Mr. Jones (2013)

Mr. Jones (2013)

Mr.Jones
Original:Mr.Jones
Ano:2013•País:EUA
Direção:Karl Mueller
Roteiro:Karl Mueller
Produção:Ross M. Dinerstein
Elenco:Jon Foster, Sarah Jones, Mark Steger, Faran Tahir, Stanley B. Herman, Jordan Byrne, David Clennon, Jessica Dowdeswell, Diane Neal, Rachel O'Meara

Com uma câmera na mão o subgênero found footage já percorreu sanatórios, casas assombradas e florestas escuras. Para quem já viu um, todos são muito similares em sua essência e se não se pode fugir de certos clichês deste subgênero, pelo menos Mr. Jones (2013) busca desconstruir algumas regras, ainda que ao final vire uma massa amórfica de imagens e cortes.

Trabalho de estreia do diretor e roteirista Karl Mueller, a produção aproveita diversos elementos de A Bruxa de Blair (1999) escorado na contemporaneidade da câmera em ação, no visual e na narrativa simplista de jogos de terror como Slender: The Arrival – um game “found footage” por si só – porém acaba desviando tanto de uma linha de roteiro coerente que pode confundir até os cérebros mais atentos.

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Na história acompanhamos um jovem casal formado por Penny (Jon Foster) e Scott (Sarah Jones): ele é um documentarista que resolve se isolar por um ano em uma cabana afastada da civilização e filmar a vida selvagem, enquanto ela é uma fotógrafa que largou tudo para viver ao lado dele… Infelizmente após apenas algumas semanas de isolamento (e do esquecimento dos remédios do rapaz) o relacionamento começa a ruir rapidamente.

Um belo dia vagando pela floresta ao redor, eles descobrem um totem espantalho feito com ossos e outros materiais que Penny imediatamente reconhece como sendo de um artista obscuro e recluso conhecido somente pela alcunha de “Mr. Jones“. Encontram também uma cabana onde supostamente o artista trabalha.

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Somente após algum tempo depois que entendemos a empolgação da moça e a importância de “Mr. Jones” e sua lenda: Penny convence Scott a voltar para Nova York e conversar com diversas pessoas que estudaram e tomaram contato com a obra do artista para fazer um documentário sobre ele, já ela ficaria na floresta procurando mais obras espalhadas de Jones.

Assim descobrimos que ele mandava suas macabras obras para cidadãos aleatórios dos Estados Unidos, e o que alguns entendiam como arte, outros ficavam mentalmente perturbados por sua composição, chegando a destruir os poucos totens existentes. O negócio é que ele parou de fazê-lo por algum motivo ignorado, mas a história sempre permaneceu forte nos círculos artísticos.

Com o retorno de Scott para os braços da namorada, eles resolvem levar o documentário a um novo nível, ignorando o bom senso, e exploram mais a fundo a misteriosa cabana. É quando o pesadelo começa e as coisas saem do controle para o ato final.

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Muito experimental, a qualidade da produção extrapola o baixo orçamento e transparece nas locações e na fotografia da floresta. O roteiro também se cerca de mistérios ao deixar em segundo plano quem ou o que é “Mr. Jones” para colocar seu esforço no mito e nos sentimentos do casal principal. Este inclusive é um mérito para o elenco, convincente e bem dirigido.

A construção da tensão, desta forma, torna-se natural, o que para um filme com pouca violência é um requisito elogiável. Contudo se a proposta era justamente ter uma construção diferenciada do que vemos hoje – a maneira de contar a história de Mr. Jones, por exemplo, mistura found footage em primeira pessoa e o olhar de fora – é difícil de engolir a série de clichês típicos do gênero que tomam a primeira etapa da produção.

E a segunda etapa joga a estrutura narrativa pela janela para apresentar um pesadelo psicodélico sem nexo, indo e voltando no tempo, mostrando cenas repetidas, cortes e planos de câmera estranhos sem nenhum propósito a não ser apresentar uma forma de caos ao público. Não seria exatamente um problema se estas cenas não tomassem mais de 30 minutos e que de tão abstratas e difíceis de acompanhar deixam de meter medo e passam a impressão de pura encheção de linguiça.

Sem ter muita ideia de como terminar, o diretor deixa muito para a imaginação do espectador que está cansado demais no final para pensar no que acabou de ver. Enquanto experimento e construção de tensão, Mr. Jones é eficiente e Karl Mueller merece créditos por isto, porém como filme de horror fica devendo muito, passando de assustador para meramente confuso.

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados.

10 comentários em “Mr. Jones (2013)

  • 29/04/2017 em 17:44
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    Entendi merda nenhuma desse filme. Acho que peguei um pouco da linha de raciocínio da tal “lenda” apresentada, mas esse final foi tão viajado que no fim das contas é só uma bagunça mesmo.

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  • 22/11/2015 em 20:43
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    Discordo com todos os comentários feitos aqui sobre o filme. É uma daquelas obras que poucos conseguem captar a essência.

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    • 12/09/2016 em 20:07
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      Qual seria a essencia? Achei o filme de mais confuso, mas gostaria de entender o final da história, se você puder me ajudar ?

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  • 08/10/2015 em 02:26
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    NADA SUPERA V/H/S, V/H/S 2… EU TINHA ESPERAÇA DESSE SUPERAR… FRUSTRADAS ESPERANÇAS!!!!

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  • 17/06/2014 em 09:36
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    chato pra kramba,uma pena mesmo.

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  • 16/06/2014 em 19:10
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    A primeira parte é ótima mas depois vira qualquer coisa…Quis fazer uma linha cabeça, meio Lynch e o resultado foi um filme sem pé nem cabeça, chato pra c…..

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  • 10/06/2014 em 10:08
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    Curioso “found-footage” bem fora do convencional q, sem cara de “found-footage”, consegue seu propósito apenas em parte. Casal se muda pra viver nas montanhas, mas se depara com a casa de alguém q pode ser duma medonha “lenda urbana”, no caso, o titulo do filme. Claro q a curiosidade deles vai custar caro. Com dois momentos bem definidos, o q resulta mais bacana é o primeiro, q instiga a imaginação construindo a idéia do mito em torno do Mr. Jones, aliado á ótima fotografia q cria um clima sinistro. Já o segundo momento peca demasiado pelo experimentalismo e seu desfecho consegue ser apenas um delírio visual, chato e superficial. Com atuações corretas do mirrado elenco, se a produção tivesse optado por ser um “mockumentary” normal (e menos estiloso) quiçá resultasse mais eficiente. Ou seja, foi uma boa idéia desperdiçada. 7/10

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  • 09/06/2014 em 21:16
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    O filme começou tão bom que deu pena quando virou bagunça 🙁

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    • 10/06/2014 em 00:51
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      não vo nenhi comentar, penso o mesmo que o moço ai!

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