Videodrome – A Síndrome do Vídeo (1983)

Videodrome (1983)

Videodrome - A Síndrome do Vídeo
Original:Videodrome
Ano:1983•País:Canadá
Direção:David Cronenberg
Roteiro:David Cronenberg
Produção:Claude Héroux
Elenco:James Woods, Deborah Harry, Sonja Smits, Peter Dvorsky, Leslie Carlson, Jack Creley, Lynne Gorman, Julie Khaner, Reiner Schwartz, David Bolt, Lally Cadeau, Henry Gomez, Harvey Chao

Primeiro ele controla a sua mente… depois ele destrói seu corpo.

O diretor canadense David Cronenberg possui em seu currículo uma grande variedade de filmes de horror e ficção científica que são muito cultuados pelos fãs do cinema fantástico. Abordando temáticas polêmicas e não convencionais, suas obras sempre tem despertado um interesse especial colocando-o como um dos cineastas mais lembrados pelos apreciadores do estilo, e figurando ao lado de nomes consagrados como George A. Romero, John Carpenter, Roger Corman, Dario Argento, Terence Fisher e outros, cujas obras passaram a estar eternamente associadas ao gênero.

O filme Videodrome – A Síndrome do Vídeo (Videodrome, 1983) é uma dessas obras cultuadas justamente por seu caráter diferenciado, numa curiosa mistura entre elementos de ficção científica, horror, sexo, violência e surrealismo, sendo considerado um destaque na filmografia de Cronenberg, que ainda inclui outras obras similares que exploram a complexidade da mente humana como Scanners – Sua Mente Pode Destruir (Scanners, 1981), A Hora da Zona Morta (The Dead Zone, 1983, este baseado em livro de Stephen King), Mistérios e Paixões (Naked Lunch, 1991, este inspirado em obra de William S. Burroughs), ExistenZ (1999), e Spider – Desafie Sua Mente (Spider, 2002, este a partir de livro de Patrick McGrath).

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O empresário Max Renn (James Woods) é o proprietário de uma pequena estação de televisão a cabo chamada Civic TV, a qual é conhecida por apresentar programas de sexo e violência em sua programação fora dos padrões. Certo dia, ele recebe a informação do seu técnico Harlan (Peter Dvorsky), sobre a captação de uma transmissão com imagens de um programa clandestino onde pessoas eram torturadas e assassinadas de verdade, na linha dos conhecidos snuff movies.

Mais tarde, ao investigar a origem do programa, Max descobre que a transmissão trata-se de um show de televisão chamado Videodrome, algo como Arena de vídeos, uma experiência secreta que consiste em transmitir imagens de violência que alteram as percepções de quem assiste, causando danos fatais no cérebro através de um tumor, e criando uma série de efeitos de alucinações bizarras numa mórbida confusão mental entre realidade e fantasia macabra.

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A namorada de Renn, uma sensual e sadomasoquista radialista chamada Nicki Brand (Deborah Harris), é seduzida pelo programa tornando-se uma vítima de seus efeitos, e o próprio Max torna-se também um escravo do Videodrome, sendo manipulado por seus criadores a eliminar seus sócios Moses (Reiner Schwartz) e Raphael (David Bolt), para utilizaram o canal a cabo como forma de disseminação do programa ilegal.

Uma vez sofrendo terríveis alucinações com deformações em seu corpo, Max se vê obrigado a procurar uma solução recorrendo ao misterioso Prof. Brian O’Blivion (Jack Creley) e sua bela filha Bianca (Sonja Smits), que possuem envolvimentos e informações importantes sobre o programa. Mais tarde, ele entra em contato com o inescrupuloso empresário Barry Convex (Leslie Carlson) e passa a descobrir que utilizando seu próprio corpo mutante, numa mistura de fantasia e realidade, poderia ser a única forma de combater seus inimigos.

