelas matas com a câmera chacoalhando como se fosse O Resgate do Soldado Ryan. Ah, não se esqueça daquele que irá se despedir da mãe com a câmera, também muito explorado no gênero desde a Heather de A Bruxa de Blair.

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No comando do elenco está Brenton Spencer, cujo nome não quer dizer nada a não ser que você goste de seriados de TV como Stargate: Atlantis ou do terrível Nascido das Sombras, de 2007. Ele entrega uma única cena que vale menção em Crowsnest: a decapitação de um personagem com referência direta a Cannibal Holocaust. No mais, esse “cesto da gávea clichê” nem sequer merece uma espiada.

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5 Comentários

  1. Ana Paula

    Acabei de assistir essa porquera. Damn, deveria ter lido essa critica antes de assassinar um agora e meia de minha vida.

  2. paula

    se pessoas assim, totalmente sem noção de perigo realmente existem, vamos combinar, facilita um monte a vida dos assassinos. Realmente dá pra avançar 70% sem prejuizo nenhum a compreensão e ao conteúdo que, alias, nao tem nenhum.

  3. vanessa vascocelos

    passo longe desta bomba.

  4. Mais um found footage com nada de inovador pra acrescentar , estou cheio disso .

  5. Antonio

    Marcelo, essa crítica é deveras útil para outros infernautas. Antes de assistir a esse filme no Netflix, procurei aqui no Boca do Inferno críticas sobre o filme. Corajoso de meu intento, vi o filme sobremaneira. Que filme escroto! Abraços.

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