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Alguns dos destaques do filme são as cenas de surrealismo envolvendo Max Renn, em sequências de alucinação onde ele explora o interior de seu corpo através de uma enorme fenda aberta na barriga, na qual são colocadas as fitas de vídeo com a programação do Videodrome; ou a cena onde um dos personagens literalmente se decompõe em feridas pútridas e hematomas pestilentos (num excepcional trabalho de maquiagem de Rick Baker); ou ainda os discursos do profeta da mídia Prof. Brian O’Blivion, criador do obscuro programa e sua primeira vítima, ao tentar esclarecer o significado de Videodrome e suas consequências, como reproduzido na citações abaixo:

A batalha pela mente da América do Norte será travada na arena dos vídeos, o Videodrome. A tela da televisão é a retina da mente. Portanto, a tela da televisão é parte da estrutura física do cérebro. Portanto, o que aparece na tela da televisão surge como pura experiência para aqueles que assistem. Portanto, a televisão é a realidade e a realidade é menos do que a televisão.

Acho que este desenvolvimento na minha cabeça, esta cabeça, esta aqui, não acredito que seja realmente um tumor, uma forma borbulhante descontrolada de carne, mas que seja, na verdade, um novo órgão, uma nova parte do cérebro. Acho que doses maciças do sinal do Videodrome criarão um novo desenvolvimento do cérebro humano, que produzirá e controlará a alucinação a ponto de mudar a realidade humana. Afinal, não há nada real, além de nossa percepção da realidade.

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David Cronenberg nasceu em 1943 em Toronto, Canadá, e sua carreira inclui mais de trinta filmes desde 1966. Curiosamente, a partir de meados dos anos 1980, ele começou a aparecer em pequenas pontas em vários filmes também, sendo alguns de horror e suspense como A Mosca (1986) e Crash – Estranhos Prazeres (1996), ambos com sua própria direção, além de Nightbreed (1990), que foi dirigido pelo cultuado escritor Clive Barker, Medidas Desesperadas (1996), Ressurreição – Retalhos de Um Crime (1999) e Jason X (2001). Cronenberg também dirigiu dois filmes de horror muito apreciados pelos fãs do gênero, Calafrios (Shivers, 1975), com a musa Barbara Steele no elenco, numa história sobre parasitas contagiosas que transformam as pessoas em maníacas sexuais, e A Mosca (The Fly, 1986), refilmagem de uma preciosidade dos anos 1950, A Mosca da Cabeça Branca (1958), sobre as experiências de um cientista no teletransporte da matéria, e que acidentalmente transforma-se num monstro.

O responsável pelos excelentes efeitos de maquiagem em Videodrome foi o especialista Rick Baker, um dos melhores profissionais dessa área no mundo cinematográfico. O americano Baker nasceu em 1950 em New York e é o responsável por trabalhos premiados com o cobiçado Oscar em Um Lobisomem Americano em Londres (1981) e com Homens de Preto (1997) e O Grinch (2000). Ele especializou-se em filmes fantásticos contribuindo significativamente para a realidade dos diversos monstros do cinema como os apes de O Planeta dos Macacos (2001), e o lobisomem do remake homônimo. Curiosamente, ele assinou o trabalho de maquiagem de um obscuro e super interessante filme B de 1977, O Incrível Homem que Derreteu, uma verdadeira pérola rara de baixo orçamento que fala de um astronauta que ao retornar de uma missão espacial, traz um vírus alienígena que o faz derreter literalmente, de forma crescente e vagarosa, transformando-o num psicopata monstruoso. Os efeitos são excelentes já mostrando a competência profissional de Rick Baker em início de carreira.

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No elenco destaca-se o experiente ator James Woods, cuja carreira já passa dos 130 filmes. Americano nascido em Utah em 1947, Woods participou de outros filmes de horror como Olhos de Gato (1984), com um conto inspirado em Stephen King e Vampiros (1998), de John Carpenter, ou da paródia Todo Mundo em Pânico 2 (2001), ou ainda do clássico sobre gangsters Era Uma Vez na América (1984), de Sergio Leone. Mais recentemente esteve no thriller de ação O Ataque, de Roland Emmerich.

Curiosamente, a maioria dos filmes de Cronenberg lançados no Brasil receberam títulos mal escolhidos, como por exemplo Enraivecida na Fúria do Sexo (Rabid, 1977), Os Filhos do Medo (The Brood, 1979), Gêmeos, Mórbida Semelhança (Dead Ringers, 1988) e Mistérios e Paixões (Naked Lunch, 1991), que são bem diferentes dos seus respectivos nomes originais. Sem contar os subtítulos totalmente desnecessários que alguns filmes ganharam ao chegarem no país como Sua Mente Pode Destruir (Scanners), A Síndrome do Vídeo (Videodrome), Estranhos Prazeres (Crash) ou Desafie Sua Mente (Spiders). É simplesmente inacreditável como os responsáveis por nomear os títulos nacionais insistem em complicar uma tarefa fácil, ou seja, apenas traduzir o nome para nosso idioma ou então manter o mesmo original por questões normais de incompatibilidade.

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Outra curiosidade do filme é uma sequência onde num diálogo envolvendo o personagem Max Renn o Brasil é citado, juntamente com a América Central, como um lugar onde os vídeos clandestinos com violência são considerados subversivos e seus responsáveis são executados. Se Cronenberg tivesse pesquisado melhor o assunto para seu roteiro, descobriria que no Brasil não existe pena de morte.

Para os colecionadores, o DVD de Videodrome – A Síndrome do Vídeo foi lançado no Brasil pela Universal, só que trazendo muito pouco material extra, sendo que os fãs que poderiam ser recompensados com algum outro material interessante adicional como making of ou entrevistas (e de preferência legendado em português), são obrigados a se contentar apenas com um trailer de cinema e sem legendas.

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Vida longa para a nova carne!

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Juvenatrix

Juvenatrix

Uma criatura da noite tão antiga quanto seu próprio poder sombrio. As palavras são suas servas e sua paixão pelo Horror é a sua motivação nesse Inferno Digital.

10 comentários em “Videodrome – A Síndrome do Vídeo (1983)

  • 01/01/2017 em 23:59
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    Acho que o que ele quis dizer sobre o Brasil está ligado à ditadura, que mesmo sem haver lei de pena de morte, pessoas eram mortas pelo governo se não seguissem suas regras. Não sei se filmes clandestinos no estilo do Videodrome foram produzidos no Brasil nessa época, mas sem dúvidas, outros artistas foram mortos pelo governo por suas obras clandestinas e subversivas. Portanto, não acho que o Cronenberg tenha errado de fato, só não especificou muito bem a sua afirmação.

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    • 24/12/2017 em 00:12
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      Exatamente o que eu ia comentar. Excelente colocação.

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  • 07/08/2016 em 00:31
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    Pertubador, doentio e surreal. David Cronemberg é um mestre em fazer filmes de terror/ficção cientifica com essas tematicas.

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  • 21/06/2014 em 16:32
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    este filme passou varias vezes na REDE GLOBO,logico! sempre cortado foi lançado em VHS pela CIC Video é raríssimo de achar e inclusive em DVD pois foi lançado pela UNIVERSAL VIDEO empresa que quando lança alguma coisa aqui sempre em poucas copias para abastecer o nosso mercado ridiculo de DVD.

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  • 18/06/2014 em 20:16
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    Você até entende algumas mensagens, mas a obra fica muito confusa, principalmente com aquele final. Vale pelas cenas que são incríveis: ótimos efeitos de maquiagem!

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  • 17/06/2014 em 20:23
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    Esse filme quando eu vi achei meio confuso, foi um daqueles que tem que parar pra ficar pensando o que eu acabei de assistir, quem nunca viu é interessante ver, mas sem muita informação sobre. Então, em relação aos títulos de filmes estrangeiros no Brasil, não é uma questão de tradução e sim critérios da distribuidora, é tudo uma questão de markenting, ele que é o grande culpado por essas pérolas, o coitado do tradutor leva a culpa mesmo sendo inocente. E é bom lembrar que muito título zoado de filme estrangeiro não é só no Brasil, é em todo lugar.

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